Uma Semana Muda Tudo
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Pra Marcus e Catherine, aqueles três dias que Sr. Ashton havia os dado se estenderam longamente. Catherine simplesmente não conseguia se decidir em relação à sua estadia na Market, e Marcus estava nervoso quanto àquela oportunidade, principalmente na parte que envolvia viajar com Catherine.
Bom, antes que eu continue, sinto que devo descrever os personagens principais fisicamente.
Catherine era normal. Era feliz com seu 1,70 de altura. Era magra, mas tinha corpo. Seus cabelos eram castanhos claros e medianos, um pouco abaixo dos ombros, e ela tinha algumas luzes loiras. Seus olhos cor de mel eram completamente penetrantes. Ela gostava de usar roupas confortáveis e sociais. E nunca, mais nunca mesmo ela descia do salto.
Marcus era alto, tinha cerca de 1,80. Não era bombado nem magricela, seus cabelos não eram curtos demais nem grandes demais, e ele costumava usá-lo pra trás, no trabalho usava terno, mas no dia-dia gostava mesmo era de roupas informais e um bom tênis. Era completamente obcecado por café.
Agora que todos foram descritos, podemos continuar com a história.
Catherine arrumou a mala categoricamente: muitas saias de cintura alta (que eram sua paixão) e camisas. Poucos vestidos pra ocasiões especiais, e claro, muitos saltos altos. Era o outono, então levou algumas peças de frio.
Já Marcus, coitado, teve que pedir ajuda pra arrumar sua mala. Ele não tinha paciência pra essas coisas. Por sorte, Kate, sua colega de trabalho, que era completamente caída de amores por ele, e descaradamente, foi ajudá-lo.
O dia tão esperado chegou, e ambos estavam ansiosos. Catherine foi acompanhada de Kate, que era sua amiga por incrível que pareça, e Terry, um carinha que era e não era seu namorado. Marcus chegou sozinho, e parecia muito mal, como se tivesse bebido muito na noite anterior. Isso de fato tinha ocorrido.
Todos se despediram, e então os dois foram pro avião. Ao chegar lá, uma surpresa completamente não agradável: eles sentavam em poltronas vizinhas. Agora você se pergunta: Mas não existem três poltronas em cada fileira? A resposta: Sim. Mas já estava ocupada, e era uma velhinha, que sentou e simplesmente apagou. Eles acharam melhor não acordarem-na. Passaram então 9 horas inteiras na classe econômica tentando não encostar um no outro, o que não foi tarefa fácil. Marcus tentou dormir, mas Cath estava empolgada demais com seu I-pod.
- Dá pra parar de cantar um pouco e abaixar o volume? Eu estou tentando dormir. – exclamou Marcus completamente nervoso.
- Aaah... Não. A turbulência é muita, e a música ajuda-me a não sentir muito o efeito dela. – disse Cath, com a maior calma do mundo.
- Mas eu quero dormir se você não percebeu.
- Oh, que pena! Eu não mandei você beber até cair ontem.
Então num movimento abrupto, Marcus arrancou os fones de ouvido de Cath e tomou o aparelho de suas mãos, desligando-o. Cath ficou furiosa e deu-lhe um tapa bem no meio da cara.
- Você não conhece a palavra respeito, seu idiota? –ela disse exaltada.
- Não. Eu aprendi isso com você. – ele disse.
Os dois começaram a discutir alto demais, e os passageiros que estavam tentando relaxar no cansativo voo reclamaram com a aeromoça, que teve de intervir.
- Senhores, comportem-se, por favor. Vocês estão comprometendo a paz das pessoas presentes neste avião. Se tiverem algum problema, resolvam como adultos.
- Isso mesmo! Calem a boca que eu quero dormir! – gritou um passageiro lá do fundo.
Então uma confusão se instalou no avião, todos estavam discutindo e pedindo silêncio de Marcus e Cath.
- Ótimo. Está vendo o que causou Marcus? – disse Cath.
- Eu causei? Se você tivesse abaixado o volume nada disso teria acontecido.
- Se você não tivesse tomado o MEU I-pod eu não teria te batido.
-Silêncio, por favor, senhores passageiros! –gritou a aeromoça.
Então todos se calaram.
- Ótimo. E quanto a vocês dois, mais um piu e entrarão na lista negra da companhia. E não queiram que isso aconteça. Além do mais podem ser processados.
O silêncio predominou nesse momento, e Cath tomou seu I-pod das mãos de Marcus, mas colocou-o mais baixo, pra evitar confusão.
A viagem foi longa, mas valeu à pena. Paris era mais bonita do que eles sequer poderiam imaginar.
As árvores com suas folhas amareladas, e o clima nublado formavam uma paisagem tão linda quanto uma pintura.
Ambos ficaram deslumbrados com tudo o que viram, até serem tirados do transe por um taxista perguntando num inglês rudimentar se eles eram da Market.
Fizeram que sim com a cabeça e entraram no carro com suas malas e saíram do aeroporto rumo ao hotel Le Marquis Eiffel. Para surpresa deles, este hotel se localizava muito próximo da Torre Eiffel, a qual podiam admirar livremente logo do saguão.
Aproximaram-se da atendente, e disseram que tinham reservas.
- Catherine Adams e Marcus Greene… aqui. –ela disse apontando pro livro de reservas. — Quarto 410.
- Ok, e o meu? – disse Marcus.
- 410.
- Não é possível. Não tem nenhum outro quarto nesse hotel?
- Desculpe-me senhor. Os quartos semi-luxo foram todos alugados com antecedência. Aliás, o hotel está lotado por causa do Festival.
- Não tenho nenhuma outra opção?
- Temos o quarto presidencial, cuja diária é 500 euros.
Marcus engoliu seco e deu um sorriso amarelo pra atendente.
- Vou providenciar o dinheiro. Por enquanto vou ficar no 410 mesmo.
Catherine fingiu uma tosse pra não rir, mas ela não conseguiu evitar.
- Tudo bem então, senhores. Enzo vai levá-los ao quarto e suas malas. Enzooo!
- Sim.
- Leve-os.
Ao chegar lá, ficaram surpresos com o quarto. Ele tinha papel de parede bege com marrom, que, aliás, eram as cores predominantes em termos de decoração no quarto.
Uma cama de casal se estendia no centro do quarto, e um véu marrom que caia sobre a cama, além de uma mesa onde tinha um computador, uma poltrona marrom e uma televisão. E ah, tinha uma sacada também, que dava diretamente pra Torre Eiffel. O banheiro era simples.
Novamente, Catherine e Marcus estavam deslumbrados com o que viram, mas desta vez só acordaram do transe quando Enzo fechou a porta atrás deles.
Marcus se encaminhava pro banheiro quando Catherine o puxou.
- Eu vou tomar banho primeiro. –ela disse.
- Vai vendo.
- Então tá.
Cath saiu em disparada e se trancou no banheiro. Pela sua fodástica sorte, no banheiro havia toalhas e roupões de banho, além de claro, sabonetes caríssimos e sais de banho.
Sim, era seu dia de sorte. Ela ficou lá relaxando por meia hora, até que Marcus começou a bater na porta. Ela decidiu que não iria piorar as coisas, então se secou e saiu embrulhada no roupão.
Já era noite na cidade luz, e Cath saiu pra jantar antes que Marcus saísse do banho.
- Estou indo jantar no restaurante do hotel. –gritou ela.
Mais uma vez, ela deslumbrou-se com aquilo. Sentou-se em uma mesa, e começou a ler o cardápio. Ela não conhecia praticamente nenhuma daquelas comidas, então optou pela que traduziu como sopa. O problema é que ela não sabia a tradução dos outros elementos. Pediu um vinho enquanto esperava. Assim que ela pediu, Marcus chegou e sentou-se. Os dois praticamente não trocaram uma palavra, como de praxe. Marcus, como todos os homens, queria se mostrar, e pediu alguma coisa que ele nem ao menos sabia o que era. Querem que eu vá direto ao ponto: Ele se ferrou. Pediu um prato chamado Pieds et paquets, que significa pedaços de pés e tripas de cabrito em molho saboroso. Ele colocou um pequeno pedaço na boca, e começou a mastigar, tentando não vomitar e dando um sorrisinho amarelo pra Catherine, que ria baixo, tentando não pagar mais um mico naquela viagem. Por sorte dela, ela pediu um prato simples: Ensopado de Vitelo, que estava gostoso até. Mas, ela não podia deixar de zombar.
- Está gostoso, Marcus?
- Você não imagina o quanto, Catherine. –ele disse tentando parecer sério. – Oh, como eu sou idiota, esqueci de oferecer a você. Você aceita um pouco?
- Não, não. Eu estou bem com minha sopa. Cabritos não fazem muito meu estilo gastronômico.
Eles continuaram comendo em silêncio, e pediram a sobremesa. Por sorte de Marcus, ele sabia traduzir Mousse de chocolate, que é um prato típico francês. Cath ficou com torta de maçã.
Eles subiram para o quarto e tentavam discutir como eles iriam dormir, uma vez que não havia nenhum sofá ou coisa do tipo no quarto, apenas uma cama de casal.
- Você pode dormir na poltrona, Marcus. Seja cavalheiro.
- Eu não vou dormir na poltrona. Tenho tantos direitos quanto você.
- Então como faremos?
- Vou dormir na cama e ponto.
- Então vamos dividi-la.
- Ótimo.
Eles dividiram a cama com uma pilha de travesseiros, e se deitaram. Cath colocou uma espécie de venda nos olhos e tampões nos ouvidos.
- Pra que tudo isso? –perguntou Marcus.
- Eu quero dormir em paz, o que não inclui seus roncos.
- Você nem sabe se eu ronco.
- Eu aposto que sim. Boa noite.
- Idem.
Eles caíram no sono rapidamente. Amanhã seria um longo dia. Longo mesmo.
Notas finais
beijos
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