Uma Rainha Para Robb Stark
18 Tully

A bolha de felicidade foi estourada com uma mensagem enviada pelo rei Renly Baratheon.
E outra por Yohn Royce, do Vale.
Quando Catelyn leu a carta de Renly ficou pálida. E quando leu a carta de Yohn começou a chorar.
—Mãe?
Sem falar nada, ela estendeu a carta para Sansa.
Os olhos de Sansa também marejaram.
—Mas por que estão assim? O que tem nessa carta? -perguntou Robb preocupado.
—Robb, o nosso primo morreu.
Um grande choque atingiu a todos da família.
Robin era doente sim, mas era jovem e parecia estar aos poucos melhorando sua saúde.
Foi uma morte repentina.
—Mas que tragédia!
—E tia Lysa e seu marido estão sendo acusados da morte dele... E de várias outras.
—Sono doce. Eles estavam dando sono doce em pequenas doses para o menino, como está escrito por Yohn Royce. Como vocês sabem, ele não está nada satisfeito com Lysa e ficou muito desconfiado de Petyr. Ele ficou furioso com a morte de Robin e prendeu os dois. Petyr tentou alegar ser o Lord Protetor do Vale, mas Yohn Royce foi mais esperto. Como Robin morreu Lysa não era mais a mãe do Arryn herdeiro por direito, apenas a esposa de outro homem que não era Jon Arryn. Ele vasculhou os quartos dos dois. No de Petyr não tinha nada, mas no de Lysa tinha algo.
A dor da traição estava estampada no rosto sofrido de Catelyn.
—Cartas de Petyr. Com um plano detalhado para matar Jon Arryn e fazer o reino entrar em guerra.
Robb precisou se apoiar na mesa para não cair.
Todo o horror da guerra, tanta morte, tanta perda...
Para a loucura de duas pessoas?
—Nesse plano, o reino entraria em guerra e você e seus irmãos morreriam como Edmure também. Assim poderiam reivindicar o Norte e as Terras Fluviais usando o parentesco próximo pelo sangue Tully que todos nós temos.
Catelyn estava com os punhos fechados e sentia suas unhas machucando as palmas da mão, mas não conseguia controlar a raiva que corria por todo o seu corpo.
—Lysa e Petyr vão ser julgados. Renly está nos convidando para assistir e também dar algumas palavras sobre o assunto. Afinal, nós somos os alvos do plano dos dois.
Catelyn sentia seu corpo tremer.
Céus, ela poderia cometer um assassinato tamanho o ódio que possuía seu corpo!
—Eu vou, eu tenho que ir! Eu não posso ficar de fora disso! Eu tenho que bater na cara dos dois pessoalmente!
—Mãe, tem certeza que é uma boa ideia?
—Eu perdi seu pai. Arya e Bran sumiram e não sei onde estão. Sim Robb, eu tenho que confrontar esses dois! Isso é assunto Tully!
—Vou designar soldados para a senhora minha mãe.
—Obrigada Robb.
(...)
—É... Difícil... Nossa irmã virou um verdadeiro monstro! -falou Edmure quando Catelyn passou em Correrio.
—Eu tenho que ir lá, eu tenho que estar cara a cara com Lysa!
—Eu entendo. Também quero, mas não posso ir.
—Oh...
—Roslin já completou praticamente todas as luas. O bebê vai nascer a qualquer momento. E eu quero estar aqui quando acontecer. É meu primeiro filho, eu não quero perder o nascimento dele, não por causa de um ser como a Lysa.
—Eu entendo meu irmão. Esse é um momento de felicidade e paz para você e sua esposa. Não vale a pena ficarem aborrecidos numa hora tão especial.
—Ah, mas eu vou. -rosnou Brynden.
—Tio Brynden é capaz até de se oferecer pra ser o carrasco de tanta raiva que está dela. -explicou Edmure.
—Eu tenho muito que resolver com aquela desgraçada e a banana de bigode!
Embora o momento fosse tenso, ela não resistiu a dar um sorriso.
—Até você com esse apelido tio?
—Sobrinha querida, quem você acha que ensinou esse apelido pro Edmure?
(...)
—A rainha-mãe Catelyn Stark, Sir Brynden Tully. -anunciou o arauto.
Ambos fizeram meia reverência a Renly.
—Agradeço pelo seu comparecimento em algo tão grave e importante, Vossa Graça e milorde.
—Eu não poderia deixar de vim. E as provas do caso?
—Confirmadas. Comparamos as cartas com as anotações e registros de Petyr Baelish. A letra é inegavelmente a mesma. E também suspeitosamente em todas as cartas Mindinho pedia para Lady Lysa queimar todas essas correspondências.
Catelyn assentiu, com o rosto sério.
—Eu quero falar com eles.
—E eu também! -exigiu Brynden.
—Mandarei os guardas os guiarem até as suas celas.
Atravessando os corredores escuros, em silêncio, ambos estavam determinados a não ter piedade nenhuma das duas pessoas que formularam tal plano.
Catelyn entrou na cela de Lysa.
—Cat! -ela disse, feliz -Cat você tem que me tirar daqui! Eles estão me acusando de coisas horríveis, eu não fiz nada!
Catelyn se aproximou de Lysa...
E um estalo de tapa foi ouvido!
Lysa pôs a mão na bochecha, sem acreditar que a irmã tinha feito mesmo aquilo.
—Cat...
—NÃO ME CHAMA DE CAT! -gritou, dando várias tapas seguidos no rosto de Lysa enquanto a mais nova gritava para ela parar.
—Desgraçada! Maldita! Causou uma guerra, inocentes morreram! Quis a morte dos meus filhos! Você causou a morte de Ned!
—Você sempre teve tudo! A preferência do nosso pai, do nosso tio, do nosso irmão, eu sempre ficava com os restos! Catelyn era a perfeita, a inteligente, a responsável, a bonita, a mais amada, a que merecia se casar com um homem jovem e não um velho, a que teve vários filhos e nenhum aborto! Sempre fiquei na sua sombra, mesmo longe de você nos comparavam, susurravam no Vale sobre os seus filhos perfeitos enquanto eu sangrava filho após filho. Eu podia ter sido feliz, eu tinha o homem que eu amava e um bebê, mas nosso pai tirou tudo de mim e me obrigou a casar com um velho enquanto você estava toda feliz com a sua vida perfeita! — o veneno escorria da voz de Lysa.
—É isso então? Você fez toda essa desgraça por inveja! Ao menos tem noção do que fez? Você lançou os Sete Reinos NUMA MALDITA GUERRA! A MERDA DE UMA GUERRA LYSA! O QUE VOCÊ TEM NESSA CABEÇA? BOSTA DE CAVALO? EU PERDI O HOMEM QUE AMAVA, MEUS FILHOS CORRERAM PERIGO E QUASE MORRERAM, DOIS DELES EU ESTOU DESESPERADA PARA ENCONTRAR E NÃO ENCONTRO, LÁ FORA ESTÁ CHEIO DE ÓRFÃOS E VIÚVAS! E POR QUE? PARA QUE? EU SOU SUA IRMÃ! VOCÊ TEM MEU SANGUE, MEUS FILHOS TEM SEU SANGUE, EDMURE TEM SEU SANGUE E VOCÊ TENTOU VIRAR UMA ASSASSINA DE PARENTES PARA DESTRUIR NOSSAS VIDAS E TOMAR O QUE NÃO TE PERTENCE! TUDO POR QUE É AMARGA, MAL AMADA E INFELIZ!
Catelyn despejou toda a raiva acumulada que guardava dentro do peito. Mais calma, endireitou sua postura.
—Tudo o que aconteceu na sua vida foi consequências das suas ações. Você escolheu entregar sua virgindade a Petyr. Pai fez você abortar e a casou com um velho. Sim. Mas talvez não fosse necessário se você não tivesse sido tão estúpida! E mesmo assim, se casou com um Arryn, algo que a maioria das mulheres, talvez mais belas, mais jovens e com a pureza mais intacta que você se jogariam sem pensar duas vezes! Você acha que viveria uma vida de sonho no menor dos Dedos? Não Lysa, você é mimada, gosta de luxo, de comer e beber apenas do melhor, sempre foi assim. E vamos combinar, Petyr nunca casaria com você se a situação fosse inversa e ele fosse o nobre importante.
—Não, não é verdade, ele me ama!
—Ama tanto que matou Robin!
—Ele não fez isso! Não era a intenção dele!
Catelyn deu um tapa bem no pé do ouvido de Lysa.
—Acorda pra cuspir sua burra!
Ela sacudiu Lysa pelos ombros.
—Você não vê que esse homem te usou sua idiota?
Jogou Lysa contra a parede da cela.
—Pelos Sete Lysa, eu achei que você amasse seu filho!
Ela começou a chorar, se encolhendo no chão.
—Ah meu Robin, meu doce Robin, ele morreu, meu menino morreu!
—Você o condenou. Ele tinha sim a saúde frágil mas ainda tinha chance de virar um ótimo Lord sendo filho de Jon Arryn. Mas você... Você deixou seu filho doente da cabeça! O fez chupar seus peitos depois de grande e o tornou uma piada e um desgosto! E para terminar de destruir a criança inocente que infelizmente tinha você como mãe, o deixou a mercê de um assassino.
—Não, não é verdade, não é minha culpa! Meu Robin não morreu por minha causa!
—Você jogou sua família fora em nome de seu amor por Mindinho. Agora você não tem nada!
Saiu da cela.
Brynden entrou.
Catelyn foi até o outro prisioneiro.
Petyr tinha um olho roxo e alguns hematomas aqui e ali.
—Pelo visto meu tio deixou sua opinião conhecida.
—Cat...
—Cala a boca proxeneta maldito!
Ele também recebeu uma série de tapas de Catelyn.
—Seu desgraçado! Queria matar a minha família toda!
—Cat não, por favor, me deixe explicar, não é como você está pensando...
—Pensar que eu te amei como um irmão uma vez! -ela disse com amargura -E que você disse que me amava!
—Cat eu te amo! — Ele disse com voz suplicante.
—Me ama e causa a morte do meu marido! Me ama e quer a morte dos meus filhos! Enfia no rabo esse amor Petyr Baelish!
Depois que terminou de bater nele, saiu da cela.
Olhou para trás.
—Maldito seja o dia em que te conheci! Tenho nojo de você!
(...)
Era a hora do julgamento.
As provas e testemunhas foram apresentadas.
—Diante de tudo, eu declaro...
—Eu exijo julgamento por combate! -disse Petyr.
—Eu também exijo! -gritou Lysa, desesperada.
—Certo. Quem vai lutar por vocês?
Ninguém se pronunciou.
Lysa chorou, olhando para os parentes, sentados a olhando com frieza.
—Tio, Catelyn, me ajudem por favor!
—Eu te avisei que se chegasse a hora eu daria a você o mesmo apoio que me deu, nenhum. -retrucou Catelyn, fria.
Os olhos se voltaram para Brynden.
—Eu não sou tio de um monstro. -ele cuspiu.
—Visto que ninguém se pontifica o julgamento continua, diante das provas e testemunhas, eu declaro Petyr Baelish e sua esposa Lysa Baelish culpados do crime de assassinato de dois lordes, falso testemunho, conspiração e assassinato de parentesco, e também os declaro responsáveis pela Guerra Dos Cinco Reis. Eu, Rei Renly Baratheon, Primeiro De Meu Nome, condeno os dois a morte por decapitação.
E no mesmo chão em que caiu a cabeça de Ned Stark, caiu as cabeças de Lysa e Petyr.
(...)
Ela se foi da cidade com a imagem das cabeças de Lysa e Petyr cravadas em estacas.
Ela estava gelada, sem saber o que pensar ou sentir depois de tantas revelações brutais.
Ela queria paz. Ela queria sua família.
Ela só queria que parasse de doer tanto.
Ao menos sua dor foi diminuída quando chegou a Correrio no caminho para o Norte.
—Nasceu! O bebê nasceu!
Foi correndo até o quarto, onde Edmure e Roslin praticamente babavam em cima do bebê.
—Ela é linda, irmão.
—Sim. É perfeita não é?
—Vocês já decidiram um nome?
O casal sorriu um para o outro e depois para ela.
—Catelyn. O nome dela será Catelyn.
Ela não segurou a emoção e começou a chorar.
—Eu... Eu... Obrigada, muito obrigada vocês dois... Caramba, isso é... Isso é incrível!
Catelyn segurou sua homônima no colo.
Era a hora de deixar para trás o passado e se permitir ter esperança.
(...)
Os dias passaram.
Os meses passaram.
Harry Hardyng, atual Lord do Vale, pediu a mão de Sansa.
A rainha Margaery sugeriu seu irmão mais velho Willas.
A jovem resolveu primeiro conhecer os dois homens para depois decidir dar uma chance a qualquer um deles.
Catelyn aceitou.
Sansa estava mais esperta, enxergando melhor por debaixo das aparências.
Renly quis fazer um acordo com Robb, e atualmente estavam numa negociação de noivado entre Rickon e Shireen Baratheon.
Margaery e Renly ainda não tinha filhos, por isso estava complicado chegar a um acordo, visto a menina ser basicamente a herdeira do trono.
Edmure e Roslin, além de Catelyn, tiveram Celia e Hoster.
Robb e Maryssa?
Além de Eddard tinham agora Arrana, os gêmeos Beron e Berena e por fim Marna.
Tudo estava em paz...
Por enquanto...
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