Uma Segunda Chance

5 Queimando Por Você


Armando estava já deitado em sua cama, pronto para ir dormir, pensando em Beatriz e no belo sorriso que ela tinha.

Estava tão agradecido pela segunda oportunidade que a vida lhe dava. Iria fazer tudo certo, até conquistar definitivamente o coração e confiança de Beatriz e também da sua família. Depois, a pediria em casamento, pois se tinha uma certeza, era de que não poderia viver sem Beatriz. Era com ela que queria compartilhar a vida para sempre.

Em meio a pensamentos e planos de futuro com sua Betty, ele acabou adormecendo e sonhou que fazia a amor com ela. Acordou suado e excitado como nunca.

A queria como um louco, mas teria paciência. Afinal, era só ele que tinha a lembrança viva de como era ter seu corpo e seu calor junto ao seu. Betty não tinha tais lembranças e, para ela, seria a primeira vez com ele e não apressaria nada. Seria um cavalheiro e esperaria o tempo dela.

Se levantou e foi para o banheiro tomar um banho frio e relaxar da tensão sexual que lhe tomava. Depois de relaxar no banho, retornou para a cama e voltou a dormir.

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Na manhã seguinte, foi até o clube para montar um pouco e depois encontrou com Mário para almoçar e acabou contando que estava namorando Beatriz.

Mário ficou chocado, achando que o amigo havia perdido o juízo completamente. Claro que ele ainda não havia visto como ela era linda. Ele tinha a imagem de feia na memória.

Armando o advertiu que se ele fizesse insinuações sobre a sua Betty, lhe daria uma surra e ele esqueceria de sua amizade com Mário e o cortaria de sua vida.

Mário então resolveu se calar e esperar que se tratasse apenas de uma fase e que fosse passar logo.

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Armando foi para casa mais tarde para tomar banho e se aprontar para ir buscar Beatriz. Vestiu um blazer preto, com calça do conjunto e camisa azul clara aberta no colarinho, sem gravata.

Quando chegou, tocou a campainha, que dona Júlia atendeu prontamente.

Ficou um tempinho conversando com os sogros, enquanto aguardava Beatriz terminar de se arrumar e descer.

Ela desceu com o mesmo penteado do dia anterior e uma maquiagem leve e bonita. Vestia um vestido azul claro floral com decote canoa e um cardigã branco. Estava absolutamente linda. Ele sorriu e lhe beijou a testa com ternura, agradando aos sogros e se despediu deles, garantindo que a traria antes das dez da noite.

No cinema, escolheram o filme Um Lugar Chamado Notting Hill. Ficaram encantados com a história. Apesar de não ser o gênero que Armando mais gostava, era uma boa história e com uma atuação ótima.

Assistiram o filme abraçados e Armando se dava conta que era a primeira vez que fazia um programa normal com Beatriz e estava adorando cada detalhe.

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Após saírem do cinema, foram para o Lenoir para ouvir o conjunto de jazz e para jantarem.

Armando chegou no lugar, solicitando uma mesa boa para apreciarem a música, a comida e a conversa.

A todo momento alguém chegava para cumprimentar Armando e ele fazia questão de apresentar Beatriz como sua namorada.

Até que Mário, acompanhado de uma modelo, chegou ao local e avistou o amigo e foi falar com ele. Notou que o amigo estava acompanhado de uma beldade. Ficou feliz que Armando houvesse caído em si e desistido da feia.

Quando os cumprimentou, não reconhecendo Betty, se apresentou e lhe estendeu a mão. Armando estava divertido com a situação e Betty estava sem graça.

— Mas, seu Mário, como assim que se apresenta!? Já nos conhecemos. Não está me reconhecendo? Sou eu, Beatriz... Assistente da Presidência. – Dando sua risada característica.

— Beatriz? É você mesmo? – Estava assombrado com a beleza oculta de Beatriz. Por isso Armando estava de quatro pela moça. Ele obviamente havia percebido o que ele não foi capaz de notar: a beleza que a moça escondia.

Armando então tomou a palavra, fazendo as devidas apresentações.

— Bom, Mário... Ela é a Beatriz, minha assistente e, desde ontem, minha namorada. – Declarou orgulhoso.

Mário os parabenizou e apresentou a modelo como sua “amiga” Suzana. Betty, constrangida pela situação, convidou os dois para se juntarem a eles.

Então, ficaram os quatro conversando animadamente. Beatriz, assim como Suzana, morria de rir das histórias absurdas e malucas de Mário.

Armando observava feliz e sorria. Era tão bom viver aqueles momentos e não precisar brigar e perder seu melhor amigo.

A certa altura o garçom veio perguntar se já queriam pedir. Betty, muito corada e tímida, chegou próxima a Armando e sussurrou em seu ouvido:

— Armando, eu não entendo nada nesse lugar, você poderia escolher algo por mim? – Era quase um pedido de socorro ao amado, o que provocou solidariedade em Armando.

Ele fez um gesto solene a ela e pediu o mesmo que ele. Teve o cuidado de pedir algo simples, que pudesse agradar e não causar estranheza a ela. Para beber, ele solicitou um whisky, acompanhando Mário, e suco de amora para ela, pois sabia ser seu favorito.

Suzana protestou, afirmando que queria companhia com seu Cosmopolitan. Ela não queria beber sozinha.

Armando ia protestar, mas Betty, percebendo, segurou sua mão por baixo da mesa. Então, sob os olhares de Mário, Suzana e do garçom, que ainda aguardava, disse sorrindo timidamente que a acompanharia com um Cosmopolitan também.

Suzana sorriu simpática e animada para Betty e Armando sussurrou em seu ouvido:

— Meu amor, você não precisa fazer isso para agradar a ninguém.

— Bom, eu quero fazer parte da sua vida, e seus amigos são parte importante de quem você é. – Disse baixo de maneira que só ele escutasse e em seguida lhe deu seu sorriso que o deslumbrava – E, bem... É falta de educação deixar a moça beber sozinha, vou com cuidado, para acompanhá-la. Eu só espero realmente que essa bebida seja boa... – Disse dando sua gargalhada. – Eu pedi o mesmo que ela, mas não faço ideia do que seja.

— É ótimo, Beatriz. Eu prefiro whisky, mas é um ótimo drink, não se preocupe. – Disse, sorrindo afetuosamente, todo amoroso e totalmente cativado pelo jeito de sua Betty. – Mas vá com calma, pois não está acostumada.

Mário se pôs a perguntar sobre a reunião de diretoria.

— Armando e Beatriz, vocês acham que a diretoria aceitará a nova proposta? Sim, porque o acertado foi que Armando entregaria a presidência a Daniel, caso sua proposta não desse certo...

— Bem, se me permite, doutor Calderón...

— Por favor, Beatriz, me chame apenas de Mário. Afinal, é a namorada do meu irmão aqui e será Vice-presidente assim como eu. – Pediu simpático a Betty, o que agradou muito Armando.

— Está bem então, Mário. E pode me chamar de Betty então – Respondeu sorrindo. – Como ia dizendo... Acredito sinceramente que a proposta é muito sólida e muito boa para a Ecomoda. Os acionistas seriam loucos se não ficarem entusiasmados com as cifras e com os ganhos que poderão ter. É uma proposta arrojada, mas segura para a empresa.

— Eu concordo, Betty. Mas a do Daniel também não é segura?

— Sim, Mário, é segura. Mas não é nada arrojada e não visa expansão e crescimento. – Respondeu de maneira eficiente. – Veja bem, ao meu ver, se a Ecomoda seguir pelo caminho tradicional que o doutor Valencia propõe, a empresa vai ficar obsoleta no mercado. Com o tempo, será engolida pela concorrência. A melhor estratégia, é investir em modernização e ampliação, mas é claro, dando segurança aos custos e aplicando estratégias de publicidade e mercado que auxiliem a empresa a alcançar maior mercado e aumentar as vendas, como propusemos. As franquias e a estratégia de atingir mais consumidoras, irão assegurar lucro, as pesquisas indicam isso.

— Eu também vi logo isso, quando olhei o plano, Betty. Mas teremos de defender isso muito bem na reunião.

Armando interveio, assegurando que eles haviam elaborado e estudado muito bem aquela nova proposta e que, acima de tudo, estudaram muitíssimo bem a proposta de Daniel, para poder atacá-la e mostrar que, a longo prazo, seria fatal a empresa não diversificar.

Logo chegaram as bebidas e o conjunto de jazz começou a se apresentar.

Passaram a conversar sobre a música e coisas banais, até que a comida chegou.

Terminaram o jantar e prosseguiram conversando, aproveitando a música e pediam mais bebidas.

Armando ficou preocupado que a acompanhante de Mário, Suzana, tivesse pedido mais dois Cosmopolitan, mas Betty garantiu que havia gostado muito do drink e Armando não pôde negar esse prazer a amada. Mas pediu água apenas para garantir que ela não passasse mal.

Após alguns drinks, Betty começou a sentir o mundo girar e avisou a Armando, que resolveu que era hora de irem, afinal, já havia dado nove horas e não queria problemas com o sogro.

Despediram-se de Mário e Suzana, que havia sido tão simpática com Betty, que Armando acabou simpatizando com a modelo. Enfim Mário havia encontrado uma boa acompanhante. A moça deu seu número a Betty e a fez prometer que marcariam de sair novamente outro dia.

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No carro, a caminho da casa de Betty, os dois conversavam animadamente sobre a noite.

— Nossa, Armando, eu amei absolutamente tudo. O filme foi realmente muito bom. E o restaurante era muito agradável... Ótima comida e o conjunto era formidável. – Dizia animada, agradando Armando, que amava proporcionar isso a Betty.

— Sim, concordo com tudo, meu amor. Fico ainda mais feliz que tenha se divertido. Você está se sentindo bem? Pergunto porque disse que estava um pouco tonta pela bebida. – Questionou preocupado.

— Estou bem, meu amor, não estou acostumada a beber. – Respondeu rindo. – Mas não resisti... Aquele drink era realmente muito bom. – Acrescentou divertida.

Armando ficou louco com ela o chamando de “meu amor”. Parou o carro, despertando curiosidade em Betty e quando ela ia questionar o que havia acontecido, ele pegou seu rosto com as duas mãos e passou a beijá-la apaixonadamente.

A paixão era tão grande e seu desejo por ela era tão intenso que, não pensando direito, passou a explorar os contornos do corpo de Beatriz com as mãos, a enlouquecendo.

Betty estava em chamas com aquele beijo e aquelas carícias. Movida pelo desejo que a fazia queimar por dentro e também um pouco pela bebida, acabou se soltando do cinto e se jogando em Armando, que a sentou em seu colo.

Estavam a ponto de cometer uma insanidade naquele carro, quando Armando teve um lampejo de lucidez e se afastou, chamando Betty a razão.

— Beatriz, estou queimando por você. Mas não quero cometer erros contigo. – Estava com um aspecto desolado. – Prometi ao seu pai que a deixaria em casa antes das dez horas e não quero falhar com ele. Além disso, não é desse jeito que quero que seja nossa... Você sabe... Primeira vez. Tem que ser especial. – Acrescentou com doçura.

Beatriz concordou solenemente e Armando deu a partida no carro, enquanto Betty repousou sua cabeça no ombro dele, que adorou. Ele lembrava desse gesto dela que sempre o cativou.