Gotas de chuva caem ao chão como música para os meus ouvidos.

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Silêncio.

Me pergunto quem eu me tornei. Essa alma silenciosa que se esconde por trás de um cabelo crespo laranja. Engraçado eu ter uma aparência tão chamativa e um interior tão discreto.

Ou talvez eu não seja tão simples assim. Eu sei que deveria me olhar com mais gentileza, não ser tão dura etc. No fundo eu ainda tento nutrir sentimentos bons, embora eu não consiga demonstra-los da forma como queria. Essa dificuldade faz parte de mim e eu a acolho. Embalo-me em meus braços, pois estou só e preciso me manter de pé até que cheguem os tão esperados dias melhores.

Hoje, particularmente, me sinto inquieta. Não sei bem o que fazer. Sempre tive problemas com falta de direção. A vida precisaria ter um sentido, um senso de organização, mas não tem, e eu me sinto perdida como uma garotinha de 5 anos de idade perdida no supermercado.

Sinto que não tenho com quem conversar e cada vez mais me fecho. Eu sinto tanto, sinto como se estivesse desperdiçando minha vida. Tudo parece tão parado, e logo eu, de espírito inquieto, me sinto deprimida com essa pouca agitação. Nada me instiga, nada me convence a ficar desperta.

Todos ao meu redor parecem estar vivendo bem.

Meu mundo corrói silenciosamente, mas ninguém nunca saberá.

Fecho a porta por onde jorram essas palavras e guardo a chave em meu esconderijo mais secreto — meu coração.

Notas finais
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