Notas iniciais
Boa noite, meus caros leitores! Como vão? Espero que estejam todos bem. Eu sou um grande fã de Naruto, e meu casal preferido é NaruSasu, pois a química entre esses personagens é inegável. Porém, por mais que eu aprecie NaruHina, não consigo ser fã de SasuSaku por considerar o relacionamento desse casal um tanto incômodo, ao menos para mim. Não porque desgosto, mas porque vejo na Sakura muito do que havia em mim no passado, um apego um tanto nada saudável ao passado e aos sentimentos por uma pessoa que, por muito, não era merecedor de meu afeto. Não que eu tenha sofrido horrores de amor por alguém, mas numa situação similar envolvendo um amigo e um amor-amizade, isso me fez perceber que se apegar demais à memórias ou a uma versão idealizada de alguém não é nada saudável. Portanto, foi pensando nesse tema, do apego doentio ao passado, que me inspirei para compor essa história. Como dado no aviso disclaimer, reiterarei aqui: essa história abordará, ainda que de forma leve, esse tema do apego doentio e, junto dele, alguns problemas como depressão, apego emocional não saudável e relacionamentos tóxicos. Se de alguma forma você for sensível a estes temas, considere o aviso antes de prosseguir a leitura. Mas se estiver tudo bem, espero que leia e se divirta com essa história que amei escrever. Uma boa leitura para todos!

A janela aberta permitia a luz do sol invadir e clarear totalmente o quarto dela, revelando o belo cômodo limpo e organizado. A cama arrumada, a escrivaninha e a estante de livros bem-organizadas transmitiam uma sensação de calma e tranquilidade no ambiente, o que fazia com que aquele quarto parecesse quase vazio. Quase.

Havia algumas mobílias em destaque espalhadas pelo quarto: uma mesa de cabeceira ao lado da cama, uma máquina de costura em um canto e um espelho retangular preso à parede ao lado do guarda-roupa. Em cima da mesa de cabeceira, havia alguns retratos de Sakura mais jovem. Um, em especial, era o retrato que continha a foto do dia da formação do Time Sete, onde apareciam Naruto, Sakura e Sasuke, todos com treze anos e como Genins recém-formados ao lado do tutor do Time, Kakashi-sensei.

Diante do espelho fixado na parede, estava de pé Sakura Haruno, uma kunoichi de dezesseis anos de cabelos rosados da Aldeia da Folha, que se arrumava para mais um dia. Ela fazia um laço com a bandana com o emblema da Aldeia no alto da cabeça para prendê-lo ao cabelo. Sakura se encarava diante do espelho com uma feição neutra e um sorriso curto nos lábios, mas embora parecesse calma por fora, tal como seu quarto vazio, seus olhos esverdeados não escondiam o turbilhão de pensamentos que a afligia em seu interior.

Ainda se encarando diante do espelho, Sakura virou o rosto lentamente e seu olhar se concentrou na sua mesa de cabeceira ao lado da cama. Seus olhos estavam fixos em seus retratos, especialmente naquele que continha a foto do Time Sete. Com calma, ela caminhou em direção a mesinha, ergueu a mão direita e apanhou o retrato do Time Sete, o levantando até a altura de seu peito. Ela ergueu a outra mão livre e passou a deslizar os dedos sobre a imagem de seu antigo colega, Sasuke, que era o foco de sua atenção. Seus olhos estremeceram diante da imagem do rapaz e lágrimas se alojaram em seus olhos, com apenas uma gota a conseguir escapar por seu rosto.

— Sasuke... — murmurou para si mesma.

Assim que terminou de deslizar os dedos sobre a imagem de seu colega, Sakura ergueu a cabeça e encarou o teto de seu quarto, fechando os olhos lentamente à medida que sua mente vagava em suas antigas lembranças. Lembranças essas sobre...




Era uma noite serena com um céu limpo e cheio de estrelas. Apenas um vento frio que soprava um pouco forte era o que não a permitia ser uma noite perfeita. A lua quase cheia já brilhava no alto do céu, revelando o quão tarde deveriam ser as horas, porém, mesmo assim, ainda havia pessoas a caminhar pelas ruas da Aldeia da Folha.

Por meio da enorme trilha ladrilhada que cortava o parque da Aldeia, que dava acesso ao grande portão de entrada e saída da Folha, Sakura, com treze anos, caminhava pela trilha a passos lentos, tão lentos que a fazia parecer que estava sendo carregada pelo vento. Ela caminhava em direção à Aldeia com o olhar fixo ao chão e os olhos atormentados pelo peso de seus pensamentos; pensamentos de preocupação, evidentes em seu semblante consternado e aflito.

Não muito distante dela, outro jovem de treze anos também cruzava a trilha ladrilhada, mas em sentido à saída da Aldeia da Folha. Era o jovem Sasuke Uchiha, que, apesar de andar devagar também, dava cada passo com confiança e elegância. Além de suas usuais vestes, ele carregava uma enorme mochila de viagens preta nas costas, firme em seu corpo por alças bem justas.

Não demorou muito até que Sakura e Sasuke se encontrassem no meio de seus caminhos. Eles pararam de andar quando estavam distantes apenas a uns dez passos um do outro. Sakura ainda se mantinha encarando o chão, enquanto Sasuke a observava com um semblante neutro, apático. Eles haviam se encontrado bem próximos de um assento público do parque.

— Já está tarde. O que você está fazendo aqui a essa hora, Sakura? — perguntou Sasuke educadamente, embora sua voz não esboçasse emoção alguma.

— Esse é... O único caminho para sair da Aldeia — respondeu ela, ainda cabisbaixa.

— Sakura, vá dormir!

Após dizer isso, Sasuke voltou a caminhar rumo ao grande portão da Aldeia e, em poucos segundos, já havia ultrapassado Sakura, se distanciando dela a cada passo. A jovem, no entanto, ainda permanecia com a cabeça baixa, mas seus olhos agora estremeciam diante da presença do rapaz e ameaçavam explodir em um longo choro.

— Por que, Sasuke? — Ao dizer isso, Sakura ergueu a cabeça finalmente e encarou o jovem com as primeiras lágrimas a tentarem escapar de seus olhos. — Por que você não me conta nada, Sasuke? Por que você sempre fica em silêncio? Por que você não compartilha nada comigo?

— E por que eu devo te falar alguma coisa? — respondeu o rapaz irritado, parando de andar ao falar, mas ficando de costas para a garota sem encará-la. — Não se meta nos meus assuntos. Não é da sua conta.

— Eu sei que você me odeia, Sasuke. Eu sei que você nunca me suportou. Desde o início, você sempre agiu como se eu fosse um estorvo na sua vida.

Sasuke permaneceu de costas para Sakura enquanto ela falava.

— Você se lembra do dia em que o nosso Time foi escolhido? Naquele dia, nós dois ficamos sozinhos pela primeira vez aqui, neste mesmo lugar. Você se zangou comigo quando eu zombei do Naruto por ele não ter pais, por ser alguém sozinho e sem ninguém do lado dele para o educar.

— Eu não me lembro disso.

— Claro. Isso já faz tanto tempo, não é? Mas... Esse foi o dia em que tudo começou. O que dia em que você, eu, o Naruto e o Kakashi-Sensei nos tornamos uma equipe. O dia em que nos tornamos o Time Sete.

Sakura se permitiu uma pausa rápida antes de prosseguir. Seus olhos se tornaram distantes ao se relembrar de alguns bons momentos do Time Sete, com um curto sorriso alegre se desenhando em seus lábios.

— Nossas missões eram difíceis, perigosas, mas... Também eram tão divertidas. Nós éramos como uma família.

Então, colocando as mãos sobre o peito na região do coração, como se quisesse segurá-lo, Sakura deu um passo em direção à Sasuke, que ainda permanecia imóvel e de costas para a jovem, apenas a ouvindo.

— Eu sei o que aconteceu ao seu clã, Sasuke. Eu sei o que aconteceu a você. Mas buscar vingança... Isso não trará felicidade a ninguém. Não trará felicidade a você e nem a... Mim.

— É como eu pensei — falou Sasuke rapidamente, surpreendendo Sakura com sua voz cortante e bruta. — Eu sou diferente de você e do Naruto. Eu escolhi seguir por um caminho pelo qual vocês nunca poderiam seguir. Um caminho o qual vocês nunca entenderiam. Por um tempo, eu até pensei que poderia seguir por outro caminho, mas... Eu finalmente me decidi. Eu escolhi seguir pela minha vingança. Esse sempre foi o objetivo da minha vida. A razão pela qual eu nasci.

— Não faça isso, Sasuke! — berrou Sakura aos prantos. — Não vá por esse caminho. Eu te imploro! Você não precisa mais ficar sozinho. Você me disse uma vez que a solidão pode ser dolorosa. Agora eu consigo entender essa dor. Eu tenho amigos, família, mas... Se você me deixar, Sasuke, para mim, será o mesmo que estar sozinha.

— Esse é um novo começo para todos nós. Cada um de nós tem um novo caminho para seguir.

Ao ouvir isso, Sakura deu mais um passo rumo à Sasuke.

— Sasuke, eu te amo! Eu te amo tanto que não consigo nem suportar. Se você ficar comigo, eu prometo que não vai se arrepender disso. Eu posso fazer você feliz. Eu posso fazer os seus dias valerem a pena. Se você ficar comigo, eu até te ajudo com a sua vingança. Eu farei tudo o que for possível para que ela aconteça, mas, por favor, Sasuke... Por favor, fique comigo!

E então, após um longo tempo imóvel, Sasuke finalmente se mexeu ao se virar em direção a Sakura, encarando-a com um olhar de desdém e um sorriso sínico no rosto, como se ela lhe causasse uma sensação repugnante.

— Você não mudou nada. Continua a mesma garota irritante de sempre.

Por fim, Sasuke voltou sua atenção para a estrada, voltando a caminhar com passos confiantes em direção à saída da Aldeia. Ao ver que Sasuke ainda permanecia decidido em sua escolha, Sakura se pôs a correr em direção ao rapaz, com lágrimas em demasia a escorrer pelo seu rosto com uma expressão triste e arrasada.

— Sasuke, não me deixe! Se você for embora, eu vou gritar!

Então, como se fosse um raio, Sasuke desapareceu no breu da noite em alta velocidade, surgindo atrás de Sakura e surpreendo-a com isso. Ao notar a presença do jovem em suas costas, a surpresa momentânea deixou Sakura completamente paralisada.

— Sakura... Obrigado por tudo!

E com um soco bem aplicado nas costas da jovem, Sasuke a nocauteou em uma região sensível que, com o impacto do golpe, a fez desmaiar. Enquanto Sakura perdia a consciência e começava a tombar no chão, Sasuke a pegou com delicadeza para a deitar gentilmente no chão. Mas no pouco tempo em que conseguiu permanecer acordada antes de desmaiar de vez, tudo o que os olhos de Sakura conseguiram captar foi apenas a imagem do rosto de Sasuke, que não parecia nem um pouco arrependido do que fez com ela.

“Sasuke!”, murmurou Sakura para si mesma em pensamentos, antes de desmaiar completamente.




Então, calmamente, Sakura foi abrindo os olhos bem devagar, voltando a encarar o teto do seu quarto enquanto sua mente retornava das lembranças daquela terrível noite que ela própria se obrigou a reviver. Ainda de pé diante da mesa de cabeceira, Sakura ainda permanecia com o retrato do Time Sete em suas mãos, segurando-o com a mão direita na altura do peito. Ela voltou a encarar a imagem de Sasuke, passando os dedos da mão esquerda sobre a imagem do rapaz enquanto um semblante tristonho tomava seu rosto.

E, então, seus olhos foram mudando o foco lentamente e Sakura passou a encarar a imagem do seu outro colega, Naruto Uzumaki. Em um curto período, sua mente lhe trouxe várias lembranças de Naruto à tona, mas estas lembranças, felizmente, fizeram com que seu semblante tristonho desaparecesse por um breve momento, dando lugar a um pequeno sorriso tímido e genuíno que tomou conta de sua boca.

— Naruto... — murmurou ela novamente.

Sakura pôs, então, seu retrato de volta em seu lugar na mesa de cabeceira. Ela virou o rosto em direção a janela do seu quarto e foi caminhando devagar rumo a ela. Assim que chegou à beira da janela, olhou bem para o céu claro e limpo. Uma expressão aflita preencheu sua face enquanto ela erguia uma mão aos seios, na região do coração, como se quisesse o apertar para confortá-lo.

“Naruto, por onde você anda nesse instante?”. E com esse pensamento em mente, Sakura permaneceu parada diante da janela de seu quarto, encarando o céu azul.

Notas finais
E aí, o que acharam deste capítulo? Gostaram? Não Gostaram? Deixem seus comentários para eu saber o que estão achando da história. Muito obrigado por lerem até aqui. Espero que tenham gostado e continuem acompanhando. Novos capítulos sairão em breve. Até o próximo capítulo!