Uma Vida (nada) Tranquila
4 Dia 3 de Primavera, Ano 1
Notas iniciais
Como era de se esperar, Flora acorda com o barulho da chuva a cair em vez do “galo fantasma”, e outra coisa que ela já deveria estar à espera, eram as gotas de água que caiam dentro da casa em três cantos que por Ioba felizmente o canto onde ela dormia era o único que não pingava
Flora – Lindo, e agora?
O que vale é que não era muito. Teve a ideia de colocar o regador num dos sítios que caia gotas. Foi procurar se havia algum balde, mas o único que havia estava com uma racha em baixo que não adiantaria colocá-lo.
Olhou as horas e reparou que dormiu mais tarde que os outros dois dias e perguntou-se se a Leah ou a Marnie já estavam acordadas para lhe emprestarem.
Saiu de casa e foi pela fazenda abaixo para entrada sul. Ao chegar quase à porta do Rancho da Marnie, a porta é imediatamente aberta e Flora assusta-se. Era Shane que deveria estar a caminho da Joja
Flora – Sim, sim, deves estar a perguntar-te o que raio estou eu a fazer a esta hora à porta do rancho. Antes de começares a ser rude comigo pela terceira vez consecutiva, vou perguntar se têm algum balde que me emprestem porque a minha casa está a cair aos pedaços
Shane não diz nada e vai para algum lugar da casa, voltando com um balde nas mãos e entregando a Flora de seguida
Flora – Obrigada, depois eu devolvo
Shane – Fica com ele até arranjares a casa
Shane olhava de lado, não queria fazer contacto visual com Flora
Shane – Eu aviso a minha tia que o tens
Flora – Tens a certeza? Não vão precisar dele?
Shane – Fica descansada
Shane fechou a porta e seguiu o seu habitual caminho para a Joja. Desta vez ele não foi rude com Flora, também se fosse, ela faria esforço para não se sentir chateada com ele. Foi em direção à cabana da Leah a rezar que ela não estivesse a dormir.
Bateu à porta e ouviu imediatamente os passos a aproximarem-se, Leah já estava acordada. E a porta foi aberta…
Leah – Meu Yoba, Flora, está toda molhada, entra!
Flora – Não é ne-
Flora é puxada por Leah para dentro
Flora – Eu interrompi-te?
Leah – Não, acordei com a chuva e senti-me inspirada, então estava a pintar
Flora reparou que a cabana da Leah tinha pinturas por todo o lado, tanto penduradas como no chão encostadas á parede
Flora – És pintora?
Leah – Pintar é só um hobbie meu, a minha verdadeira paixão é esculpir madeira. Eu ia procurar um tronco para esculpir hoje, mas é péssimo esculpir madeira molhada. O que te traz aqui com um balde na mão?
Flora – Vim perguntar se tens um balde para me emprestar. Só preciso de mais um para impedir que a minha casa inunde
Leah – Ahah, também tive o mesmo problema quando me mudei para cá, e tenho ali sim. Graças à Robin não tenho mais esse problema
Flora – Estou ansiosa para conseguir recursos e dinheiro suficiente para conseguir que ela aprimore a minha casa
Leah foi a um canto e trouxe-lhe o balde
Leah – Fica com ele até a tua casa não precisar mais, esta não vai ser a única chuva da primavera
Flora – Ainda bem que falas assim, pretendo conseguir ter a casa aprimorada antes do verão
Leah – Vais conseguir perfeitamente, o vale tem bastantes recursos e tu sendo fazendeira vais conseguir fazer muito dinheiro por estas bandas. Vou te dar uma dica, arrecada dinheiro suficiente para o dia 13
Flora – Dia 13? Não é o Festival do Ovo?
Leah – Exatamente, unicamente nesse dia o Pierre vende sementes de morango. São um pouco caras, se não me engano são 100 ouros cada saqueta, mas a compensação é inigualável. Eu fiz isso no inico quando estava a precisar de dinheiro precisamente para consertar a cabana
Flora – Muito obrigada pela dica, Leah!
Leah – De nada
Flora despediu-se de Leah e foi rapidamente para casa colocar os baldes nos lugares.
Não queria ficar em casa por conta do desconforto, então lembrou-se de ter visto uma entrada para a fazenda a norte, mesmo perto da casa. Saiu de casa e foi até lá. Reconheceu que aquele caminho ficava acima da paragem de bus, e seguiu mais em frente para ver aonde chegava.
Ficou impressionada que aquele caminho dava até à rua da montanha onde ficava a cabana de Linus e a casa de Robin, era mais perto ir da sua casa até ali do que propriamente passar pela vila inteira. E reparou que havia uma enorme pedra a tapar uma escadaria. Aproveitou que eram 9h30 e que estava ali e entrou na casa de Robin, e ela estava atrás do balcão
Robin – Flora, que surpresa te ver aqui nesta chuva
Flora – É, estava a dar um passeio e vim parar aqui
Robin – Não me digais que és igual ao meu filho, o Sebastian que não sai do quarto no sol imediatamente sai quando há chuva. Às vezes penso que ele é um vampiro
Flora – Credo, não, já basta o Galo Fantasma que canta de manhã na minha fazenda
Demetrius – Galo Fantasma?
Demetrius tinha saído do laboratório
Demetrius – Deve haver alguma explicação científica para ouvires um galo a cantar. A tua fazenda é mesmo atrás do Rancho da Marnie, só pode ser dela
Flora – Também pensem o mesmo, primeiramente eu pensei que a minha casa está numa longitude que eu não conseguiria ouvir nenhum animal vindo do rancho dela, mas para ter consciência tranquila, eu própria fui perguntar-lhe, mas ela não tem galo, e também não é nenhuma galinha dela se não ela ter-me-ia dito
Demetrius – Muito estranho, a fauna do vale também não tem galos selvagens
Robin – Enfim, esta história já está a ficar assustadora. O que viste aqui neste tempo?
Demetrius voltou para o laboratório
Flora – Certo, vim perguntar o que preciso para aprimorares a minha casa. Vou precisar de uma cozinha e de um outro comodo
Robin – Ah sim. Tenho de fazer as contas. Ao contrário das cabanas da Leah e do Elliot que era só reparar e já tinha tudo o que eles precisavam, a ti vai sair mais caro
Flora – Estou ciente disso
Robin escrevia num papel e olhava noutro
Robin – Cuidado com a facada no coração
Flora – Estou até com colete à prova de balas
Robin – Então espero que sejas atingida por um canhão, porque são 10.000 ouros e 450 madeiras
Um silencio gritou de repente naquela divisão
Flora – Robin… isso não foi um tiro de canhão… isso foi uma Bomba Nuclear! É mais barato eu dar-te o dinheiro que tenho e construíres um caixão para mim porque eu morri! E eu que tinha o planejamento de conseguir a minha casa antes do verão
Robin – Bom, eu tenho a certeza que consegues, deves em quando podes apanhar favores para fazeres a outras pessoas que elas te dão recompensa, e é claro que tens a caixa onde podes colocar tudo o que quiseres que recebes o dinheiro do que aquilo vale no dia seguinte
Flora ficou mais um pouco na casa de Robin, só passado meia-hora é que ela sai e vai em direção da vila. Lembrou-se que tinha de ir até á clínica preparar alguns papeis de registo. Abriu e viu Maru vestida de enfermeira no balcão
Maru – Ei, Flora!
Flora – Oi, Maru
Maru – Estás bem? Pareces que levaste um susto
Flora – Susto? Não… foi a tua mãe que me lançou uma bomba nuclear ao dizer-me o quanto eu preciso para aprimorar a minha casa
Maru – Entendo, as coisas por aqui são um pouco caras. Estás aqui para fazer registo, certo?
Flora – Sim
Enquanto Maru procurava alguns papeis, Harvey entra pela porta do balcão
Harvey – Ouvi a frase “me lançou uma bomba nuclear” e fiquei preocupado, espero que seja apenas uma brincadeira
Maru – Não quando se trata da minha mãe
Harvey – Ah entendi… sendo assim também levei algumas bombas quando lhe pedi para construir a minha casa no andar de cima da clínica. Mas não reclamo, ela fez um ótimo trabalho. Percebi que estás aqui pelos papeis, mas precisava ser na chuva? Ainda vai ficar constipada
Flora – Bom, devo-lhe confessar que… eu nunca estive doente
Harvey – Isso é alguma maneira de dizer que eu não conheça?
Flora – Não, eu literalmente nunca fiquei doente, nem quando eu era bebe ou criança
Harvey – Não é possível haver alguém com um metabolismo tão forte, existem sim pessoas que é raro estarem doentes ou não terem nenhuma alergia, mas é muito estranho haver alguém que nunca tivesse ficado doente
Maru – Como o meu pai diria “deve haver alguma explicação científica para” isso
Flora – (Ele falou literalmente isso há bocado ahahah)
Harvey – E tens toda a razão, Maru
Maru colocou os papeis em cima do balcão e Flora começou a preenchê-los
Harvey – Mesmo sabendo que nunca ficou doente, quero que venha anualmente aqui à clínica, faço isso com todos do vale
Flora – Claro, sem problema
Harvey – Posso marcar para 16 do Verão?
Flora – É difícil prever se vou estar ocupada nesse dia que ainda está longe, mas vou me lembrar
Harvey – Qualquer coisa se esquecer eu mando uma carta
Flora – Agradeço
Depois de preencher todos os papeis, despediu-se dos dois e saiu. E foi em direção ao Saloon para almoçar. Flora pensou que será assim toda a primavera, almoçar todos os dias no Saloon até ter uma cozinha na casa.
Ao entrar, foi sentar-se ao balcão num baco à ponta. Ouvia Emily e Gus a conversarem na cozinha. Mas imediatamente Emily veio
Emily – Estava a perguntar-me quando aparecias, a chuva não te podia impedir de vires almoçar
Flora – Imagino o porquê de estares à minha espera
Emily – Sobre ontem ao almoço
Flora – (sarcasmo) Ó meu Yoba, estou tão surpresa por quereres falar sobre isso
Emily – És muito engraçadinha. Mas agora a sério, Flora. Há algo entre ti e o Sam que consegue ser mais até mais forte que entre a Robin e o Demetrius, e olha que aquele casal tem uma aura bem forte
Flora – Bom, acho que vai ser uma longa conversa, diz-me só o que é o prato do dia e já voltamos à conversa
Emily – É Sopa de Abobora
Flora – Perfeito
Emily foi imediatamente preparar deixando-a sozinha. Enquanto esperava, caiu nos seus pensamentos.
Flora – (Realmente o Harvey tem razão, já me é tão normal nunca ter precisado ir ao medico que agora penso que realmente é muito estranho eu nunca ter estado doente. E isto de eu saber exatamente o que os outros gostam? Nunca liguei para isto, mas ter falado para a Abigail e para o Sam precisamente as pedras preciosas que eles gostam realmente suou muito estranho, nunca falei para ninguém pessoalmente o que gostavam porque nunca precisei, apenas dava de presente e pronto… não sei se é incrível ou assustador)
E de repente uma questão veio à sua cabeça
Flora – (Como eu sei trabalhar na terra? Eu nunca fiz nada disto nem nunca procurei saber porque nunca precisei. Mas como eu sei como plantá-las? Qual é a distância numa fila? E quando eu estava a ler na biblioteca aquele livro, eu pensava que precisava de saber mais…, mas enquanto eu lia, porque é que me parecia que eu já sabia daquilo tudo e que só estava a ler por ler? E mais tarde, quando eu e o Linus fomos por caminhos diferentes, eu senti que algo ainda iria acontecer, e realmente aconteceu! O que está a acontecer comigo?!
Emily – Terra chama Flora!!
Flora assustou-se com Emily sentada ao seu lado com cara de preocupada
Emily – Primeiro eu pensava que estava a pensar em alguém especial, mas assim que vi a tua cara de assustada, mudei de ideias. Estas com essa cara porquê? Parece que viste um espírito aterrador
Flora – Antes de visse, seria mais tranquilo do que ando a pensar agora
Emily – O que se passa?
Flora iria fritar por dentro se não se contar o que estava a passar na cabeça dela, contou tudo a Emily. E para mostrar-lhe que ela acerta os gostos das pessoas, falou para Emily que ela gostava de Rubi, Jade, Ametista, Topázio e Esmeralda
Emily – Realmente eu achei incrível tu teres acertado a pedra preciosa favorita do Sam, já estava a pensar que era o destino, mas afinal tu também acertaste a da Abigail e acabaste de falar todas as pedras preciosas que gosto sem errar em cinco segundos de pensamento. Mas não é essa parte que me assusta, afinal eu própria consigo sentir auras…, mas essa questão de saberes trabalhar na terra sem nunca teres experiência é assustadora
Flora – E sabes de uma coisa?
Emily – O que?
Flora – Ontem o Willy deu-me a vara de pesca antiga dele. Eu falei que não sabia pescar e ele falou que com o tempo eu aprendo. Mas… porque eu tenho a sensação de que também sei pescar?
Emily – Já experimentaste?
Flora – Não, mas agora estou com medo
Emily – Vamos ter calma, ok? Não precisas ficar paranoica com isto, uma coisa de cada vez que as respostas vão aparecer
Flora – Tens razão
Flora terminou a sopa, estava maravilhosa. Despediu-se de Emily e decidiu ir para a biblioteca relaxar a ler um livro. Entrou, cumprimentou Gunter e foi ver algum livro para passar o tempo. Parou numa estante e queria tirar um livro, mas ele estava um pouco apertado entre os livros e teve de fazer um pouco mais força… e caiu-lhe um livro à cabeça que estava mais acima solto. Pegou nele, leu o título: “Destaques do Livro de Ioba”. Flora ficou confusa e leu a página que se tinha aberto na queda:
“Antes do tempo, havia apenas a interminável luz dourada. A luz chamou a atenção… “Yoba”. Yoba queria mais. Yoba girou a luz dourada num vórtice. Yoba girou e rodou até formar um buraco no olho do vórtice. Desse buraco saiu uma semente. Yoba alisou a luz dourada. Yoba alisou e alisou, e a luz se tornou terra. Nesse solo, Yoba plantou a semente. A semente germinou e eis que! Uma videira saltou para o céu, torcendo e sondando, lançando uma sombra que se contorcia no vazio dourado. Depois de 11 dias, a videira deu frutos. Yoba, com conhecimento de sabedoria, descascou a pele dura da fruta e viu que o mundo estava dentro. E é assim que o mundo veio a ser.”
Flora imediatamente fecha o livro e o coloca no lugar
Flora – (Nem pensar começar a colocar religião no meio)
Ela ficou pensativa com o que leu agora
Flora – (“Depois de 11 dias, a videira deu frutos” … Eu nasci no dia 11 da Primavera. A Primavera é a estação das flores e do renascimento da vida de várias plantas que tecnicamente morreram no Inverno. O meu nome é Flora. Não, Flora, faz o que a Emily falou, não fiques paranoica!)
Penny – Flora?
Penny estava mesmo ao seu lado com cara preocupada. Aparentemente quando Flora está nos seus pensamentos ela não ouve o resto à sua volta
Penny – Estás pálida, queres que te acompanhe até ao Harvey?
Flora – Obrigada, Penny, mas eu estou bem… só está a ser um dia de loucos, acho que vou para casa para terminar o dia
Penny – Ficaste assim enquanto lias Os Destaques do Livro de Yoba, leste alguma coisa que te fez ficar assim?
Flora – Não… Sim? Desculpa, Penny, preciso de ir…
Flora saiu da biblioteca e andou pelas ruas até chegar à praia e ficou lá a andar às voltas
Flora – O que está a acontecer comigo? Eu não era assim… Eu era calma, sabia o que queria, sabia controlar as minhas emoções. Agora desde que vim para aqui as coisas ficaram estranhas… São coisas da minha cabeça, só pode ser isso
Flora olhou para o outro lado da praia, numa zona de poças de água cheias de corais em que a ponte que permitia a passagem estava quebrada, e viu um homem transparente com trajes esfarrapados a olhar para ela
Flora – Ótimo, agora estou a ver um fantasma de um homem, o que mais falta nesta vida? O Sebastian ser realmente um vampiro?
Sebastian – Isso aí é mentira
Flora – Po***, que susto, Sebastian! Não apareças assim atrás das pessoas quando elas estão em modo de paranoia
Sebastian – Só estava a caminho de casa… Então também o vês?
Flora – Tu consegues ver o fantasma?
Sebastian – Pensava que era o único a vê-lo. Há uns anos levei o Sam para cá num tempo assim porque tinha descoberto que ele só aparece em tempos de chuva, mas o Sam não o viu e eu sim. Eu pensava que era como aquele menino do filme d’O Sexto Sentido, mas aparentemente tu também o vês
Flora – Este dia está a ser de loucos realmente, só quero que ele acabe
Sebastian – Realmente estás pálida, queres que te acompanhe a casa?
Flora – É muito querido da tua parte, mas não, obrigada. A tua casa também é longe, é melhor não chegares tarde. Tchau
Flora voltou para a Vila e seguiu o caminho para casa. Realmente queria que aquele dia acabasse, mesmo ainda sendo 16h. Entrou em casa e deitou-se na cama. Ainda ficou um deitada a ouvir a água a cair nos baldes e adormeceu… Porem estava a ter um sonho estanho
(? – Podes nos ajudar? Estamos presos! Queremos ir para casa…)
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