Uma Vida (nada) Tranquila

5 Dia 4 de Primavera do Ano 1


Notas iniciais
Enquanto o anterior é de soft para explodidor de cabeças, este é o contrario

Flora acordou uma verdadeira catástrofe ouvindo o Galo Fantasma. Já não chovia. Não quis levantar logo, depois do dia anterior a última coisa que ela queria era descobrir mais coisas bizarras. Então ficou na cama até às 8h.

Mas tinha na consciência que tinha de ir regar as lavouras, então levantou-se como se fosse o maior sacrifício da vida, vestiu-se e nem arrumou o cabelo direito, deixo-o solto e desarrumado. Abriu a porta, e lembrou-se que o regador estava na parte de dentro cheio da água que vazava ontem.

Ao chegar perto da horta, ficou surpreendida ao ver que a terra e plantas já estava molhada. Ela deve ter ficado tão exausta que nem deu pela que talvez tivesse durado até de manhã.

Então saiu da fazenda pela entrada leste e foi bem devagar até à vila. Chegou lá às 9h e o Pierre já aberto tinha aberto. Decidiu entrar para comprar mais sementes para aumentar a produtividade. Entrou na loja e Abigail também já estava de pé a ajudar o seu pai a preencher as prateleiras

Pierre – Ora, bom dia… Ou não

Abigail – Nem vou perguntar o que se passa, o teu estado já mostra

Flora – Peço desculpa por estar assim

Pierre – Não deve ter sido fácil dormir naquela casa numa noite de chuva… é melhor nem falar quando vier tempestade

Flora – Sim, ainda mais se chover até na manhã seguinte

Abigail – Tiveste sorte que não foi desta vez

Flora quase travou nesse momento

Flora – Não choveu até de manhã?

Pierre – Deve ter confundido o barulho da chuva com outra queda de água, a chuva parou à meia-noite

Flora – (Mas… a terra estava molhada como se tivesse sido acabada de regar. Aí, não, logo de manhã não…)

Caroline aparece na loja vinda de uma outra porta e vê Flora toda acabada e pálida

Caroline – Meu Yoba, que cara é essa?

Abigail – Ela ficou assim mesmo agora

Caroline – Abby, leva-a para a minha sala solar, eu vou preparar um chá

Abigail aproximasse mais de Flora

Abigail – O que se passa, Flora?

Flora – É complicado explicar

Abigail – Vem

Abigail agarrou Flora pelos ombros e levou-a para dentro através da porta que separava a loja do resto da casa. Passaram por uma grande sala com uma lareira e ao canto Flora viu uma sala a brilhar dourado, não percebeu que sala era aquela, mas não importava agora. Passaram pela cozinha e chegaram a uma outra porta

Abigail – Podes entrar, aparece no meu quarto quando terminares, é a primeira porta que vemos quando entramos

Flora – Certo, obrigada

Flora entrou e era uma sala toda iluminada pela luz do sol, cheia de flores e brotos de chá, no meio estava uma mesa com cadeiras e Caroline estava lá a fazer o chá

Caroline – Bem-vinda à minha sala solar privada. O que achas?

Flora – É linda…

Caroline – Obrigada! Trabalhei muito duro para deixá-la assim… Agora vem sentar-te

Flora sentou-se à mesa enquanto Caroline acabava de fazer o chá

Caroline – Sabes, este é o meu santuário… um lugar que sempre encontro paz… E é o lugar perfeito para beber o chá que eu faço! Aqui, pega um pouco…

Caroline ofereceu o chá a Flora e bebeu o seu. Flora bebeu um gole e era maravilhoso

Caroline – Eu amo vir aqui para tomar um chá todos os dias. É o meu pequeno ritual. Uh… deixa eu tentar explicar… Quando estou sozinha com um chá relaxante… a minha mente fica vazia e livre para viajar…

Flora tomava o chá enquanto ouvia-a

Caroline – Quem sabe o que pode acontecer? Espero que isso faça sentido… A vida pode ser bem agitada, então ter um hobby como este é bem bom. Fica à vontade de vir aqui sempre que quiser, ok?

Flora – Obrigada, sinto-me bem mais relaxada. Estava mesmo a precisar

Caroline – A vida da fazenda pode ser stressante no início, então não tenhas receio de vir aqui tomar chá comigo

Flora – (Pois, o problema é que não é bem a fazenda) Agradeço, o chá é ótimo

Flora saiu e foi em direção ao corredor onde passou antes de chegar á cozinha. Olhou aquela divisão dourada… alguma coisa a atraia, mas decidiu ignorar, estava relaxada agora, não queria estragar isso.

Ouviu gritos de frustração da Abigail vindos do quarto dela. A porta dela estava só encostada. Flora entrou e viu Abigail agachada na frente de um televisor agarrada a um console. O quarto dela era bem bonito, com temática de fundo do mar como papel de parede. Reparou que ela tinha um porquinho-da-índia, ele é muito fofo

Abigail – Ah, Flora. Assustaste-me ao entrar no meu quarto assim

Flora – Desculpa. O teu quarto é bem bonito, gostei do papel de parede

Abigail – Obrigada, eu já pensei em trocar quando estava na adolescência, mas depois deixei estar, daria trabalho e não estava com paciência para isso

Flora – Ouvi-te a gritar, que jogo estás a jogar?

Abigail suspirou frustrada

Abigail – Eu joguei “Jornada do Rei da Pradaria” por horas e ainda não consegui nem passar da primeira fase… O jogo é ridiculamente difícil! Bem, ou eu sou horrível nele.

Flora – Não, eu já sei que jogo é esse, ele é difícil mesmo

Então Abigail sorriu porque teve uma ideia

Abigail – Ei, queres tentar jogar essa fase junto comigo? Acho que posso me sair melhor com a tua ajuda

Flora – Claro!

Flora sentou-se ao lado de Abigail e o jogo começou. Abigail não estava a ser dramática ao gritar de frustração, o jogo era realmente difícil. Ambas morreram uma vez, mas depois Flora apanhou o jeito e Abigail só a seguiu. O jogo tinha tempo, mas parecia que ele não acabava. O coração das duas até já acelerava quando o tempo estava a terminar, mas os zombies não paravam de vir aos montes. Até que conseguiram vencer! Abigail estava muito feliz

Abigail – Isso foi divertido! Muito obrigada, Flora. Parece que arranjei uma parceira de jogos sem ser os meninos

Flora – Acho que só vais acabar com o jogo se for multiplayer, é muito difícil a solo

Abigail – Tens razão, vou chamar-te sempre ahahah

Ambas se levantaram e foram se sentar na cama

Abigail – Mas agora a sério, o que estava a te acontecer na loja? Eu sei que já parecias uma acabada quando entraste, mas ficaste bem pálida quando o meu pai falou que choveu apenas até à meia-noite. Achas que a tua fazenda está assombrada?

Flora – Sim, por um Galo Fantasma. Eu o oiço todas as manhas à mesma hora ao acordar. Mas não é com ele que estou preocupada. É que ontem é um dia para esquecer

Abigail – É alguma coisa com o trabalho na fazenda?

Flora – Preferia que fosse, mas não… quero dizer, está até que relacionada a ela, mas é mais a mim. Coisas estranhas têm me acontecido desde que vim para cá.

Então lembrou-se de Sam falar que a Abigail gosta de coisas sobrenaturais

Flora – Talvez tu possas me ajudar

Abigail – Eu? Porquê?

Flora – A Emily é a única que sabe sobre isto, mas só da primeira parte, a segunda já não, a não ser o Sebastian, mas ele só apareceu no final

Abigail – Ainda agora chegaste e já estas a ter amizade facilmente com o Sebastian? Isso sim é estranho

Flora falou de tudo: do seu saber fazer as coisas de Fazendeira, novamente do seu dom de saber os gostos, do facto de ela nunca ter ficado doente, do livro que lhe cai em cima na Biblioteca e do seu conteúdo, e do momento na praia com Sebastian. E também falou do mais recente que foi encontrar o solo totalmente molhado mesmo tendo passado horas de ter chovido

Os olhos de Abigail brilham e imediatamente vai até á sua estante de livros a procurar algo. E ao voltar para Flora, mostrou-lhe o livro

Abigail – Bom, foi este o livro certo?

Abigail estava a segurar precisamente o livro Destaques do Livro de Yoba. Flora respondeu que sim com a cabeça. Abigail folheou o livro e mostrou a página que Flora descreveu, mostrando-lhe e novamente Flora confirmando. Mas depois ela folheou mais para a frente até encontrar o que queria

Abigail – Eu queria estar enganada, mas não estou. Não te quero assustar, Flora, mas a maior parte daquilo que contaste está escrita aqui

Flora – Como assim? É alguma profecia?

Abigail – Não propriamente, este capítulo fala de alguém

Flora – Podes ler?

Abigail — “Uma última criação Yoba fez, um ser com luz própria que atrairá até a mais obscura criatura das trevas. Um ser formado á sua imagem e poder. Capaz de transformar a Natureza e de a manipular, e amigo dos Guardiões da Floresta vai ser. Cultivará sementes que nunca morrerão, e se encontrar alguma planta sem vida, a fará renascer mais bela. A terra onde pisa sempre estará pronta para o cultivo. Com os seres inferiores à sua volta sempre estará disposto a ajudar, sabendo de suas necessidades e gostos, pois enfermo nunca estará, e entes queridos dos ao seu redor que não alcançaram a paz verá. Na estação do renascimento da vida sempre nascerá e para o meio da Natureza sempre voltará. Um par ideal saberá escolher para a Arvore sempre crescer”

Flora estava incrédula com aquilo, as primeiras frases não faziam sentido, mas a partir de “…terra onde pisa sempre estará pronta para o cultivo…” aí sim as coisas já eram diferentes…

Flora – Fiz bem em contar-te, estás a ser uma grande ajuda. Acho que a Emily vai ser a minha ajuda para o lado emocional e tu para o meu lado racional…, mas de racional isto não tem nada

Abigail – Gostei, até porque estou a ficar animada com isto

Flora – Porque não estou admirada ao ouvir isso?

Abigail – Vamos por partes, vamos já para esta parte da terra, ao que parece as anteriores não te soam familiar… “… A terra onde pisa sempre estará pronta para o cultivo…” pode estar associada ao agora de manhã de a terra estar toda molhada.

Flora – Certo…

Abigail – “Com os seres inferiores à sua volta sempre estará disposto a ajudar…”. És muito altruísta?

Flora – Eu sempre tive a mania de ajudar os outros, mas por alguma razão eu sempre soube de quem realmente precisava de ajuda. Mas o Shane precisa de ajuda, e eu não senti nada

Abigail – Então já sabes da história…Talvez porque ele é ateu? Já que isto está associado a Yoba, pessoas descrentes podem não ser teu alvo

Flora – Isso é um pouco injusto. Mas agora que sei que ele precisa de ajuda, não vou abandoná-lo só por causa disso

Abigail – “…sabendo de suas necessidades e gostos” também é fácil, é esse teu dom, mas também se aplica às coisas que não gostamos?

Flora – Tu detestas azevinho?

Abigail olha para ela com um ar de “Ah sério?”

Abigail – Já cá não está quem perguntou. “…pois enfermo nunca estará…” também é fácil, tu própria dizes que nunca estiveste doente…, mas isto de “…e entes queridos dos ao seu redor que não alcançaram a paz verá.”

Flora – Será que tem haver com o fantasma que eu vi na praia?

Abigail – Mas o Sebastian também o vê, e aparentemente só vocês o vêm

Flora – Será que era alguém próximo dele?

Abigail – Não me lembro de Sebastian falar-me desse aparentemente pescador, acho que deve ser algum dom dele assim como a Emily tem com as auras. Mas também isso não faz sentido, assim ele via mais espíritos, não faz sentido ele só ver aquel-

Abigail parou de repente como se tivesse lembrado de algo extremamente importante

Flora – O que foi?

Abigail – Sou mesmo burra, não é possível, como eu não pensei nisso? Flora… há extremas chances de o fantasma ser o pai do Sebastian!

Flora – Que?

Abigail – Ele morreu naquela área num dia chuvoso, ele era pescador, disseram que ele estava à procura de um buzio azul muito especial, queria dá-lo à Robin para a pedir em casamento. E o Sebastian não sabe quem ele é porque ele tinha só um ano de idade!

Flora – E como é que tu sabes?

Abigail surgiu travessa, mas com uma pitada de culpa

Abigail – Bisbilhotei a conversa entre a minha mãe e a Robin quando era mais nova

Flora – E tu nunca lhe contaste porque é uma coisa que a Robin tem de fazer, certo?…

Abigail disse que sim com a cabeça

Abigail – Leste a minha mente. Mas pelo que sei, foi um acidente horrível… encontraram-no morto na água encostado à plataforma. Não me admira que a Robin não queira falar sobre isso com o Sebastian

Flora ficou triste ao saber da triste historia do pai do Sebastian

Abigail – Continuando. “Na estação do renascimento da vida sempre nascerá e para o meio da Natureza sempre voltará” esta aqui complicou para mim

Flora – Mas para mim não. A estação do renascimento da vida é a Primavera. Eu nasci nesta estação, e consciência ou não, faço aniversario no dia 11

Abigail – “Depois de 11 dias, a videira deu frutos” …

Flora – Exatamente. O meu avô também nasceu na primavera e isso de voltar para a Natureza talvez esteja ligado ao facto de ele ter largado a sua vida na cidade e ter começado uma nova para o campo assim como eu. E a minha mãe também nasceu na Primavera…

Abigail – Mas ela não é fazendeira, ou é?

Flora – Não… é florista… O que vai dar tecnicamente ao mesmo. E a loja dela fica num enorme parque no meio da cidade

Abigail – Cara***

Flora – Que deselegância, Abigail

Abigail – Desculpa, é que… isto está a ser… incrível. Não sei como estás tão calma

Flora – Acho que foi o chá da tua mãe que fez alguma espécie de acalmante ao meu corpo

Abigail – E finalmente “Um par ideal saberá escolher para a Arvore sempre crescer”. Pelo que deu a entender, vais encontrar alguém que vai ficar contigo para o resto da vida, e a arvore com certeza deve estar a referir-se á arvore genológica, ou seja, os teus filhos vão continuar esta tarefa

Abigail fechou o livro, levantou-se e foi guardar o livro, mas continuo em pé a andar pelo quarto, pois estava agitada

Abigail – Então temos aqui uma informação extra. Vais encontrar alguém para o resto da vida, e tecnicamente já não vais sair de cá, tem grandes chances de essa pessoa ser alguém de cá

Flora – Ou que possa vir para cá

Abigail – É bem difícil, estamos muito isolados do resto do mundo. É muito mais provável que essa pessoa seja algum de nós solteiros

Flora começou a pensar, coisa que não demorou muito

Flora – Por Yoba… não acredito

Abigail – O que foi? Tu sabes quem é?

Flora – A Emily tinha razão, é mesmo destino!

Abigail – Do que tu… espera, então é o…

De repente alguém bate à porta

Sam – Abby! Chegamos!

Ambas se assustaram com o facto de Abigail nem sequer ter citado o nome dele que ele já apareceu

Abigail – Não sei o que Yoba quer de ti, mas o Sam também não deve ser normal aparecendo desse jeito

Flora – Acho que foi coincidência mesmo desta vez

Abigail – Podem entrar

Sam abre a porta e atrás dele também aparece Sebastian

Sam – Está tudo bem contigo, Flora? Caroline disse que estavas mal

Sem ao menos Flora responder, Sam aproxima-se, coloca a mão na testa e aproxima o rosto do dela

Sam – Apanhaste alguma constipação ontem por causa da chuva? Também estás a viver naquela casa quase sem condições. Queres que te leve ao Harvey? Estás a ficar bastante quente!

Será porque Flora estava totalmente vermelha? Sebastian agarra Sam pela gora por detrás

Sebastian – Parabéns, a Caroline falou que a Flora estava pálida, agora fizeste-a ficar a parecer um tomate

Sam – Que? Mas o que é que eu fiz?

Sebastian – És idiota ou fazes-te?

Até Sebastian já tinha entendido o porque daquela reação de Flora por causa de Sam? Flora era assim tão fácil de ler? Estava a querer enfiar-se num buraco e ficar lá. Abigail entendeu que Flora estava a sentir-se desconfortável

Abigail – Já está tudo bem, a Flora já estava de saída

Sam – Que? Flora, estás muito quente, tens a certeza de que não queres ficar connosco até que melhores?

Flora – Obrigada, mas tenho coisas a fazer

Abigail – É melhor ela ir embora sim, com vocês os dois aqui a fazer zona, ela não vai melhorar nem para a próxima estação

Abigail acompanhou Flora até à saída da loja

Flora – O Sebastian percebeu, não foi?

Abigail – Sim, mas não te preocupes, mais calado que ele só mesmo a Penny, ele não vai falar nada para o Sam

Flora – Mais uma vez obrigada pela ajuda, Abigail

Abigail – Não tens de que… e daqui para a frente trata-me por Abby. Somos “Parceiras de Crime” agora. Até mais, Flora

Flora seguiu para a escadaria que ficava ao lado da loja e que dava para aquele edifico abandonado. Sentou-se em baixo de uma arvore grande e ficou lá a sentir a brisa. Precisava mesmo de relaxar. O chá de Caroline ajudou muito, mas precisava de um tempo sozinha para refletir

Flora – (Porque ninguém da minha família nunca me falou disto? Que somos uma linhagem sanguínea de espécies de “empregados de Yoba”? Preciso de falar pessoalmente com a minha mãe, mas vai ser difícil esse encontro agora. Agora vou ter de me focar em saber quem são esses Guardiões da Floresta)

A sua paz é interrompida por Haley que estava atrás da arvore não na vista panorâmica de Flora, mas Flora conseguiu sentir a presença dela

Flora – És mesmo estranha, Haley. O que estás a fazer?

Haley – Como sabes que sou eu?

Flora – Reconheci pelo cheiro do teu perfume

Claro que Flora mentiu. Haley foi para a frente dela e estava descaradamente a analisá-la

Flora – O que tens tanto para analisar-me? Já é a terceira vez

Haley – É que tu não pareces nada uma fazendeira! O teu cabelo hidratado e sem defeitos, as tuas mãos parecem macias e não que trabalham na terra, até as tuas unhas estão perfeitas. E o teu rosto, és bonita sem maquilhagem nenhuma! Qual é o teu segredo?

Flora – Tens noção que eu só cheguei á pouco tempo e que só plantei as sementes, certo? Para a próxima estação já não vou receber tantos elogios teus. E a sério? Que estás a me elogiar precisamente hoje que acordei parecendo que fui atropelada?

Haley – Deve ser charme…

Haley começou a mexer-se bastante, nervosa por alguma coisa

Haley – Gostarias de… ir almoçar comigo?

Flora – Não sei do porque estares nervosa, eu não mordo. Vais almoçar também com a Emily?

Haley – Não é no Saloon, é em minha casa

Flora – Tens a certeza? Não te quero dar trabalho

Haley – Eu gosto de cozinhar

Flora – Então vou te ajudar

Haley – Por mim tudo bem, é mais divertido cozinhar em conjunto

Flora levantou-se, sacudiu a parte de trás só por consciência de não estar suja de erva e foi seguindo Haley até à sua casa

Flora – Cozinhas muito com a Emily?

Haley – Não, eu almoço sempre com o Alex e ele cozinha comigo, mas hoje ele adormeceu e foi fazer os seus treinos mais tarde, como eu não sei se ele vai almoçar comigo, decidi convidar-te

Chegaram à casa e imediatamente foram para cozinha. Haley analisou o que tinha de ingredientes e colocou-os em cima da bancada

Haley – Tenho os ingredientes necessários para fazer rolinhos de arroz

Flora – Nunca comi rolinhos de arroz

Haley – Não sou muito ligada a peixes, mas confesso que estes são bons, porque são da receita que a Emily apanhou no Saloon

Flora – Vocês dão-se bem vivendo as duas sozinhas na mesma casa?

Haley – Não muito. A minha irmã é estranha, às vezes pergunto-me se somos mesmo irmãs

Flora – Para mim tu é que és a estranha, foste comigo desde que cheguei

Haley – Estava curiosa sobre ti. Mas a minha irmã é estranha com aquele dom de ler as auras

Flora vira-se totalmente para Haley, fazendo ficar com uma cara de questionamento para Flora

Flora – Ora bem, as tuas comidas favoritas são Bolo Rosa e Salada de Frutas, a tua fruta preferida é o Coco e amas incondicionalmente Girassóis. Em contrapartida, detestas Raiz-Forte. Agora quem é a mais estranha, eu ou a Emily?

Haley ficou muito corada com a cara de travessa que Flora estava a fazer, ela era realmente muito bonita

Haley – Foi… foi a Emily que te contou, não foi?

Flora – Não, a única vez que falamos de ti foi eu descobrir que vocês duas são irmãs

Haley – V-vamos fazer o almoço… Quatro mãos trabalham melhor do que só duas

Flora riu-se da cara que Haley fez e começou a ajudá-la a cozinhar. Era um prato bem fácil de fazer.

Assim que começaram a comer, Haley perguntava como era a sua vida antiga na cidade, com Flora respondendo que era um desastre. Flora perguntou se Haley fazia alguma coisa, que respondeu que tirava fotos e publicava-as na internet, tendo vários seguidores em várias redes sociais. As fotos eram realmente muito bonitas, e percebeu que a maioria delas era da Floresta ao lado.

Quando acabaram de almoçar, Haley insistiu em querer pintar as unhas de Flora, mas Flora falava que não valia a pena, elas iam estragar-se facilmente

Flora – És mesmo uma peste!

Haley – Vá lá, Flora, por favor?

Flora – Vai arranjar outra cobaia

Haley – A cobaia principal está fora hoje

Flora cedeu, Haley era muito insistente

Flora – Depois não reclames se vires as minhas unhas desfeitas

Haley – Boa

Passado um bocado, alguém bate á porta e entra Alex, que logo começa a rir-se da situação

Alex – Parece que és a nova refém dela, Flor

Flora – Voltas a chamar-me de Flor e eu afogo-te no rio

Alex – Quanta agressividade. Isso é tudo paixão que tens por mim, não resististe à minha beleza

Flora – O que tens de beleza também tens de arrogância

Alex – E isso é bom?

Flora – Não

Haley – Não sabia que vocês eram assim um com o outro

Flora – Ele alguma vez perguntou-te se tinhas biquíni para irem à praia juntos só para te ver com menos roupa?

Alex – Ei, eu nunca disse que era verdade

Flora – Mas também não desmentiste

Haley – Mesmo que ele tivesse me dito isso, ele não teria as menores chances comigo

Alex – É, posso ter peito definido, mas não sou mulher

Flora – És lésbica, Haley?

Haley – Até me admira não descobrires mais cedo, toda a gente sabe. Não tens problema com isso, pois não, Flora?

Flora – Obviamente que não, falta eu ter a letra P na minha testa

Haley – És Pan?

Alex – Parabéns, Haley. Fisgaste bem desta vez! Já não ligas mais para a Leah?

Haley – É claro que ligo! Eu só não sou como uma certa pessoa bissexual que está a querer fisgar alguém, mas não consegue porque tem medinho que isso prejudique a sua linda reputação de Galã

Alex – É só te colocares no meu lugar

Flora – Toda a gente te aceita, Haley?

Haley – Sim, surpreendeu-me muito, mas estou muito feliz

Flora – Se aceitam a Haley, porque não te revelas, Alex? Tens medo de que essa pessoa que estás a querer ficar rejeita-te?

Alex – Mais ou menos isso

Haley – É um medricas

Flora – Quem é que queres conquistar?

Haley fica calada, era Alex que tinha de falar, se ele quisesse que a Flora soubesse ou não, a decisão era dele. Alex mordia as unhas e falava o nome da pessoa

Alex — …E…Ba…En

Flora – Entendi tudo. Alex, se não queres falar, tudo bem, ainda não nos conhecemos o suficiente para me revelares algo importante

Alex – Não, eu vou falar, talvez possas-me ajudar a saber os seus interesses… É… é… ahm… o Sebastian

Flora – Sério?

Haley – Alex deve ter algum gosto por pessoas Emo

Alex – E tu por mulheres da natureza, a engatar a Flora e a Leah desse jeito está-se a ver o teu gosto

Haley – E tu de olho no Sebastian á anos e decidiste paquerar a Flora agora?

Flora – Vocês sabem que eu continuo aqui, certo?

Eles calaram-se um pouco e olharam para Flora

Flora – Já repararam que ambos estão no mesmo barco? Não se conseguirem declarar… Já não são nenhuns adolescentes na puberdade, já são adultos com objetivos de vida. O que têm a temer? Rejeição?

Haley – A Leah pode aceitar e respeitar a minha sexualidade, mas ela pode gostar de homens… não somos tão próximas a ponto de eu saber os gostos dela

Alex – Eu e o Sebastian nunca conversamos direito estes anos todos, então tecnicamente não sei nada sobre ele a não ser o necessário e o superficial

Flora – Entendi. O problema de vocês é a falta de comunicação, e que tal pensarem a falar com eles? E não comecem a pensar no que vai dar errado, é o medo que não vos deixa avançar

Haley e Alex pensavam no assunto. Flora tinha razão, eles estavam com medo da rejeição

Alex – Foi por isso que contei. Talvez por tu seres nova cá na comunidade possas ajudar. Às vezes pessoas que não se conhecem tanto têm mais facilidade em descobrir certas coisas. Vou dar um exemplo, eu e o Sebastian convivemos há 12 anos que foi quando eu vim para cá morar com os meus avós, mas nunca nos aproximamos, seria estranho eu me aproximar dele assim de repente

Flora – Estou a entender. Posso dizer que concordo com as tuas palavras, então eu vou ajudar-vos nesse requisito de descobrir alguma ponta solta deles. Mas têm de me prometer que vão começar a pensar no assunto de se aproximarem, está bem?

Os dois concordaram.

Passaram o resto da tarde os três a falar de várias coisas. Haley poderia gostar de se produzir e ficar bonita o tempo todo, mas falava-se bem com ela. A mesma coisa com Alex, gostava de receber elogias e vangloriar-se, mas era bastante divertido. A certa altura ao final do dia, Emily entra em casa e surpreende-se ao ver Flora ali

Emily – Meu Yoba… Flora, eu pensava que tivesses sido raptada por alienígenas, não apareceste no Saloon ao almoço

Flora – Mas foi isso mesmo que aconteceu, o alien chama-se Haley

Haley – Perdão? Eu não te raptei

Alex – Mas fizeste-lhe de refém da tua manicure

Flora levanta-se do sofá, já estava na hora de ir para a fazenda. Ainda foi convidada para jantar lá, mas rejeitou. Para ir para casa, ela foi pelo caminho da floresta. Ao olhar para o horizonte, viu uma construção alta que saia luzes, ao passar pelo rancho, Marnie estava a tratar do gado

Flora – Boa noite, Marnie

Marnie – Ah, boa noite, Flora. O Shane falou-me que ontem vieste cá à chuva pedir um balde. Nunca reparei realmente que a casa estava num estado tão lastimável para entrar água

Flora – Nem diga nada. Quase tenho pesadelos com o quanto a Robin pediu para aprimorá-la

Marnie riu-se. Flora começava a aperceber-se que todos sabiam o quanto eram caras as coisas que a Robin pedia

Flora – Marnie, o que é aquela construção alta ao fundo?

Marnie – Ah, a Torre do Mago. Deves em quando ouço barulhos vindo de lá. Não faço a mínima ideia de quem vive lá, não interage com ninguém e ninguém sabe quem é… é assustador

Flora – Realmente é estranho. Está a ficar tarde, vou indo

Marnie – Até amanhã

Flora subiu para a fazenda. Ela estava com noção que havia mais arvores e erva que antes. Mas se calhar era impressão sua, não tinha como as coisas nascerem e crescerem tão depressa.

Entrou em casa, despiu-se. Foi ao wc que era pequeno que mais parecia uma dispensa. Flora odiava tomar banho naquele chuveiro, não tinha espaço para quase movimento nenhum. Por conta daquele comodo, amanhã Flora estava disposta em começar a pôr as mãos à obra…

Notas finais
A minha cabeça vai explodir se eu continuar a mandar este tipo de bombas nos capitulos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.