Uma escolha

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Olá leitores, sou apenas um escritora amadora, com pequenos romances, tenho outra Oneshot postada e essa historia é para fãs de romances como eu. É uma Fic bem pequena, são apenas dois capitulos.

Ellie

Estávamos sentados atrás da minha casa, ele está deitado no chão da varanda com a cabeça em meu colo, seus olhos estão fechados e eu não consigo desviar os olhos do seu rosto.

— Você está fazendo de novo. — Ele diz em um sussurro, sem abrir os olhos.

— Fazendo o que? – pergunto sem desviar olhar dele.

— Me encarando... – ele diz.

— Não estou não – minto. – Você sempre diz as coisas com tanta certeza. – Zombo e passo a mão em seus cabelos e vejo ele abrindo um leve sorriso.

— Porque eu tenho certeza. – Ele diz ainda de olhos fechados.

Solto uma risada, mas não falo nada, apenas encosto levemente meus lábios nos seus e ele rapidamente corresponde. Ele coloca a mão em minha cabeça e me puxar para mais perto, como se fosse possível.

Posso enfim ver seus olhos quando nos separamos, seus lindos e misteriosos olhos pretos. Ele apenas me olha, seus lábios estão avermelhados e isso é minha culpa, seus olhos me observam e sinto que não posso esconder nada deles, seus cabelos pretos se destacam em contraste com a sua pele clara. Ele se senta e se aproximando de mim. Passa a mão em meu rosto com delicadeza, depois sua mão vai de encontro à minha presilha de cabelo soltando-o. Minhas mãos automaticamente vão ao meu cabelo tentando prender novamente, mas ele me impede sorrindo, reviro os olhos quando meus cachos caem pelo meu ombro batendo um pouco abaixo.

— Você fica linda de cabelo solto. – Ele diz e não consigo evitar em ficar corada com o elogio.

Ele me puxa mais para perto e quando me beija não penso em mais nada.

O nosso momento não dura muito e o Thomas logo vai embora, faz três semanas que estamos “saindo”, tudo começou quando eu tive que ficar um pouco mais na escola, para terminar um projeto, eu estava quase terminando e já tinha sido abandonada pelas meninas a algum tempo quando ele entrou na sala em que eu estava e me trouxe um café, ficamos conversando por horas naquele dia e eu me lembro de pensar o quanto eu o achava inteligente, ele era irmão mais velho do meu melhor amigo, e a gente sempre se via ,mas do que isso, ele tinha me visto crescer ao lado do seu irmão, mas nunca tínhamos parado para conversar sozinhos, não de verdade.

Ele sempre implicava comigo e com o Léo e estava dois anos na nossa frente, então ele tinha seus próprios amigos, na hora de ir embora ele me beijou, simplesmente me beijou.

Fui para casa naquele dia dando pulos de alegria, eu não sabia por que ele tinha feito isso, mas percebi no caminho para casa que queria que ele gostasse de mim. Só que no outro dia na escola, quando estava apenas eu e o Léo, ele passou pela gente e apenas nos cumprimentou como sempre fazia, na hora senti uma pontada no coração, lembro de pensar que tinha dado importância demais para um beijo.

Mas no mesmo dia ele me mandou uma mensagem dizendo que queria me encontrar e conversar, naquela tarde ele foi na minha casa, meus pais trabalham então ficamos sozinhos, conversamos, rimos e nos beijamos.

Ele disse que queria me conhecer melhor e perguntou se podíamos deixar isso entre nós por enquanto e é claro que eu concordei, mas toda vez que ele vai embora eu me arrependo de estar escondendo e pior ainda fico cismada por ele querer manter segredo.

Meu telefone toca e é o Léo me ligando e a culpe me atinge, eu nunca escondi nada dele, sabíamos tudo um sobre o outro.

— Com saudade? – atendo.

— está fazendo o que? – ele pergunta.

— Nada. – Digo e me jogo no sofá.

— ótimo, vamos em uma festa hoje. – Ele diz animado.

— Que festa? – pergunto sem ânimo nenhum.

— Um amigo do meu irmão vai dar uma festa na casa dele, ouvi o Thomas falando hoje sobre... e nós vamos! – Meu interesse aumenta.

— Ele nos convidou? – pergunto me animando, isso deve significar alguma coisa.

— Você acha? Claro que não, mas vamos assim mesmo. – Ele diz brincalhão.

— Não sei Léo, acho melhor não.

— Eu conheço o amigo dele El, vai ser legal, vamos? – não respondo de imediato. – Por favor!

— Okay. –Digo contrariada. — Legal! Se arruma, passo aí em meia hora.

Fico nervosa e penso em ligar para o Léo de novo, mas pensando bem, hoje seria minha chance, eu poderia mostrar para o Thomas que também sei me divertir. Tomo um banho e coloco um vestido preto tubinho, meu all star branco e minha jaqueta jeans larga, passo uma maquiagem levinha ajeito meu cabelo e estou pronta.

O Léo não demora muito, logo escuto uma batida na porta e desço para atender, eu vejo que ele se arrumou, Léo e eu temos a mesma idade, ele é um pouco mais alto que eu, não é muito forte, ele tem cabelo preto e a pele clara igual seu irmão, mas seus olhos verdes são o seu verdadeiro charme, pelo menos as meninas são loucas por esses olhos.

— Você está linda. – Ele diz quando me vê.

— Eu sei. – Digo brincando.

— Quando foi mesmo que você ficou tão convencida assim? – ele diz me encarando e me puxa para um abraço.

Dou uma risada e tento ajeitar o meu cabelo com as mãos antes de sair de casa.

Pegamos um Uber e rapidamente chegamos na tal festa, Léo está animado, entramos e a música alta e a bagunça na casa nos dão as boas-vindas a uma festa do pessoal do último ano.

Conheço muitos rostos da escola, nunca tinha falado com aquelas pessoas antes, mas conhecia quase todo mundo. Léo vai buscar bebidas enquanto eu fico esperando em meio ao povo em um lugar que eu acredito que já foi uma sala de estar, não consigo me controlar e me vejo procurando o Thomas, mas não o vejo.

Léo logo volta com as bebidas e em alguns minutos ele se joga no meio de um grupo, ele tem uma facilidade incrível em falar com as pessoa e já estamos conversando, tem até um cara no meio deles que fica me encarando a ponto de me deixar desconfortável, tento ignorar e me concentro no que o Léo esta falando, não sei quanto tempo ficamos ali, ouvindo música, conversando e bebendo.

E então eu o vejo, tem uma porta de vidro que dá para os fundos da casa e ele está sentando em uma cadeira em uma roda de amigos, ele está sorrindo, parece estar se divertindo, fico muito tempo pensando se devo ir lá fora e aproveito que o Léo saiu de perto e me aproximo da porta.

Quando estou preste a abrir a porta vejo uma garota loira sentando-se no seu colo, ela fala algo no ouvido dele e ele rir. Fico alguns minutos olhando a cena, sem acreditar, só consigo finalmente andar quando os olhos pretos me encaram, não presto atenção na sua reação, apenas me viro e ando em direção ao banheiro.

Entro e me tranco, respiro fundo algumas vezes, o que eu esperava? É claro que ele saia com outras garotas, nós não tínhamos um compromisso nem nada. Alguém bate na porta e eu respiro fundo ignorando.

— Eu sei que é você aí dentro El. – A voz do Thomas me desperta. – Se puder abrir... – respiro fundo tentando pensar em uma desculpa, ele bate de novo e eu tomo coragem e abro.

— Oi! – digo e forço um sorriso. Eu disse mesmo “Oi”? Qual é o meu problema? – Eu tenho que ir. – Anúncio sem deixá-lo falar e passo às pressas por ele, pelo menos era o que eu pretendia antes dele segurar o meu braço.

— El me escuta, não é o que você está pensando. – Ele diz com simplicidade e eu quero acreditar nele.

— E o que eu estou pensando? – pergunto, tentando me fazer de desentendida, sem sucesso. Ele apenas me olha e depois se aproxima de mim. — Acho melhor você se afastar, os seus amigos vão ver você comigo. – Digo com mágoa.

— Eu não ligo para o que os meus amigos vão ver. – ele diz a poucos centímetros de distância. – Você por acaso bebeu? – ele me pergunta e abre um pequeno sorriso.

— Por que você está fazendo isso? Eu não sou idiota Thomas. – Digo bufando e ignorando a pergunta dele e me afasto sem pensar direito.

— É claro que não é... El? – Ele me chama. Reviro os olhos e vou em direção a escada, preciso ficar sozinha, escuto os passos dele atrás de mim, entro no primeiro quarto que encontro e me sento no chão.

Thomas entra e fecha a porta atrás dele.

— Cadê o Léo? Você veio com ele né? Eu vou levar vocês em casa... – Ele passa as mãos nos cabelos me encarando.

— Não precisa, estamos bem. – Digo sem olhar para ele. Ele vem na minha direção e se senta devagar do meu lado.

— Posso perguntar o porquê de você está assim? – ele pergunta me cutucando na cintura. – Se for pela Manu, não se preocupe, somos só amigos.

— Você não precisa se justificar para mim. – Digo mesmo não sendo verdade.

— Só você mesmo para pensar assim, não está falando sério... – Ele diz com um sorriso e depois segura a minha mão, no primeiro instante não quero soltar, mas a contragosto eu largo a mão dele. – Sério El, não tem nada entre mim e ela.

— Você sabe que não é só isso, não sabe? – pergunto insegura, não quero ser a chata que quer discutir relação. Ele confirma com a cabeça e quero acreditar que ele sabe tudo que estou pensando.

— Não peço que você entenda, mas que você tenha só um pouquinho a mais de paciência. – Ele diz com o semblante triste. Quero perguntar o porquê, mas ele não me deixa falar e me beija e eu retribuo, porque eu gosto dele e não quero me afastar e porque sou idiota também. — Você está bem? – confirmo com a cabeça e ele em encara por alguns minutos. – Você quer ir embora? Posso levar vocês.

— Você vai dirigir? – pergunto insegura, ele confirma. – Mas você não bebeu? – questiono.

— Ao contrário de você, só bebi refrigerante hoje. – Ele diz brincalhão e me oferece a mão, abro um pequeno sorriso ao pegar na sua mão e me levanto, não tinha esquecido as coisas, mas não conseguia ficar chateada com ele por muito tempo.

— Você está me pedindo paciência. – Digo e ele confirma com a cabeça. – Tudo bem, mas você sabe que precisa me explicar por que não podemos contar para ninguém né? Não quero parecer insegura, mas estou começando a achar que você tem vergonha de mim. – Dou de ombros sem saber o que realmente dizer para ele.

— Não tem por que eu ter vergonha de você. – Ele diz parecendo surpreso.

— Eu não sei... – digo frustrada. – Você me pediu para não contar para ninguém, não fala comigo na frente dos outros, eu sou mais nova que você...

— São só dois anos El, não é nada demais. – Ele me abraça. – Tira isso da cabeça, não tenho vergonha de você, não sabia que você pensaria isso.

— Tudo bem. – Digo finalmente.

– Você procura o Léo? – confirmo com a cabeça e ele me beija de leve. – Vou pegar as chaves...

Saímos do quarto e ele desce a escada, fico sem saber para onde ir, até que um Léo meio tonto e cambaleando abre a última porta do corredor.

Suspiro aliviada e vou ao seu encontro.

— Estava te procurando El, acho que bebi um pouco demais. – Ele diz sorrindo e vem na minha direção.

— Acho que só um pouquinho. – Digo e ele me abraça.

— Vamos sentar aqui um pouquinho. – Ele diz e se senta no chão encostando as costas na parede e me puxando junto, ele apoia a cabeça na parede e fecha os olhos.

— Você sabe que não pode dormir aqui né? – digo achando graça da situação.

— Só preciso fechar os olhos por um minuto. – Ele murmura.

— Não dá, seu irmão está esperando a gente... – Ele apenas murmura me ignorando e eu suspiro. – ok, mas só um pouquinho. – Digo vencida e apoio minha cabeça em seu ombro cansada, depois do que o Thomas falou, minha cabeça está a mil.

— El?

— O que? – pergunto levantando a cabeça e percebo que estamos perto demais, ele coloca a mão em meu rosto carinhosamente e tenho vontade de rir, ele está realmente bêbado.

— Já disse que você é linda? – ele pergunta antes de se aproximar mais ainda e me beijar, um simples selinho.

Quando ele se afasta não consigo pensar em nada, posso ver o nervosismo estampado em seu rosto.

— El... eu... – ele começa.

— Vamos indo? – o Thomas pergunta atrás de mim, dou um pulo quando escuto a sua voz.

— Ah sim... vamos! Ele vai levar a gente... – Digo olhando para o Léo e para o Thomas, eu já disse isso né? Me levando nervosa, olhando um Thomas chateado.

O Léo me olha por um segundo e se levanta também.

Sigo o Thomas ainda não acreditando no que acabou de acontecer.

Estamos no carro quando Thomas para em frente à casa deles. Léo está na frente ao lado do motorista enquanto eu fico atrás, ele olha confuso quando paramos.

— Temos que levar a El primeiro. – Ele diz com a voz fraca.

— Eu a levo, você fica aqui. – Thomas diz e eu fico surpresa.

— Mas... – o Léo tenta argumentar.

— Você está quase vomitando, não quero que suje meu carro. – Thomas resmunga.

— Tudo bem. – Ele resmunga e sai a contra gosto. – Até amanhã El. — ele diz antes de caminhar até a entrada.

— Vem aqui para a frente. – Thomas diz com a voz suave antes de ligar o carro. Faço o que ele pede.

Ele dirige em silêncio e eu não tento puxar assunto, muitas coisas aconteceram essa noite e minha cabeça está a mil.

— Eu não sei se você está se perguntando, mas eu vi vocês. – Ele diz sem tirar os olhos da rua.

— Não foi nada demais. – Digo mais para mim do que para ele e abro um sorriso sem graça. – Ele está bêbado, nem devia saber o que estava fazendo.

—Se você acha isso. – Ele continua.

— Tenho certeza. – Digo por fim e o vejo revirando os olhos.

Thomas

Eu ainda não sei por que tinha entrado naquela sala, já fazia um tempo em que eu a via de um jeito diferente, eu a conhecia desde que tinha dez anos, ela e o Léo sempre foram muito grudados, todos nas nossas famílias diziam por trás deles que eles ficariam juntos, o casamento já estava quase planejado. E já tem alguns anos em que eu vi que o Léo era realmente apaixonado por ela, mas ele nunca tomava coragem para dizer algo.

Por isso quando eu percebi o meu interesse, eu fiz de tudo para não me aproximar, mas naquele dia, eu não sei, disse a mim mesmo que era só um café, mas a gente conversou e vi que ela é tudo que eu pensei que fosse, ela é divertida, inteligente e muito bonita e quando vi já estava beijando ela.

Me sinto culpado? Sim, mas não posso renunciar ao que estou sentindo e ela parece gostar de mim também, eu só não sabia como contaria para o Léo que estava gostando da garota que ele gosta.

Quando vi ele beijando-a na festa, confesso que aquilo me deixou morrendo de ciúmes e eu pensei que depois disse ela perceberia que eles foram feitos um para o outro, afinal era dele que ela devia gostar, certo?

— Eu não sei se você está se perguntando, mas eu vi vocês. – Digo tentando me controlar, não saber o que ela estava pensando era uma tortura.

— Não foi nada demais. – Ela diz e posso ver que não tem tanta certeza assim. – Ele está bêbado, nem devia saber o que estava fazendo. – Eu não sei se ela sabe, mas a bebida normalmente te da coragem para fazer algo que você quer muito, mas não tem coragem de fazer quando está sóbrio, só que não digo isso a ela.

— Se você acha isso. – Digo tentando não transparecer os meus ciúmes.

— Tenho certeza. – Ela afirma. Chegamos em frente à sua casa e quando ela vai abrir a porta do carro eu a seguro, ela me olha e eu apenas a encaro.

— Você está tão bonita. – Digo observando os traços delicados do seu rosto, sua pela morena e seu cabelo castanho, ela fica tão bonita quando solta o cabelo.

– Obrigada... – ela diz sem jeito pelo elogio me fazendo abrir um sorriso.

– Mais que bonita, está uma gata! – Digo provocando-a.

– Sempre fui, você só percebeu agora? – Ela diz entrando na brincadeira.

— Eu sempre percebi. – Digo e espero que ela entenda que não estou falando só de hoje. Ela para de rir e me olha e sei que ela sente o mesmo e quando a beijo, eu sei que é certo.

Chego em casa e não tem mais ninguém acordado, vou direto para o meu quarto, a noite foi longa e meus problemas estão longe de acabar. Queria não ter que lidar com isso, mas eu tinha feito uma escolha e não posso voltar atrás, não quero na verdade.

Acordo cedo e vou correr um pouco, sempre me sentia bem quando corria e tudo que eu precisava no momento era um momento para pensar. Chego em casa suado e vou direto para o banho, não tinha muito o que fazer hoje e com quem eu queria ficar, eu ainda não podia. Entro no quarto e o Léo está jogado na minha cama.

— Perdeu alguma coisa? – pergunto.

— Eu a beijei. – Ele diz sem nem me olhar.

— Quem? – eu sabia quem.

— A El. Eu beijei a El. – ele diz.

— Ontem? Você estava bêbado demais para se lembrar de alguma coisa irmão. – Digo sem saber o que mais eu posso falar.

— Eu espero uma vida para beijá-la e quando finalmente beijo, eu estou bêbado. – Ele bufa, jogando as mãos para o alto irritado. – Ela vai pensar que eu só a beijei por que estava bêbado?! Que ótimo.

Eu fico em silêncio sem saber o que dizer, como posso ajudá-lo?

— O que eu faço? – ele pergunta impaciente.

— Você precisa conversar com ela. – Digo pensando na melhor forma de resolver isso. – A amizade de vocês é muito forte, vocês vão se entender.

— Não quero ser só amigo dela, como a faço ver isso? – sinto culpa por ser eu a pessoa que está no caminho dele.

— Seja sincero irmão. – Digo tentando ser imparcial, seria esse o conselho que eu daria independente da garota em questão. Ele apenas me olha por alguns segundo antes de se levantar e por um momento eu penso que ele sabe de tudo, sabe da minha traição.

Ele sai do meu quarto, mas não me parece muito contente, sinto culpa, confesso que certas dúvidas começam a passar pela minha cabeça.

Eu não podia fazer isso com ele, talvez eu só esteja atrapalhando tudo, ela pode gostar dele e apenas não saber disso ainda, se eu me colocar fora do caminho, talvez ele ainda tenha uma chance.

“Posso ir aí?” envio a mensagem torcendo para que ela não veja.

“Sabe que sim.” Ela responde e por um momento penso em desistir.

“Chego em quinze min.” Sinto-me derrotado. Confirmo se meu irmão está em casa antes de sair e ele está na sala jogando.

— Vou no mercado, quer alguma coisa? – pergunto e ele apenas responde que não com a cabeça. – Ok, quando eu voltar a gente joga. – Ele confirma.

Fico parado uns minutos fora de sua casa e respiro fundo tomando coragem e saio do carro, rapidamente ela abre a porta e quando nos sentamos no sofá posso ver que ela está feliz.

— Sabe eu estava pensando, podemos ir ao cinema. – Eu a encaro sem dizer nada e ela logo completa. – Podemos ir ao shopping fora da cidade, não é muito longe, leva vinte minutos e dificilmente veríamos alguém conhecido. – Ela diz dando de ombros.

— Acho melhor não... – digo sem saber por onde começar.

— Tudo bem... – ela diz e percebo que já não está tão animada. – Podemos ver um filme aqui mesmo então, eu faço pipoca.

— Não da. – Ela me olha preocupada. – El... eu preciso te dizer... te dizer uma coisa. – Tento começar.

— Você não quer mais me ver né? – ela pergunta e posso ver que ela luta contra as lágrimas. Confirmo com a cabeça e ela fecha os olhos por alguns segundos. — Você o que? Cansou de brincar de me esconder? – Ela pergunta magoada.

— Não é do jeito que você está pensando. – Digo rapidamente. – Eu nunca brincaria com você El. – tento segurar a sua mão, mas ela me afasta.

— O que é então? Já perdeu a graça? – Ela se afasta abrindo uma grande distância entre a gente.

Eu também me levanto, minhas mãos estão suando e eu não sei o que dizer.

— Se você não vai me contar o porquê, eu acho melhor você ir embora. – Ela diz e seus olhos estão vermelhos e cheios de lágrimas e me sinto a pior pessoa do mundo.

— Eu só não quero que você pense que eu...– não consigo completar e ela se levanta e me encara.

— Que você me usou? que eu sou só mais umas das garotas que você fica? Não se preocupe não serei umas daquelas garotinhas que ficam correndo atrás de você. – Ela diz com a voz tremula.

— Você não está entendo. – Digo nervoso, não sei como explicar para ela. – Você é incrível, mas eu não estou querendo um relacionamento agora. – Minto.

Uma lágrima foge dos seus olhos e ela rapidamente limpa com raiva.

— Finalmente a verdade. – Ela diz baixo. – Não seria mais fácil ter me dito isso no início, aí eu teria a opção de não ser mais uma para você, de talvez não me apaixo... – ela para surpresa com as próprias palavras e me olha triste.

— El... eu... – nesse momento eu só quero voltar atrás e me desculpar.

— Só vai embora. – Ela diz em um sussurro.

— Me desculpe. – Digo por que é a única coisa que quero agora, que ela me desculpe.

— Vai embora. – Ela repete e eu não sei como, eu saio, mas não sem antes olhar para ela mais uma vez.

Notas finais
Deixe sua opnião, nada me deixaria mais feliz!