Uma Semana Muda Tudo
3 Capítulo 2
Notas iniciais
O dia amanheceu muito calmo na cidade-luz. Mas havia duas pessoas que não iriam deixar o dia assim tão calmo.
Naquela maravilhosa manhã de quinta-feira, Marcus e Cath se levantavam pra passar mais um dia em Paris.
Com certeza aquela foi uma noite mal dormida, pelo menos pra Cath, que quase caiu da cama, de tanto que seu colega de cama se mexia.
- Bom dia, Catherine. Uaau, que dia lindo. –disse Marcus todo animado.
- O que é que tem de bom? Você praticamente me derrubou da cama essa noite. Eu mal pude dormir.
- Calma, eu só tentei ser cavalheiro. Olha só o que eu recebo de volta.
- Calma, nada. Você fez de propósito, né Marcus?
- Por que eu faria isso.
- Uhh, me deixe adivinhar... Porque você queria me irritar?!
- Não. É só que eu sou acostumado com uma cama só pra mim.
- Claro nenhuma louca quer compartilhar uma cama com você!
- Cala a boca.
- Hum, ótimo. Eu vou tomar banho. E se eu demorar é sua culpa, pois eu estou com dor nas costas, e preciso relaxar já que hoje nós precisamos trabalhar.
- Ótimo. E eu vou tomar café.
- Ótimo.
Catherine foi em direção ao banheiro, batendo a porta com força, e Marcus foi tomar o café da manhã no restaurante do hotel. Pelo menos dessa vez, ele sabia como pedir um café. Cath adormeceu na banheira do quarto, com aquela água quentinha, e aquela maravilhosa massagem. Marcus fez hora lá em baixo, esperando encontrar Cath pronta, mas ao chegar em seu quarto, nenhum sinal de vida de Cath.
- Catherine, Catherine – disse ele batendo na porta do banheiro.
Nenhuma resposta. Ele fechou a porta do quarto, pro caso de alguém pensar que ele é louco, e pôs-se a gritar.
- Catherine, nós precisamos sair, anda depressa. Eu também preciso tomar banho.
Novamente, nenhuma resposta.
- CATHERINE, ABRE ESSA PORTA AGORA!
Nenhum sinal de vida. Ele pensou que ela havia morrido, ou simplesmente estava pregando-lhe uma peça.
Resolveu entrar assim mesmo. A porta estava trancada. Na mesinha tinha uma chave extra. Com muito custo, ele conseguiu abrir a porta, pois tinha uma chave do outro lado.
Ele abriu e entrou gritando:
- CATHERINE, PARE DE GRACI... – ele foi interrompido por um estrondoso grito.
-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
Catherine estava nua, deitada na banheira, tentando se recompor, pegar qualquer coisa que visse pela frente. Por sorte achou uma toalha.
- SÁI DAQUI SEU IDIOTA!
- Você devia me agradecer. Eu achei que você estava morta.
- Pois bem, eu não estou. Satisfeito?
- Na verdade, não. Eu estava tão feliz.
- Idiota.
- Sai daqui que eu quero tomar banho.
- Quantas horas são?
- 9 e meia.
- Que droga.
- O taxi passa aqui ás 10 em ponto.
Catherine saiu do banheiro com uma pressa sobrenatural. Colocou a primeira roupa que viu em sua mala: Uma saia de cintura alta preta, com uma camisa branca simples.
Complementou com um salto preto e um colar. Fez de tudo pra arrumar seu cabelo rapidamente, mas acabou desistindo e colocou uma headband bem simples.
Não dava tempo de se maquiar muito, então passou o necessário.
Em meia hora contada, Cath estava pronta. Na mesma hora, Marcus saiu do banho, já pronto também. Não pode evitar olhar Cath dos pés a cabeça. Ela tinha um corpo bem sensual, ele achava. Também achava a colega bonita, mas era algo que não contava a ninguém. Catherine, por sua vez, até que achava Marcus bonitinho, e fofo. Aliás, ele sempre fora fofo, desde o ensino fundamental.
Deixando isso de lado, os dois desceram em silêncio até o taxi.
O destino dos dois: Um seminário sobre publicidade, onde a elite publicitária do mundo todo estaria.
Chegando lá, foram muito bem recebidos. Tentaram ficar separados, mas não podiam, pois estavam ali pela empresa. Todos tinham o mesmo discurso: “Oh, porque Ashton não veio esse ano? Aconteceu algo com ele?” Eles sempre repetindo o “Ele teve alguns problemas”, e dando um sorriso falso.
Eles jamais imaginariam que veriam todas aquelas personalidades na festa. Era muito bom pra ser verdade. Isso fez Cath pensar sobre ir pra Sunshine. A empresa não mandara ninguém pra Paris neste ano, e Cath pensava se ela fosse escolhida pra ir todos os anos em Paris, e isso a fez sorrir. Ela estava indecisa quanto à proposta da Sunshine, mas estava pensando seriamente em aceitar.
Enquanto Cath pensava sobre se mudar pra ensolarada Los Angeles, Marcus admirava as bonitas senhoritas presentes no evento, e tomava uma taça de champagne, o qual ele reconhecia como sendo dos caros.
Depois de uma longa palestra, eles voltaram pro hotel, logo ao entardecer. Era uma pena estarem cansados demais pra fazer qualquer coisa, além de jantar e dormir. Amanhã, no sábado, eles iriam sair. Juntos ou separados? Não sei.
Ao chegar no hotel, foram surpreendidos por uma ligação de Sr. Ashton. Catherine atendeu:
- Olá Sr. Ashton. –disse ela animadamente.
- Olá Srta. Adams. Como está a estadia em Paris?
- Completamente maravilhosa senhor.
- E como foi na palestra hoje?
- Muito bem. Várias pessoas lhe mandaram saudações.
- Isso é bom. Vocês sabem que amanhã é um dia importante. É o dia de uma pequena cerimônia, e eu quero que vocês não se separem por nenhum só segundo.
- Aaah... Ok, senhor. Que cerimônia?
- Apenas uma pré-festa de todos os indicados, onde cada um apresenta seu produto, entende? Apresenta o comercial pros jurados.
- Uhh, sim.
- Eu preciso muito que vocês estejam em sintonia pra falar sobre nossa empresa.
- Sim senhor.
- E bolem alguma coisa bem legal, ok?
- Tudo anotado, senhor.
- E, ah. Pela manhã, um guia estará os esperando pra levá-los pra conhecer alguns lugares de Paris, ok?
- Sim, senhor.
- Ótimo. Adeus.
- Adeus.
Pronto. Era só o que faltava. Catherine teria que passar o dia de sábado inteiro com Marcus, bolando algum discurso idiota.
Ela queria poder sair, e fazer compras, e etc. Mas pelo visto, mais um imprevisto.
- Eu vou tomar banho primeiro. – disse Marcus, tirando Cath de seus devaneios.
- Vai, então.
Ela aproveitou pra preparar suas coisas do dia de amanhã, caso ela dormisse na banheira novamente.
Depois de Marcus, Cath tomou banho, e os dois resolveram ir jantar, mas dessa vez, sem tripas de carneiro.
- Que tal irmos a algum fast-food de comida barata e gordurosa? – sugeriu Marcus.
- Olha pra minha cara e lê minha resposta.
- Não dá as rugas não deixam! – disse Marcus rindo.
- Haha –disse Cath num tom de deboche – Muito engraçado. Eu não vim até Paris pra comer no Mc. Donalds, querido.
- Então vá fazer o que você quiser. Eu vou pro Mc. Donalds.
- Ótimo, então.
Quando eles estavam no saguão, Marcus olhou em sua carteira, e viu que não tinha dinheiro, pois havia o esquecido em seu paletó.
- Droga, não tenho dinheiro. Me empresta pro taxi?
- Eu tenho cara de Banco?
- Não que eu saiba.
- Então, eu não vou te emprestar nada. Se quiser, vai no meu. Vamos ao La Régalade. Fiz reservas antes de sairmos.
- Tá bom, tá bom.
- Eu vou te cobrar depois.
- Oui, madame
- Desde quando você fala francês?
- Nunca. Eu ouvi um garçom falando isso ontem.
O taxi chegou, e contrariado, Marcus seguiu com Cath pro La Régalade. Mas ele não podia negar que o lugar era maravilhoso.
- Boa noite, senhores. –disse a recepcionista em um perfeito francês.
- Boa noite – disse Cath, dessa vez em inglês.
- Os senhores têm reservas?
- Sim, no nome de Catherine Adams.
- Acompanhem-me, por favor.
Eles se sentaram nas confortáveis cadeiras do restaurante, e ficaram se encarando por um longo momento. Marcus e Cath não achavam mais a presença um do outro desconfortável. Eles aprenderam a conviver juntos.
- Bom então, nós poderíamos começar a planejar o que vamos dizer amanhã. – Catherine disse, quebrando o silêncio.
- Você realmente está preocupada com isso?
- Claro que sim. É meu trabalho, Marcus.
Cath queria muito contar sobre Sunshine, mas sentia que não podia.
- Então, vamos falar sobre o comercial, o que ele quis transmitir, e bla bla bla.
- É por isso que eu nunca fiz nenhum trabalho com você na escola.
- Claro que fez! O de ciências do primeiro colegial.
- Uhh, eu já havia me esquecido.
- Não tem como. Eu quase queimei seu cabelo.
- Por isso eu prefiro esquecer.
Os dois começaram a rir, e deram um gole no vinho. Dessa vez, Cath ajudou Marcus com sua escolha no cardápio, já chega de tripas de animais.
Finalmente, eles haviam se divertido, pelo menos um pouquinho naquele restaurante, mas as brigas voltaram na volta ao hotel.
- Nem vem que eu vou dormir sozinha na cama hoje! –entrou Catherine berrando.
- Não senhora. Eu vou dormir lá também. Tenho tantos direitos quanto você.
- Você não dormiu mal durante a noite porque um idiota tomou o espaço da cama e puxava as cobertas toda a hora.
- Então não coloca aquelas merdas de travesseiros no meio.
- Ok, ok. Fazer o que né! Mas não encosta em mim.
- Tá ok.
Sim, eles tiveram que dormir juntos, em uma cama de casal, sem nada pra separá-los. Sr. Ashton teria que escutar muito depois daquilo, pensava Marcus. Talvez até dar um aumento. E lá eles passaram, uma noite até que mais confortável.
Notas finais
Mandem reviews.
beijos
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