Uma comédia quase romântica
1 As aparências enganam
Notas iniciais

O sol forte que passava pela janela era refletido no rosto de uma ruiva adormecida em sua cama. Mas aquilo não foi o suficiente para acordá-la, porque tinha um sono de pedra... pelo menos era o que seu irmão dizia. Foi barulho de uma televisão ligada, assim como uma conversa entre uma garota e um garoto, que aos poucos acordou a bela adormecida. A jovem levantava da cama com os longos cabelos ruivos bagunçados e, cambaleante, foi na direção do irmão que ensinava a namorada a jogar algum tipo de jogo.
– Vai Hana, pula para não morrer, poxa!
– Eu estou tentando Akira, mas é complicado. – Ela fez um pequeno bico.
Ayase olhava para ambos soltando um longo suspiro, antes de processar toda aquela situação. O irmão estava sem camisa, com apenas sua calça de moletom preta que usava para dormir. Sua namorada usava uma blusinha branca e um shortinho como pijama, estava ao seu lado jogando um game qualquer de aventura, porém os dois eram muito barulhentos.
– Akira, eu até entendo que sua namorada durma aqui todo dia, mas porque não fazem menos barulho? Tipo assim, vocês nem ao menos disfarçam quando transam a noite, droga. – Colocava a mão no rosto completamente indignada com tudo aquilo. – Ela ainda é uma colegial, precisa estudar, descansar e essas coisas... Você já terminou a escola, por enquanto está numa boa em casa só comendo... comida a propósito, antes de fazer alguma piadinha. – Estreitou os olhos, fitando o irmão.
– Poxa vida, caso você não falasse eu faria uma piada com isso. – Começava a rir dando alguns tapinhas na bunda de Hana, que estava com o rosto completamente vermelho.
– Pare de fazer essas coisas logo cedo Akira, não é hora nem o momento, seu idiota! – Hana socava a cabeça do namorado, bufando de raiva, ainda com o rosto vermelho. Havia até esquecido de continuar o jogo devido as ações indecentes do namorado na frente da irmã.
– Aiiii... como se ela fosse uma inocente que não soubesse de nada, não tinha porque me bater, droga. – Passava a mão na cabeça com um dos olhos fechados, aparentemente o local estava um pouco dolorido.
– A questão não é essa seu ruivo safado, mas sim suas atitudes na hora errada. – Dizia Hana, levantando e caminhando até o banheiro, soltando um longo suspiro. – Meus pais são bem liberais, então me deixam dormir aqui desde que eu vá a escola pela manhã. Já está quase na hora, então vou me trocar. – Trancava a porta do banheiro.
– Eu amo essa garota, o jeitinho dela é muito fofo... não é, Aya? – Questionava Akira, olhando para irmã com um pequeno sorriso.
– Porque está perguntando isso para mim? Tenho cara de lésbica por acaso? – Suspirava, balançando a mão direita negativamente. – Para ser sincera eu fico sempre aqui “segurando vela” vamos dizer assim, mas fico feliz pelo meu irmãozinho estar feliz com essa garota. – Esboçava um pequeno sorriso.
– Você é uma irmã maravilhosa, tenho sorte de ter você ao meu lado sempre que preciso, as coisas já teriam saído do controle com a Hana caso você não estivesse por perto. Tenho uma grande dívida contigo, minha querida irmã.
– Baaah, para isso que servem as irmãs Akira, você não me deve nada, bobinho. – Ayase esboçava um pequeno sorriso, abraçando o irmão com um dos braços. – Mas então... agora rola um beijinho? Tipo a Hana está no banheiro e...
Akira apertava uma das bochechas da irmã a ponto da mesma ficar vermelha e ela tentava se livrar com alguns tapinhas no ombro irmão.
– Ai, ai, ai, ai... brincadeira, é brincadeira Akira!
– Você não muda mesmo hein, a Hana vai te matar se ver isso. – Dizia rindo, após soltar a bochecha da irmã.
– O que? As brincadeiras incestuosas da Ayase? No começo eu até me importava, mas acabei me acostumando com o tempo. – Dizia Hana saindo do banheiro, já com seu uniforme escolar.
– Você se acostumou? Aaaah, agora não tem mais graça. Era legal quando você ficava com ciúmes, tenho que pensar em algo novo. – Dizia a ruiva, passando a mão na bochecha, com um pequeno bico.
– Espera um minuto... você se divertia fazendo isso? Mas... olha não vou nem argumentar, não estou com muito tempo no momento. – Colocava uma das mão no rosto soltando um longo suspiro. – Agora vou indo, até mais tarde Akira. – Beijava suavemente os lábios do namorado. – Tchau Ayase, vejo você mais tarde. – Acenava e retirava-se do quarto brevemente.
– Até mais, honey. – Correspondia o beijo, após esboçava um pequeno sorriso.
– Tchau Hana-chan! E Akira... está jogando muito jogos de garotas 2D com essas falas melosas, sem contar que são sem graça. – Estreitava os olhos olhando para o irmão.
– Ah, não é tanto assim. – Coçava a bochecha com o dedo indicador, rindo um pouco, sem jeito. – Mas então, vamos ver algum anime novo agora?
– Foi mal mas não vai dar, combinei com a Yuri-chan de comprar um game novo com ela. Vamos tentar completá-lo 100% hoje, então talvez eu não volte para casa... pode transar a vontade, maninho. – Riu brevemente.
– Ué, eu transaria a vontade mesmo se você estivesse aqui. – Piscou os olhos algumas vezes.
– Por favor, finja que tem um pouco de vergonha nessa sua cara lavada. – Colocava uma das mãos no rosto.
– Haha’. – Fechava um dos olhos e mostrava a língua para irmã.
– Francamente...
Akira pegava o notebook em sua cama e ligava o mesmo para navegar na internet, enquanto Ayase caminhava para seu guarda roupa escolhendo algo para sair.
Já eram quase 11h e o sol estava um pouco forte, Ayase estava na sombra de uma árvore esperando a amiga chegar. Suas vestes se resumiam em um vestido branco que ultrapassava um pouco seus joelhos, seu cabelo ruivo estava preso com um rabo de cavalo e usava sandálias brancas. Um pouco a sua frente estava uma garota baixinha de cabelos negros, lisos e compridos, com algumas mechas vermelhas. Seus olhos também eram vermelhos, usava uma camiseta de manga longa preta, meias-calças, uma saia curta azul e seus calçados eram All-Star pretos com detalhes brancos. Logo ela estava bem próxima de Ayase para dizer:
– Desculpe a demora Aya, meus pais estavam brigando comigo por causa das minhas roupas de novo, foi meio complicado convencer eles a me deixarem sair. – Dizia com uma expressão séria, sem esboçar ao menos um sorriso.
– Tudo bem Yuri-chan, apesar da sua aparência você já é uma adulta, não é mesmo? – Esboçou um pequeno sorriso. – Um dia seus pais vão te compreender, apesar de não ter um corpo de mulher adulta, seus olhos vermelhos são lindos.
– Hum? Não vejo o porque de ficar se gabando por causa desses seios enormes, para mim eles são apenas um peso a mais no corpo de uma mulher. – Dizia a garota, tombando levemente a cabeça para o lado, ainda com aquela expressão séria.
Ela não muda mesmo, mas se ela não fosse assim, não seria minha querida amiga. – Pensou Ayase, após soltar um pequeno riso. Hitsuko Yuriko, apesar da aparência infantil, tinha a mesma idade que ela, 18 anos.
– Do que está rindo Aya? O que eu disse foi engraçado? – Coçava a bochecha com o dedo indicador.
– Não é nada, vamos para a loja.
Após uma pequena conversa, as duas começavam a caminhar em direção a estação de trem. Yuriko não era uma otaku como a Ayase, ela não gostava muito de animes ou mangás, mas as vezes pela grande amizade que tinha com sua amiga ruiva, assistia alguns que ela recomendava. Sua grande paixão sempre foram os jogos de quaisquer plataforma, ela adorava games online e tentava sempre estar em uma colocação na qual fosse conhecida por toda a rede... Assim como também adorava filmes de todos os gêneros, mas os que mais lhe chamavam atenção eram os de romance, porque de alguma forma eles conseguiam tirar um pequeno sorriso dela, algo que apenas Ayase conseguia fazer, em alguns momentos. Então ela era “apaixonada” por filmes desse gênero.
Um pouco mais a frente, perto de uma esquina, estava um garoto loiro fumando, encostado em um poste de luz. Tinha os cabelos espetados e roupas estilo “Bad boy”, mas aquilo não chamou muito a atenção das garotas, que passavam por ele sem dar muita atenção... até o momento que Ayase sentiu uma mão passar por sua bunda e ao mesmo tempo apertá-la levemente, aquilo fez com que a garota voltasse para perto do garoto estranho dizendo:
– Vem cá garotão, você passou a mão em mim, né? – Piscou os olhos algumas vezes, olhando para o rapaz, aguardando uma resposta.
– Passei sim, ruivinha, algum problema? – Dizia o rapaz, rindo, enquanto soltava uma baforada na cara de Ayase.
– Ah sei... – Ayase, depois daquelas palavras, com sua mão direita segurou com força a parte íntima do rapaz, fazendo com que ele se ajoelhasse na frente dela, devido a dor. Ela, para não deixar a mão escapar, abaixou junto com ele, com um sorrisinho sarcástico no rosto. – Diz aí, ta gostoso?
– S-Sua maluca... tira a mão do meu...
– Opa, que coisa feia dizer isso na frente de uma dama, se terminar de falar eu arranco seu objeto de trabalho na unha, quer pagar para ver?
O rapaz arregalou os olhos, balançando a cabeça negativamente para Ayase.
– Bom garoto, agora eu vou soltar e vamos ficar numa boa, ta? – Ayase retirava a mão das partes do rapaz sorrindo, e levantava.
– É por causa desse seu jeito que não arruma um namorado, você não é nada feminina. – Dizia Yuriko, olhando para Ayase e bocejando... havia observando aquilo tudo na maior tranquilidade.
– M-Mas, foi ele que começou, Yuri-chan, que culpa eu tenho?
– Não vem perguntar para mim, como eu vou saber? – Piscou os olhos algumas vezes.
– Caramba garota que mão forte você tem... acho que não poderei ter mais filhos. – Dizia o rapaz, se levantando. Não aparentava estar com raiva, porque a dor que tinha no seu pênis era maior que a mesma. – Você é a primeira garota que passo a mão e não gosta, como eu sou bonitão as outras me deixaram até o número delas para eu traçar mais tarde. – Esboçou um sorriso malicioso.
– Nossa como você tem uma linguagem suja, não que a minha seja a mais limpa... – Revirou os olhos. – E tem mais, eu não sou o tipo de garota que quer transar com um cara como você, de preferência quero um namorado com os mesmos gostos que os meus.
– Quem falou em namorar? Eu só quero ficar com você, ta afim? – O garoto puxou Ayase para perto e a encostou no muro com o rosto bem próximo do dela.
– Hum... um loirinho de olhos azuis, sem vergonha, que passou a mão em mim, com um hálito de cigarro? Para ser sincera não estou muito afim... Yuri-chan isso vai acabar rápido. – Ayase segurou o rosto do rapaz e o beijou com muita vontade, mas logo se afastou, esboçando um sorriso.
– Que beijo... você deve ter beijado várias vezes. – Disse o rapaz, com os olhos arregalados, levemente corado.
– Que nada, esse foi o meu primeiro e o seu também. – Mostrou a língua para o rapaz, que corou ainda mais com aquela atitude. Logo a garota voltou para perto da amiga, que ainda tinha aquela expressão séria.
– Porque você fez isso? Estava mais na cara do que barba; o garoto é um metido falso a bad boy. – Dizia Yuriko, bocejando.
– Você também percebeu? Eu quis brincar um pouco com ele, foi divertido. – Ayase começava a caminhar novamente em direção a estação, ignorando completamente o rapaz envergonhado no muro, mas logo parou ao escutar o garoto chamá-la.
– Q-Qual o seu nome, ruiva? – Gritava o rapaz, ainda com o rosto um pouco corado.
– Tsubasa Ayase... venha brincar comigo de novo um outro dia. – A garota acenava sorrindo, mas logo sumia da visão do rapaz, junto de sua amiga.
– Tsubasa Ayase... acho que posso ser eu mesmo com ela, tenho que largar essa minha vida de mentiroso... – O rapaz correu na direção da estação, na tentativa de alcançar as garotas.
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