Uma Realidade Mágica!
4 Segredo de família.
Notas iniciais
Gente, espero que curtam esse capítulo um pouco mais tenso da história e continuem acompanhando. Já sabem, sugestões, críticas, fiquem a vontade.
No sábado eu estava com a noite liberada, pois não trabalharia naquele domingo, e voltei a ir a um barzinho. Não era nenhuma balada, como de costume, era um lugar mais calmo, tinha muitas pessoas com os amigos e família, conversando e se divertindo. Me mantive sentada ao balcão tomando meu drink. Era um dia em que eu queria apenas relaxar, queria pensar. Muitas coisas vinham acontecendo comigo nos últimos tempos e eu não estava conseguindo lidar muito bem com isso. Foi quando ouvi aquela voz outra vez, tentando me recordar de onde, exatamente, tinha sido a primeira. Ela me olhou e sorriu, com seu ar alegre e contagiante.— Treze, que coincidência.— Pode me chamar de Remy.— Certo, Remy. Posso fazer companhia? Dei de ombros, não tinha como recusar, ela já estava ali ao meu lado e não vi mesas disponíveis. Cameron começou a contar coisas sobre sua vida, sobre o emprego no hospital, dizendo que estava feliz por estar de volta. Agradeci, em silêncio, por ela estar se comportando como uma novata, por não estar me enchendo de perguntas sobre mim ou mesmo sobre algo que estivesse sabendo por ouvir falar. Agradeci, principalmente, por não estar ali me discriminando pelo fato de eu estar bebendo. Meu momento de gratidão pela tranquilidade durou muito pouco. Ao levar minha mão até a taça que tomava, ela não respondeu como deveria e deixei a taça cair do balcão, espatifando-se, derramando antes seu líquido todo sobre mim. Tentei agarrar o guardanapo de papel próximo para me secar, sem sucesso. Eu me esqueci da loira ao meu lado.Cameron’s POV: Eu queria voltar à minha vida, me reaproximar de Princeton, essa cidade que eu tinha tomado como um segundo lar, da qual eu sentira tanta falta. Então naquele sábado à noite eu decidi sair para me divertir. Ao chegar num barzinho, que eu não reconheci totalmente de início, entrei e fui direto ao balcão e me sentei, o lugar estava bem cheio e animado, não com bagunça, o que me agradou. Ao olhar pro lado, a Dra. Treze tomava uma bebida, sorri e puxei assunto com ela. A conversa foi boa, se é que eu posso chamar de conversa, ela me ouviu apenas, a maior parte do tempo, sem pronunciar uma palavra. Foi quando eu a vi “fraquejar”, sua mão não correspondeu ao que ela queria, derrubando todo o líquido da taça sobre si, assim como espatifando a mesma no chão. Ela olhava horrorizada para os seus dedos tentando pegar, sem sucesso, um guardanapo de papel. Ela não me notou ao seu lado. Eu vi pânico em seus olhos. Lembrei-me de tudo que ouvira falar no hospital, do que a Cuddy me disse na reunião e a tudo que aconteceu por lá antes da minha saída. O hospital era imenso, mas as coisas corriam rápido quando se tinha amigos em todas as alas. Tinha uma leve surpresa no meu tom de voz, por não ter sido capaz de reconhecê-la desde o início, mas a voz saiu calma e baixa, eu não queria que ela pensasse que fosse alguma acusação.— É você. Remy Hadley, agora me lembro. Está doente, não é? Você tem Huntington. Ela virou o rosto para me olhar, como se eu tivesse visto algo vergonhoso dela, como se soubesse sua fraqueza mais sombria. Tinha um desespero em sua expressão, medo de que essa revelação se tornasse pública. Não pensei duas vezes, soltei sobre o balcão uma nota qualquer que o barman pegou em seguida, escorei-a sobre meus ombros e a levei para o banheiro. Lá dentro, sentei-a em um banco de madeira que estava encostado junto à parede. Ela não pareceu estar tão agradecida quanto estava envergonhada. Na verdade, nem mesmo tão envergonhada quanto estava assustada. Ela ainda não disse nada, apenas encarava a própria mão com angústia, enquanto abria e fechava os dedos, testando-a. E foi só quando ela deu um pulo do banco, assim que me aproximei pela sua lateral esquerda com a toalha para secá-la, notei que o que estava acontecendo era grave.— Desculpe assustá-la. Não viu eu me aproximando? Ela manteve-se em silêncio, eu já tinha minha resposta. Passei a toalha de papel em sua blusa, na altura da barriga, para secar a poça de bebida que ficara ali. Sua barriga contraiu-se de leve ao meu toque, o que inexplicavelmente me causou um arrepio pelo corpo. Olhei dentro dos olhos azulados, dando um leve sorriso, tentando passar toda a confiança que pude naquele instante.
Notas finais
PS: Huntington é uma disfunção cerebral hereditária, que evolui com degeneração corporal e mental e que passa de uma geração a outra. A doença ainda não possui cura, mas existem tratamentos experimentais.
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