Por mais improvável que parecesse, eu sabia que devia estar ali. Como se algo maior — e irracional — sussurrasse que aquele era o meu lugar no mundo.

A casa dos di Meihan era lendária neste lado da cidade. Enorme, imponente, linda. O tipo de lugar que te faz sentir observado só por estar em frente ao portão. Eu esperava que o mundo estivesse me vendo ali — mas, na verdade, eu só queria que ela me visse.

Não avisei que viria. Só segui o impulso. Algo me dizia que Lucy estaria ali, no refúgio particular que escolheu para sumir do resto do mundo. Ela andava reclusa — e isso, vindo dela, era mais do que um sinal.

Lucy sempre foi o centro do nosso universo. Tudo girava ao seu redor. Todos buscavam nela uma resposta, um conforto, uma fagulha de vida. Eu não seria exceção. Não depois do fim do namoro com Meguri — meu melhor amigo. A queda deles foi só o começo. O que veio depois... ninguém previu.

Toquei a campainha e esperei. O pé batia no chão, inquieto. Ansioso. Medroso, talvez.

O jardim em volta parecia ignorar minha presença, e o portão branco continuava imóvel. Por um momento, achei que ela não estivesse em casa.

Mas, como sempre acontece com Lucy... eu estava enganado.

— Takashi. — Ela me olhou, sem nenhuma surpresa, mas tão intensamente que por um momento não transpareceu nenhum de seus sentimentos de tristeza. — De novo.

— Eu vim te ver. — Por mais moralmente ambíguo que isso fosse. E de mãos vazias. Me senti meio bobo. Talvez devesse ter trazido flores? — Senti sua falta.

Ela deu de ombros. O cabelo preto deslizou pelos ombros como uma cortina de veludo. Em silêncio, abriu caminho para que eu entrasse. A casa era surreal — como se estivesse em outra realidade, bem longe da nossa. Lucy fechou a porta atrás de nós. Andava devagar, sem pressa. E sem sapatos. O que era estranho. Ela sempre odiou andar descalça.

— Estava dormindo. — Eram quase sete da noite. E ela nunca tirava cochilos. Sempre dizia que só conseguia dormir à noite. — Meu relógio biológico tá... meio bagunçado.

— Não sabia que tinha viajado hoje. — Tentei puxar assunto, mas...

— Não viajei.

— Ah. — Ouch.

O silêncio caiu, pesado. Ela sabia por que eu estava ali. Sempre sabia. Esconder algo da Lucy era quase impossível. Às vezes eu achava que ela lia mentes. Ou fingia bem o bastante pra convencer qualquer um. Talvez fosse só o efeito da presença dela — etérea, distante, hipnotizante.

— Não é nenhum recado do Meguri, né? — Ela se virou, já afiada. — Já disse que não quero saber nada do que ele tem a me dizer. Nem indiretas. Nem recadinhos.

Dois meses desde o fim do namoro. Duas semanas desde que Meguri começou a surtar com saudade (e adjacentes).

— Não. — Respirei fundo. — Vim por você. Só por você. Você sabe que me importo.

Ela andava pela casa como quem esquecia que havia outra pessoa ali. Cada canto decorado me deixava mais tenso — tudo parecia me observar, como se me dissessem para que não encostasse.

— Que alívio. — Ela fechou a janela com um movimento leve. O vento começava a soprar lá fora, e Lucy odiava poeira mais do que qualquer um. — Vir “só” por minha causa.

— Você sabe que eu iria a qualquer lugar. A qualquer hora. Se fosse por você.

Sorri. Era verdade. Uma daquelas verdades que a gente guarda escondida, esperando uma chance para não se arrepender de contar. Lucy e Meguri tinham acabado. E as chances de reconciliação... quase nulas. Um bilhete premiado tinha mais chance de aparecer. Perfeito.

Ela riu. Um som leve, que parecia saber exatamente o efeito que tinha sobre mim.

Como se risse dos meus sentimentos. E se alimentasse deles.

— Você é péssimo. — E sorriu, como sempre fazia, nós sabíamos que não era isso que essa frase significava. Sempre senti que tínhamos uma conexão, mas, até que ponto era real? E até que ponto era apenas minha intuição?

— Só me importo com você. Todo mundo está preocupado com você e há dias ninguém tem notícias suas. — Ela queria espaço, eu sei, todo mundo sempre estava atrás de Lucy di Meihan, todos a conheciam, todos queriam estar com ela e todos precisavam dela pra algo. — Sean não está em casa?

Ela negou com a cabeça. Sean é o irmão mais velho de Lucy, o grande prodígio da família, que cuida da empresa deles que estava estabelecida aqui no Japão, viviam bem como imigrantes aqui por terem muita afluência econômica, não saberia dizer quantas pessoas tem empregos graças à família di Meihan ou que utilizam seus produtos.

Sempre ficava um pouco receoso de encontrá-lo junto com Lucy, acho que não saberia me portar, dizem que Sean já era formado em duas faculdades (acho que ele tem mestrado em alguma coisa também) e falava cinco línguas aos vinte-e-poucos (quase trinta) anos. Eu tenho essa idade e trabalho como garçom, não que seja um emprego ruim, na verdade é bem legal, mas, parece um pouco intimidador encontrar uma pessoa assim, mas meu charme com certeza cuidaria muito bem disso, essa é sempre minha forma de sair das situações constrangedoras.

— Ele foi de viagem pra Xangai. — Sentou-se em uma das confortáveis poltronas de sua enorme sala de estar. — Negociações de importação e exportação. Essas coisas. Meu pai não pode vir, pra variar.

As pinturas nas paredes pareciam me encarar, assim como a ignorância dela em relação ao restante do que eu a havia perguntado.

— E como você está? — Me sentei, praticamente em frente a ela.

— Bem. — Disse, apoiando a mão em seu queixo, logo a colocando sob a boca.

— Você pode ser sincera comigo, Lucy. — Por mais que não queira.

Ouvi ela concordar e suspirar, com certo aborrecimento. E logo, silêncio. Me inclinei para tocá-la, mas ela me afastou apenas me olhando.

—Você já percebeu como algumas coisas são sempre... — Dobrou as pernas e colocou as mãos nos tornozelos. — “Lucy” isso, “Lucy” aquilo. Todos sempre em cima de mim, querendo saber sobre mim e me proteger.

— Sim, já percebi. — Sorri e me estendi um pouco para lhe dar minha mão. — E você está cansada disso?

Ela assentiu, seu cabelo preto estava impecável como sempre, mas passou os dedos sob sua raiz e tentou arrumá-los ainda mais.

— Eu estou. Sinto que não quero nada disso e que... — Olhou para o lado e ficou em silêncio, novamente, sua expressão demonstrava que pensava, mas que não chegava a lugar nenhum.

— Mas você não gosta que os outros te admirem tanto? — Atrevido, Takashi. Você não precisa dizer a verdade mesmo quando a conhece.

— Você veio aqui apenas pra isso? Takashi, eu sei suas intenções de estar aqui, você não é um cara que discute morais. — E me olhou diretamente, como se mirasse minha garganta, seus olhos eram os mais bonitos que eu veria durante minha vida. — Se eu ainda estivesse com o Meguri... você estaria aqui agora?

E levantou as mãos, como se mostrasse para mim a obviedade da situação.

— Sim e não. — Sorri, não era mentira, mas também não era toda a verdade. — Eu realmente estou aqui por você também. Sinto sua falta desde aquele dia e estava preocupado.

Lucy se levantou e veio na minha direção, seu joelho direito posicionado ao lado do meu, enquanto se inclinava na minha direção e apoiava sua mão ao lado de minha cabeça. A poltrona agora parecia pequena, mas muito mais confortável. Ela estava perto então podia sentir seu cheiro agradável. Provavelmente algum perfume importado que eu não conseguiria comprar mesmo trabalhando durante toda minha vida.

— Estou aqui. — Seus olhos verdes eram ainda mais bonitos de perto, conseguia enxergar seus traços perfeitamente e logo conseguiria seria capaz de ver meu reflexo ali. — Ainda está preocupado?

Para Lucy era inaceitável que ela não estivesse na dominância, não importa do que fosse ou quando fosse.

— Eu sempre amei você. — Tanto que em alguns momentos pensei que esse sentimento não continuaria preso dentro de mim. E provavelmente não era o único que se sentia assim.

Por um segundo, sua expressão demonstrou vulnerabilidade. Acho que o amor era uma das questões que sempre tinha em sua mente. Se realmente amava alguém. Se realmente se amava. Se entendia o que era ser amada. Se existia algum amor no mundo que se comparava ao amor que Sean lhe ensinou.

Lucy se inclinou para mim, segurando meu punho direito e logo estava praticamente deitado naquela poltrona apertada, seus joelhos ao lado dos meus quadris, ela me olhava e seu cabelo longo encostava em mim.

A pressão de sua boca na minha fazia meu corpo todo queimar, era estranho porque apenas acontecia com ela. Lucy me dava sensações que nenhuma das outras pessoas com quem me relacionei fazia sentir. Não sei explicar por quê. Era ela.

O corpo dela parecia mais quente que o meu e tocá-lo era prazeroso por si só.

— Eu também amo você. — Disse, perto demais. Sentia cheiro de vinho, hortelã e perfume. — Mas não sei se da mesma forma que você me ama.

Coloquei as mãos em suas costas e encostei a boca em seu pescoço, Lucy passava perfume atrás das orelhas e na nuca, se não estivesse acostumado, ficaria um pouco mais tonto do que já estava naquele momento.

Era isso, o nosso pacto secreto, uma busca por prazer, que descobrimos encontrar um no corpo do outro. Parecia que conversávamos e nos entendíamos perfeitamente. Como se fossemos a mesma pessoa. No fundo, sabíamos que exatamente isso, seria a nossa ruína.

Procurei por um zíper ou um botão por dentro de sua roupa, tocando suas costas e não encontrei.

— Por que essas roupas são tão difíceis de tirar? — Disse, levantando meus braços enquanto Lucy puxava minha camisa para cima e a tirava. — Viu? Essa foi fácil.

Ela se sentou em meu colo, espero que não conseguisse sentir muita coisa ficando ali. Não era bem um strip-tease, mas provavelmente estava no top 10 de melhores 30 segundos da minha vida.

Eu não esperava que ela estivesse com uma lingerie tão elaborada por baixo de toda aquela roupa de antes, visto que estava em casa sozinha, não duvido que já tivesse tudo planejado em sua mente. Não sei muito bem o nome dessas coisas para descrever, mas mal dava vontade de tirar, só queria ficar olhando pra Lucy. Aquela imagem merecia ficar pra sempre em mim.

O preto abraçava seu corpo como se tivesse sido desenhado para ela, e as meias conectadas aos detalhes me faziam esquecer o ar nos pulmões. Jogou o cabelo para trás e colocou as mãos em mim, talvez eu estivesse um pouco vermelho demais e me sentindo um virgem de dezesseis anos, o que era irônico visto que estávamos juntos em outra noite qualquer, mas agora, além de estar mais claro, Lucy tinha um ar mais dominante, seus olhos me fulminavam.

— Gostou? — Deslizou as unhas por mim e me beijou na boca, no rosto, no pescoço...

— Como você consegue ser tão bonita? Eu achei que não conseguia ficar mais do que já é, mas, caralho, Lu. — Quando Lucy disse que era ela que me fazia voltar, acho que ela quis dizer que eu estava viciado nela, essa garota se mostrava pra mim pior do que qualquer outra coisa que já tinha provado em toda minha vida.

Pegou minhas mãos e colocou nela.

— Pode me tocar. Não precisa ficar tão acuado. — Sua voz parecia veludo e eu não sei como uma textura podia se associar à um som, mas simplesmente, parecia. Me fazia cócegas por dentro.

Cada lugar em que ela me tocava parecia queimar, me despiu tão naturalmente que mal percebi que estava totalmente dominado por ela, e, estava adorando cada segundo. Não usava nenhuma ferramenta além de sua hiper feminilidade e o fato que ela era a coisa mais bonita que eu já havia visto em toda minha vida.

Colocava minhas mãos por seu corpo, era como se estivesse bobo e não pudesse me mover ao meu próprio controle, a pele ainda escondida era muito macia e quente e tocá-la por baixo do que restava provava que ela estava me provocando para ver até onde eu aguentava. Pousou minhas mãos em sua cintura e vê-la tirar o que lhe restava na parte de cima fez com que o tempo passasse duas vezes mais devagar.

Segurou minhas mãos novamente e juntos tiramos o pouco que faltava. Ela estava em cima de mim e eu me sentia um capacho. Nunca me senti tão representado pela frase “por favor, pise em mim”.

Encostou as mãos em minhas bochechas e me beijou na boca, no rosto, no pescoço, na clavícula, no peito e conforme chegava mais perto dos meus quadris, tinha vontade de agarrá-la e fazer loucuras. Mas não queria interromper seu ritual.

Suas mãos e sua boca me tocavam e pareciam me provocar, por mais que já tivesse sentido aquelas sensações outras vezes. Me segurava para não me contorcer de forma patética, mas sentia que estava derretendo, fechava os dedos dos pés com força.

— Ei. — Ela voltou para perto e era como se eu arfasse em sua boca.

Olhei para ela e nos beijamos muito. Eu queria acabar com ela por fazer isso comigo.

— O que, Lucy? — Minha mão esquerda estava afundada em seus cabelos, talvez até um pouco enroscada.

Não era tão ruim estar por baixo de Lucy, ela sabia exatamente onde se posicionar e como gostaria de estar e quando percebi já não sabia distinguir mais nada, já estava completamente envolvido por ela e com ela, parecia que queria arrancar gemidos dos dois.

— Takashi. — Seu rosto perto do meu, sua boca na minha, meu corpo dentro do seu e minha alma completamente entregue só de ouvir o som de sua voz. — Somos cumplices.

Ela não disse mais nada, mas poucos minutos depois suas costas estavam viradas para mim e eu segurava o posterior de suas mãos no estofado, beijando seus ombros como se ela fosse feita de seda, e era assim que eu sentia sua voz me atravessar.

Seda.

— Eu te amo. — Afundei o rosto em seu cabelo e beijei. Meu corpo parecia derreter e pingar. Meu corpo todo. — Lucy di Meihan, eu te amo.

Não sei o que Lucy estava sentindo ou vendo, mas seu corpo estava tão quente que quando se virou para mim para me beijar e novamente encontrar nossos corpos, mal reconhecia seus olhos, ela estava fervendo.

E me beijava. Seu beijo me convenceria a fazer tudo que me pedisse mesmo que meu corpo implorasse por outra coisa, mas naquele momento ele só implorava por uma coisa, e era exatamente pelo corpo dela.

Mal conseguia sentir suas unhas cravadas nas minhas costas e mesmo que me machucasse e fervesse, logo evaporaria e seria substituído por aquele momento.

Não era tão habilidoso com as mãos quanto Lucy, mas mal as sentia mesmo com o esforço que estava fazendo com elas, acho que não existia uma parte de nossos corpos que não havia sido tocada.

O cabelo de Lucy pela primeira vez parecia imperfeito, mal conseguia ver o verde de seus olhos, rubor e suor escorriam por sua face, e suas imperfeições me faziam ainda mais apaixonado por ela. Até suas imperfeições eram perfeitas.

Ela respirava fundo. Pesado. Mas não parava. Não comigo. Seu cabelo jogado para trás me deixava livre para ver seu rosto e eu tinha vontade de beijar cada milímetro de sua face.

— Você é indescritível. — Beijei sua testa, apoiando minhas mãos na poltrona, aos poucos parecia que meus quadris pediam socorro mesmo que cada toque que eu recebesse me quisesse fazer continuar. — Eu poderia olhar pra você pra sempre.

Ela afundou as mãos no meu cabelo e fez com que eu me sentisse a pessoa mais amada do mundo quando me beijou de novo, aquele beijo foi diferente dos outros por mais que ainda estivéssemos no mesmo mundo, na mesma poltrona e praticamente no mesmo espaço.

— Eu vou te amar pra sempre. E sei que você nunca vai esquecer disso, mesmo que tudo dê errado, Takashi. — Tocou minhas orelhas e logo minhas bochechas. — Eu sei que uma parte de mim vai estar sempre com você.

— Isso já era verdade antes mesmo de estarmos aqui agora. — Era estranho, mas era verdade. — Você sempre esteve comigo.

Ela me abraçou com força e ouvir seus suspiros tão próximos de mim fazia com que eu desejasse que aquele momento nunca acabasse. Já havíamos começado tudo errado, de qualquer forma.

Seu pescoço inclinado para trás recebia meus beijos e eu sentia uma mistura de várias texturas, cores e intensidades. Minhas mãos estavam livres e tocavam seu corpo em troca dessas sensações. Ela procurava estas mesmas mãos para segurá-las e aliviar a tensão que estava sentindo, mas estava tão entretido naquele momento que apenas pressionava sua boca na minha e lhe acariciava com o nariz para mostrar que eu a amava por mais eufórica que estivesse se sentindo naquele momento.

Seus tremores exigiam minha intensidade e eu correspondia às suas vontades por mais que não expressasse com palavras, era como se nossos corpos estivessem sintonizados há muito tempo e já soubessem pelo que o outro clamava naquele momento.

Por mais secas que nossas bocas estivessem não conseguíamos nos separar. Até mesmo nos sentamos para sentirmos menos cansaço, suas pernas dobradas em meu colo e minhas costas na poltrona, seu rosto no meu e seu peito no meu.

— Acho que estou meio viciado em você. — Segurava com força em seus quadris, por mais que ela estivesse fazendo a maior parte do trabalho.

— Faz parte de mim, mesmo. — Você é como uma droga, Lucy. — Quero marcar você pra mim.

Encostou sua boca em meu pescoço, por alguns segundos senti seus dentes e depois uma pressão que demorou para aliviar, ela fez isso várias vezes e quando encostou em minha orelha, respirando perto de mim, me beijando no pescoço e atrás da orelha, sentia como se meu corpo todo estivesse arrepiado.

— Você é meu. — Encostou sua mão em meu lábio inferior.

— Só seu. — Novamente afundei as mãos em seus cabelos, não consegui evitar um pequeno riso. Ela era possessiva.

Ela sorriu pra mim e desejei que nada disso acabasse, porque seu sorriso tinha cores próprias que não eram como as outras. E quando acabasse, eu sabia, que de certa forma iria me arrepender, estava com Lucy e ela estava cometendo um erro grave.

Mas não podia deixar de achá-la única, perfeita e nesta noite, mesmo que fosse singular, era minha. Eu podia ser um pouco egoísta.

Eu a amava e esse sentimento não duraria apenas por este momento, suas palavras para mim já resumiam tudo o que eu poderia dizer. Uma parte de Lucy sempre estaria comigo.

E eu esperava que uma parte de mim sempre estivesse com ela.