Notas iniciais
Oiiiii poviiii e aí blz?! Oh nóis aqui de novo com mais um capítulo insano. Kkkkkkkkkkkkk Gentem quero agradecer por todos os comentários fofos do capítulo anterior e agradecer a todos que me acompanham, dando a hora de seu tempo a ler as loucuras que escrevo. Peço desculpas como sempre faço, pelos erros de qualquer espécie. Se tiver algo que incomode nos erros me mandem msg que eu acerto okay?! Não sou boa de betagem =P Desejo a todos uma boa leitura porque esse ta bombandooo!!! 0.0 Bjs e até!!!! ♥

E por quase dois minutos o silêncio reinou dentro da casa de gêmeos. Kanon, Camus, Mu e até mesmo Thetis fitavam o youkai sem ter forças para ao menos piscar.

Na mente de Saga a frase proferida pelo visitante repetia-se vez por vez em sua mente, talvez no intuito de tentar processar bem lentamente o que lhe foi informado. Era como se seu cérebro tivesse entrado em modo stand by.

— Eeeeuu...acho que vou passar um café.

Pronunciou a loira despertando o grupo do transe e saindo logo em seguida. Não estava com a menor vontade de enlouquecer com aquela história maluca.

E mesmo já tendo ouvido e visto, e até mesmo ele próprio já ressuscitado aquela frase dita pelo youkai era a mais...absurda que Saga já poderia ter ouvido na vida! Mas não pelo fato da possibilidade de Kyoko realmente voltar a vida, ele mesmo era a prova viva do extraordinário, mas ali, naquele caso, existia um agravante que deixava a frase ainda mais impossível de acreditar: O corpo de Kyoko congelado na casa de Gêmeos.

E se não fosse por esse mero detalhe todo aquele conto de fadas seria fácil de acreditar...mas Saga estava longe disso...

Muito longe!

Os olhos verdes do cavaleiro de gêmeos faiscaram, mirando o youkai sem ao menos piscar. Estava furioso pela ofensa e a falta de respeito dele em relação a seus sentimentos e a morte dela, e isso era algo que jamais engoliria de ninguém!

De súbito avançou sobre o youkai, deixando Kanon, Mu e Camus de boca aberta, mas não pela ira de Saga. Isso já era mais que esperado, mas sim o a reação rápida do youkai ao desembainhar uma das espadas e apontá-la na direção do rosto de geminiano antes do punho dele se erguer totalmente. Saga estancou surpreso e de certo modo acuado. Ele não esperava por aquilo, tampouco que aquele youkai aparentemente fraco pudesse se movimentar tão rápido. Mesmo com toda sua velocidade e habilidade, Saga mal conseguiu ver o movimento do outro. Os olhos do youkai emitindo um brilho dourado, o mesmo brilho que os de Kyoko também emitiam em seus momentos de fúria, presos nas suas íris verdes. A espada sendo apontada com uma das mãos bem em direção de seu pescoço.

— Acho melhor você se acalmar, cavaleiro. Eu já disse que não quero lutar, mas também não quero morrer... – Deu o aviso.

— Como se atreve a vir aqui me desrespeitar, desrespeitar a morte dela? Eu odeio vocês! – Rosnou o geminiano.

—Então estamos quites! Acredite, o meu apresso por Kyoko vai muito além do que vocês...humanos, podem imaginar. Preferiria a morte ao desrespeita-la seja lá como for. Você não me conhece, não sabe quem eu sou, então não tire suas conclusões baseadas em youkais imundos que ousaram profanar o santo corpo dela. Não estou fazendo isso por você, cavaleiro. Eu não estou nem aí para vocês. Só faço isso por ela e nada mais, agora se você se preocupa com ela tanto quanto eu...- Aproximou-se de Saga ficando cara a cara. —...acho melhor você baixar sua bola e ouvir tudo que tenho a dizer, tintim por tintim.

— Gente! Vamos nos acalmar. – Mu se pronunciou.

— Também acho, e ah! E também...eu não iria vir aqui perder meu tempo só pra lhe contar uma mentira?! Eu seria burro demais em tentar vir aqui...no ninho estranho de vocês só para lhe contar uma mentira, não acha?

Saga crispou o cenho. Tinha que concordar. Naquele ponto o youkai estava certo, só sendo muito burro mesmo para ir até ali só para lhe ofender. Ninguém em sua sã consciência desafiaria tantos cavaleiros de ouro de uma só vez ainda mais assim, de cara.

Sentou no sofá de três lugares sem desviar os olhos do outro que fez o mesmo, se sentando em uma das poltronas e de frente ao dono da casa.

— Quem é você? – Inqueriu Saga. A voz carregada pela frieza e a imponência típica não intimidou o youkai.

—Meu nome é Yamoto. Sou um dos shinobis responsáveis em fazer a guarda de Kyoko. – Respondeu calmo.

— Guarda? – Mu perguntou confuso.

— Sim! Os Kages são muito importantes no Makai e tem uma influência muito grande em qualquer um dos mundos, o que os torna muitíssimos visados. Na verdade, são quase como um...imperador ou uma imperatriz de um país.

— Puxa! Então a Kyoko era quase uma deusa para vocês. — Kanon se pronunciou.

— Quase não meu caro, ela é. – respondeu o youkai sorrindo. — Cada Kage possuiu o número de shinobis que achar necessário. No caso da Kyoko-sama, somos quatro ao todo.

— Que coisa! Então, parece que você e seus amigos não cumpriram com suas obrigações como deveriam, já que a Kyoko veio a nós em busca de ajuda. — Saga alfinetou exibindo seu lindo sorriso sacana.

— Não me leve a mal, mas você também não é nenhum exemplo de quem tem palavra. — Rebateu.

— Meus caros, porque non paramos com isso de uma vez e vamos direto ao ponto? Essa troca de farpas non nos levará a lugar nenhum. — Camus interviu frio e calmo como sempre.

—Camus tem razão. Bom Yamoto, agora que já somos quase íntimos, porque você não tenta me fazer acreditar nessa...maluquice? – Saga ironizou de novo, cruzando os braços.

Yamoto sorriu. Será que era um carma na vida de Kyoko sempre se meter com homens arrogantes?

— Não é só você quem odeia Hiroaki. Eu também faço parte dessa lista, mas não sei dizer se ele sabe disso ou não, e também não me importo. – Começou. — Com a suposta morte da Kyoko, nós fomos quase que obrigados a servir Hiroaki e Naomi. Uma vez de quinze em quinze dias, um de nós tem de ir até ele e repassar tudo de anormal que possa estar ocorrendo com as fendas, e justo no dia em que eu tinha que ir lá reportar os acontecimentos, eu vi o que jamais poderia imaginar...

"Passaram por vários locais conhecidos dentro daquela mansão enorme e sombria no Norte do Makai. Caminharam com calma até chegar ao jardim nos fundos do lugar, onde em um pequeno lago as carpas nadavam em sincronia, árvores de médio porte enfeitavam o lugar em conjunto com algumas flores, um banco de madeira de frente ao lago e uma pedra grande mais ao fundo e em cima da parte gramada escondia uma porta falsa. Hiroaki ostentava um sorriso diabólico, carregado de arrogância e superioridade fez Yamoto engolir em seco. O youkai escondeu-se em meio as plantas na parte escura do local, observando a figura imponente do outro sumir naquele corredor extenso e escuro que surgiu no meio do pedregulho. O Shinobi aguardou mais alguns segundos até ver Hiroaki entrar, esperando a sua chance e correndo rápido por entre as sombras até alcançar a porta, passando por ela a centímetros de fechar.

—Ufa! – Resmungou passando a mão na testa. Se tivesse demorado mais um segundo teria sido cortado ao meio.

Depois de quase um minuto Yamoto resolveu que já era hora de continuar. No fundo estava morrendo de medo, pois se Hiroaki o visse ali estaria morto com toda certeza.

Caminhou como um gato, se esgueirando na escuridão. De longe avistou uma luz vinda de outro corredor ao fundo. Apressou o passo na ponta dos pés, olhou com cautela e vendo no final do novo corredor uma porta semiaberta por onde um feixe de luz não deixava o lugar em escuridão total. Caminhou sorrateiro até estar perto o suficiente daquela porta, mas sem deixar seu corpo ser iluminado. Ouviu vozes conhecidas, mas pela distância não podia entender o que era dito.

—Kuso (Merda!) – Resmungou entre os dentes tentando identificar se havia algum shinobi ali além de Hidaka.

Devagar começou a observar o lugar e a identificar tudo ali: Era um laboratório amplo e muito bem organizado. Este estava sendo iluminado da metade para frente, exatamente onde Hiroaki, Naomi e Hidaka falava com mais alguém, que não conseguiu identificar de início, mantendo o final do lugar na penumbra. Uma fileira de computadores e alguns apetrechos como microscópios e mesas de ferro dividiam o local em dois. Do lado direito uma fileira com cinco armário enormes, quatro geradores grandes, e do lado esquerdo uma fileira com incontáveis incubadoras, algumas vazias e outras com espécimes vivos, boiando dentro de um líquido ao qual Yamoto preferiu ignorar de início.

O lugar parecia ter saído de algum filme de ficção cientifica macabro, onde aqueles monstrinhos engarrafados sairiam a qualquer momento pelos vidros na tentativa de comer seu cérebro. Não era à toa que Kyoko odiava aquele maldito verme asqueroso e velho.

— Que lugar nojento! – Resmungou fazendo uma careta.

Com cuidado fixou sua audição para tentar ouvir melhor o que eles diziam, mas na distância em que estava seria muito difícil. Se quisesse entender, teria que chegar mais perto, o que o deixou ainda mais tenso. Começou a refletir sobre os prós e contra de entrar ali. Na verdade, só estava ali mesmo pela curiosidade, e colocando aquilo na balança sua vida não valia o preço de um mero excesso disso. Bufou meneando a cabeça em negativa, repreendendo a si mesmo em ter se posto em tal risco. Tinha sido um tolo em seguir justo Hiroaki, o senhor dos Kage até aquele local, e pensando em toda a idiotice que fizera até aquele momento, Yamoto resolveu que era hora de recuar.

Devagar deu um mísero passo para trás e dando as costas logo em seguida, mas estancou no mesmo instante ao ouvir o nome mais do que conhecido sair dos lábios daquela múmia podre e fétida. Aquele nome Yamoto jamais confundiria: Kyoko.

A curiosidade de Yamoto subiu a níveis alarmantes. Estavam falando de sua Hime-sama? Mas...o que ainda podiam querer com ela? A essa altura Kyoko descansava tranquila no Nigenkai. Bufou respirando fundo para assim tentar conter o nervosismo. Agora ele não tinha mais como fugir, teria que entrar ali se quisesse saber mais do que eles diziam sobre ela. Será que estavam planejando roubar o corpo de Kyoko?

“Impossível! Ouvi dizer que onde o corpo dela fora enterrado nenhum ser vivo é capaz de tirar. ”, pensou.

Por um segundo cogitou em desistir outra vez, mas com muito cuidado e destreza agachou tomando sua decisão; primeiro passou um dos braços, depois a perna direita, devagar a cabeça e os ombros, e logo metade do corpo já estava quase todo dentro daquele lugar...

— Que falta Cheshire me faz agora. – Falou consigo mesmo.

Com um pouco mais de cuidado conseguiu passar o resto de seu tronco, depois os quadris e assim a perna esquerda. Continuou na mesma posição, agachado, e como um predador caminhou sorrateiro até dois armários enormes na parte mais escura do local e se enfiando entre eles. Yamoto era bem magro e quanto a espaço era algo que não o atrapalhava.

— Ela me deu muito trabalho. – Disse o youkai bem velho.

— Também pudera, o estrago que foi feito. – Agora foi a vez de Naomi se pronunciar.

“Estrago?!Deu...trabalho?! Mas que diabos está acontecendo aqui? ”, pensou Yamoto.

—Não quero ouvir seus sermões velho. Eu não vim aqui por você, vim por ela. – Ditou imponente o inugami.

Detrás do armário, Yamoto sentiu um frio subir até sua espinha. Engoliu em seco e movido pela curiosidade, seus olhos foram guiados diretamente para a única fonte de iluminação do local para seu total desespero..."

— Eu fiquei paralisado. –Passou a mão nos cabelos de forma nervosa. Ainda se arrepiava quando lembrava do que tinha visto. — Eu...jamais imaginei que isso pudesse acontecer. Curar alguém é...comum no Makai, fazemos isso o tempo todo, mas...ressuscitar alguém?!

— Como é que é?! – Todos disseram ao mesmo tempo.

"Yamoto mal conseguia processar o que estava a somente alguns metros de distância de si, mas muito bem visível a seus olhos apuradíssimos. Por um segundo achou estar tendo alguma alucinação, mas pela reação do poderoso e imponente Hiroaki era impossível que aquela diante de seus olhos fosse uma miragem, mas era sim o pior de tudo...a mais dura e cruel realidade..."

— Eu não conseguia acreditar no que estava vendo. Hiroaki, ele...olhava de um jeito para ela como se fosse...- Passou a mão nos cabelos de forma exacerbada. — Minhas pernas não se moviam, mesmo quando eu sabia que tinha que fazer alguma coisa...

"Os dedos de Hiroaki tocaram o vidro enorme da incubadora devagar, e na mesma velocidade ele deslizou por toda extensão transparente, como se assim pudesse tocar a pele de seu bem mais precioso: Kyoko."

— Ela estava indefesa. Inconsciente dentro daquele vidro enorme, cheia de fios e tubos, alguns entravam pela lateral de sua cabeça e outros pela pele... – Disse visivelmente nervoso para o desespero maior de Saga.

"O sorriso maquiavélico era iluminando pela luz que saia daquele recipiente, deixando o inugami ainda mais sombrio do que naturalmente já era, pequenas bolhas subiam pelo fundo da incubadora de forma lenta, balançando o cabelo prateado de Kyoko em uma dança rítmica e lenta.

Como ela estava linda! Para ele estava ainda mais linda que a falsa kitsune que habitava a casa de gêmeos.

— Finalmente! – Sussurrou deslizando a mão pelo vidro. — Ninguém mais nos atrapalhará... – O sorriso abriu-se mais, imaginando tudo que poderia fazer de agora em diante. —...E quando você acordar...Não se lembrará de nada. De ninguém. Muito menos...dele...nunca mais!

No canto afastado, entre os armários grandes Yamoto tapou a boca com as duas mãos. Um desespero indescritível fazia seu corpo inteiro sacudir e o suor gélido escorria por toda sua pele até pingar no chão frio.

O que estavam fazendo com sua Hime-sama? Que covardia mais ele ainda estaria fazendo com ela? Por que ele simplesmente não podia deixar Kyoko descansar em paz?

Suas pernas tremeram e suas mãos começaram a escorregar por seu rosto suado. O coração batia tão forte, mas tão forte como talvez nunca em sua vida fosse bater. Era como se a qualquer momento o mesmo saltaria por sua garganta. Engoliu em seco tentando manter a calma. Aquilo era um absurdo! Como Kyoko podia estar ali? Ela tinha morrido! Estava com o humano, disso tinha certeza! Então...como Hiroaki podia ter tanta convicção de que aquela diante de seus olhos era realmente Kyoko?

— Toque devagar. – Ordenou o velho sendo ignorado totalmente.

Os olhos de Hiroaki não se desviavam da incubadora, onde o corpo nu de Kyoko parecia flutuar em meio a fios e bolhas. O braço que havia perdido, preso por fios de youki que faziam o processo de colocar tudo de volta em seu devido lugar, uma máscara presa ao rosto levava o oxigênio aos pulmões e as agulhas presas em vários locais do corpo dela levavam um líquido vermelho ao qual julgou ser sangue.

Devagar a outra mão de Hiroaki foi de encontro ao vidro em uma carícia terna, mas possessiva. Kyoko pareceu se incomodar com o ato, se batendo levemente, mas ainda adormecida.

—Elaaa...não se lembrará...de...nada! – Falou o velho youkai.

Hiroaki então se afastou, olhando Naomi primeiro e depois o velho. Se aproximou a passos curtos e o sorriso de vitória e satisfação moldando o rosto jovem e bonito. Os olhos azuis pareciam brilhar ainda mais pela luz que saia da incubadora, tornando tudo ainda mais sinistro do que já era.

— Nada mesmo? – Indagou.

O velho meneou a cabeça em negativa. Sabia o que Hiroaki queria dizer e a quem ele se referia.

—Kyoko não se...lembrará do cavaleiro.

—Quanto tempo?

— Dois dias e ela estará pronta. Ainda...há...lembranças dele...que...estão sendo...apagaaadas. – Apontou para o painel de onde alguns fios saiam e se conectavam na incubadora, saindo dentro dela e entrando pela lateral da cabeça de Kyoko, como um verme faminto a devorar seu cérebro.

Hiroaki sentiu-se sublime ao saber que Saga e qualquer vestígio dele ou dos humanos seria exterminado da mente de Kyoko. Ela seria moldada a sua vontade e nada e nem ninguém mais poderia mudar isso. Ele havia finalmente ganhado. Não havia mais nada em seu caminho, agora é só esperar sua futura esposa e cúmplice despertar de seu coma e cair em seus braços....

Para sempre!

Aproximou-se dela mais uma vez, tocando o vidro com cuidado. Ela se moveu de novo, como que alertando em silêncio sobre o incomodo que visivelmente agradava a Hiroaki. Sentia-se satisfeito e orgulhoso em saber que ela sentia seus toques. Era bom assim, pois quando acordasse sua presença não seria estranha.

— Quando ela acordar eu quero estar presente. – Se afastou começando a caminhar pelo amplo lugar e sendo seguido pelo shinobi. —E se me desobedecer, colocarei você no lugar dela.

Avisou saindo calmamente do lugar.

Yamoto se encolheu como um ratinho entre os dois armários. Usando seu youki, ocultou sua presença ao máximo para não ser notado. Estava nervoso demais e isso podia ser um problema. Ele precisava ficar calmo e fazer alguma coisa. Precisava pensar em algo que pudesse ajudar sua Hime-sama de alguma maneira. Mas...como? Precisava pensar e rápido.

Deu mais uma olhada em volta. Não havia ninguém mais ali além de Naomi e o ancião. Precisava esperar que eles saíssem. Sim! Primeiro tinha que ficar sozinho ali, depois decidiria o que fazer..."

— Eu fiquei ali durante umas duas horas esperando a Naomi e aquele...velho nojento...Arigatou...- Agradeceu o café entregue por Thetis. — Fiquei esperando eles saírem e também tentando colher algumas informações, e foi aí que eu ouvi falar de você...

"—Acha mesmo que isso vai funcionar? – Indagou Naomi arranhando devagar o vidro da incubadora com o indicador. Sabia que aquele ato causaria dor em Kyoko.

—Nunca foi...feeeeiiito um...processo como esse...anteees. Levei...dois anos...para conseguir reparar o... estrago feito no cérebro dela causado pela falência. – Informou o velho caminhando a passos arrastados até umas das máquinas e tirando de lá uma pistola de injeção.

— Eu nunca imaginei que Hiroaki-Sama teria coragem de fazer o que fez com ela. Talvez...se ele não tivesse visto o irmão gêmeo do tal...Saga...

“Saga?!”

— Hiroaki só fez o que fez por inveja e ...ciiiiuuúmes. Tolo! Quase estragou... tu...do. – Rosnou o velho aplicando a injeção em um dos tubos presos na cabeça de Kyoko.

— E se a adamantine não estiver com ela? – Perguntou Naomi dando o braço para o velho youkai se apoiar. —É porque a luta deles não me pareceu muito...justa.

— Aí teremos que voltar ao Nigenkai.

— Acha que pode estar com ele?

— Tenho...quase...certeeeeza. – Sorriu o velho. — Eu ia gostar de abrir aquele belo abdômen que ele possui...he he he...

— Ahhh...mas primeiro o senhor deixará eu provar aquele corpo delicioso dele não é?! Papai. – Disse a Youkai gargalhando e sumindo com o velho, porta a fora..."

— Papai?? — Todos perguntaram de uma vez.

Yamoto olhou para cada um deles. Realmente aquele fato era de surpreender qualquer um.

— Perai! Você disse pai? Foi isso mesmo que eu entendi? – Camus questionou sem conseguir acreditar.

— Sim! Foi exatamente isso que você ouviu. – Respondeu Yamoto com um sorriso de lado.

— Ta dizendo que aquela cadela é filha desse verme?

— Essa cadela?!

Kanon, Saga, Camus e Mu deram um pulo de seus lugares ficando em posição de ataque ao verem ninguém mais e ninguém menos do que Naomi. A youkai surgiu bem atrás da poltrona onde Yamoto estava sentado tranquilamente.

— Mas que porra! – Kanon quase berrou pelo susto e já elevando seu cosmo.

— O que essa...desgraçada está fazendo aqui? – Saga grunhiu com os pulsos cerrados. — Como entrou aqui? Está tentando nos enganar?

Yamoto se levantou.

— Olha eu sei o que vocês estão pensando e é por isso que peço que se acalmem e deixem eu explicar antes de fazer qualquer bobagem. Saga eu sei que tudo vai parecer ainda mais confuso, mas...essa... – Apontou. —...não é a Naomi que vocês conheceram.

—...

— Essa é...a verdadeira Naomi...- estendeu a mão para ela. —...minha esposa.

O silêncio continuou absoluto na casa de gêmeos. Aquela história estava ficando cada vez pior.

A mulher então sorriu e Mu se aproximou. Os olhos verdes curiosos fitaram a youkai de cima a baixo, quando terminou um sorriso meigo surgiu no rosto do ariano.

— Ele não está mentindo. Ela não é aquela Naomi que conhecemos. – Falou. Todos abaixaram a guarda.

Yamoto olhou de forma terna para ela e um sorriso meigo se formou no rosto dos dois. Ele a puxou um pouco depositando um beijo carinhoso na testa dela.

— Como...como essa mulher pode ser sua esposa? – Saga questionou confuso. Não sabia mais se sentava ou continuava de pé.

— Eu nem sempre fui um Shinobi, meu caro.

— Ela também conhece a Kyoko?

— Aquela preciosidade? Lógico. – Naomi respondeu sorrindo.

Saga franziu o cenho e sem saber como o sorriso meigo da youkai pareceu lhe acalmar por um estante. Seu semblante sério mudou para o calmo e ele deixou-se sentar outra vez. Suas pernas já começavam a ficar bamba com tanta coisa: Primeiro aquele idiota vinha com uma história completamente macabra e absurda sobre uma suposta Kyoko estar servindo de cobaia para um velho maluco, agora ele dizia ser marido?! Ma-ri-do...de Naomi?! Mas não a Naomi que ajudou a assassinar sua Kitsune e sim uma Naomi que dizia ser a verdadeira?!

Como disse Kanon anteriormente: Mas que porra!

— Sei que parece loucura, e também sei que você não está acreditando em nada do que Yamoto lhe disse sobre a Kyoko, mas...por mais absurda que essa história possa parecer Saga, ela é real. Duramente real. A Kyoko está...sozinha. Frágil...

— Vocês estão mentindo! – Interrompeu ríspido. — Essa...falsa Kyoko que você viu...

—Saga...ela é real! – Yamoto tentou.

— NÃO! – Saga berrou se reerguendo. Seu coração batendo como louco dentro do peito, criando um sentimento que o geminiano não queria mais sentir. — A KYOKO ESTÁ... congelada! Camus colocou ela em um...esquife pra que nenhum de vocês...NENHUM! OUVIU BEM?! NENHUM! De vocês maculassem o corpo dela, e agora você vem aqui me afrontar com uma mentira dessas e quer que eu acredite?!

— Olha...foi difícil para nós aceitarmos e acreditarmos. Eu duvidei quando a vi. Depois que eles saíram e eu fiquei sozinho com ela, cheguei perto da incubadora. Eu mal podia acreditar! Eu fiquei parado olhando para ela por longos minutos pensando no que faria. Pensando se era realmente a Kyoko que me salvou, que salvou minha mulher e não só a mim e outros youkais também. – Fez uma pausa olhando fundo dentro dos olhos confusos de Saga. — Eu não queria acreditar. Olhei para ela como se fosse uma aberração! Saga...o ventríloquo...

— Ventríloquo?! – Camus interrompeu.

— Sim! É assim que ele é conhecido.

Kanon ficou de pé e indo até seu gêmeo próximo a grande estante de mogno. O mais velho estava com ambas as mãos apoiadas no móvel e de cabeça baixa mirava os próprios pés. Sua mente em um turbilhão de pensamentos, sensações e lembranças deixando-o tonto e um tanto aéreo. Não é que não quisesse ou que não acreditasse na possibilidade de Kyoko realmente ressuscitar, mas sim as coisas que não se encaixavam naquela história.

Virou de súbito, sentindo a mão poderosa de Kanon em seu braço.

— Saga sei que está nervoso, mas vamos terminar de ouvir o que ele tem a dizer. — Sussurrou para o outro.

—Kanon... eu juro, juro por Atena que...meu coração quer acreditar nas loucuras que esse cara diz é sério. E...eu jamais conseguiria pôr em palavras o quanto eu ficaria feliz pela Kyoko estar realmente viva, mas acontece que você mesmo me disse que tomou conta do corpo dela porque tinha medo que a roubasse e logo depois disso o Camus a congelou na frente de todos nós. Seria...impossível que algum deles pudesse...pegar a Kyoko sem que um de nós, pelo menos um de nós, não visse ou sentisse nada. – Confessou.

Kanon ficou pensativo. Pensando por aquele lado, tinha que admitir que Saga tinha razão. Ele mesmo tomou conta do corpo de Kyoko e até mesmo selou a porta quando teve que se retirar do local, então...realmente era quase impossível aquela história ser real.

Camus percebendo os cosmos agitados dos gêmeos sacou de cara que se as coisas continuassem naquele ritmo não daria certo. Saga estava a flor da pele e Kanon sairia em prol do irmão com toda certeza. Mas Camus, esperto e observador como nenhum deles era, pensava que aquela história de tudo não era um total absurdo por um único fator ao qual Saga ainda não tinha se tocado: Mu estava ali.

O próprio ariano havia dito que Yamoto não estava mentindo. Mu era o melhor – lógico depois de Shion- em descobrir mentiras por conta de sua telecinese, e até então ele não havia dito e nem se exaltado com a história nenhuma vez. Se Yamoto estivesse realmente mentindo, tentando colocar Saga em uma armadilha, com toda certeza Mu já o teria pego.

Ainda haviam coisas a serem ditas e ela precisavam ser ditas para que a história enfim se encaixasse. E Saga, mesmo com toda dor que sentia, precisava ouvir até o fim.

— Fale-me sobre esse...ventríloquo. – Ordenou Camus.

Naomi olhou nos olhos do marido em cumplicidade.

— Ele é um tipo de bruxo, e agora... recentemente um cientista. Ele tem a habilidade de criar...bonecos perfeitos a partir de seu próprio corpo junto de seu youki. Alguns deles não tem vida, outros, sim. Hiroaki o usa para...encobrir sua sujeira. – Informou o shinobi.

— Como assim? – Mu indagou confuso.

—Tipo...um youkai não pode sair por aí matando e devorando pessoas, existem critérios a seguir e ordens também, mas no caso de Hiroaki ele não tem limites e o Ventríloquo é quem encobre as sujeiras dele. Sempre que ele tem fome uma pessoa é sequestrada e levada para o Makai e no lugar dela é deixado um boneco, simulando algum tipo de morte qualquer.

— Que filho da puta! – Ditou Kanon.

— É, ele é sim. – Concordou Naomi.

—Então você está querendo dizer que a Kyoko que está aqui, congelada é uma...boneca? – Saga questionou imponente.

— Sim. – Respondeu o youkai.

O geminiano gargalhou, escarnecendo de Yamoto.

— Quanta merda você consegue dizer em tão pouco tempo?! – Ironizou em resposta.

— Não estamos mentindo! Você tem que acreditar em nós. A Kyoko que está congelada não é a Kyoko verdadeira! – Berrou Naomi se aproximando de Saga.

— Ah é?! Até agora seu maridinho não disse nada que me convença. Ele acabou de dizer que esse tal ventríloquo é capaz de criar corpos perfeitos para enganar as pessoas, então...o que me leva a crer que a Kyoko que está aqui, comigo a dois anos, congelada pelo esquife inquebrável de Aquário não é a Kyoko verdadeira e a que ele viu...- apontou—...não é a falsa?

— Porque ela chorou. – Yamoto confessou melancólico. Todos paralisaram. — Ela chorou Saga, e em toda minha vida eu nunca vi ninguém conseguir fazer o que ela faz, principalmente, quando está...triste.

Yamoto então enfiou a mão em um de seus bolsos e tirando de lá quatro pedras. Saga perdeu a respiração ao vê-las. Reconheceria aquelas pedrinhas a quilômetros de distância.

Seu coração acelerou dentro do peito e em sua mente somente a imagem de Kyoko a chorar sozinha em algum canto escuro ou enjaulada vinha. Suas palavras morreram na garganta e se houvesse mais algum argumento que ele pudesse usar para não acreditar que velou uma boneca por dois anos e meio enquanto sua Kyoko servia de cobaia para Hiroaki, já não sabia mais como usar.

— Ele só pode copiar o corpo, mas não as habilidades. – Saga deu um passo e ergueu a mão, mas não teve coragem de tocar. — Eu fiquei sem saber o que fazer. Pensei em matá-la achando que era um dos bonecos dele, mas quando eu olhei para ela...não...consegui. Não tive...coragem mesmo imaginando que...não era ela. — Kanon se aproximou e pegou uma das pedras. — Eu não tinha muito o que fazer, então fiz o que achei correto: Puxei um dos tubos que estavam ligados a cabeça dela e fiquei lá até o outro dia. – fez uma pausa. —Eu não sabia se aquilo ia dar certo, mas eu tinha que tentar. Quando tive uma chance eu saí de lá e voltei para o Sul. Contei tudo aos outros. Acredite eles reagiram como você e me condenaram por...não tê-la matado ali.

—Ela já está acordada então?! – Mu mais afirmou do que perguntou.

—Sim e é aí que está o agravante.

— Mais?! – Kanon resmungou.

Yamoto olhou para cada um deles até parar em Saga. Ele já não mais conseguia olhá-lo. Era informação demais para um único dia.

—Se é a Kyoko de verdade porque você não a trouxe para cá? – Kanon rosnou.

— Se fosse assim seria fácil. A Kyoko é um youkai de classe S, isso significa que ela jamais poderia passar pela barreira e também...

— Ah é?! Então como você e sua esposinha maldita conseguiram passar? – Saga falou irritado. Já sentia sua cabeça latejar.

— Eu tenho meus truques, meu caro. – Naomi ditou irônica irritando ainda mais o geminiano.

O cosmo de Saga começou a crescer e Naomi correu para trás do marido. Para que tinha aberto aquela maldita boca? Será que não era suficiente tudo que Saga já tinha ouvido?

— Não me irrita! – Advertiu. Sua paciência estava por um fio.

— Ela não lembra de você... – Yamoto cuspiu as palavras. Saga pareceu murchar como uma flor morta. — ...não lembra de nada. Para ela, você não existe. Nenhum de vocês.

— Está mentindo. – balbuciou dando um passo para trás.

— Eu sinto muito.

— Não! A Kyoko ela...

— Eu...sinto muito Saga.

De repente Saga levou uma das mãos até a testa. Mu aproximou-se do amigo assim como Kanon. Era informação demais para um único dia, mas aquela última em especial era como um tiro bem dado, um soco potente, ou uma espada cravada bem em seu coração.

Mesmo que quisesse ajudar, mesmo que acreditasse, que importância teria se ela não lembrava de si?

— É melhor você sentar. – Disse Mu preocupado.

—Eu estou bem. Só preciso...ficar um pouco sozinho.

Então sem dizer mais nada, o mais velho saiu dali sem olhar para trás.

— Pobrezinho. – Resmungou a youkai chorosa. — Ele fez uma cara, me deu tanta dó. – Secou uma lágrima.

— Se ela não lembra dele, como ele pode ajudar? – Mu inqueriu melancólico, mas ainda curioso.

Yamoto suspirou.

♊oOoOo♊

Debaixo do chuveiro Saga amargava sua dor em meio a lágrimas. Não sabia o que era pior: Ter Kyoko morta ou ter Kyoko viva, mas sem saber quem ele era. Não conseguia achar resposta para suas dúvidas. E se Yamoto estivesse mentindo? Se fosse uma armadilha? Mas e se realmente estivesse dizendo a verdade? Seria incrível! Poder senti-la outra vez, ver seu sorriso, ouvir sua voz, sentir seu cheiro, seus lábios...seus olhos...Mas...Kyoko não lembrava de si. E se não lembrasse nunca? Como viveria sabendo que a havia perdido outra vez? O que podia fazer? Em que podia intervir?

Não sabia. Não sabia o que pensar, não sabia o que fazer. Por um lado, queria e muito ir lá e salvá-la mais uma vez, mas por outro tinha medo dela o negar. Isso! Estava com medo da rejeição, medo da perda.

Saiu do chuveiro e se enfiou em uma cueca box e depois em uma calça de moletom cinza. Mirou seu reflexo por alguns minutos pensando em desde quando havia se tornado um covarde. Nunca fora de ter medo! E porque disso agora?

Bufou irritado saindo do quarto e sem perceber já estava de frente a ela. De frente ao esquife magnífico criado por Camus.

Seus olhos marejaram olhando toda a beleza daquela obra de arte. Como queria senti-la mais uma vez. Como fazia falta, Zeus!

— Como você me faz falta. Queria tanto sentir você pelo menos só mais uma vez. – Tocou com a mão direita, sentindo os dedos doerem pelo gelo.

— Então foi assim que vocês fizeram?! Realmente é lindo. – Saga fechou os olhos ao reconhecer a voz.

— Sai daqui! – Grunhiu de olhos fechados, encostando a testa no gelo.

— Ela chorou por você Saga. – Confessou Yamoto ganhando finalmente a atenção do cavaleiro.

— Mas você disse...

—Eu sei o que disse. – fez uma pausa — Saga, a Kyoko, ela...está diferente. Não sabemos o que Hiroaki fez com ela, mas mesmo com toda confusão em sua mente, de uma forma inconsciente ela sabe que tem algo errado...

“Por que me sinto desse jeito? O que tem de errado comigo Yamoto-kun? O que? Por que me sinto só e vazia? É como se...se faltasse um pedaço aqui, dentro de mim. Dentro do meu coração que eu não sei onde está. Yamoto-kun... porquê? Porque...Por que sinto falta de algo que nem mesmo sei o que é?

Saga ficou estático, ouvindo as palavras de Yamoto.

— ...ela sabe Saga que está faltando alguma coisa, mas não sabe o que é porque não lembra. Hiroaki tirou você das lembranças da Kyoko e colocou...sei lá o que dentro da cabeça dela, mas você não está só nas lembranças... – fez uma pausa se aproximando mais. —...está dentro dela de um jeito que Hiroaki jamais poderá mudar, e é por isso que estou aqui. Por isso vim. Não vim por você, odeio ter de admitir que de todos que lutaram por ela, o vencedor é um...homem humano. Eu não posso mudar isso e também não posso obrigar você a acreditar em mim. A única coisa que tenho...é minha devoção a ela e minha palavra...por isso...

Yamoto se afastou um pouco. Saga crispou o cenho. O youkai de forma súbita caiu de joelhos aos pés do cavaleiro deixando-o ainda mais sem reação.

— ...eu lhe imploro. Por favor, aceite ir comigo para o Makai. Se você a ama e quer ajudá-la, aceite!

— Levanta. – Ordenou o cavaleiro. O outro obedeceu.

Saga deixou seu olhar vaguear por seus pés e depois voltar até o esquife.

— Saga, a Kyoko não tem mais a espada e nem a pedra. A mesma desapareceu e ela não faz a menor ideia de onde possa estar.

—A espada dela está comigo, a pedra nós já não sabemos. Quando ela despertou?

— A quinze dias, mas ela ainda está com ele. Ela voltará para o Sul daqui a três dias para passar um tempo em casa, trinta dias para ser mais exato, depois disso ela mudará de uma vez para casa dele. Eu e os outros fomos chamados para continuar a cuidar dela. De início eu hesitei porque não acreditava ser ela, mas aí ela chorou e foi aí que nós decidimos te procurar. Eu não sabia nada sobre você, eu só tinha um nome. Mas mesmo assim te achei. – Confessou o youkai com um leve curvar de lábios.

— Ahhh...isso é loucura. Eu não posso entrar no Makai. Se eu pudesse já teria ido lá e...arrancado a cabeça daquele desgraçado com minhas próprias mãos. – Rosnou o geminiano saindo do lugar e indo para a cozinha. Yamoto o seguiu.

— Pode! É por isso que a Naomi está aqui.

Saga parou, já estava quase esquecendo daquele complemento maluco.

— Bem lembrado! – Cruzou os braços sobre o peitoral forte e desnudo. — Será que poderia nos esclarecer essa parte também?

Yamoto sorriu colocando uma das mãos no ombro de Saga de forma amigável.

— É claro! Mas será que tenho direito a pelo menos mais uma xícara de café?

Agora foi a vez de Saga sorrir.

♊oOoOo♊

Já de volta a sala, Camus, Kanon, Mu e Saga prestavam a detida atenção ao casal de youkais. Todos estavam bem curiosos para saber sobre eles, mas especificamente Naomi.

— Eu nem sempre fui um shinobi. Antes de conhecer a Kyoko eu era um simples...pescador.

— Pescador? Ahhh fala sério! – Kanon riu acendendo um cigarro.

— É difícil de acreditar, mas, sim! Eu era, e gostava do que fazia. Vivíamos em uma vila simples e com poucos youkais. Alguns velhos, outros mais novos, mas todos de vida simples e humilde. Eu já era casado nessa época com a youkai mais linda do Makai. – falou orgulhoso olhando sua esposa. Saga balançou as sobrancelhas. Para ele, com toda certeza Kyoko era a mais bela. — Então...em um belo dia eles apareceram...

"Na frente de todos a marionete caminhava devagar, observando tudo ao redor. Era nojento aquele lugar. Tudo simples demais, gente pobre demais, um horror! Olhou suas botas com ar de nojo pela lama do lugar."

— Todos ficaram sem saber o que fazer. Nunca tínhamos visto nada parecido, ainda mais, o filho do ventríloquo.

— Ei, perai! Filho?! Ai kct...acho que você já está trocando as bolas. – Kanon se pronunciou tragando seu cigarro.

— Não, ele não está. A Naomi que vocês conhecem não é o que parece. – Falou a verdadeira Naomi sorrindo de lado.

— Perai! Ta dizendo que ela é... – Saga ditou sem conseguir acreditar.

— Ela é um homem.

— Puta que pariu! — Kanon levantou sem conseguir acreditar também. — Com pau? Com pinto, piru, rola é isso?!

— Kanon! S'il vous plaît. (Por favor.) – Camus emburrou-se, Mu riu.

—Sim, é isso aí. Seu nome de batismo é Suzuki. Ele foi feito a partir da carne de seu próprio pai. O primeiro a ter consciência, herdando tudo de ruim que seu pai tem, mas fora moldado como homem, e é por isso que ... “ela” odeia tanto a Kyoko. Hiroaki é hétero e jamais sequer cogitaria a hipótese de se deitar com ele. Mesmo possuindo um corpo belo e feminino Hiroaki sabe de sua essência, e também tem o fato de sua obsessão pela Kyoko.

— É melhor você continuar, esse papo está começando a me dar enjoo. – Saga cortou o outro, tomando o cigarro das mãos de Kanon e tragando com força.

— Okay! Bem...A marionete tentou nos convencer a sair de lá para que ele pudesse extrair o Mythril, mas o problema era que o único pedaço de Mythril que existia era o que sustentava nossa vila. A força do metal mantinha o local em ordem. Claro que nós não concordamos, mas ele lógico não aceitou...

“— Bando de vermes. – Rosnou a marionete emitindo um som típico de madeira rangendo.

—É a terra deles. Eles têm direito. Você não pode extrair o metal, vai matá-los. – Kyoko rebateu entre os dentes. Como odiava aquele boneco maldito.

— Direitos? Vermes não tem direito a não ser carne podre.

O boneco saiu caminhando, dando as costas para Kyoko que entendeu o recado. Já havia conversado com Hiroaki sobre aquilo e o avisara que se Suzuki ousasse machucar pessoas por conta daquele maldito metal, ela mesma o mataria. Hiroaki lógico concordou, mesmo desejando aquele metal tanto quando a marionete, mas o que ele mais amava era ver Kyoko possessa de ódio. Era quando a achava mais linda. ”

—...depois de algumas semanas ele voltou ainda pior. Sem pena ou misericórdia, ordenou que não deixasse nenhum de nós vivo, mandou matar todos de forma cruel, sem dar chance para defesa. Eu tentei fugir com Naomi, mas quando ele a viu...seus olhos brilharam.

— Eu nunca me esqueci o jeito como ele me olhou, era como se pudesse ver dentro da minha alma. – Naomi se manifestou. Yamoto a acolheu em seu peito. Era doloroso as lembranças.

— Ele foi atrás de nós. Eu tentei defender a Naomi, mas não tinha forças, e foi aí que ela apareceu...

“O kiai tão conhecido explodiu pelo lugar quando Kyoko pareceu surgir das sombras, cortando as cabeças dos aliados de Suzuki. O boneco irritou-se, mas ignorou Kyoko de início. Queria aquela mulher.

— Suzuki!!! – Berrou Kyoko aparando o golpe de dois inimigos ao mesmo tempo.

A marionete avançou sobre a mulher e em um salto caiu sobre ela.

—Nãooooo!!! – Kyoko berrou fazendo vários raios caírem sobre o lugar, torrando todos os inimigos que estavam ao seu redor.

Ao terminar correu o mais rápido que pode, mas parando logo assim que a risada diabólica chegou aos seus ouvidos.

— HAHAHAHA...Olha para mim...Kyoko! – Disse a marionete ficando frente a frente de Kyoko. A raposa nada disse. — Eu consegui um novo corpo e agora...ele não me negará mais. – Gargalhou passando por Kyoko sem olhar para trás, seu corpo de modificando e imitando o da mulher.

As unhas da Kitsune cravaram-se na carne de sua mão por conta do ódio que sentiu de Suzuki. Como aquela marionete maldita havia se tornado um Kage? Alguém que devia proteger estava matando inocentes. ”

— Eu quase fui morto. Quando acordei estava em uma cama quentinha e cheirosa. Havia uma moça cuidando de mim. Eu não sabia quem era, mas...

“— Na...Nao...mi. On..de...ela...

— Shiiiii....vai ficar tudo bem agora. Descanse. ”

— Eu jamais ia me esquecer daquele sorriso. Aquelas covinhas fofas não tinham como eu esquecer. – Yamoto continuou. — Eu dormi por quatro dias. Estava muito ferido e cansado. Quando acordei descobri que estava no Sul. Na casa dela. Ela havia salvado os poucos sobreviventes e os levando para seu refúgio sem que ninguém soubesse. Depois descobri que Naomi não tinha morrido, mas que precisaria ficar ali escondida enquanto aquele...boneco maldito vivesse, mas o pior foi quando mesmo possuindo o corpo de uma mulher, Hiroaki ainda sim o negou. Suzuki ficou furioso e tentou assassinar a Kyoko para roubar a imagem dela, mas não conseguiu. – Completou o Youkai.

— Eu soube que depois que ela nos salvou houve uma luta sangrenta entre ambos, Suzuki desafiou a Kyoko com a desculpa de que o vencedor herdaria o posto de braço direito de Hiroaki e o segundo no comando, mas acabou sendo derrotado. Hiroaki vibrou com essa vitória da Kyoko, pois com o novo título ela passou a ficar ainda mais tempo ao lado dele. – Naomi incrementou a história.

— E a Keiko ainda teve a cara de pau de dizer que a Kyoko não vê salvação em nós. – Kanon ironizou.

—Mas ela vê e é por isso que faz o que faz.

— Temos de informar tudo isso a Shion, mesmo que eu ache que ele já sabe de tudo. – Camus deu o ar de sua graça.

Saga ficou de pé. O olhar sério e compenetrado não deixava a menor dúvida sobre sua decisão, mesmo ainda estando inseguro sobre o reencontro com a suposta Kyoko. Ele não tinha outro meio de saber se aquela era verdadeiramente a sua Kyoko se não fosse até o Makai. Realmente ela era forte demais para atravessar a barreira, e sem saber ao certo o que estava acontecendo seria um susto grande demais para ela ser levada para um lugar desconhecido.

Mas...ainda tinha uma coisa que não se encaixa e que não conseguia engolir, e o que não foi surpresa nenhuma sua dúvida era a mesma de Camus e Mu.

— Ainda tenho uma dúvida. – Camus chamou a atenção de todos. — Se a Kyoko que está congelada non é a Kyoko verdadeira, como foi que fizeram a troca? Non porque eu tenho certeza que dali ninguém além de Dohko de Libra poderia tirá-la.

Yamoto trocou um olhar com Naomi. Essa era a pergunta que não queria calar para todos.

— Essa é uma boa pergunta. Teremos que raciocinar para descobrir. – Naomi falou primeiro.

— Oui, porque...ela só poderia ter sido levada antes de ser congelada.

— Deve ter havido uma brecha nesse meio tempo. – Mu pensou alto.

— Não! Nem pensar! O Saga ficou agarrado a ela o tempo todo. Só largou quando finalmente eu consegui colocar ele pra dormir, depois disso eu mesmo fiquei de olho nela. – Kanon expôs.

E foi nesse momento que uma luz fez Camus trocar um olhar com Mu e Saga, já tendo uma ideia do que poderia ter acontecido. Kanon havia ficado responsável por Kyoko. Será que havia alguma coisa que o dragão marinho teria deixado passar despercebido?

—Kanon, mon ami...você tem certeza que non deixou o corpo dela sozinho em nenhum momento? – Camus arriscou perguntar, mesmo sabendo que poderia ganhar um murro ou uma dúzia de palavrões em resposta.

— O quê?! Ta de brincadeira Camus?! Tá me chamando de irresponsável?! – Kanon se levantou ofendido.

— Kanon, calma! Senta aí. – Saga ordenou. — Ninguém está dizendo isso.

— Olha...já passou dois anos, pode ter acontecido alguma coisa que você não lembra. – Mu se pronunciou.

— Não, Áries! Eu me lembro de tudo tá?! Eu coloquei o Saga pra dormir. Ele apagou com ela nos braços, então eu peguei ela e levei para o salão de gêmeos e a colocando sobre o altar, e aí eu...

De repente Kanon parou. Seus olhos arregalaram e foi aí que ele caiu em si. Todos ficaram na expectativa da continuação. Era obvio que tinha algo que Kanon não lembrava e que antes não tinha importância até aquele momento.

O dragão marinho levou uma das mãos à cabeça. Que idiota que era! Como havia se esquecido que para levar Saga para o quarto, Kyoko precisava ficar sozinha.

— Merda! – Grunhiu.

— Bingo! – Saga falou entortando os lábios.

— Foi só por cinco minutos até a serva chegar. – Confessou sem jeito.

— Um minuto é suficiente. – Yamoto disse.

Saga levantou sofá levando as duas mãos a nuca. Começou a andar de um lado para o outro. Agora ele não tinha como duvidar. Um segundo era mais do que suficiente para um ser como Hiroaki ou Naomi, ou melhor dizendo, Suzuki.

Um desespero quase incontrolável começou a crescer dentro de si. E por mais que sua razão ainda tentasse controlar seus sentimentos, seu coração já estava liberto. Cheio de esperança e ansiedade. Então Kyoko estava realmente viva! Zeus!! Isso era...

— Não posso acreditar... – falou consigo mesmo, andando de um lado para o outro. — ...ela está viva. Está...viva.

Saga então olhou ao redor e seus olhos se encontraram com os verdes iguais ao seus. Sem pensar correu até seu gêmeo o agarrando pela nuca e unindo suas testas. Kanon de início ficou sem entender a reação do mais velho. Achou que ele o esganaria, tinha falhado miseravelmente em proteger o corpo da raposa e se não fosse por isso aquele desastre não teria acontecido.

— Kanon...eu te amo! Te amo meu irmão!!

— Como é que é?! Mas...Saga eu...falhei.

— Não Kan. Você a salvou.

— Ah é é?! – Kanon ergueu uma sobrancelha desconfiado. Será que Saga estava bêbado?

—Sim! Kan...ela está viva. Se você tivesse selado a porta antes, eles não teriam pegado o corpo dela e Camus a congelaria pra sempre. Eu vou poder tocá-la outra vez. – Sorriu feliz.

Kanon sorriu ao entender a euforia de seu irmão. Realmente pensando pelo lado positivo era maravilhoso o fato de Kyoko estar realmente viva, mas as coisas ainda não eram um mar de flores e o fato dela não lembra de nada e estar nas mãos de Hiroaki era o que mais preocupava o dragão marinho.

♊oOoOo♊

— Como é que é?!! – Berrou Afrodite levantando sobressaltado e derrubando sua cadeira.

— Sim Afrodite, a Kyoko está viva e está no Makai. – Saga informou a todos. Agora eles estavam reunidos na sala de reunião do 13º templo junto a Shion e Atena.

Com riqueza de detalhes Yamoto voltou a contar toda a história que já passara a Saga anteriormente. Ainda acrescentou detalhes como: O fato da Kitsune está sendo manipulada e acreditar que cada virgula vindo da boca do inugami era a mais absoluta verdade e também o tão sonhado matrimônio com Kyoko já estar com data marcada. Saga sentiu-se pior e ainda mais preocupado, e porque não dizer furioso também? Depois dessas informações já não conseguia mais parar de imaginar mil e uma forma de torturar aquele youkai maldito. Iria mata-lo, nem que para isso usasse as próprias mãos!

— Então o plano é só o Saga ir lá com todo seu chame natural e esse olhar sexy, e fazer a Kyoko se apaixonar por ele de novo. – Aiolos riu daquilo. Era tão clichê que parecia até filme.

—Que romântico!

Caspita Afrodite! Não começa! – Rosnou câncer.

— É basicamente isso...eu acho. O fato é que nenhum de nós quer que a Kyoko continue sendo usada e manipulada por Hiroaki. Se levarmos o Saga até ela e ele conseguir trazer nossa Hime-sama de volta, conseguiremos salvá-la e impedir os planos dele. Devemos aproveitar o fato da Kyoko ainda estar se recuperando, tirando o fato de estar confusa e deprimida por algo que nem ela sabe bem o motivo, mas nós sabemos. Vamos nos unir: afastar Kyoko-sama de Hiroaki e acabar com esse desgraçado de uma vez. — Impôs Yamoto.

— A Kyoko ainda está muito fraca e mesmo que ela recobre as memórias antes desse maldito casamento, ela não tem a menor chance contra Hiroaki e Suzuki sozinha. Tirando os aliados dele. Precisamos de ajuda e vocês são nossa única esperança.

— Bom...somos doze no total. Pode levar metade de nós. – Aiolia falou.

— Não! Muitos chamariam a atenção. Hiroaki proibiu qualquer um além de Yamoto, Cheshire, Águia e Ookami, fora os dois Shinobis dele: Hidaka e Kazuia, de sequer chegar perto de Kyoko. Se alguém desobedecer é morte na certa! Humanos estão estritamente proibidos de pisar no Makai mais do que já eram. A fenda de Guilhermo foi bloqueada e nem com a autorização dele humano algum pode pisar lá. Aqueles que se atrevem a atravessar ou caem nas fendas por azar... não são mais devolvidos, são executados!

— Maldito! – gruiu Saga apertando o punho.

— Mas, mesmo assim não vamos nos desanimar porque eu tenho um...presentinho pra vocês.

Naomi então sorriu travessa. Pegou uma bolsinha e de lá tirou cinco cordões. Cada um deles possuía um pingente em formato de gota. Era um cordão simples, mais muito bonito na cor prata.

—Eu vou precisar do sangue de vocês.

— O que e isso? – Shion perguntou. Não deixaria seus cavaleiros se meterem em alguma roubada.

—Isso é como um passe livre ao Makai, criado especialmente por mim. – Respondeu Naomi.

Saga pegou um dos cordões e ficou a observar o pingente.

— Está dizendo que isso vai nos deixar entrar? – indagou com certo desdenho

— Basicamente, mas...atenção! Isso irá reduzir a força de vocês a quase zero, ou seja, passarão a ser humanos normais para que assim atrevessem a fenda sem problemas, e com um toque unicamente meu...- fez um gesto com as mãos. —...ganharão de brinde proteção contra os efeitos do ar ao mesmo tempo em que seus se acostumam com ele. Eu só não sei dizer por quanto tempo é necessário usar. – Coçou a nuca.

— Puxa! Por que não ganhamos um desses antes? – Milo pegou um dos cordões para olhar também.

— Bom...eles são novos. Testamos em nós mesmo. Vê?! – Naomi abriu um pouco seu decote e deixando à mostra o mesmo cordão só que este estava tingido de vermelho. Yamoto fez o mesmo gesto. — Podemos entrar e sair usando isto. Ninguém sabe que existe, só nós então...que esse segredo fiquei aqui.

Saga sorriu matreiro. Estava começando a gostar. Finalmente poderia ir até aquele lugar infernal atrás de Hiroaki sem ter de ser afetado pelo ar, e o mais legal de tudo era saber que com o tempo ele ficaria imune ao ar e não precisaria mais usar aquele selo para se proteger. Seu coração batia a mil só de imaginar chegar perto de Kyoko outra vez e se Hiroaki pensava que a batalha já havia sido ganha ele estava muitíssimo enganado. Não perderia aquela batalha de jeito nenhum! Uma pelas pessoas do Ningenkai que dependiam da vitória dos dourados e outra por Kyoko, que mesmo sem saber precisava e muito dele.

Olhou para os amigos e depois para Shion. Este meneou a cabeça de forma positiva, dando sua autorização para que Saga fizesse o que achava que devia. Estava receoso e temia por seus cavaleiros, mas nas circunstancias atuais, eles não tinham melhores opções. Ninguém sabia onde a Adamantine havia ido parar com a morte de Kyoko. Pensavam que talvez a pedra estivesse ainda dentro dela e, de certa forma, protegida dentro do esquife feito por Camus, mas agora com essa novidade já não sabiam mais o que pensar.

Com os olhos sagazes mirou os companheiros que queria naquela jornada, voltando no final para a esposa de Yamoto, Naomi. Esticou seu braço sobre a mesa, puxando a manga de sua camisa e expondo a veia pulsante em seu braço direito. Sorriu.

— Podemos começar?

Continua...

Notas finais
Olhaaaa...eu já estou imaginando a reação do Maskito e do Shura. Semmmmm nhooorrr!!! Socorrrooo!!! Kkkkkkkkkkkkkkkkk Quem serão os escolhidos por Saga pra encarar essa loucura? Hummmm... to na dúvida. hauahuahauhuahua Bjs e pleases deixem seus reviews eu adoro ler eles. Dou mil pulinhos quando vejo lá minhas notificações. Isso dá um gás que vcs nem imaginam. =D Mata ne!!! =D