Uma estranha no ninho - Vol. I
25 Um estranho ninho.
Notas iniciais

Era quase cinco da manhã e Saga ainda não havia conseguido pregar os olhos. Estava demasiado ansioso e preocupado. Sua mente, a mil por hora, não deixava o cavaleiro relaxar um segundo se quer desde a chegada de Yamoto.
Por um lado, sentia-se frustrado e triste em saber que a suposta Kyoko nem lembrava que existia, por outro a empolgação de poder revê-la era algo impossível de explicar. Estava também muito apreensivo pela ideia de ter de deixar o santuário e seguir para um universo onde mesmo com todo poder que tinha adquirido por anos, de início, não valeria absolutamente nada. Estaria totalmente dependente dos tais shinobis e da boa vontade deles em mantê-lo em segurança até se adaptar ao lugar, se é que a intenção deles era realmente aquela.
Mas o que podia fazer? Se dissesse “não” a Yamoto e ficasse no santuário corria o risco de dar as costas ao que podia ser verdade e novamente errar com Kyoko, deixando-a nas mãos de Hiroaki para sempre e ainda por cima causar a destruição da Terra caso ele conseguisse a Adamantine. Por isso optou em pôr sua própria vida em risco, indo com o youkai e tirando a prova.
Mas de uma coisa estava certo: Não se deixaria vencer tão facilmente e usaria aquela vantagem para cumprir com sua promessa, mesmo que perdesse sua vida para isso.
Impaciente, deu um pulo da cama, passou as mãos nos longos fios até alcançarem a nuca e parando ali com os dedos entrelaçados. Mirou seu reflexo no espelho e mais uma vez lembrou-se de Kyoko.
"Como será que ela está? Será que ele está cuidando bem dela? Inferno! E desde quando aquele desgraçado cuidaria bem dela?! Se cuidasse não a teria ferido. Zeus! Como será que ela vai reagir quando me ver? E se não for ela? Se eu estiver apenas me iludindo, criando esperanças em algo que não existe? Atena, me ajude! Não sei o que fazer. Não faço a menor ideia de como reagir quando a ver. Ahhhh...droga! Do que estou com medo? Desde quando Kyoko passou a lhe pôr medo Saga de Gêmeos? Aliais, desde quando passou a ter medo de alguma coisa?"
Bufou irritado. Catou o maço de cigarros e o isqueiro que Máscara havia lhe dado no dia anterior em cima do criado mudo, e somente com uma calça de moletom se dirigiu até a entrada da casa de gêmeos. Sentou-se com ambos os braços apoiados nos joelhos, dando uma tragada relaxante naquele vício miserável ao qual ambos os demônios que passaram em sua vida o fizeram adquirir: Kanon, que lhe oferecera com dez anos de idade e toda sua rebeldia, e Arles que o fez adquirir de vez o vício.
— Sem sono?
Saga não respondeu, achou que a resposta era óbvia demais para perder seu tempo. Tragou de seu cigarro outra vez, soltando a fumaça pelas narinas sem desviar os olhos do maravilhoso nascer do sol que já começava a se iniciar no horizonte.
E mais uma vez lembrou-se dela. Zeus! Por que tudo, até mesmo os mínimos detalhes o faziam lembrar-se daquele sorriso lindo?
— Yamoto...
— Sim... — Respondeu sentando-se também no degrau.
— Como ela está? Ela...não lembra de nada mesmo? — indagou com medo da resposta.
— Eu não fiquei com ela muito tempo, mas o tempo que fiquei ela nunca tocou no assunto e nem demonstrou saber nada sobre nenhum de vocês.
—...
Respirou fundo o youkai. Algo em seu íntimo lhe dizia que talvez aquele plano maluco e de última hora não iria dar certo. Era óbvio e mais que notável que Saga ainda questionava a veracidade de sua Hime-sama* ser realmente Kyoko e isso era um problema. Até entendia as dúvidas do cavaleiro, mas se Saga não parasse de ver os fatos com os olhos da razão não faria o menor sentido ele se arriscar tanto.
Saga tinha que acreditar para que aquilo desse certo.
— Quando ela acordou, Águia estava lá. Fora chamado no Norte para zelar por ela... — fez uma pausa olhando para Saga. — ...nesse meio tempo, conseguiu arranjar uma desculpa para me encontrar e então decidirmos o que faríamos. Ele me contou com pesar como tinha sido a ocasião que Hiroaki tanto aguardava...
"Águia observava atônito a cena diante de seus olhos. Não sabia o que fazer e muito menos como reagir. Ele fora um dos que mais criticara Yamoto por ter mantido aquela aberração viva, mas agora que a via com seus próprios olhos e a gritar de dor nos braços de Hiroaki, ele finalmente entendeu como seu companheiro se sentiu.
— Hi...Hime-sama!!!- disse nervoso se aproximando.
Ela se remexia, tremia e berrava, arqueando as costas na cama por conta da dor. Hiroaki a segurando em seus braços com possessividade e um desespero que já não conseguia mais conter. Já fazia quase uma hora que sua amada berrava de dor e se contorcia sem que pudesse fazer nada para evitar.
— Por que ela está gritando desse jeito? — Hiroaki rosnou de ódio para o velho ventríloquo.
O velho, que mais parecia uma múmia seca e podre, observava a cena sem expressão.
— FAÇA ALGUMA COISA! É UMA ORDEM!!!
—Eu nããão...pooosssoo fazer nadaaa. São as...24 horas deecisiiivas dela.
— Como assim não pode fazer nada velho? De algo para parar a dor.- gruiu Águia irritado também.
— O remédio para dor já foi...aplicaaadooo, mas foram...dooooiiis aaannoos de procedimentos para ela...voltar, e agora...elaaa está sentiiiinndooo tudo que foi feito em seu corpo e cérebro...neeesses...aaaanos de uma só...veeeez.
— Seu...desgraçado! Eu devia matá-lo por sua insolência! — berrou o inugami furioso.
—Se ela não sobreviver...a...issooo...significará que o procedimento...foi...um...fracaasooo. — respondeu o velho se afastando. Seu andar como de um verme rastejando sobre a terra quente.
Hiroaki mirou o rosto desesperado de sua amada ao gritar mais uma vez de dor; os olhos arregalados, a tez pálida como nunca vira antes e um tremor por todo o corpo.
Por que Kyoko tinha de ser tão teimosa? Por que o havia desobedecido? Se ela não tivesse feito o que fez a dois anos atrás não estaria passando por aquilo. Não era para ela ter morrido. Era para ele estar no lugar dela naquele dia. Aquele cavaleiro vil e...imundo deveria estar morto no lugar dela. Era culpa dele Kyoko estar passando por tudo aquilo.
Abraçou Kyoko com força e desespero, sentindo o suor dela molhar seu kimono, o corpo excessivamente magro tremendo quase em convulsão.
Trincou os dentes com tanta força que sua gengiva rosada começou a sangrar, e mais do que nunca odiou Saga de gêmeos como nunca havia odiado nada em toda sua vida!"
O geminiano sentiu um aperto no peito ao ouvir aquelas declarações. Mesmo ainda estando em dúvida sobre a veracidade de Kyoko estar realmente viva, imaginar vê-la passar por um sofrimento como aquele, porque falhou com sua obrigação em protegê-la como Shion ordenara, era como se uma bala fosse disparada de uma arma lhe acertando o peito, estilhaçando seu frágil coração e espalhando a culpa por todas as veias de seu corpo. Mas mesmo com todas aquelas sensações horríveis, ainda assim não disse nada. Preferiu não expor seus sentimentos e opiniões sobre algo que não tinha certeza ainda, mas não sentiu pena alguma de Hiroaki.
— Águia disse que ela gritou por quase vinte e quatro horas. – fez uma pausa.— Saga, eu sei que está confuso, mas, se você continuar pensando...
— É impossível eu deixar de pensar na possibilidade dessa história toda não passar de uma armadilha. Mesmo que ela seja realmente a Kyoko, nada me garante que você não esteja mancomunado com Hiroaki e Naomi. – cortou como uma navalha afiada. Ainda não conseguia confiar naquele youkai.
A expressão do outro endureceu. Ele odiava Hiroaki e Suzuki demais para ser comparado a eles.
— Yamoto...
Uma voz feminina interrompeu o que possivelmente seria uma discussão. Naomi ergueu uma das sobrancelhas notando o clima tenso entre ambos os homens. Ainda bem que chegou bem na hora, não queria que seu esposo entrasse em um confronto com o namorado de um Kage, mesmo que esse Kage ainda não soubesse disso.
—Está terminado. — informou.
Saga ficou de pé. Até que enfim aquela maga terminou o encantamento nos cordões e isso significava que poderia partir para o Makai mais rápido do que imaginou.
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Depois dos testes com os dourados escolhidos por Saga para irem naquela missão, Yamoto e Naomi se preparavam para dessa ver irem de avião até o Japão, pois era lá a fenda onde se dava o acesso ao Sul onde Kyoko deveria viver.
Saga pegou algumas poucas coisas; peças íntimas e algumas poucas muda de roupa e pôs em uma mochila. Não fazia a menor ideia de como seriam as coisas por lá mesmo já tendo estado lá uma vez. Depois seguiu para seu escritório onde mirou com seriedade a espada de Mythrill em sua linda bainha, presa em um suporte na parede em cima da lareira.
Levar ou não levar? Es uma ótima questão, ao qual Saga não sabia responder.
No salão de gêmeos Afrodite, Mu e Camus aguardavam o mais velho na companhia de Kanon. Saga estava demorando demais e já começavam a imaginar se o mesmo não teria desistido.
—Por que ele está demorando tanto? – Perguntou peixes bocejando.
—Talvez tenha dado dor de barriga por conta do nervosismo. – resmungou Kanon. Estava puto, ou melhor dizendo putíssimo por Saga não ter deixado que fosse para o Makai dessa vez.
Yamoto sorriu de lado e Naomi gargalhou com a observação nada singela feita pelo marina.
Minutos depois, Saga deu o ar de sua graça no salão para o alívio dos outros.
— Até que enfim. – falou o gêmeo mais novo emburrado, mas no fundo estava muitíssimo preocupado com o irmão. Algo em seu íntimo lhe alertava que seu irmão estava sendo levado para uma cilada.
Kanon sabia melhor do que ninguém que Mu, Afrodite e Camus ficariam de olho em seu maninho, mas aquela maldita ligação entre irmãos gêmeos deixava-o tenso demais. Por mais que Saga aparentasse melhora pela perda, ele ainda se sentia extremamente culpado pela morte de Kyoko e agora com aquela “novidade”, com toda certeza ele estava ainda pior por mais que não dissesse e muito menos demonstrasse, mas o que mais amedrontava Kanon era a possibilidade de o irmão pirar outra vez. Saga nunca fora uma pessoa emocionalmente normal e isso ele melhor do que ninguém sabia já que fora ele mesmo a contribuir no passado para isso.
Estar ao lado do irmão em tudo que pudesse e ajudá-lo fora a única forma que Kanon achou de se redimir com ele.
— Desculpem-me, eu precisava resolver uma coisa antes. Podemos ir agora?
—Saga...
O mais velho olhou a face igual a sua e sentiu toda a aflição, preocupação e...medo?! Sim! Kanon estava com medo de que algo de ruim acontecesse a Saga e ele não estivesse lá para ajudá-lo.
E sentindo toda essa enxurrada de sentimentos do irmão que Saga o puxou para um abraço forte, dizendo a ele que ficaria tudo bem e que não se preocupasse tanto, e principalmente que se cuidasse em sua ausência.
Seguiram os seis até uma van da fundação que os levou até o aeroporto particular de Saori. Este não ficava muito longe do santuário, tornando a ida para lá bem rápida.
Um pequeno jato já os aguardava e para surpresa de todos, Saori e Shion já estavam lá aguardando os cavaleiros.
— Atena?! – Saga perguntou confuso.
—Oi Saga, desculpe, mas achei que deveria vir. Nós saímos depois de vocês e veja, chegamos primeiro. – sorriu.
— Não tem motivos para se desculpar, Saori. – agora foi a vez de Saga sorrir singelo, aquele sorriso meigo e terno que só ele sabia dar.
Aproveitou e apoiou um dos joelhos no chão perante a ela. Camus e os outros fizeram o mesmo. — Aproveito então para pedir sua benção mais uma vez, minha deusa.
— Sempre! – sorriu. — Saga...- este ficou de pé. — ...não deixe a dúvida e a culpa dominar você. Ouça seu coração para que assim possa fazer a escolha certa.
O geminiano abaixou o rosto levemente, pensando nas palavras de Atena. Ela conhecia o coração de seus cavaleiros talvez melhor que eles mesmos e sabia — mesmo que não dissesse – de todos os seus dilemas.
— Obrigado Atena, eu irei lembra disso, prometo.
Todos embarcaram no pequeno jato, se acomodando nas poltronas luxuosas. Afrodite amou aquilo tudo e falava sem parar com Mu e Camus que somente ria de tudo. Sua atenção verdadeira estava em Saga.
O amigo já não conseguia esconder sua aflição e preocupação com tudo aquilo. Talvez por ser o mais velho, sentia-se ainda mais responsável pelos outros, ou talvez seus medos estariam voltando com ainda mais força.
Saga nunca havia se perdoado por tudo que fizera no passado e isso era algo que todos sabiam. Independente do perdão de Atena, o cavaleiro de gêmeos nunca se achou digno de tal e remoía seus erros sempre a mais do que eles realmente valiam, não que a perda de Kyoko fosse algo leviano, mas também não era culpa de Saga, algo que ele não conseguia deixar de trazer para si.
Preocupava-se e muito com o amigo, pois por mais que Saga fosse um cavaleiro de ouro seu corpo era humano e seu coração não era de ferro, e tristeza e culpa demais podia levar até o mais forte dos homens à morte, e era isso que Camus mais temia.
— Tudo bem, mon ami? – Camus arriscou perguntar.
Saga sorriu de lado. Não queria que seus amigos se preocupassem tanto assim consigo, haviam coisas mais importantes e uma delas era a estadia no Makai.
— Sim Camus, estou. — Mentiu.
A verdade era que estava apavorado com a hipótese de ser rejeitado por Kyoko e principalmente de não conseguir salvá-la outra vez.
— Obrigado por perguntar. – completou ainda sorrindo.
— Se quiser conversar, estou à disposição. – informou o mais novo.
De longe Yamoto observava a cena com inquisição no olhar. Estava inseguro quanto a reação de Saga e temia que em vez de ajudar, ele só piorar as coisas. Não era atoa que não gostava de humanos e sinceramente, não entendia como raios Kyoko conseguira se apaixonar por ele.
Ele era medroso, e seu coração cheio de culpa, dúvidas, incertezas e...principalmente tristeza. Tirado o fato de ser arrogante e prepotente, e se tudo em volta não fosse ruim o suficiente, Saga era humano e essa era a parte mais...bizarra!
Sempre acreditou que com tudo que Kyoko havia passado na vida, ela jamais sequer cogitaria a possibilidade de ser tocada por um humano, e pior ainda se apaixonar por ele a ponto de dar sua vida assim, como se fosse nada.
— Um humano? Um reles mortal arrogante e...verdadeiramente lindo. Eu nunca pensei que um deles ganharia o coração de Kyoko-sama.
— E quem poderia imaginar Naomi?
— Acha que vai dar certo? – sussurrou Naomi debruçada no ombro do marido.
— Não, mas mesmo odiando isso tudo, não tenho opção melhor.
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“A sensação era como estar sobre as águas. O som abafado e uma luminosidade estranha dificultando a entender bem se estava boiando ou...voando. Era como vagar em meio ao silêncio do nada, sozinho...mas mesmo assim sentia-se tão calmo e seguro como talvez nunca estivesse. O vento leve embalando sua franja como uma carícia terna e carinhosa...
...um sussurro e depois...
— Você veio...mesmo estando prestes a despedaçar-se. É um bom sinal. – a face plácida se crispou de leve ao sentir um toque suave na bochecha. —E então, porque veio? – indagou de forma brincalhona a voz.
Saga sentiu o coração espremer dentro do peito...
— Eu acho que...desejo ser perdoado... – sussurrou de olhos fechados. —...mais que tudo.
Um riso brincalhão e as covinhas fofas se formaram.
— Por quem? ”
— Saga?!
O cavaleiro abriu os olhos em um rompante observando a face interrogativa de Afrodite e seus olhos celestes que nem se quer piscaram. Olhou para os lados sem saber bem onde estava, com dificuldade sua memória começou a volta e lembrou-se do avião e da viagem. Seu coração martelando dentro do peito parecia querer sair pela boca. Estava sonhando. Sonhando com Kyoko, depois de dois anos e meio ele finalmente sonhou com ela, mas porquê? Por que justo naquele momento?
— Está tudo bem? – perguntou o mais novo tocando o ombro de Saga.
Saga manteve o olhar perdido por alguns segundos. Balançou a cabeça de forma positiva mesmo sem ter certeza daquilo, mas independentemente de ser verdade ou não o que não queria era preocupar seus amigos.
—Tudo bem Afrodite, acho que peguei no sono.
— Todos nós, mas não ligue. Depois de tantas horas de voo isso é mais do que normal. Só o Camus mesmo para ficar acordado.
— Pessoal, temos que ir.
Mu pôs sua cabeça para dentro do pequeno avião fazendo Saga entender que já haviam pousado. Respirou fundo concordando.
Antes de descer observou o lugar onde dormira com interrogação nos olhos. Levou uma das mãos ao rosto, tocando somente com a ponta dos dedos o local onde havia sido tocado no sonho. Aquilo foi...tão real que ainda podia sentir os dedos macios tocando sua pele.
Será que aquela era a prova de que Kyoko nunca o havia abandonado? Ou era a prova de que ela sempre o aguardou, sem perder a fé e a esperança de que ele era a liberdade que tanto ansiava?
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Caminharam por uma floresta densa por mais ou menos vinte minutos até se depararem com uma caverna. Afrodite tomou cuidado ao passar pela entrada apertada do lugar. Não estava com vontade de sujar sua calça branquinha e muito menos sua camisa de seda novinha.
Ao entrar observou o lugar com certo nojo, onde pequenas gotas de água pingavam no chão forrado por musgo e flores, e alguns cogumelos. Via-se também ali um pequeno córrego que brotava de um buraco entre uma árvore retorcida e uma rocha mediana. O lugar ao todo não era tão escuro, pois por onde os galhos da árvore saiam a luz também entrava, passando pelas folhas e também alguns frutos que não soube bem identificar dando um ar mágico em tudo. De tudo não era tão ruim, mas também não era bom...para si lógico.
Mu ficou deslumbrado por existir um lugar mágico daquele dentro de uma caverna aparentemente minúscula. Olhou para um dos lados e uma lagarta enorme, mista de azul, rosa e algumas pintas pretas caminhava toda pomposa por sobre uma pedra forrada com os musgos.
— Que linda! – sussurrou, estendendo a mão para o animal se apoiar.
Camus aproximou-se sorrindo e observando o animal na mão do amigo.
— Ah...esse cheiro. – comentou peixes com cara de nojo.
— Sigam-me! – ordenou Yamoto começando a caminhar atrás de Naomi.
E na parte mais escura, no canto esquerdo entre a árvore retorcida e a parede de pedra, Yamoto foi praticamente sugado pela escuridão junto a Naomi. Saga, Mu, Afrodite e Camus se entreolharam, pensando se aquilo era realmente seguro.
— Bom...já que vocês estão com medo, eu vou na frente. – disse Afrodite começando a caminhar.
Camus seguiu o outro antes mesmo dele sumir na escuridão. Mu foi logo atrás também e Saga depois.
A sensação era como ser tragado por um dos buracos dimensionais ao qual já estava mais do que acostumado a atravessar, e talvez por isso ao tocar o chão de terra e seus olhos queimarem pela nova claridade que agora preenchia toda a escuridão, Saga não sentiu nada tão diferente do que imaginou.
Piscou devagar a fim de que seus olhos se acostumassem e quando estes assim o fez levou um susto, dando de cara com um youkai que não era Yamoto.
— Olá, até que enfim! – zombou o anfitrião.
Saga piscou algumas vezes impressionado com a altura daquele que lhe falava: Ele devia ter por volta de seus dois metros de altura ou até mais, um corpo ainda mais forte que o seu, mais sem exageros, possuía orelhas felpudas e uma cauda igualmente parecida com a de Kyoko, cabelos longos até a cintura bagunçados e prateados, tirando o fato do sorriso largo mostrar descaradamente os caninos pontiagudos e as íris amarelas.
E com esse conjunto de características era impossível não fazer a comparação daquele ser com Kyoko, e foi assim meio que perdido em milhares de divagações que Saga só se deu conta de que havia algo estranho quando uma voz abafada...uma voz familiar chamou sua atenção.
Olhou para o lado direito e para seu espanto viu Afrodite de joelhos, amarrado com as mãos para trás e a boca amordaçada por um pano. Olhou mais e viu Camus desmaiado e Mu tentar se levantar depois de ser golpeado.
Engoliu em seco. Era uma armadilha.
Por instinto disparou um soco potente na direção do youkai, acertando seu estômago em cheio. O outro nem se quer moveu um músculo, para o espanto do cavaleiro de gêmeos. O youkai ainda sorrindo apontou para o próprio peito indicando a Saga algo que ele claramente havia esquecido: o cordão.
E antes mesmo de ter tempo para processar todas aquelas informações, a mão do adversário lhe dando “adeus” fora a última coisa que viu antes e apagar.
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Afrodite sentiu uma dor na nuca e o familiar gosto de ferrugem descer por sua garganta. Resmungou dolorido ao tentar se mover, mas não conseguiu. Devagar abriu os olhos, piscou duas vezes; as vistas embaçadas e ardidas pela claridade do lugar. Sentiu alguma coisa estranha tocar sua pele, mas não em qualquer lugar e sim seu...
— Ahhhhhh!!! – deu um grito começando a se bater.
Uma garota miseravelmente estranha, de pele roxa e cabelos arrepiados e verdes levou um susto e gritou também. O cavaleiro de peixes olhou ao redor tentando processar aquela informação e identificar onde estava. Olhou espantado para seu baixo ventre percebendo que estava nu e ainda por cima sendo banhado, e ao que tudo indicava por aquela...anormal.
Tentou movimentar as mãos, mas notou que as mesmas estavam algemadas a duas correntes, uma de cada lado, mantendo seus braços abertos e levantados. Suas pernas também estavam algemadas pelos tornozelos e vergonhosamente bem abertas por sinal.
Lembrou-se em um rompante do que havia acontecido e começou a se desesperar, se batendo e gruindo.
—O que está havendo? Solte-me! – berrou para a mocinha que riu divertida.
— Desculpe, mas não vai dar não! – falou divertida pegando um pouco de sabonete líquido e derramando no abdômen definido do sueco, enchendo seu umbigo pequeno com o líquido.
A youkai lambeu os lábios de forma faminta, comendo o pisciano com os olhos, para seu total desespero. Não era possível que aquela...bizarrinha iria tentar alguma coisa. Iria?
Em outro cômodo Camus se encontrava na mesma situação que Afrodite: deitado no piso molhado e frio de um banheiro com uma youkai de cabelos azuis e olhos escarlate e puxados tentando banha-lo, mas toda vez que ela tentava tocá-lo ele se debatia. Na última tentativa dela, Camus acabou por se irritar e por instinto reagiu da melhor forma que podia.
— Para sua saúde é melhor non tentar tocar em mim outra vez. – ameaçou.
A youkai parou de imediato, mirando os olhos ameaçadores do aquariano. Se Camus não estivesse amarrado e selado podia jurar que já teria sido morta só com aquele olhar, mas...como ali era “sua” casa não deixaria mesmo que um humano falasse consigo daquela forma.
— Ookami!! – chamou.
Camus de início não entendeu, mas depois de quase um minuto sentiu seu sangue gelar nas veias ao ver o mesmo youkai da primeira vez entrar no recinto.
—Algum problema Natsume? – ele indagou sorrindo de lado e mirando todo o corpo nu do outro.
— Sim, ele não está me deixando fazer o serviço e ainda me ameaçou.
O youkai sorriu mais abertamente, mas Camus não desviou o olhar. Não era homem de ter medo de nada.
Ookami agachou ao lado dele e de repente segurou seus cabelos com força, puxando Camus um pouco mais para perto de si. Aquário sentiu suas mãos quase serem arrancadas pelas algemas graças ao gesto bruto do outro. Trincou os dentes, mas sem desviar o olhar assassino dele.
— Se ele continuar a ser um menino malcriado...- com a mão livre tirou uma kunai de dentro de seu kimono branco e amarelo, e entregando nas mãos da youkai. —...corte o pau dele fora. Ele não vai precisar dele, somente o buraco de trás será necessário para onde ele vai.
E se houvesse outro tipo de ameaça pior do que aquela para um homem, Camus não sabia existir. Engoliu em seco ao perceber o que youkai não estava brincando mesmo mantendo aquele sorriso sarcástico no rosto másculo.
Ookami praticamente jogou o outro de qualquer jeito no chão, dando as costas e saindo sem olhar para traz, pois tinha certeza absoluta que dos quatro homens, aquele em especial era inteligente demais para descordar de uma ordem sabendo que estava em total desvantagem.
Mu sentia-se incomodado demais com o sobe e desce das mãos daquela youkai em seu corpo nu e molhado. Não que estivesse sendo maltratado ou machucado, muito pelo contrário. As mãos dela eram como pétalas de rosas de tão macias e delicadas, mas o problema era porque estava nu. Estar nu na presença de alguém conhecido já era horrível, agora imagina na frente de uma garota...linda e que ainda o banhava com todo cuidado?
Os cabelos presos em um coque frouxo deixavam algumas mexas desalinhadas escorregarem pelo rosto esbranquiçado e meigo. Os olhos negros pequenos e bem puxados, tinham o canto externo pintado de vermelho intenso, combinados com um delineado negro e delicado, a boca parecia ainda mais miúda por conta do desenho feito com o batom cor de carmim. O kimono vermelho com flores de ume e um pavão lindíssimo bordado na lateral era de deixar qualquer homem ainda mais fascinado pelo fato de um dos ombros estar caído, revelando a pele de alabastro que se escondia em meio a tantos panos.
Ela era uma legítima gueixa e estava bem diante de seus olhos... e ainda por cima...
— Ahhh...isso faz cócegas. – resmungou fazendo a youkai parar.
— Gomen nasai! (Me desculpe)
Mu empurrou a saliva a seco pela garganta e pediu a todos os deuses existentes para que não tivesse uma ereção justo naquela hora. Por todos os deuses! Ela não tinha como ser menos linda e meiga não?!
— Qual seu nome? – indagou curioso se remexendo desconfortável.
— Ume.
Mu sorriu: — Como as flores...
A garota emudeceu, fitando o sorriso singelo daquele humano sem sobrancelhas, mas ainda sim...
— Ume...- chamou alguém. — Está atrasada.
A gueixa pareceu despertar, acenando positivamente para alguém que Mu não conseguiu ver. A garota ruborizou, sussurrando outro pedido de desculpas e voltando a seus afazeres pelo corpo do cavaleiro.
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Camus sentia o coração bater na garganta por conta de aflição. Não fazia a menor ideia de onde estava e muito menos para onde estava sendo levado agora. Depois do banho, um hakama e um capuz negro era a única coisa que cobria seu corpo. Os pés descalços ainda possuíam as algemas, assim como as mãos o que dificultava e muito andar. Alguém o segurava pelo braço sem a menor delicadeza, arrastando o cavaleiro de qualquer maneira pelo chão que julgou ser de madeira.
— Anda estamos atrasados! – ouviu alguém berrar nervoso. Uma voz masculina e grave.
— Vamos logo sua mocinha, eu não tenho o dia todo.
O solavanco fora tão forte que Camus teve a ligeira impressão de que seu braço iria cair quando aquele nervosinho o soltasse, mas seu coração retumbou desesperado no peito quando ouviu vozes...muitas vozes ao mesmo tempo em um alvoroço total. Não conseguia ver absolutamente nada, mas sabia que ali não teria menos que 50 pessoas.
“Que diabos está acontecendo? Como será que os outros estão? ”, pensou aflito.
E quando se podia pensar que aquilo tudo não tinha como piorar, Camus ficou em estado de choque ao ser jogado de joelho e ter o capuz removido, pois ao distinguir a multidão de youkais a ovacionar por conta do que loucamente seu coração teimava em dizer, engoliu em seco pela milésima vez naquele dia.
— Meus caros senhores e senhoras, hoje será um dia muito especial para nós. Espero que apreciem o show e não economizem, pois, a mercadoria é de excelente qualidade!
“O quê?!”, desesperou-se o aquariano. Ao seu lado Afrodite e Mu observavam a multidão de forma atônita na mesma situação. Aquilo era...
— Que comece o leilão negro! O lance mínimo será de cinco mil gil, começando pelo andrógeno. – berrou o velho barbudo, maneta e anão.
Afrodite gruiu por debaixo da mordaça tentando se levantar, mas sendo impedido por um monstro imensamente gordo.
— Sete mil gil! – berrou um dos convidados.
— Sete mil e quinhentos...- outro falou levantando o braço.
— Oito mil... – uma mulher que mais parecia um polvo berrou se abanando com um leque. Já dava para imaginar o que se passava na mente daquela...coisa horrorosa.
— Dez mil gil!
— Dez mil gil?! Bom Lance! Quem dá mais? – apontou o anão com o pequeno martelo. — Dez mil dole uma...
— Vinte mil gil!
— Vinte mil gil! Quem dá mais? Alguém dá mais?
— Um milhão gil!
Todos viraram na direção do dono do lance. Afrodite, Camus e Mu engoliram em seco. Era um valor muito alto o que seria difícil alguém ali cobrir e se aquele velho barbudo, magro, azul, com seu terno aparentemente caríssimo havia dado um lance daquele valor assim, era óbvio que ele cobriria qualquer outro.
Os olhos do homem caíram sobre a figura de Afrodite e do meio dos dentes amarelos a fumaça do charuto dele escapou no sorriso luxurioso.
— Um milhão gil. – apontou com o charuto.
O apresentado ficou em silêncio por alguns segundos, já havia feito aquilo um milhão de vezes, mas nunca havia visto ninguém pagar tão caro por humanos ainda mais assim, tão rápido.
— É...o senhor Nakagawa deu... Um milhão de gil! Alguém aqui dá mais?
—...
— Um milhão dôle uma...
Silêncio...
—Um milhão, dôle duas.
Resmungos entre a multidão....
Afrodite fechou os olhos tamanho foi seu desespero. Nunca se imaginou terminar sua vida como um prostituto de um velho azul babão. Se aquele velho pensava que iria colocar as mãos em seu corpo a sim, ele estava muitíssimo enganado.
— Cinco milhões...
Seja lá quem fosse a pessoa que dera o lance o cavaleiro de peixes deu graças aos deuses por ela existir, mas a surpresa maior fora quando ele teve coragem de abrir os olhos e ver quem era a pessoa que tinha feito o lance.
Um silêncio ainda maior tomou conta do lugar e o que antes era desespero transformou-se em incredulidade total para os três cavaleiro e surpresa para os presentes. O apresentador ficou parado por um tempo e em seguida sorriu de lado.
— Cinco milhões para o Kage!!! – berrou o apresentador eufórico.
O youkai Nakagawa trincou os dentes de ódio. Por essa ele não esperava...mesmo! Era um valor altíssimo que tinha oferecido e ser coberto assim descaradamente mesmo por quem era, era uma ofensa e das grandes.
O dono do último lance caminhou altivo no meio da multidão. Não havia nenhum se quer que deixasse de olhar e admirar sua beleza. Era invejável demais e um sonho para qualquer um presente ali o simples fato de lamber seus pés ou quem sabe o chão que pisava. Muitos começaram a ajoelhar e baixar a cabeça em sinal de respeito, outros ficavam tão encantados que mal conseguiam pensar.
Subiu a escada de acesso ao palco com toda sua desenvoltura e altivez. Arrastando a cauda de seu kimono negro e dourado por onde passava. Um youkai pequeno se arrastou como um cão, tentando tocar a barra do kimono e cheirá-lo, mas recebeu um chute potente de um dos seguranças.
O apresentador sorriu de lado, curvando o corpo e abaixando a cabeça em reverencia e respeito.
— Saiba que é uma honra para mim ter sua ilustre presença. – ditou em tom respeitoso.
Afrodite, Camus e Mu ficaram com seus olhos arregalados, mirando a pessoa que todos menos esperavam ali, afinal era um leilão negro, como já dizia o nome, e um Kage naquele meio era a coisa mais rara que o Makai podia ver. Realmente aqueles humanos deviam valer muito maisdo que qualquer um ali podia imaginar.
De longe Yamoto e Ookami observavam a cena de forma divertida e irônica. E pensar que quase mudou de ideia em colocá-los no leilão por medo daquilo não dar certo.
— Você acertou em cheio.
— E quando eu não acerto, meu caro. – respondeu Yamoto ao outro.
No palco o velho Nakagawa bufava em cada degrau ultrapassado. Sabia que não devia brincar com fogo e muito menos desrespeitar um Kage, mas não iria engolir aquela ofensa assim de graça. Queria Afrodite de qualquer jeito, nem que para isso fosse necessário dar metade de sua fortuna para aquele anão traficante.
— Ora, ora...não é todo dia que se vê um Kage, ainda mais...dando lances em um leilão negro. – ironizou tragando de seu charuto. — Você é admirável.
— E você...desprezível. Devia ter vergonha de comprar garotinhos...humanos em um leilão. – respondeu no mesmo tom.
O velho sorriu irritado.
— Oito milhões de gil. – cobriu o lance Nakagawa.
— Vinte cinco Milhões...
Nakagawa sentiu o coração bater na goela ao ouvir o valor. Já o público soltou aquele “uhhhh” por conta do choque. Aquele tinha sido um dos maiores lances já dando naquele lugar o que seria difícil para o velho cobrir.
— Vinte cinco Milhões dôle uma...
— TRINTA MILHÕES DE GIL! – Gruiu o velho jogando seu charuto fora. —Você não tem direito de falar algo sobre mim já que está aqui fazendo a mesma coisa...Kyoko Asano!!!
Afrodite sentia os olhos cheios de lágrimas de tanta felicidade. Era como se um anjo havia posto Kyoko ali naquele lugar na hora e no momento exato. Por todos os deuses!! Era ela ali mesmo! Saga ficaria louco quando a visse, mas espera um estante. Por que ela parecia tão diferentemente mais bela e tão...arrogante?!
Kyoko bufou. Odiava aqueles leilões. Sentia-se como um diamante em meio a um chiqueiro imundo e cheio de porcos, e Nakagawa era a prova daquilo.
— Okay! Vamos acabar logo com isso...- mirou bem dentro dos olhos do adversário. —... Trinta lágrimas de pérola pelos três e não se fala mais nisso.
— NANIIIII???? (O QUE???) — Ookami praticamente berrou do fundo do lugar.
O velho Nakagawa quase engoliu seu charuto ao ouvir o lance dado por Kyoko. Uma lágrima de pérola valia dez vezes mais do que o valor que ele havia dado no último lance por Afrodite. Era como receber um tapa sem mão, pois somente com aquele lance, o segundo Kage mais poderoso poderia comprar toda sua fortuna e ainda sobraria. Não tinha como cobrir aquele valor. Nunca ninguém havia dado lágrimas de pérola como lance em um leilão e ainda mais a dona delas.
Lágrimas de pérola era o nome dado as pedras feitas a partir das lágrimas das mulheres das neves. As feitas por elas valiam uma quantia enorme em dinheiro, principalmente no mercado negro, mas naquele caso as lágrimas de Kyoko valiam ainda mais pelo simples fato de ser de uma Kitsune – o que já valia muito dinheiro -, e sendo da única Kitsune mestiça daquelas duas raças valia muito mais.
O apresentador tremeu dos pés à cabeça só de pensar na fortuna que teria com aquilo. Abençoado era Yamoto e Ookami por terem sequestrados aqueles humanos e os leiloados ali.
— Trinta lágrimas de pérola, dôle uma...
— Eu deveria matar você aqui na frente de todas essas pessoas por sua insolência em me comparar a um verme como você, mas humilha-lo me deixa mais feliz. Da próxima vez que respirar perto de mim...será o último. – sussurrou só para ele ouvir.
O velho Nakagawa trincou os dentes ao ver Kyoko dando as costas e começando a caminhar para fora do palco, mas não podia fazer nada. Já havia se arriscado demais ao afrontá-la daquela forma.
— Trinta lágrimas de pérola dôle duas, VENDIDO POR TRINTA LÁGRIMAS DE PÉROLA PARA KYOKO-SAMA!!! — berrou o anão de tanta alegria.
Afrodite quase desmaiou de alívio, assim como Camus e Mu. Yamoto sorriu caminhando com Ookami até o palco para retirar as compras feita por sua Hime-sama. Ela caminhou pelo espaço abertos pelos youkais que não se atreviam a se quer chegar perto sem permissão. A raposa lançou um olhar sério para seu shinobi ruivo e este entendeu prontamente o recado; pegou Mu e Afrodite de uma vez, e Ookami um revoltado Camus de Aquário.
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— Sem tropeçar mocinha. – zombou Ookami.
— Vai pro inferno! – Camus rosnou entre os dentes.
— Ele é muito malcriado! – deu um sacolejo. — Quando chegarmos em casa eu vou...
— Yamete(Pare com isso), Ookami!
Todos pararam para observar Kyoko se aproximar de forma calma e altiva. O olhar sério e de desprezo era algo que eles nunca haviam imaginado receber dela, mas esta foi a primeira coisa feita. Mu teve a ligeira sensação de não passar de um cão aos olhos dela, ou quem sabe pior que isso. Seja lá o que Hiroaki havia feito com ela, pedia aos deuses que fosse temporário.
— Eu paguei muito caro por eles para você...quebrá-los assim. – completou.
— Sumimasen, Hime-sama. (Me perdoe, princesa.) Então…o que faço com eles? – indagou com uma orelha abaixada.
Kyoko olhou um por um. O olhar de desprezo era tão forte que Afrodite teve a ligeira sensação de estar fedendo. Desde quando Kyoko havia adquirido aquele tipo de comportamento? Independe de lembrar deles ou não, nada justificava aquela atitude. Para ela era como se eles não passassem de uma mercadoria qualquer.
— Jogue eles em qualquer lugar, só não deixe perto de mim. – ordenou dando as costas e saindo de perto deles.
— Hai! (Sim!)– ambos os shinobis disseram abaixando a cabeça levemente.
— Espera! Onde está o Saga? Cadê ele? – inqueriu Mu exacerbado.
— Isso não lhe diz respeito mais, agora se não quer ser amordaçado outra vez, sugiro que cale a boca.
Yamoto saiu arrastando Mu e Afrodite até um tipo de furgão, abrindo a traseira e jogando-os de qualquer maneira ali. Ookami fez o mesmo com Camus, mas com menos delicadeza ainda que seu companheiro. Já estava quase perdendo a paciência por conta daquele olhar feio dele.
— Aiii...seu desgraçado! – berrou peixes. — Cadê o nosso amigo? Ele confiou em você, como pôde fazer isso? Cadê o Saga?
Yamoto não respondeu, dando as costas e saindo. Ookami bateu a porta do veículo e caminhou a passos rápidos até onde Yamoto estava. Seu sangue parecia quente nas veias tamanha era a vontade de esganar Camus. Ahhhh...mas aquele humanos iria desejar nunca haver nascido, pois daria um jeito de colocá-lo no pior lugar que pudesse quando chegassem ao Sul.
Continua...
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