Uma Semana Muda Tudo
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Ao contrário da noite passada, Catherine havia dormido bem, afinal, a cama havia ficado maior, sem uma pilha de travesseiros. Ela aturaria aquilo por alguns dias, e estaria ok, afinal, era por trabalho. Ela acordou quando sentiu algo batendo com força em sua barriga.
— Ouch! –ela exclamou.
— Quem, onde, quando, por quê? –acordou Marcus assustado, sem entender o que havia acontecido.
— Bom dia pra você também, Marcus. E você me deve um pedido de desculpas.
— Pelo que?
— Por ter batido na minha barriga.
— Anh? Ah... Desculpa, então.
Catherine se levantou. Ainda eram 7 e 10 da manhã, e eles só sairiam às 10. Ela se apressou pra tomar banho, bem rápido, por sinal. Secou seus cabelos rapidamente, e Marcus repetiu o mesmo processo. Foram tomar café-da-manhã, e depois Marcus ficou no saguão, tomando mais uma xícara de café, e lendo alguns jornais, além de claro, observar bumbuns femininos se remexendo na academia do hotel. Enquanto isso, Cath subiu pro quarto, e ligou o computador, do qual, ela havia se esquecido. Aliás, ela nem teve muito tempo pra mexer nesses dois primeiros dias, que foram exaustivos demais.
Abriu sua página no facebook, respondeu animadamente os recados de Kate, e de mais algumas pessoas, entre elas Terry, o qual, sinceramente Cath preferia esquecer. Prometeu milhares de fotos pra Kate, que mesmo sendo amiga de Cath, estava se comendo de tanta inveja. Ela resolveu abrir seu e-mail, e ver se tinha algo. Dentre algumas dezenas de mensagens não lidas, como correntes absurdas, piadinhas idiotas e promoções de sites on-line, estava uma mensagem da Sunshine, vinda diretamente do Sr. Ricardo Portmann, que dizia assim:
Srta. Adams
Sei que você me pediu uma semana pra pensar sobre nossa oferta, mas não resisti em enviar este e-mail, pra perguntar como andas nossas “negociações”. Imagine você, todos os anos em Paris, com esse mundo de gente importante? Sim, você sempre nos representará aí em Paris, Srta. Adams (ou será que posso chamá-la de Catherine?). Todos nós aqui da Sunshine, inclusive o presidente, Sr. Carter Scantofh, estamos ansiosos pela sua resposta, e celebraremos alegremente se quiser se juntar à nossa empresa.
Estou enviando-lhe algumas fotos da empresa, se não conhece ainda.
Aguardando ansiosamente,
Ricardo Portmann.
Catherine estava meio que sem palavras, afinal, não é todos os dias que se recebem propostas tão tentadoras dessa forma.
Ela viu algumas das fotos da empresa, e de Los Angeles, e se lembrou de que era seu sonho morar lá, quando adolescente.
— Uhh... Sunshine, Cath? –disse Marcus, assustando Catherine
— Que susto, Marcus! –disse Cath, meio exaltada.
— Calma calma. Mas então, você tem alguma ligação com a Sunshine?
— Eu? Sunshine? Não, não. É só que eles não mandaram ninguém esse ano, sabe? Fui procurar algumas coisas no ahnn... Google, e apareceram essas fotos.
— Sei. Bom, se você não percebeu, faltam 5 minutos pra gente sair. Você está pronta?
— Sim sim. Vamos descer.
Eles desceram, e tão logo o taxi estava esperando por eles. O motorista disse que eles fariam um tour pela cidade, juntamente com outro grupo, que estaria esperando em uma praça de nome muito complicado pra falar. Ao chegarem lá, se depararam com um monte de turistas carregando mapas e máquinas fotográficas, que, aliás, fora a única coisa que Cath se lembrara de levar. Mensagens da Sunshine logo cedo arruínam seu dia. Cath estava usando um sobretudo no modelo trench coat vermelho, tinha um vestido preto bem básico por baixo, meias calças pretas, e um sapato de salto (pra variar) preto.
Marcus usava o de sempre: Uma calça jeans, um cardigã azul marinho, um blazer cáqui por cima, e tênis meio surrados.
Os dois seguiram o grupo, e a guia pôs-se a falar sobre os lugares que visitariam e algumas dicas.
O primeiro lugar visitado foi o tão importante Museu do Louvre, com sua arquitetura magnífica e tão bonitas pinturas. A guia foi clara quanto à parte do “não se separem”, então todos ficaram juntos, tirando fotos e tudo mais. Não sei se já citei, mas uma das paixões de Cath é fotografar. Tirou fotos da entrada do Louvre, e perto de imagens famosas, como Monalisa. Marcus tirou algumas fotos também, com sua máquina rudimentar que estava praticamente obsoleta.
Depois do Museu, foram ao Arco do Triunfo, que era maravilhoso também. Depois foram visitar o Rio Senna, e ficaram deslumbrados. Após o passeio pelo rio, foram almoçar em um restaurante qualquer.
O Tour continuou dessa vez na Catedral Notre Dame, e depois na Praça da Bastilha. Depois de umas 5 horas de tour, eles finalmente puderam conhecer a Torre Eiffel.
— Meu Deus! É mais bonita do que qualquer coisa que eu poderia imaginar! –Catherine exclamou.
— É linda, mas é só uma torre.
— Cala a boca e não estraga o momento.
Com a má sorte de ambos, a torre estava fechada pra visitações naquele dia, pois estava em manutenção. Tanto faz, também. Eles poderiam voltar no dia seguinte.
Foram direto pro hotel, pois teriam que se arrumar para a cerimônia que aconteceria durante a noite. Principalmente Catherine. Ela entrou no quarto, foi direto pro banheiro, aplicou algum produto no rosto, e pôs-se a folhear uma revista, enquanto seus cabelos eram hidratados, e cobertos por uma touca.
Marcus foi pro saguão, ler algum jornal e pegar um pouco de café. Esqueceu sua carteira no quarto e foi buscá-la. Abriu a porta e deu de cara com um ser com a cara verde e uma touquinha de alumínio, vestindo um roupão e calçando pantufas.
— Aaah! Que susto, Catherine –ele disse subitamente, já que ele realmente havia se assustado.
— Desculpa, desculpa. Ninguém mandou você entrar de repente, também.
— Se quer se vestir de fiona, pelo menos avise antes.
— Fiona é a sua vó. –ela disse nervosa.
— Ok, ok. Sem xingamentos. Já estou de saída. –ele pegou sua carteira e saiu.
Catherine voltou a ler sua revista, e depois viu um pouco de TV. As cinco começou a se produzir. Fez alguns cachos com babyliss no cabelo, fez uma bonita maquiagem, com um batom bem vermelho, colocou um vestido preto deslumbrante. O vestido em si, era simples. Era de cetim, tinha um decote médio, ia até os joelhos e era meio rodado. Pra completar, um laço atrás. Calçou um sapato vermelho envernizado e algumas jóias simples. Estava pronta. Marcus saiu do banho, e sentiu-se deslumbrado. Ela estava magnífica. Nunca vira alguém tão bela daquela forma.
— Ta olhando o que, palhaço? Nunca me viu na vida? – disse Catherine séria. Marcus não tinha reparado que estava olhando pra ela até ela dizer aquilo e tirá-lo do transe.
— Ah? Nada não. Parece que a fiona virou princesa, essa noite!
— Cala a boca, Shrek.
— Eu não tenho a cara verde.
— Ah, jura? Nem tinha reparado.
A verdade era que Marcus também estava lindo, usando um terno preto, bem cortado e seu cabelo pra trás, como de costume. Mas Cath jamais diria isso em voz alta.
Eles foram pra cerimônia, e ficaram boquiabertos. Era magistral. Tomaram seus lugares, que estavam marcados, e esperaram sua vez de ir até a frente. Tinha muita gente importante naquele lugar. Finalmente uma voz chamou Catherine e Marcus ao palco.
— Não me faça passar vergonha. –sussurrou Catherine.
— Tirou as palavras da minha boca. – Marcus disse.
Eles subiram juntos, espalhando sorrisos e tentando desvencilhar-se do enorme brilho dos flashes.
— Boa noite a todos. –começou Cath. — Nós somos Catherine Adams e Marcus Greene, da Market, de New York.
— Como sabem, vamos apresentar o vídeo propaganda com o qual estamos concorrendo neste festival. –disse Marcus.
— O comercial foi feito para a Channel NY, e é a divulgação de uma nova fragrância, a 818. Foi feito e produzido pela Market, e foi estrelado pela atriz Scarlett Johansson. –disse Cath.
— A proposta deste vídeo, é mostrar que um perfume pode fazer a diferença, e que pode aflorar a feminilidade e sensualidade.
— Isso mesmo, Marcus. Bom, sem mais delongas, fico feliz em apresentar-lhes o nosso comercial.
O silêncio tomou a sala, e o telão começou a apresentar o comercial. O comercial era realmente bom. Marcus e Cath com certeza haviam conquistado o público naquela noite, ao julgar pelo estouro de aplausos logo após o vídeo.
Depois da cerimônia, houve uma pós-festa, no mesmo salão. Muitas pessoas vieram falar com os dois, e elogiaram muito.
Estava começando a ficar entediante então Marcus e Cath resolveram ir embora. Mas depois, resolveram curtir mais o sábado, já que teriam o domingo praticamente livre, e foram pra uma boate, curtir um pouco. Eles beberam demais. Catherine dançou sensualmente na pista, e seduzia vários homens. Marcus observou de longe, enquanto tentava pegar alguma garota com uma cantada idiota, meio em inglês, meio em francês, mas que na verdade, não soava nenhum dos dois. O máximo que conseguiu foi um tapa na cara, por confundir as palavras safada e senhorita em francês. Cath foi cantada por vários homens, uns até que bonitinhos, mas ela ficou receosa em beijar alguém que ela mal conhece, e pegar alguma doença, ou infecção. Às três da manhã, eles foram embora, com muito custo, e tiveram que pedir ajuda pra conseguir o táxi, pois não tinham condições nem de falar ao telefone.
Chegaram ao hotel, rindo um da cara do outro e se provocando.
— E você nem vem, pois hoje eeeeeeeuu, eeeeuzinha vou dormir naquela cama, sozinhaaa, tá? –disse Cath meio cambaleando.
— Sóooooooo por cima do meeeu cadáver. –disse Marcus, no mesmo estado.
— Haha, vai nessa.
Catherine estava correndo em direção à cama, quando caiu no chão, virando o pé. Deu de cara no carpete do quarto.
— Ouch! – ela gritou. Segurava o pé com a mão direita, o quarto girando ao redor dela.
Marcus, por impulso, no mesmo instante correu até ela e ajudou-a a se levantar. Os dois não estavam nenhum um pouco em boas condições, mesmo assim ele lutou contra a embriaguez para segurar Catherine, que nem conseguia andar. Teve que segurá-la no colo.
— Minha vida é uma droga! –chorava ela. Ela não ficava nada bem quando bebia muito. Suas crises de solidão eram muito profundas, principalmente quando ela estava sozinha em seu apartamento ouvindo Celine Dion e tomando champagne. – Não é justo comigo, não é!
Marcus podia ser um tremendo idiota, mas mesmo bêbado não conseguia ver uma mulher chorar.
— Acalme-se, Cath... Não chora. – ele dizia tentando confortá-la.
— Não, Marcus. Me deixa em paz. –dizia ela tentando se esquivar, sair de perto dele. Mas ele não deixava. Um sensor de proteção estava nele ali agora e ele não a deixaria sozinha.
— Não, Cath... Você vai ser uma boa menina. Vai deitar aqui na cama... –disse ele tirando os sapatos dos pés dela – Vestir algo mais confortável – disse, se levantando pra procurar um pijama na mala de Catherine. Achou um vestido de malha que em sua concepção serviria como pijama. Virou-se enquanto ela tirava o pesado vestido da festa. – E agora, disse ele, tocando o rosto dela com cuidado, tirando o cabelo do rosto, vai se deitar e dormir.
— Não quero to com medo.
— Eu fico com você.
Ela se deitou, ajustou-se no travesseiro e ele puxou a coberta para cima. Ela ainda chorava. De frustração, medo, angústia, tristeza... amor. Ele a abraçou, logo sua camisa estava toda molhada de lágrimas, mas ele não se importou. Os dois caíram no sono logo mais.
Nessa noite, não houve brigas pela cama.
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