Uma Vida (nada) Tranquila
1 Prólogo
Notas iniciais
O meu nome é Flora. Neste preciso momento estou num bus a caminho da antiga casa do meu avô numa fazenda que fica mesmo ao lado de uma pequena comunidade chamada Vila Pelicanos.
Há 20 anos o meu avô entregou-me uma carta que só deveria abrir quando estaria cansada da minha vida na cidade cheia de tecnologia à minha volta, e também foi nessa epoca que ele nos deixou para sempre. E isso aconteceu, abri o envelope que continha a carta. Dizia:
Minha Querida Flora,
Se estás a ler isto, significa que estás desesperada por uma mudança na tua vida.
Há muito tempo, o mesmo aconteceu comigo. Eu perdi de vista o que mais importava na vida: vínculos concretos com a Natureza e outras pessoas. Foi então que decidi largar tudo e me mudei para o meu verdadeiro lar.
No anexo encontrarás a escritura para esse lugar… o meu orgulho e alegria: a Fazenda Lar da Flor. Ela fica no Vale do Orvalho, no litoral sul. É perfeito para começar uma nova vida. O meu bem mais precioso agora é teu. Eu sei que vais honrar a nossa família, minha netinha. Boa sorte.
Com Amor, Avô
P.S.: Se o Lewis ainda estiver vivo, mande um Olá por mim, sim?
Eu realmente já estava farta daquela vida a trabalhar para a Empresa Joja, parece tudo muito bonito por fora, mas lá dentro somos uns desgraçados que trabalham mais horas e recebem míseros dinheiros. Eu própria não levo muito, será que vai servir?
Assim que cheguei à paragem, o transporte publico de lá estava um horror, completamente abandonado. E de seguida fui recebida por uma mulher de cabelos ruivos chamada Robin, ao que parece ela é a carpinteira do lugar e levou-me até à fazenda que ficava mesmo ao lado.
Assim que chegamos, a fazenda está com um apesto horrível, toda desprezada e abandonada. Vai ser um longo caminho… Sem falar da casa que parece estar a cair aos pedaços…
De dentro saiu um senhor de idade com cabelos e bigode grisalhos, era o tal de Lewis que o meu avô falou para lhe dar um olá, e ele é o Prefeito da Vila. Ele deixou aqui uma caixa com as antigas ferramentas do meu avó e 15 saquetas com sementes de chirivia que amanhã vou já plantar. Lewis falou que a partir de agora, todas as noites alguém vem cá recolher o coloquei numa caixa grande que fica ao lado da casa, e deixa o dinheiro. Isso vai realmente servir de ajuda
Amanhã pretendo conhecer mais pessoas e explorar o lugar, será que eu me vou dar bem com esta gente e com o lugar? Realmente estou muito curiosa para saber o que o futuro me aguarda…
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