Uma estranha no ninho - Vol. I
9 Uma estranha dominação.
Notas iniciais

A jovem levou vários minutos até despertar de seu encanto e quando isso aconteceu o desânimo foi o que tomou o lugar. Realmente era de desanimar qualquer ser que ficasse diante dos degraus das 12 casas, mesmo sento magnífico e impressionante. A jovem coçou a nuca pensando em como faria para subir aqui tudo? Será que ali eles nunca tinham ouvido falar em escada rolante ou elevadores?! Bufou só de imaginar não ter opção a não ser encarar a escadaria e ainda por cima arrastando uma bagagem nada singela, mas o que podia fazer?! Era mulher e precisava realmente de tudo aquilo. Não tinha como fazer uma viagem sem levar nada.
— Droga! Por que eu fui trazer tanta coisa?
A jovem olhou para ambos os lados; talvez existissem pessoas ali que fizessem esse tipo de serviço, mas...não via ninguém. Pelo menos não até aquele momento. Deixou seus olhou deslizarem novamente pela escadaria pensando como seria a vida do morador da última casa. Imagina se ele esquecesse o saco de arroz ou o pão do café da manhã?!
Estava tão perdida em divagações que o homem que havia acabado de chegar teve que repetir duas vezes o cumprimento para fazer com que ela despertasse.
— Olá! Posso ajudar?
A estrangeira virou rapidamente, fazendo seus olhos de íris escarlate cruzarem com os verdes do homem. O sorriso simpático e lindo, de dentes brancos e perfeitos em meio ao rosto másculo era de deixar qualquer uma de pernas bambas. Os braços eram muito bem definidos, assim como o resto do corpo, os cabelos castanhos amendoados caiam displicentemente sobre a fita vermelha que adornava sua testa de um jeito peculiar.
— Ah...eu...
— Está perdida? – ele indagou sorrindo. Ela sentiu suas bochechas esquentarem só com aquilo. Deus! De quem foi a ideia de dar vida as estátuas Gregas? E desde quando elas usavam calça jeans justa, blusa de meia manga e carregavam uma caixa metálica que parecia pesar meia tonelada? Até onde lembrava essas estátuas costumavam estar quase nuas, o que não seria nada mal naquele momento. — Oiiii, você está bem moça? Fala minha língua?
A garota piscou mais algumas vezes para ver se assim colocava seus parafusos no lugar. — Estou! — Respondeu rápido. — E sim, eu falo a sua língua. É que.. — mais uma olhada pelo corpo escultural. —...eu nunca tinha visto uma estátua grega falar. — sussurrou.
— Perdão, o que disse?
— Ah! Deixa para lá. — movimentou as mãos. — Eu to procurando uma pessoa na verdade e sim...eu estou um pouco perdida.
Ele sorriu mais deixando a moça nas nuvens. — É fácil se perder por aqui, mas então eu me chamo Aiolos. — Ele estendeu a mão. — Muito prazer.
A garota tentava se controlar, mas era quase impossível resistir ao sorriso encantador daquele homem. Esticou a mão, sentindo a aspereza e o calor da dele cobrindo a sua. Um suspiro indesejado saiu de seus lábios e Aiolos só não gargalhou porque a moça era realmente linda, e nada melhor para o ego do que saber causar aquele tipo de reação em alguém tão bonita.
— O prazer é meu, eu me chamo...
— Keiko-chan?! — a voz calorosa de Kyoko interrompeu a troca de olhares. Ambos viraram e a garota deu um sorriso enorme de alegria.
— Kyoko-neechan! — falou esquecendo-se do grego e correndo em direção a outra.
As duas pularam nos braços uma da outra em um abraço caloroso e saudoso. Saga e os meninos ficaram com cara de bobos, assim como Aiolos que se questionava quanto tempo havia estado fora para que as garotas de hoje em dia passassem a andar pelas ruas vestindo um tipo de...fantasia?!
— Kyoko até que enfim eu te encontrei. Que saudade!
— Eu também. Estou tão feliz que tenha conseguido encontrar. — a Kitsune respondeu emocionada. — Eu não via a hora de você chegar.
— Bom, o mapa não era lá essas coisas, levei horas para decifrar.
— Desculpa, mas é que...tive medo de te seguirem. – confessou Kyoko, cabisbaixa.
O pequeno Luy caminhou curioso até a raposa e tocando em sua perna para chamar sua atenção.
— Tyoko? Quem é elha?
— Ah! Luy essa é a Keiko. — fez uma pausa e sorriu. — Ela é minha irmã mais nova.
— Irmã? — Saga balbuciou.
— Keiko esse é o Luy. — a garota acenou e sorriu deixando uma de suas semelhanças com a irmã em evidência.
Luy com seus olhinhos verdes detalhou curioso todo o rosto da recém-chegada; ela possuía o mesmo sorriso em meio às covinhas fofas idênticas as de Kyoko, mas os cabelos eram muito diferentes sendo o corte na altura do pescoço e negros, destacando a pele alva e os olhos cor de sangue. Olhou um pouco mais...
— E puque elha é difelenti? — ergueu uma sobrancelha. — Ella não tem olelas fofinhas e rabo como voxe.
As irmãs trocaram um olhar cúmplice. — É que a Keiko gosta de ser diferente.
Keiko sorriu lindamente.
De longe os cavaleiros observavam a cena: Saga sem acreditar que Kyoko tinha uma irmã mais nova e aparentemente humana, já Aiolos pensava em como podia uma garota linda como aquela ter uma irmã tão...tão
— Saga?! De onde foi que saiu essa...essa...
— Kitsune; traduzindo: raposa do Makai. — Aiolos ergueu uma sobrancelha sem entender menos ainda. — É uma história longa. Eu juro que te conto depois. — Gêmeos completou.
Enquanto Kyoko tentava explicava para Luy sobre como ser diferente era bom, a mais nova se deu conta de que agora não era observada somente por um homem e sim dois e pelos deuses...quem era o outro bonitão?
— E você quem é? — ela inquiriu ao se aproximar.
— Eu sou Saga o cavaleiro de ouro de Gêmeos. — respondeu com um sorriso simpático e toda sua imponência.
— Cavaleiro...de...ouro? – balbuciou confusa. Kyoko se aproximou.
— Sim maninha, e esse ao lado dele pelo...desenho na caixa deve ser o cavaleiro de Sagitário.
— Está certa! Sou o guardião da nona casa. – sorriu.
Keiko arregalou os olhos. Virou o rosto devagar fitando com ar de espanto as doze casas e voltou a encará-los. — Nona? Quer dizer...que você...tem que subir todos esses degraus todos os dias?
— Sim, mas já estou acostumado.
Kyoko bufou já imaginando o quanto a irmã reclamaria quando descobrisse onde estava vivendo agora e que graças a isso ela também teria que subir todos aqueles degraus e com toda aquela bagagem.
— Luy...- Kyoko se abaixou ficando na mesma altura do menino. – É hora de você ir para casa com Dionísio, o sol já está se pondo e eu não quero que você fique andando por aí assim, pode ser perigoso.
O rosto de menino automaticamente se torceu de tristeza. O passeio estava sendo muito bom e não queria ter que ir para casa ainda. Ele gostava e muito de Kyoko, mas o que ele gostava mais era ter Kyoko e Saga juntos. Aquele era o melhor dia de sua vida! Um dia único! Não era justo ter que acabar tão rápido.
— Maix Tyoko...eu naum quelia í pla casa agola, eu...quelia fica com voxe.
— Ah Luy...eu... – fez uma pausa. – ... olha eu não tenho uma casa própria onde eu possa levar você. Estou ficando na casa de peixes e eu não posso levar você sem a permissão de Afrodite entende?!
No fundo Luy até entendia e sabia que ela estava certa, mas para seus sentimentos de criança era triste demais ter que acabar com aquele conto de fadas. Tudo parecia um sonho em que Saga, seu maior ídolo e Kyoko, sua salvadora estavam juntos em um passeio com ele. Imaginou que aquilo nunca mais pudesse acontecer o que fez sua tristeza aumentar em dobro. Um biquinho se formou nos lábios pequeninos e os olhos verdes marejaram. Sem autocontrole o menino começou a chorar baixinho, colocando as costas das mãozinhas em cima dos olhos e chamando a atenção de todos. Saga aproximou-se abaixando também.
— O que houve?
O menino até tentou explicar, mas mesmo com todo esforço ele não conseguiu. Suas emoções afloraram ainda mais e o choro se tornou mais forte. Saga e Kyoko não entendiam uma vírgula do que ele tentava dizer a fazendo se sentir mal com aquilo. Ela no fundo não se importaria de passar o dia ou à noite, semanas ou meses com ele, mas não podia levá-lo para casa de Afrodite sem a permissão dele e também da mãe dele.
— Ah Luy não chora. – Kyoko puxou o menino o abraçando. Trocou um olhar com Saga.
— O que houve com ele? – perguntou Keiko ao se aproximar.
— Ele não quer ir embora, mas é que...eu não posso levá-lo comigo para a casa de peixes sem a permissão de Afrodite.
— O quê?!!! Você está na casa...de...peixes? – a mais nova quase berrou com os olhos arregalados. Kyoko bufou.
— Sim, estou.
— Ahhhh meu Deus!!! — a mais nova quase caiu dura ao imaginar que teria que subir aquilo tudo. – De todas as casas você tinha mesmo que escolher a última delas? Você não podia ter escolhido uma das primeiras não?! O que deu em você? Pirou é?!
Kyoko semicerrou os olhos. — Ei não fale assim, eu não posso simplesmente resolver ficar na casa de alguém sem consentimentos.
O menino abraçou a raposa ainda mais, pois toda vez que ouvia o nome “Casa de Peixes” sentia-se ainda mais perto do final de seu sonho.
— Tioko...pufavo! – ele pediu. – Eu naum quelo i imbola agola...quelo fica com voxe e o Senhor Saga. – agora sim ele perdeu o controle, deixando as lágrimas escorrem em abundância. Kyoko sentiu o coração doer com o choro triste do menino. Sabia que não era uma questão de manha e sim de admiração. Quem não iria querer ficar o mais tempo possível ao lado de seus ídolos?
— Ohh, não. Tudo bem, tudo bem, não chora.
Saga ficou olhando a cena por um tempo: Kyoko ninava o menino devagar, de um lado para o outro enquanto falava baixinho somente para ele ouvir. O olhar terno e carinhoso ficava nítidos no jeito como ela o embalava e acarinhava. O pôr do sol dando um visual ainda mais lindo ao refletir o brilho nos olhos bicolores da raposa. Saga sentiu o coração apertar tanto em seu peito que pareceu parar por alguns segundos. Ela tinha uma paciência e um carinho que talvez um ser humano não tivesse e isso o deixava ainda mais convicto do quanto estava apaixonado. Seu corpo, como um ímã começou a se aproximar dela e se não fosse por saber que não estavam sozinhos ele teria a beijado naquela hora.
— Ei...- fez uma pausa tocando de leve o ombro de Kyoko. – ...Luy não precisa chorar, okay?! – limpou algumas lágrimas que marcavam o rosto do pequeno. – Vamos fazer assim: falaremos com sua mãe e se ela concordar você poderá ficar na minha casa.
O menino deu um largo sorriso, mas...ainda tinha um “porém”...- Ih a Tyoko...elha podiu fica na sua casa tamem?
Kyoko só faltou engasgar. Por essa ela não esperava...MESMO! E antes que pudesse argumentar sua irmã que de boba nada tinha aproximou-se e como uma criança pidona aumentou o time de torcida do menino adorando a ideia de não ter que subir toda aquela escadaria pelo menos por hora.
A mais velha só não pulou no pescoço da irmã porque Luy pulou no seu primeiro, pedindo e repetindo milhares de vezes para que ela aceitasse ficar na casa de gêmeos também. Sentiu-se como uma panela de pressão prestes a explodir. Era tudo que mais evitou fazer nas últimas semanas e agora todo seu esforço em ficar longe daquela casa e principalmente do dono dela estava indo por água abaixo.
— Aiolos, você está com presa? – Saga perguntou. O sagitariano somente negou com a cabeça. – Ótimo! Gostaria de jantar conosco? Eu pedirei a Julieta para fazer algumas pizzas, que tal?!
— Picças? Obaaaa!!! – o menino gritou de felicidade junto com Keiko que gostou ainda mais de saber que a estátua grega viva também jantaria com eles.
Kyoko se vendo em um beco sem saída, xingou tudo que podia internamente e prometeu que assim que pudesse esganaria sua maninha por aquela traição. Trocou um olhar com gêmeos que entendeu o recado, mas não se intimidou. Sabia o que aquele olhar assassino queria dizer. Já estava costumado, mas mesmo não tendo armado aquilo tudo com segundas intenções ele aproveitaria a deixa e dessa vez sem que ninguém o atrapalhasse já que em sua casa as coisas eram bem diferentes.
♊ oOo ♊
Casa de Gêmeos...
Luy corria feliz da vida ao ser um dos únicos meninos da vila a poder pisar na parte privada de uma das doze casas e ainda dormir nela. Não tinha como se sentir mais orgulhoso e extremamente feliz com aquilo. Ainda mais depois de Kyoko ter aceitado o convite de Saga. E ah! Sem contar que o grande Aiolos de Sagitário, o homem mais fiel a Atena também estava ali. Era muita emoção.
Já para a kitsune aquilo estava sendo um martírio. Ela não conseguia parar de pensar em Eva e Saga juntos. Ela teria que presenciar a morena e mais um de seus teatros e sessões de beijos e abraços somente para aborrecê-la. Bufou! Se não fosse por Luy ela jamais teria aceitado aquilo. Não por não querer estar ali novamente, no fundo admitia que pisar naquela casa era muito reconfortante. Sentira saudades dali. Saudade do tempo em que tudo era divertido e bom ao lado do geminiano, do tempo em que fazia o que queria e Saga não se importava, do tempo em que ele a via como um ser “quase” normal chegando até deseja-la. Saudades do cheiro mentolado nos lençóis e nas toalhas, nas camisas que se pegava cheirando as escondidas, saudades do sorriso sexy e a voz grave lhe dizendo: Bom dia!
Kyoko soltou o ar de seus pulmões com pesar.
“Ahhh que maravilha, de todos os cavaleiros você tinha mesmo que se apaixonar justo por ele? Inferno! Não podia ser Afrodite ou...Mu? Até Milo ou Camus, mas não...eu sempre tenho que me atrair pelas coisas mais difíceis. Por que ele não podia gostar de mim como eu sou? Tenho certeza que se aquela...maldita cobra da Eva não tivesse nos atrapalhado naquele dia nós... O quê?! Mas o que to pensando?! Acorde Kyoko! Saga nunca vai trocar uma mulher humana para ficar com você, então é melhor parar com essas coisas.”
— É impressão minha ou rolou alguma coisa entre você e esse tal Saga?
Kyoko despertou de seus devaneios. A voz sacana de sua irmã ao pé do ouvido não deixava que continuasse. Emburrou a cara tentando ignorar a menor, mas ela simplesmente não conseguia mentir; principalmente para Keiko.
— Eu morei aqui. Foi ele quem me encontrou, aliais...ele quase me matou para ser mais exata. – fez uma pausa. – Ele é do tipo: Bate primeiro e pergunta depois.
— Kyoko não foi isso que eu te perguntei. – disse a mais nova observando que Luy ainda admirava Saga e Aiolos conversar enquanto esperavam a pizza.
— Keiko...eu não quero falar sobre isso aqui. Eu prometo que te conto tudo quando formos para casa do Afrodite amanhã. – sussurrou melancólica.
— Ahh nem pensar! – a mais nova segurou no antebraço da irmã a puxando para um lugar mais afastado. – Resuma! Eu sei que você pode.
Kyoko bufou puxando a irmã para próximo de uma janela na sala da casa. O céu estava incrivelmente belo naquela noite.
— Está bem, direto ao ponto: Ele me dispensou para ficar com uma humana fedida e sem graça. – fez uma pausa. – Aquela humana ali. – apontou com a cabeça. Keiko seguiu a indicação da irmã observando Eva parada na entrada da sala. A mulher com cara de poucos amigos não conseguiu acreditar que aquela youkai maldita estava bem ali na sala de “sua” casa e ainda por cima falando de si sem a menor dor na consciência.
— Fedorenta? – A mulher cruzou os braços. – Kyoko quando é que você irá se dar conta de que o Saga é meu?
“Ihhh isso não vai dar certo.”, anteviu Keiko.
— Sabe...eu não lembro de ter visto seu nome em nenhum lugar do corpo dele enquanto ele estava nu. – Kyoko olhou para a irmã e sorriu matreira. – E que corpo!
A mulher trincou os dentes de ódio. – Você não se enxerga mesmo sua cadela. Olhe para você, não passa de um monstro que engana as pessoas, usando essa...aparência para conseguir o que quer. Não importa o que você faça. Quantas pessoas você salve, nada irá mudar o fato de você não ser uma mulher de verdade. Você nunca será humana!
— Eu prefiro ser o que sou a ser uma mulher mesquinha, baixa e mentirosa como você! – rosnou entre os dentes. Seus olhos começando a mudar enquanto seu coração queria saltar pela boca.
— Maninha melhor se acalmar. — Keiko aproximou-se segurando o ombro da irmã.
Eva gargalhou: – Você tem inveja de mim, Kyoko. Inveja por ser eu dormir com Saga todas as noites e você não.
Kyoko sentiu o sangue ferver nas veias, ignorando totalmente o lugar onde estava e empurrando a mão de Keiko com força. A mais nova gemeu de dor e nervosismo. Conhecia bem a irmã que possuía e ainda mais quem Kyoko era, e levar desaforo para casa era a última coisa que ele deixaria passar.
— Só em corpo Eva, porque enquanto você rebola sobre o pau dele é em mim que ele pensa para não broxar no final!
“Aiii meu Deus!”, pensou Keiko, mordendo o lábio inferior de nervoso.
Kyoko não sabia de onde tinha tirado aquela ideia maluca, mas isso não importava, mesmo não sabendo que era a mais pura verdade o que para Eva foi como se uma bofetada tivesse lhe atingido em cheio.
A mulher apertou os punhos de ódio, sentindo suas unhas perfurar a carne e quando tencionou a erguer a mão a voz calma e imponente de Saga fez Eva estancar.
— Ela arrancará sua mão antes de você terminar de erguê-la.
Eva sentiu ainda mais ódio, observando as unhas afiadas da rival. Seu rosto branco ficou vermelho de tanta raiva por saber que era a mais pura verdade. Ela era tão inferior a Kyoko que nem sequer podia arranhá-la. A raposa era infinitamente mais forte e se não fosse pela interrupção do amado estaria sem uma das mãos com toda certeza. O olhar assassino de Kyoko não deixava a menor dúvida disso. Ela jamais hesitaria em lhe ferir e se arrancasse somente sua mão seria mera sorte.
Saga aproximou-se e logo atrás de si Luy surgiu correndo com um sorriso enorme. Kyoko automaticamente voltou ao semblante carinhoso, suas unhas encolheram e suas covinhas novamente enfeitaram suas bochechas.
— Tioko voxe...voxe naum vai tumê com a genti? – ele perguntou ofegante.
— É claro que eu vou, você acha que vou deixar de comer a pizza da Julieta para ficar aqui olhando para a cara de múmia da Eva?! Nem morta. – sorriu.
— Quem chegar por último é um ovo podre! – disse Keiko toda empolgada. O menino deu um grito e saiu correndo na frente com ela em seu encalço. Kyoko deu mais um olhar nada amigável para o casal e saiu sem dizer nada.
— Eu não acredito que você não disse nada! – rosnou Eva. Estava furiosa.
— Você teve sorte por eu ter aparecido, devia me agradecer por ter salvado você mesmo que sem querer. – Saga segurou no braço de Eva puxando-a mais para si. Ela fez uma careta de dor. – Esse é o último aviso que lhe dou; deixe a Kyoko em paz ou eu não me responsabilizo pelo que ela possa fazer com você. Ela ainda não te matou não sei por que, então se você presa as partes do seu corpo e principalmente sua vida é melhor deixá-la em paz.
— Você deixaria ela...me...machucar?
— Não, eu não deixaria, mas não por você e sim porque eu não gostaria de ter que colocar a Kyoko em uma prisão ou expulsá-la do santuário. – deu as costas. – É melhor abrir os olhos Eva. Eu sou um Cavaleiro de Ouro, mas não posso era em todos os lugares ao mesmo tempo. Pense bem, da próxima vez eu posso não chegar a tempo.
Eva sentiu-se secar por dentro. Era a confirmação que tanto temia e isso foi como espadas a perfurar todo seu corpo. Uma lágrima quente rolou por seu rosto pálido e seus lábios tremeram. Não podia acreditar que Saga, seu Saga havia dito que preferia vê-la morta ao ter que punir Kyoko. Não dava mais para esperar a boa vontade de Shion ou de Saga em ver que a raposa era uma ameaça. Ela tinha que fazer alguma coisa e já. Correu para a entrada da casa de gêmeos, sentindo as lágrimas molharem seu rosto. Nunca fora tão humilhada em toda sua vida.
“Maldita Kyoko! Como eu queria vê-la morta, como eu queria matar você, mas nem isso eu posso! Vagabunda, como eu odeio você! Como ela pode? Como ela...” O som do crocito fez Eva se arrepiar por inteira. Olhou a sua volta até seus olhos se encontrarem com os brilhantes do animal que a observava sinistramente de uma árvore próxima.
“Um corvo? Que estranho.” A mulher continuou a observar a ave que bateu suas asas e alçou voo enquanto seu gralhar ecoava pelas doze casas. Eva não soube explicar, mas sentiu como se aquilo fosse um chamado da ave para que a seguisse. Olhou para os lados verificando que não havia ninguém e saindo a passos rápidos.
♊ oOo ♊
Depois de muitas pizzas, conversas, risos, paqueras, etc... Kanon ligou avisando que não voltaria para casa naquela noite o que para o mais velho foi perfeito. Com o irmão fora Kyoko poderia dormir mais confortável na cama do mais novo, mesmo que em seu íntimo ele quisesse mesmo era que ela ficasse em seu quarto como antes, mas com Luy ali as coisas seriam difíceis, mas mesmo assim estava satisfeito. Eva havia saído e mesmo achando que devia se preocupar, não conseguia. Seus olhos, vira e mexe caiam sobre Kyoko completamente largada no enorme tapete de sua sala enquanto beliscava algumas pipocas com Keiko. Esta parecia mais interessada em papear com Aiolos do que no filme. O pequeno Luy já começava a demonstrar sinais de cansaço, deitado na lateral do corpo da raposa e com a cabeça apoiada na barriga dela. Os dedos finos de Kyoko entravam devagar em meio aos cachinhos negros do menino, ninando-o sem perceber.
— É mesmo! Puxa eu não entendo nada de arco e flechas, mas você poderia me mostrar como se faz. Eu aprendo as coisas muito rápido. – Keiko sorriu.
— É claro! Será um prazer. – respondeu Aiolos mostrando os dentes brancos em um belo sorriso. – Bom acho melhor eu ir, já está tarde eu estou um pouco cansado. Foi um prazer conhecê-la Keiko.
— Idem! – Ela respondeu sorrindo e dando mais uma bela olhada pelo monumento sagitariano. — A gente vai se ver outra vez?
— Claro! Por que não?! – sorriu o sagitariano.
Saga acompanhou o amigo até a saída da parte privada e despedindo-se com um abraço. Era bom ter a amizade de Aiolos de volta depois de tudo que havia acontecido. Sentia-se grato todos os dias por Atena ter lhe perdoado de todo mal que havia feito e lhe dado uma nova oportunidade. Acomodou Keiko no quarto de hospedes, voltando em seguida para a sala e observando Kyoko dormir abraçada ao pequeno. Sorriu sentindo pena em ter que acordá-la. Ela ficava ainda mais linda enquanto dormia.
— Kyoko. – sussurrou. A raposa se arrepiou com o hálito quente batendo contra suas bochechas. Os dedos de Saga entraram nos cabelos brancos, afastando a franja e os fios que o impediam de ver seu rosto totalmente. Ela soltou um resmungo, mas não acordou. Virando um pouco e libertando Luy.
Saga aproveitou a deixa e levando o menino para seu quarto. Em seguida voltou para a sala; agora era vez de Kyoko.
Devagar tentou pegar a kitsune no colo, mas a mesma resmungou mal-humorada: – Não! Me deixa dormir, o sol não irá nascer agora.
— Eu sei que não, mas você não pode dormir aqui. – Saga puxou Kyoko por um dos braços, mas ela, mesmo sonolenta, não estava afim de cooperar. Odiava ser acordada e ainda mais movida de onde estava enquanto dormia. Saga sabia disso e era exatamente por isso que ela sempre ficava em sua cama.
Com um pouco de jeito e insistência, umas palavras doces aqui e outras ali Kyoko aceitou ser carregada. Ainda resmungou alguns impropérios que Saga não entendeu e também não fez questão. Parou no corredor onde a porta do quarto de Kanon e o seu ficavam quase um de frente para o outro.
“E agora?”
Olhou para seu quarto onde Luy dormia profundamente. Olhou para o quarto de Kanon pensando no que fazer. Ele não podia deixar Luy dormir sozinho, havia se responsabilizado por ele. Se calhasse do menino acordar no meio da madrugada poderia ser perigoso.
“É...acho que não vai ter jeito.”
— Deixa que eu durmo com ele. – Keiko sorriu ao sair do banheiro. – Pode ficar com a Kyoko, mas oh...- se aproximou dando um beijo terno na testa da mais velha. – Minha irmã já sofreu demais. Se magoa-la por causa daquela mal amada eu vou arrancar seu pinto com uma gilete, ouviu bem?!
Saga ficou com cara de bobo olhando para Keiko. Só mesmo a irmã de Kyoko para falar algo do tipo. Sorriu acenando positivamente.
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O quarto estava escuro, mas ainda assim podia ver o rosto adormecido da Kitsune e todos seus detalhes. A luz da lua iluminando parcialmente a cama graças a uma brecha no alto da cortina. Saga se perdeu no tempo. A respiração dela estava tão calma e a feição plácida como a tempo não via.
“Por Atena eu...estou idiotamente apaixonado por ela. O que eu faço? O que eu tenho que fazer para você me dar um voto de confiança, Kyoko? Por que não posso saber quem você é? Seria tão mais fácil se...se você se abrisse comigo. Eu sinto tanto pelo que eu disse, mas...não posso voltar no tempo...Ah! Se eu pudesse...”
A pele continuava tão macia quanto a sentiu sob seus dedos a primeira vez, o calor gostoso e o cheiro das frutinhas pareciam ainda mais gostosos com o tempero da saudade.
Os dedos do cavaleiro deslizaram pelos braços da kitsune devagar, descendo e depois subindo, se perdendo nos fios dos cabelos dela e se encontrando no rosto adormecido.
“...não teria deixado Eva me interromper, não teria deixado você ir, teria ficado com você mais tempo. Teria admirado mais seu sorriso e visto o sol nascer ao seu lado, teria ficado acordado até tarde enquanto ajudava você a contar estrelas.”
— Kyoko...- Saga tocou os lábios macios dela com o indicador, fazendo o contorno daquele pedaço de carne. Aproximou-se mais um pouco sentido o cheiro doce das frutinhas, seu nariz tocou o da kitsune roubando um beijo de esquimó, abrindo os olhos verdes e mergulhando no mar de mel.
Kyoko havia acordado e Saga nem havia se dado conta disso, estava tão imerso em seus pensamentos e suas sensações que tampouco se importou com isso. No fundo era até melhor que ela estivesse acordada, ele precisava dizer e ela, dessa vez, teria que ouvir.
A raposa continuou imóvel, seus olhos presos nos verdes de Saga tão próximos que seu reflexo podia ser visto nitidamente. Não sentiu medo, não sentiu raiva, nem nervosismo e muito menos remorso por não ter fugido dali. Saga era o homem mais belo que já havia visto em toda sua vida. Mesmo Afrodite com toda sua beleza, para Kyoko, Saga era muito mais. O cheiro dele parecia entorpecer seu juízo e a atraía de forma insana, dificultando seu raciocínio. Sentia cada poro do seu corpo berrar pelo contato da pele do cavaleiro, chamando e o atraindo para a maior armadilha de uma Kitsune. Mesmo que seu desejo não fosse comer da carne dele desejava mais do que tudo o gosto da pele e da boca daquele homem invadindo a sua.
— Cadê o Luy? – ela sussurrou.
— Está dormindo com sua irmã.
— Era para eu estar lá, ou melhor...era para ele estar aqui e não você.
— Eu sei, mas...
— Como você teve coragem de usar o menino para se aproximar de mim?
— Eu não armei isso, mesmo que não acredite eu...jamais faria isso. Ele veio até mim procurando você. — Justificou-se.
— E você como um homem muito solícito ajudou o menino a me achar... parabéns, cavaleiro.
— Odeio quando me chama assim. – Saga disse sem quebrar o olhar. Sua boca salivando de vontade.
— E eu odeio aquela mulher. Odeio quando está com Eva. – A voz de Kyoko saiu trêmula. Estava difícil controlar seus sentimentos. Ela era assim, dizia o que pensava e fazia o que queria.
— Eu não estou com ela agora. – Saga enfiou seus dedos na nuca dela que não se impôs.
— Mas foi com ela que você preferiu ficar e foi por ela que você me mandou embora.
Saga ficou em silêncio por alguns segundos pensando naquilo. Kyoko odiava Eva e esse era o maior dos motivos para estarem daquela maneira. Ele queria Kyoko com uma força que não sabia explicar, mas também não sabia dizer porque não mandava Eva embora de uma vez. Talvez fosse por pena ou por mera consideração mesmo sabendo que se fizesse isso as coisas se resolveriam e tudo seria como antes ou talvez até melhor.
— Eu nunca a mandaria embora. – fez uma pausa. — Volte para cá e eu mandarei Eva embora. – ele disse imponente.
— Pra que Saga? Pra que você quer que eu volte se você não acredita em mim? — Kyoko sentiu os olhos arderem e embaçarem, mas não chorou. Não queria chorar, não podia!
— Você não confia em mim Kyoko, como posso acreditar em alguém que não conheço?
— Não Saga, você não acredita em mim pelo que eu sou. Você acreditou na Eva por que ela é humana como você e eu...não. – Fez uma pausa. – Você me julgou pela minha aparência, por ser diferente, me julgou por eu ser uma youkai e não pelo que sou por dentro. Você não se importa...nenhum de você se importam.
Saga sentiu o peito doer de aflição lembrando-se das palavras de Keiko. Ele não podia negar, Kyoko tinha razão. Acreditou em tudo que Eva havia dito sem discordar nenhuma vez, e agora mais do que nunca se arrependia disso.
— Isso não é verdade! Você é tão linda por dentro quando é por fora Kyoko e hoje eu só tenho ainda mais certeza disso. Eu sei que errei, perdi a cabeça, não devia ter dito aquilo, mas todo mundo tem direito de errar. Você nunca errou?
— Errei Saga...errei quando aceitei vir para a Casa de gêmeos a primeira vez...
Kyoko virou na cama, dando as costas a Saga para fugir daquela situação e daqueles olhos lindos. Estava cansada daquele jogo, cansada de ter que fugir do que queria por causa da indecisão dele.
—...você devia ter me deixado lá.
Os braços fortes envolveram a raposa com carinho e proteção. Puxando o corpo dela para mais perto e assim sentindo o calor gostoso da pele alva. Saga já não podia se controlar mais e também não queria. Seus lábios tocaram de leve o pescoço de Kyoko que arfou sem querer, sentido a boca macia e experiente molhando sua pele sensível. Os dedos grossos desceram pela cintura, acariciando os ossinhos nas ancas e se perdendo em seu abdômen.
— Eu jamais faria isso. – fez uma pausa. — Você me odeia, Kyoko? — sussurrou virando o rosto dela para si.
— Não Saga, esse é o problema. Não consigo te odiar, não consigo sentir raiva de você. Só consigo sentir...saudade. – Saga sorriu meigo.
— Eu sinto sua falta. Quero que volte.
Kyoko até pensou em resistir, mas a boca macia cobrindo a sua fez sua razão se esvair de uma só vez. A mão grande segurando seu rosto e o corpo másculo totalmente encaixado no seu fazendo a temperatura de seu corpo subir ainda mais. O som do coração de Saga podia ser ouvido por ela com total clareza, bombeando com força e rapidez o sangue por todas as veias do corpo dele. O cheiro da pele a dopando como uma droga, fazendo seus caninos ansiarem pelo sabor dele. Saga franziu um pouco o cenho de dor, sentindo a ponta do canino dela cortar seu lábio inferior, mas mesmo assim não parou com o beijo. Deixá-la-ia fazer o que quisesse, ela merecia depois de tudo que havia dito e feito. Não tinha certeza se Kyoko devoraria seu corpo e sua alma como Dohko havia dito, mas sabia que devoraria seus sentidos e juízo o levando a um mar de sensações ao qual nunca havia estado. Queria saber, queria provar, queria tudo que pudesse até a última gota, se fartado no veneno dos lábios da kitsune até morrer de amor e prazer, pois igual a Kyoko ele jamais teria igual. Podia dizer que era capricho, vaidade ou egocentrismo, mas o fato de saber que poderia ser o único homem na terra a ter uma kitsune em sua cama o deixava com mais vontade e desejo. Kyoko era uma joia rara perigosa e ele sabia disso.
Forçou passagem com a língua pela boca quente que acolheu a sua em máxima perfeição, sugando e mordiscando em um ato totalmente erótico e saboroso. Os olhos de Kyoko abriram somente um pouco se deslumbrando com a face transformada de desejo do cavaleiro, as bocas se desgrudando devagar onde o líquido carmesim escorreu dos lábios avermelhados de Saga. Os olhos bicolores modificados pelo instinto de youkai e o desejo fazendo arder seu corpo inteiro. A língua dela contornou os próprios lábios, colhendo o sangue e provando seu sabor. Ele era delicioso por inteiro. Fez o mesmo gesto agora por todo o desenho da boca de Saga que prendeu a respiração com a cena luxuriosa protagonizada por Kyoko. Seus dedos se enterraram na carne dos quadris dela puxando-a mais para si, roçando seu corpo forte e o membro desperto, tenso e pulsante preso dentro das calças no bumbum arrebitado, seu corpo inteiro vibrava e seu coração parecia querer explodir, dificultando sua respiração como uma gravata justa ou uma corda prestes a lhe enforcar. Isso não era normal, nunca tinha sentido tanto prazer assim somente com um beijo....
Tinha alguma coisa errada.
— Ky...Kyoko. – a raposa esfregou o corpo no dele e Saga só não gemeu mais alto porque ela o beijou novamente. Estava enlouquecendo.
“Alguns contos falam de kitsune com poderes ainda maiores, capazes de manipular o tempo e o espaço, e levar pessoas à loucura. Outras têm características que lembram vampiros ou súcubos e se alimentam da vida ou o espírito dos seres humanos, geralmente através do contato sexual.”
Saga parecia ouvir a voz de Dohko, repetindo e repetindo como uma sirene. Não sabia explicar se era sua vontade ou se ela realmente o estava enfeitiçando. E se estivesse? O que faria? Ao mesmo tempo em que tentava parar seu corpo pedia por mais.
Isso! Queria mais!
Puxou a raposa para ficar de frente para si, mas ela parecia bem mais forte agora....ou ele parecia mais fraco. A raposa inverteu as posições montando o corpo dele e dando uma visão deslumbrante sob a luz do luar. As pupilas dos olhos verdes de Saga se dilataram quando encontraram os olhos florescentes dela, os lábios vermelhos pelo seu sangue se destacando ainda mais sensual na pele alva. Deslizou as mãos pela cintura fina até alcançar os seios, mas Kyoko não permitiu que continuasse. Saga tentou lutar, mas não conseguiu, sentia-se amarrado as vontades dela e não sabia por quê.
— O que...o que está...havendo comigo? – sussurrou virando o rosto para o lado quando a raposa o puxou, retirando sua blusa e o deitando como um boneco de ventríloquo.
— Por que está questionando o óbvio? Não era isso que você queria de mim, Saga?– respondeu sensual
— Na...não. Não é... isso que eu quero. – Saga tentou se mover, mas não conseguiu. Sentiu como se um peso enorme caísse sobre si o impedindo de reagir, mas sem findar as sensações prazerosas que o sexo quente de Kyoko causava com o atrito sobre o seu.
— Ah não?! Entendo. Você quer controlar, não é?! – ela o beijou lentamente, passando a língua pela boca, descendo pelo pescoço grosso e os ombros. Desceu pelo peitoral, raspando seus dentes afiados e marcando a pele morena. Saga arfou com aquilo. Sentia o orgasmo tão próximo sem ao menos ser tocado, mas alguma coisa o impedia. Isso só podia ser um sonho...ou um pesadelo. Como podia estar quase gozando se nem ao menos tinha sido tocado ainda?!
— Kyoko...para! – Pediu tentando forçar o corpo a reagir, mas nada parecia adiantar. A raposa continuou a exploração até chegar onde queria. Observou o volume da calça e tocou com carinho, se deliciando com o arfar e os espasmos do corpo dele. Saga só não berrou de agonia porque nem sua voz lhe obedecia.
Estava enfeitiçado.
— Está acostumado a caçar cavaleiro e a dominar, só que aqui a presa é você. – expôs o falo rijo e altivo. – Não importa o quão forte você seja, o quanto tenha treinado você sempre será um homem humano, Saga. Cheio de necessidades, cheio de incertezas. Você envelhecerá e adoecerá como todos os outros. – Kyoko abocanhou devagar o membro e Saga sentiu-se estrangular ainda mais. Parecia que quanto mais tentava falar, mas aquele nó invisível o enforcava. Estava difícil respirar, seu coração batia freneticamente enquanto seu corpo não respondia. – Humanos sempre estarão abaixo de nós e você Saga de Gêmeos não é a exceção. Aqui... eu domino você! — não acreditava que Kyoko estava fazendo aquilo, era torturante demais, sentia-se querer explodir em um orgasmo que não saía chegando a causar dor em seu baixo ventre.
A saliva escorria e molhava seu membro dolorido e o suor já começava a brotar de cada poro seu. Kyoko parou quando achou que já era o suficiente voltando à posição de comando, Saga lhe lançou um olhar feio que não causou nenhum abalo na kitsune, rebolando e se encaixando sobre ele.
— Hummm... – gemeu sensualmente, sentindo o falo lhe invadir em todos os centímetros. Saga sentiu como se seu membro tivesse sido posto em uma fornalha e o líquido que escorria do sexo dela como água fervente. Tentou gritar dessa vez de dor, mas a voz não saía e sempre que forçava mais seu ar se perdia com mais intensidade. Tentou se mexer e não conseguiu, tentou falar e a voz não saiu, seu raciocínio falhando a cada sobe e desce do corpo da youkai que o manipulava sem dó. O corpo de Kyoko acomodando seu falo como uma capa fervente, queimando a pele sensível e causando uma dor intensa. Trincou os dentes e esperou sem ter o que fazer até que a dor se mesclou ao prazer, e um prazer mais forte ainda, rasgando seu corpo e fazendo sua cabeça rodar. Queria parar, mas não conseguia. No rosto da kitsune um sorriso de pura luxuria deixava os caninos visíveis, os olhos florescentes caindo sobre seu corpo o prendendo naquela armadilha.
— Ky...Kyoko...eu...minha cabeça. Por que está...fazendo isso? – gemeu
— Porquê? Ora...será que você ainda não entendeu? – Saga abriu os olhos sentindo-se confuso. Kyoko apoiou uma mão em cada lado de seu rosto se apossando de seus lábios. – Porque você é o meu prato preferido...homem humano. – sorriu.
Saga sentiu o coração falhar dentro do peito. Não! Aquela não era Kyoko, não podia ser. Ela o estava subjugando, o humilhando daquela maneira para matá-lo quando se sentisse satisfeita, provaria de seu prazer e em troca receberia a morte como pagamento. Ela o odiava tanto assim? Mas como se até agora pouco ela declarou sentir sua falta? Isso não podia ser real!
— Kyoko...Ahhhh..- gemeu mais alto quando ela aumentou a velocidade, fazendo seu corpo tremer e sua cabeça querer explodir em um mar de sensações levando seu corpo a derreter de dor e prazer. Os dentes afiados cravaram em sua clavícula arrancando um grito de dor do fundo de sua garganta, o sangue quente espirrou em seu próprio rosto, escorrendo por seu peitoral, pingando e manchando o lençol branco. Saga estremeceu de dor sentindo a carne de seu ombro ser arrancado pelos dentes de Kyoko
— Hummm...Que delicia! Estava tão faminta. — ela ergueu o corpo, lambendo os lábios em total satisfação, aumentando a velocidade e fazendo Saga arquear na cama...de dor. Kyoko segurou suas mãos e o puxou, colando o corpo no seu em um abraço apertado de prazer. Ela estava quase no limite e não duraria muito tempo. Saga sabia que ela o mantinha preso naquilo por mero capricho e só o libertaria quando o prazer total explodisse em um orgasmo.
As unhas enterraram-se nas costas largas apertando o corpo másculo mais contra si, as bocas se uniram novamente dividindo um com o outro o gosto do sangue, aumentando a velocidade até o clímax total.
Kyoko soltou um gemido alto libertando o corpo de Saga que caiu sobre a cama arqueando as costas em um orgasmo que pareceu partir seu corpo em pedaços, sua voz finalmente foi liberta e um urro de prazer ecoou pelo quarto. Os olhos fechados fortemente e as unhas cravadas no lençol sujo de sangue, rasgando o tecido pela força impressa, seu coração trabalhando em potência máxima, levando aos seus ouvidos um som agudo e irritante.
— Esse é o seu castigo. – ela sussurrou. – O castigo pela mágoa que me causou. O castigo por ter deixado Eva lhe tocar mesmo quando me chamava em pensamentos, você a escolheu mesmo quando seu coração chamou por mim e eu ouvi Saga, eu ouvi a voz de seu coração, a voz que você não quis ouvir, se deixando manipular por uma qualquer. Agora tem seu castigo; ser subjugado como um boneco de marionetes já que é assim que você gosta de ser tratado.
Saga abriu os olhos rapidamente ficando completamente perplexo com tudo ao redor. Nada estava diferente. Tudo em seu devido lugar. Kyoko estava deitada de frente para si na mesma posição, olhando em seus olhos verdes e assustados. Nenhum sinal de sangue, nenhum sinal de sexo, nada.
Era uma ilusão.
— Seu corpo está fedendo, sua boca, seu hálito, tudo em você fede ao cheiro da Eva. Está imundo.
— Não...eu...
— Você a tocou ao amanhecer e agora ousou por suas mãos sujas em mim, usou o menino contra mim e eu...odiei isso. Espero que agora você saiba a sensação de ser usado por alguém. — fez uma pausa. — Decida-se sobre o que realmente você quer cavaleiro...- A raposa deu um selinho nos lábios entreaberto de Saga que ficou imóvel. – Se for a mim que escolher, saberá como realmente é. – A língua tocou os dentes dele e Saga sentiu um peso cair sobre sua cabeça, suas pálpebras pesando como chumbo sem conseguir mais controlar. Levou uma das mãos ao rosto de Kyoko com carinho e um pedido mudo para que ela não fizesse aquilo.
— Kyoko...eu...eu...sinto...muito, por favor, não... vá.
— Shiiii... Está tudo bem agora, eu não irei por hoje. Descanse, pois amanhã seu corpo sentirá os efeitos do meu castigo.
Saga ainda tentou lutar, balbuciando pedidos de desculpas e para que ela não o deixasse, mas dessa vez foi humilhantemente derrotado pelo sono.
♊ oOo ♊
O corvo gralhou mais algumas vezes, guiando a mulher curiosa até uma caverna longe das doze casas. Estava descalço, mas mesmo assim não iria desistir. Com dificuldade escalou algumas pedras até alcançar a entrada da gruta onde o pássaro sumiu. Soltou o ar de seus pulmões e um calafrio correu sua espinha com a visão macabra do lugar.
Era úmido e escuro, mas não tão escuro. Um pequeno caminho de água parecia desenhar uma cobra grande em meio às estalagmites. Do teto algumas goteiras causavam um eco ao tocarem o chão deixando tudo ainda mais sinistro. Eva abraçou o próprio corpo sentindo um frio gélido soprar do fundo, forçou as vistas, mas nada viu.
— Hahahaha...
A risada feminina ecoou pelo lugar e Eva se assustou como nunca em sua vida. Com medo caminhou para trás até algo segurar em seu tornozelo. Virou rapidamente sentindo o corpo tremer com a visão monstruosa.
— Por...favor...me...ajude. – Eva caiu sentada de medo e desespero. Um homem arrastava-se como um zumbi pelo chão. A face deformada, os cabelos caindo a cada passada, assim como a pele que se desprendia dos ossos em cada movimento.
— Ahhhh... Meu...Deus!!! – Eva berrou desesperada puxando as pernas que eram agarradas pelo homem. Nunca se arrependeu tanto na vida como agora. Em sua mente a imagem de Saga era a única coisa que vinha, estava morrendo de medo. Sacudiu as pernas desesperadamente, arrancando um dos braços do homem e se libertando daquele horror. Levantou de qualquer maneira e quando começou a correr estancou novamente. Na entrada da caverna uma mulher bloqueava sua passagem.
Eva instintivamente começou a se afastar, mas sem saber quando e nem como a mulher desapareceu e reapareceu atrás de si fazendo um calafrio de medo descer por sua espinha.
— Você...você...por favor, não...me machuque. – Pediu desesperada. A mulher gargalhou novamente.
— Por que humanos tendem a ser tão curiosos? – A mulher começou a caminhar ao redor de Eva, esmagando o crânio do homem com um de seus pés. A morena quase gritou com a cena e se encolheu como uma criança amedrontada.
— Ah meu Deus eu...eu...sinto muito...eu...
— Sente muito por ele ou...por ter vindo até aqui? – Perguntou a mulher.
— Por ter...vindo e...perturbado você.
— Ora, me perturbar? Você? Mas como isso seria possível se eu mesma trouxe você aqui?!
— Você...me trouxe aqui, mas... porquê? – Eva perguntou confusa.
— Porque eu ouvi o seu chamado, ouvi o seu pedido, ouvi o clamor de seu coração e me senti...tocada. – A mulher fez um gesto teatral. — E também digamos que nós temos...algo em comum minha cara.
Eva franziu o cenho.
— Eu...não entendo, o que eu teria em comum com alguém como você?
A mulher sorriu caminhando para mais perto de Eva deixando a luz da lua revelar seu corpo e seu rosto. Eva sentiu-se pequena perto da mulher: os olhos de um azul tão claro quanto o céu, os cabelos negros esvoaçavam como fumaça destacando a pele pálida, os lábios rubros como a mais bela rosa e o corpo tão escultural quanto da youkai que havia tomado seu lugar na cama com Saga.
— Bom, não seria bem algo propriamente e sim...alguém. – Frisou.
Eva franziu mais o cenho, deixando seu olhar perdido e seu cérebro concentrado naquelas palavras. Só existiria uma pessoa no mundo que a ligaria a uma mulher como aquela, o mesmo “alguém” que com certeza estava dormindo no seu lugar agora. Olhou novamente para a mulher e sorriu.
— Então, eu acho que nós vamos nos entender muito bem.
Continua...
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