Uma Segunda Chance Para O Amor
2 02. Mensagem
Notas iniciais
Um falcão cruzava o céu azul enquanto sobrevoava a Aldeia da Folha, vindo do sul. Em suas costas, havia uma espécie de compartimento amarrado ao seu corpo por cordas firmes, mas que em nada prejudicava o seu voo. Aquele era um falcão mensageiro. O falcão continuou seu voo e tinha um alvo determinado: o topo do prédio do Hokage, onde havia uma torre de mensagens para o controle dos falcões mensageiros que chegavam a Aldeia.
Na torre dos falcões, vários ninjas trabalhavam ali cuidando das cartas e pergaminhos que chegavam, assim como dos animais que eram mantidos em algum tipo de casinha de madeira adaptada, aguardando o próximo trabalho. O falcão que cruzava a Aldeia finalmente chegou à torre, pousando em uma área apropriada nela. Um ninja de idade avançada percebeu a chegada do novo falcão e foi até ele para pegar o pergaminho em seu compartimento. Assim que pegou o pergaminho, ele começou a ler seu conteúdo e sua expressão se tornou atônita.
— Não creio. Não pode ser. — Havia uma expressão incrédula no rosto do velho ninja.
O senhor de idade se virou para seus colegas da torre, espantando-os com sua expressão consternada. Eles se assustaram com o gesto abrupto do homem.
— Alguém leve essa mensagem com urgência para a Hokage. Agora! — gritou o velho ninja.
No interior do Prédio do Hokage, em uma sala ampla bem iluminada por várias janelas abertas, havia uma mesa enorme ocupando o centro da sala, com vários papéis, livros e pergaminhos sobre a mesa, esparramados em pilhas nem um pouco organizadas. E sentada à mesa, assinando folhas e folhas de uma enorme pilha de documentos oficiais, estava a Quinta Hokage da Aldeia da Folha, Tsunade Senju, escorando o rosto sobre a mão livre apoiada sobre a mesa, claramente entediada, enquanto ocupava sua outra mão com as assinaturas.
— Esses papéis não acabam, não?! — bufou Tsunade, deixando claro seu descontentamento com o trabalho.
Shizune, a assistente e uma das discípulas de Tsunade, também se encontrava na sala. Ela separava os papéis que sua mestra já havia assinado e os colocava em uma nova pilha, organizando-os para que não se misturassem aos demais papéis sobre a mesa. Contudo, ao perceber o tédio que a Hokage sentia, não conseguiu segurar a vontade de rir que a tomou.
— Foi a senhora quem deixou todos esses documentos se acumularem — repreendeu Shizune.
— Ai, odeio esse trabalho! — comentou Tsunade.
De repente, o som de uma batida na porta da sala foi ouvido, ecoando por todo o cômodo. Tsunade e Shizune se surpreenderam com o barulho e viraram os rostos na direção da porta.
— Pode entrar! — ordenou a Hokage.
Então, um shinobi jovem entrou na sala. Em uma de suas mãos, ele segurava um pergaminho, o mesmo pergaminho que, momentos atrás, havia chegado à aldeia pelo falcão mensageiro. O jovem ninja caminhou até sua Hokage e se curvou diante dela em um sinal de respeito, antes de estender a mão para lhe entregar o papel que trazia consigo.
— Desculpe interrompê-la, grande Hokage! Essa mensagem acaba de chegar para a senhora.
Após Tsunade pegar o papel que o jovem havia lhe entregado, ele se curvou novamente antes de deixar a sala. Tsunade pegou o pergaminho e tratou de lê-lo, esperando tratar-se de algo urgente. No entanto, conforme seus olhos passavam pelo texto escrito no papel, sua expressão, antes entediada, passou a dar lugar para um semblante alegre e um sorriso otimista.
— Eu não acredito! — exclamou Tsunade, incrédula com o que acabara de ler.
— O que foi, Senhora Tsunade?
— Leia isso, Shizune!
Tsunade estendeu a mão para Shizune para entregar a ela o pergaminho que recebeu. Shizune pegou o papel e tratou de lê-lo também, e, tal como sua mestra, também se surpreendeu com o conteúdo da carta, e um sorriso otimista se espalhou por seu rosto.
— Isso é... Uma boa notícia! — comentou a jovem.
— Rápido, encontre a Sakura Haruno agora mesmo e a traga para mim! — ordenou Tsunade.
— A Sakura? Por quê? — questionou Shizune, a dúvida evidente em seu semblante.
— Tenho um motivo para isso, mas... Ela vai ficar feliz em saber disso.
— Então, vou procurá-la agora mesmo. Com licença!
Com isso, Shizune devolveu a carta para Tsunade, que a colocou sobre sua mesa. E enquanto Shizune seguia em direção a porta para deixar a sala, Tsunade girou sua cadeira na direção contrária à sua mesa, encarando a vista de fora da janela que se encontrava em suas costas. Ela forçou os pés contra o chão para pressionar as rodas de sua cadeira para se movimentar e se aproximar ainda mais da janela, ficando diante da vista de toda a Aldeia da Folha, contemplando-a. O seu semblante, antes desanimado, agora estava alegre e radiante. O brilho no olhar de Tsunade era perceptível e, por mais que não quisesse, ela não conseguia evitar o sorriso genuíno que preenchia seus lábios.
— Finalmente! Depois de todo esse tempo — disse ela para si mesma e continuou a apreciar a vista pela janela.
A rua principal do distrito comercial da Aldeia da Folha estava bastante agitada, com vários membros da aldeia caminhando pelas lojas e mercearias a procura de seus itens de compras. Famílias, crianças, estudantes e ninjas que caminhavam pelo distrito, por mais distintos que fossem, pareciam todos compartilhar de uma alegria contagiante que dominava aquela vila.
Também caminhando pelo distrito comercial da aldeia, Sakura Haruno andava calmamente à passos curtos, cumprimentando as pessoas conhecidas que a paravam no caminho para uma rápida saudação. Porém, embora parecesse tranquila, ela tinha pressa em chegar ao seu destino: a loja de flores da família Yanamaka, onde estava sua amiga Ino.
Assim que alcançou a loja, Sakura puxou a porta para o lado para entrar nela e, como de costume, ouviu o som do sino instalado no alto da porta, que anunciava os clientes que entravam ou saíam da loja. Ao fechar a porta após entrar, ouviu novamente o som do sino com o movimento da porta e se virou na direção do caixa registradora, apenas para se surpreender com as pessoas presentes ali dentro.
Ino Yamanaka, a amiga de Sakura, outra kunoichi de dezesseis anos, de longos cabelos loiros e olhos azuis, encontrava-se atrás da registradora, usando um uniforme simples oculto por baixo de um avental claro. E, de frente para ela, havia mais três homens, seus colegas de equipe, Shikamaru Nara e Chouji Akimichi, além do Sensei do Time Oito, Azuma Sarutobi. Shikamaru e Azuma estavam mais distantes da jovem, enquanto Chouji estava praticamente ao lado de Ino, separados apenas pelo balcão da registradora.
Os quatro pareciam conversar entre eles, mas da distância da porta de entrada da loja, a conversa era inaudível para Sakura, que foi se aproximando aos poucos. Caminhando devagar rumo aos quatro, Sakura notou que, sobre o balcão da registradora, havia algumas coisas sobre ela, parecendo ser três caixas em formato retangular cobertas por panos caseiros, aparentemente semelhantes a marmitas tradicionais, sendo que uma delas era maior que as outras duas.
— Espero que dê tudo certo nessa missão. É uma pena eu não poder ir — comentou Ino, aparentando se queixar da situação.
— Não se preocupe, Ino — confortou Shikamaru. — É uma missão nível C. Só nós três bastamos.
— Nesse caso, então, boa sorte! — Ino sorriu ao responder o colega.
Com essa deixa, Ino pegou as duas caixinhas menores sobre o balcão da registradora e estendeu uma para Azuma e outra para Shikamaru, que não hesitaram em pegá-las.
— Aqui, eu preparei um lanche para vocês levarem durante a viajem.
— Obrigado, Ino! — Agradeceu Shikamaru.
— Você é muito gentil, Ino — comentou Azuma.
Assim que pegaram suas marmitas e agradeceram, os dois se afastaram novamente, enquanto Ino pegava a última caixa, a maior, para entregá-la a Chouji.
— E esta, meu amor, eu fiz especialmente para você — disse Ino completamente animada.
— Obrigada, meu docinho! — respondeu carinhosamente Chouji, estendendo as mãos para pegar sua marmita.
Mas assim que Chouji colocou suas mãos sobre a marmita que Ino estendia para entregar a ele, o jovem se inclinou sobre o balcão, aproximando seu rosto ao dela e apertando os lábios em um biquinho, que Ino correspondeu da mesma maneira ao aproximar a boca para beijá-lo apaixonadamente. Ao testemunhar isso, Sakura não conseguiu conter o suspiro de espanto que a tomou, sendo notada por Azuma e Shikamaru, que a viram se aproximar.
— Oi, Sakura! — comentou Shikamaru, acenando para a jovem de cabelos rosados.
Ao ouvirem isso, Chouji e Ino interromperam o beijo, e a garota loira se virou para a amiga, esboçando um semblante alegre e um sorriso radiante ao vê-la chegando mais perto.
— Sakura, que bom te ver! — disse Ino animada.
— Oi, pessoal! — falou Sakura aparentemente sem jeito, ainda se recuperando da surpresa que sentiu a pouco.
— Bom, vamos indo! — disse o Sensei Azuma. — Temos que chegar no nosso destino o quanto antes.
— Sim, senhor! — respondeu Chouji.
— Certo. Até mais! Ino, Sakura! — disse Shikamaru, que se colocava a caminhar até a porta.
— Até mais, garotas! — respondeu Azuma.
— Tchau, Sakura! Tchau, meu docinho! — falou Chouji, lançando um beijo para Ino enquanto acenava em despedida.
— Tchau, meu amor! — respondeu a garota loira, mandando outro beijo em resposta enquanto acenava de volta para seu namorado.
Assim que os três cruzaram a porta de saída da loja, o som do sino foi ouvido duas vezes quando eles abriram a porta para sair e, depois, ao fecharem-na. Enquanto isso, Sakura andou um pouco mais até chegar em frente ao balcão, mas não conseguia deixar de encarar Ino com o semblante espantado que ainda dominava seu rosto.
— O que foi isso que eu acabei de ver? — comentou Sakura.
— O que? — perguntou Ino intrigada, sem saber sobre o que a sua amiga se referia.
— Você e... o Chouji? Juntos? — continuou com ela com seu tom de espanto.
— Ah, isso! — exclamou Ino, finalmente entendo o questionamento de Sakura.
De repente, Ino se abaixou atrás do balcão e, ao se levantar, tinha em mãos agora dois borrifadores de água de tamanho médio bem carregados. Ela estendeu um deles para Sakura, que pegou instintivamente, e, com isso, Ino saiu detrás do balcão e, juntas, elas caminharam para o interior da loja.
Havia muitos vasos, arranjos, cestas e buques espalhados pelas prateleiras, mesas e suspensórios da loja, com plantas de médio porte e flores de variados tipos, tamanhos e cores. Com os borrifadores em mãos, Ino e Sakura começavam a umedecer as plantas para regá-las, mas ainda que se ocupassem com a tarefa, Sakura mantinha os olhos fixos em Ino, aguardando a resposta de sua amiga para sua dúvida que continuava a atormentá-la.
— Nós estamos juntos já tem algum tempo — disse a garota loira sem muito entonação.
— E como isso aconteceu? — questionou a outra, ainda intrigada.
— Ué, Sakura, como qualquer outro relacionamento normal. A gente passou muito tempo juntos, fizemos algumas atividades e fomos nos envolvendo. Por que o espanto, ora?
— Ino, você era tão gamada no Sasuke quanto eu. E era tão superficial e preocupada com a aparência, que vivia implicando com o Chouji para ele emagrecer. Agora, você quer que eu acredite que você se apaixonou por ele de verdade?
— Ué, mas é verdade! — rebateu Ino, se defendendo.
— Uau! Eu perdi alguma coisa? — Sakura ainda se mantinha incrédula.
— Se você não tivesse se isolado tanto assim nos últimos três anos, você teria percebido o quanto nós amadurecemos nesse tempo. Eu aprendi a dar valor nas coisas que eu tenho, e não mais a ficar me preocupando com coisas que não estão no meu alcance.
Enquanto Ino falava, Sakura se mantinha atenta a amiga.
— Eu vivia preocupada com a aparência externa, tanto minha quanto das outras pessoas, mas o que isso trouxe para mim? Nada. Eu vivia me reprimindo e deixando de fazer certas coisas só para me encaixar em um padrão, mas depois que passei a apreciar o Chouji como ele é de verdade, eu percebi como ele é uma ótima pessoa. Eu me encantei com o Chouji que eu nunca parei para prestar atenção e, agora, eu estou mais feliz do que nunca. Livre daquelas amarras que me prendiam.
— Puxa, nunca pensei que ouviria isso de você. Quer saber, Ino, fico feliz por você e pelo Chouji estarem juntos e felizes. Eu torço para que vocês deem certo.
— Obrigada, Sakura! Acho que agora só falta você.
— Eu o que?
— Se libertar das suas amarras. Desde que o Sasuke e o Naruto deixaram a aldeia, eu e os outros nunca mais te vimos. Você só aparecia para as missões e para o treinamento, mas... Deixou de sair com a gente quando fazíamos algum programa para nos divertirmos.
— Eu tenho me dedicado muito no meu treinamento com a Senhora Tsunade — argumentou Sakura, como se quisesse se esquivar do assunto.
— Eu sei. Nós treinamos o Ninjutsu Médico juntas algumas vezes, mesmo assim...
— Olha, Ino. Eu não quero falar sobre isso. Eu...
— Tudo bem, eu entendo.
E, então, o som do sino da porta foi ouvido novamente a ecoar pela loja, chamando a atenção das duas jovens que, ao se virarem para ver quem havia chegado, deram de cara com a imagem de Shizune que corria até elas, parecendo ofegar de tão cansada que aparentava estar.
— Finalmente te encontrei! — disse Shizune eufórica, com os olhos fixos em Sakura.
— Shizune, o que faz aqui? — perguntou intrigada a jovem de cabelos rosados.
— Eu estava te procurando. A Senhora Tsunade deseja falar com você.
— Sobre o que é? — continuou Sakura.
— Não se preocupe, é uma coisa boa. E aposto que é um assunto do seu interesse. Vamos! — falou a mulher, gesticulando os braços ao indicar para a jovem que a seguisse.
Com isso, Shizune se voltou para porta, andando mais calmamente e sendo acompanhada por Sakura, que a seguia no mesmo ritmo. As duas eram observadas por Ino, que apenas as encarava enquanto se questionava sobre o que foi aquele alvoroço todo da mulher ao entrar na loja.
— Até mais, Ino! — falou Sakura antes de sair.
— Até! Te vejo outra hora! — respondeu ela.
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