Uma Vida (nada) Tranquila

4 Dia 3 de Primavera, Ano 1


Notas iniciais
Só digo que este capitulo foi de 8 a 80, foi uma comedia pequena para um pequeno terror. Esta historia está a tomar rumos que nem eu esperava

Como era de se esperar, Flora acorda com o barulho da chuva a cair em vez do “galo fantasma”, e outra coisa que ela já deveria estar à espera, eram as gotas de água que caiam dentro da casa em três cantos que por Ioba felizmente o canto onde ela dormia era o único que não pingava

Flora – Lindo, e agora?

O que vale é que não era muito. Teve a ideia de colocar o regador num dos sítios que caia gotas. Foi procurar se havia algum balde, mas o único que havia estava com uma racha em baixo que não adiantaria colocá-lo.

Olhou as horas e reparou que dormiu mais tarde que os outros dois dias e perguntou-se se a Leah ou a Marnie já estavam acordadas para lhe emprestarem.

Saiu de casa e foi pela fazenda abaixo para entrada sul. Ao chegar quase à porta do Rancho da Marnie, a porta é imediatamente aberta e Flora assusta-se. Era Shane que deveria estar a caminho da Joja

Flora – Sim, sim, deves estar a perguntar-te o que raio estou eu a fazer a esta hora à porta do rancho. Antes de começares a ser rude comigo pela terceira vez consecutiva, vou perguntar se têm algum balde que me emprestem porque a minha casa está a cair aos pedaços

Shane não diz nada e vai para algum lugar da casa, voltando com um balde nas mãos e entregando a Flora de seguida

Flora – Obrigada, depois eu devolvo

Shane – Fica com ele até arranjares a casa

Shane olhava de lado, não queria fazer contacto visual com Flora

Shane – Eu aviso a minha tia que o tens

Flora – Tens a certeza? Não vão precisar dele?

Shane – Fica descansada

Shane fechou a porta e seguiu o seu habitual caminho para a Joja. Desta vez ele não foi rude com Flora, também se fosse, ela faria esforço para não se sentir chateada com ele. Foi em direção à cabana da Leah a rezar que ela não estivesse a dormir.

Bateu à porta e ouviu imediatamente os passos a aproximarem-se, Leah já estava acordada. E a porta foi aberta…

Leah – Meu Yoba, Flora, está toda molhada, entra!

Flora – Não é ne-

Flora é puxada por Leah para dentro

Flora – Eu interrompi-te?

Leah – Não, acordei com a chuva e senti-me inspirada, então estava a pintar

Flora reparou que a cabana da Leah tinha pinturas por todo o lado, tanto penduradas como no chão encostadas á parede

Flora – És pintora?

Leah – Pintar é só um hobbie meu, a minha verdadeira paixão é esculpir madeira. Eu ia procurar um tronco para esculpir hoje, mas é péssimo esculpir madeira molhada. O que te traz aqui com um balde na mão?

Flora – Vim perguntar se tens um balde para me emprestar. Só preciso de mais um para impedir que a minha casa inunde

Leah – Ahah, também tive o mesmo problema quando me mudei para cá, e tenho ali sim. Graças à Robin não tenho mais esse problema

Flora – Estou ansiosa para conseguir recursos e dinheiro suficiente para conseguir que ela aprimore a minha casa

Leah foi a um canto e trouxe-lhe o balde

Leah – Fica com ele até a tua casa não precisar mais, esta não vai ser a única chuva da primavera

Flora – Ainda bem que falas assim, pretendo conseguir ter a casa aprimorada antes do verão

Leah – Vais conseguir perfeitamente, o vale tem bastantes recursos e tu sendo fazendeira vais conseguir fazer muito dinheiro por estas bandas. Vou te dar uma dica, arrecada dinheiro suficiente para o dia 13

Flora – Dia 13? Não é o Festival do Ovo?

Leah – Exatamente, unicamente nesse dia o Pierre vende sementes de morango. São um pouco caras, se não me engano são 100 ouros cada saqueta, mas a compensação é inigualável. Eu fiz isso no inico quando estava a precisar de dinheiro precisamente para consertar a cabana

Flora – Muito obrigada pela dica, Leah!

Leah – De nada

Flora despediu-se de Leah e foi rapidamente para casa colocar os baldes nos lugares.

Não queria ficar em casa por conta do desconforto, então lembrou-se de ter visto uma entrada para a fazenda a norte, mesmo perto da casa. Saiu de casa e foi até lá. Reconheceu que aquele caminho ficava acima da paragem de bus, e seguiu mais em frente para ver aonde chegava.

Ficou impressionada que aquele caminho dava até à rua da montanha onde ficava a cabana de Linus e a casa de Robin, era mais perto ir da sua casa até ali do que propriamente passar pela vila inteira. E reparou que havia uma enorme pedra a tapar uma escadaria. Aproveitou que eram 9h30 e que estava ali e entrou na casa de Robin, e ela estava atrás do balcão

Robin – Flora, que surpresa te ver aqui nesta chuva

Flora – É, estava a dar um passeio e vim parar aqui

Robin – Não me digais que és igual ao meu filho, o Sebastian que não sai do quarto no sol imediatamente sai quando há chuva. Às vezes penso que ele é um vampiro

Flora – Credo, não, já basta o Galo Fantasma que canta de manhã na minha fazenda

Demetrius – Galo Fantasma?

Demetrius tinha saído do laboratório

Demetrius – Deve haver alguma explicação científica para ouvires um galo a cantar. A tua fazenda é mesmo atrás do Rancho da Marnie, só pode ser dela

Flora – Também pensem o mesmo, primeiramente eu pensei que a minha casa está numa longitude que eu não conseguiria ouvir nenhum animal vindo do rancho dela, mas para ter consciência tranquila, eu própria fui perguntar-lhe, mas ela não tem galo, e também não é nenhuma galinha dela se não ela ter-me-ia dito

Demetrius – Muito estranho, a fauna do vale também não tem galos selvagens

Robin – Enfim, esta história já está a ficar assustadora. O que viste aqui neste tempo?

Demetrius voltou para o laboratório

Flora – Certo, vim perguntar o que preciso para aprimorares a minha casa. Vou precisar de uma cozinha e de um outro comodo

Robin – Ah sim. Tenho de fazer as contas. Ao contrário das cabanas da Leah e do Elliot que era só reparar e já tinha tudo o que eles precisavam, a ti vai sair mais caro

Flora – Estou ciente disso

Robin escrevia num papel e olhava noutro

Robin – Cuidado com a facada no coração

Flora – Estou até com colete à prova de balas

Robin – Então espero que sejas atingida por um canhão, porque são 10.000 ouros e 450 madeiras

Um silencio gritou de repente naquela divisão

Flora – Robin… isso não foi um tiro de canhão… isso foi uma Bomba Nuclear! É mais barato eu dar-te o dinheiro que tenho e construíres um caixão para mim porque eu morri! E eu que tinha o planejamento de conseguir a minha casa antes do verão

Robin – Bom, eu tenho a certeza que consegues, deves em quando podes apanhar favores para fazeres a outras pessoas que elas te dão recompensa, e é claro que tens a caixa onde podes colocar tudo o que quiseres que recebes o dinheiro do que aquilo vale no dia seguinte

Flora ficou mais um pouco na casa de Robin, só passado meia-hora é que ela sai e vai em direção da vila. Lembrou-se que tinha de ir até á clínica preparar alguns papeis de registo. Abriu e viu Maru vestida de enfermeira no balcão

Maru – Ei, Flora!

Flora – Oi, Maru

Maru – Estás bem? Pareces que levaste um susto

Flora – Susto? Não… foi a tua mãe que me lançou uma bomba nuclear ao dizer-me o quanto eu preciso para aprimorar a minha casa

Maru – Entendo, as coisas por aqui são um pouco caras. Estás aqui para fazer registo, certo?

Flora – Sim

Enquanto Maru procurava alguns papeis, Harvey entra pela porta do balcão

Harvey – Ouvi a frase “me lançou uma bomba nuclear” e fiquei preocupado, espero que seja apenas uma brincadeira

Maru – Não quando se trata da minha mãe

Harvey – Ah entendi… sendo assim também levei algumas bombas quando lhe pedi para construir a minha casa no andar de cima da clínica. Mas não reclamo, ela fez um ótimo trabalho. Percebi que estás aqui pelos papeis, mas precisava ser na chuva? Ainda vai ficar constipada

Flora – Bom, devo-lhe confessar que… eu nunca estive doente

Harvey – Isso é alguma maneira de dizer que eu não conheça?

Flora – Não, eu literalmente nunca fiquei doente, nem quando eu era bebe ou criança

Harvey – Não é possível haver alguém com um metabolismo tão forte, existem sim pessoas que é raro estarem doentes ou não terem nenhuma alergia, mas é muito estranho haver alguém que nunca tivesse ficado doente

Maru – Como o meu pai diria “deve haver alguma explicação científica para” isso

Flora – (Ele falou literalmente isso há bocado ahahah)

Harvey – E tens toda a razão, Maru

Maru colocou os papeis em cima do balcão e Flora começou a preenchê-los

Harvey – Mesmo sabendo que nunca ficou doente, quero que venha anualmente aqui à clínica, faço isso com todos do vale

Flora – Claro, sem problema

Harvey – Posso marcar para 16 do Verão?

Flora – É difícil prever se vou estar ocupada nesse dia que ainda está longe, mas vou me lembrar

Harvey – Qualquer coisa se esquecer eu mando uma carta

Flora – Agradeço

Depois de preencher todos os papeis, despediu-se dos dois e saiu. E foi em direção ao Saloon para almoçar. Flora pensou que será assim toda a primavera, almoçar todos os dias no Saloon até ter uma cozinha na casa.

Ao entrar, foi sentar-se ao balcão num baco à ponta. Ouvia Emily e Gus a conversarem na cozinha. Mas imediatamente Emily veio

Emily – Estava a perguntar-me quando aparecias, a chuva não te podia impedir de vires almoçar

Flora – Imagino o porquê de estares à minha espera

Emily – Sobre ontem ao almoço

Flora – (sarcasmo) Ó meu Yoba, estou tão surpresa por quereres falar sobre isso

Emily – És muito engraçadinha. Mas agora a sério, Flora. Há algo entre ti e o Sam que consegue ser mais até mais forte que entre a Robin e o Demetrius, e olha que aquele casal tem uma aura bem forte

Flora – Bom, acho que vai ser uma longa conversa, diz-me só o que é o prato do dia e já voltamos à conversa

Emily – É Sopa de Abobora

Flora – Perfeito

Emily foi imediatamente preparar deixando-a sozinha. Enquanto esperava, caiu nos seus pensamentos.

Flora – (Realmente o Harvey tem razão, já me é tão normal nunca ter precisado ir ao medico que agora penso que realmente é muito estranho eu nunca ter estado doente. E isto de eu saber exatamente o que os outros gostam? Nunca liguei para isto, mas ter falado para a Abigail e para o Sam precisamente as pedras preciosas que eles gostam realmente suou muito estranho, nunca falei para ninguém pessoalmente o que gostavam porque nunca precisei, apenas dava de presente e pronto… não sei se é incrível ou assustador)

E de repente uma questão veio à sua cabeça

Flora – (Como eu sei trabalhar na terra? Eu nunca fiz nada disto nem nunca procurei saber porque nunca precisei. Mas como eu sei como plantá-las? Qual é a distância numa fila? E quando eu estava a ler na biblioteca aquele livro, eu pensava que precisava de saber mais…, mas enquanto eu lia, porque é que me parecia que eu já sabia daquilo tudo e que só estava a ler por ler? E mais tarde, quando eu e o Linus fomos por caminhos diferentes, eu senti que algo ainda iria acontecer, e realmente aconteceu! O que está a acontecer comigo?!

Emily – Terra chama Flora!!

Flora assustou-se com Emily sentada ao seu lado com cara de preocupada

Emily – Primeiro eu pensava que estava a pensar em alguém especial, mas assim que vi a tua cara de assustada, mudei de ideias. Estas com essa cara porquê? Parece que viste um espírito aterrador

Flora – Antes de visse, seria mais tranquilo do que ando a pensar agora

Emily – O que se passa?

Flora iria fritar por dentro se não se contar o que estava a passar na cabeça dela, contou tudo a Emily. E para mostrar-lhe que ela acerta os gostos das pessoas, falou para Emily que ela gostava de Rubi, Jade, Ametista, Topázio e Esmeralda

Emily – Realmente eu achei incrível tu teres acertado a pedra preciosa favorita do Sam, já estava a pensar que era o destino, mas afinal tu também acertaste a da Abigail e acabaste de falar todas as pedras preciosas que gosto sem errar em cinco segundos de pensamento. Mas não é essa parte que me assusta, afinal eu própria consigo sentir auras…, mas essa questão de saberes trabalhar na terra sem nunca teres experiência é assustadora

Flora – E sabes de uma coisa?

Emily – O que?

Flora – Ontem o Willy deu-me a vara de pesca antiga dele. Eu falei que não sabia pescar e ele falou que com o tempo eu aprendo. Mas… porque eu tenho a sensação de que também sei pescar?

Emily – Já experimentaste?

Flora – Não, mas agora estou com medo

Emily – Vamos ter calma, ok? Não precisas ficar paranoica com isto, uma coisa de cada vez que as respostas vão aparecer

Flora – Tens razão

Flora terminou a sopa, estava maravilhosa. Despediu-se de Emily e decidiu ir para a biblioteca relaxar a ler um livro. Entrou, cumprimentou Gunter e foi ver algum livro para passar o tempo. Parou numa estante e queria tirar um livro, mas ele estava um pouco apertado entre os livros e teve de fazer um pouco mais força… e caiu-lhe um livro à cabeça que estava mais acima solto. Pegou nele, leu o título: “Destaques do Livro de Ioba”. Flora ficou confusa e leu a página que se tinha aberto na queda:

“Antes do tempo, havia apenas a interminável luz dourada. A luz chamou a atenção… “Yoba”. Yoba queria mais. Yoba girou a luz dourada num vórtice. Yoba girou e rodou até formar um buraco no olho do vórtice. Desse buraco saiu uma semente. Yoba alisou a luz dourada. Yoba alisou e alisou, e a luz se tornou terra. Nesse solo, Yoba plantou a semente. A semente germinou e eis que! Uma videira saltou para o céu, torcendo e sondando, lançando uma sombra que se contorcia no vazio dourado. Depois de 11 dias, a videira deu frutos. Yoba, com conhecimento de sabedoria, descascou a pele dura da fruta e viu que o mundo estava dentro. E é assim que o mundo veio a ser.”

Flora imediatamente fecha o livro e o coloca no lugar

Flora – (Nem pensar começar a colocar religião no meio)

Ela ficou pensativa com o que leu agora

Flora – (“Depois de 11 dias, a videira deu frutos” … Eu nasci no dia 11 da Primavera. A Primavera é a estação das flores e do renascimento da vida de várias plantas que tecnicamente morreram no Inverno. O meu nome é Flora. Não, Flora, faz o que a Emily falou, não fiques paranoica!)

Penny – Flora?

Penny estava mesmo ao seu lado com cara preocupada. Aparentemente quando Flora está nos seus pensamentos ela não ouve o resto à sua volta

Penny – Estás pálida, queres que te acompanhe até ao Harvey?

Flora – Obrigada, Penny, mas eu estou bem… só está a ser um dia de loucos, acho que vou para casa para terminar o dia

Penny – Ficaste assim enquanto lias Os Destaques do Livro de Yoba, leste alguma coisa que te fez ficar assim?

Flora – Não… Sim? Desculpa, Penny, preciso de ir…

Flora saiu da biblioteca e andou pelas ruas até chegar à praia e ficou lá a andar às voltas

Flora – O que está a acontecer comigo? Eu não era assim… Eu era calma, sabia o que queria, sabia controlar as minhas emoções. Agora desde que vim para aqui as coisas ficaram estranhas… São coisas da minha cabeça, só pode ser isso

Flora olhou para o outro lado da praia, numa zona de poças de água cheias de corais em que a ponte que permitia a passagem estava quebrada, e viu um homem transparente com trajes esfarrapados a olhar para ela

Flora – Ótimo, agora estou a ver um fantasma de um homem, o que mais falta nesta vida? O Sebastian ser realmente um vampiro?

Sebastian – Isso aí é mentira

Flora – Po***, que susto, Sebastian! Não apareças assim atrás das pessoas quando elas estão em modo de paranoia

Sebastian – Só estava a caminho de casa… Então também o vês?

Flora – Tu consegues ver o fantasma?

Sebastian – Pensava que era o único a vê-lo. Há uns anos levei o Sam para cá num tempo assim porque tinha descoberto que ele só aparece em tempos de chuva, mas o Sam não o viu e eu sim. Eu pensava que era como aquele menino do filme d’O Sexto Sentido, mas aparentemente tu também o vês

Flora – Este dia está a ser de loucos realmente, só quero que ele acabe

Sebastian – Realmente estás pálida, queres que te acompanhe a casa?

Flora – É muito querido da tua parte, mas não, obrigada. A tua casa também é longe, é melhor não chegares tarde. Tchau

Flora voltou para a Vila e seguiu o caminho para casa. Realmente queria que aquele dia acabasse, mesmo ainda sendo 16h. Entrou em casa e deitou-se na cama. Ainda ficou um deitada a ouvir a água a cair nos baldes e adormeceu… Porem estava a ter um sonho estanho

(? – Podes nos ajudar? Estamos presos! Queremos ir para casa…)

Notas finais
Já falo que já estou no meio do dia 4, e acho que vai ser maior que este capitulo Eu gostaria de fazer capítulos com mais dias, mas pela enormidade que eles ficam, nem eu teria paciência de ficar no mesmo capitulo por muito tempo