Uma Rainha Para Robb Stark
19 Daenerys

Enquanto amamenta a bebê Marna, Maryssa sorri para Beron e Berena, que balbuciavam animadamente em sua "língua de neném" como Catelyn apelidou carinhosamente.
Eddard e Arrana corriam atrás de Rickon, que particularmente adorava os dois sobrinhos mais velhos.
Catelyn era uma avó coruja e uma mãe extremamente dedicada, mas Maryssa ainda via uma sombra no olhar da mãe de seu marido, e sabia que era o seu coração apertando com a ausência de Arya e Brandon.
Maryssa era solidária a essa dor, não sabia o que faria se não soubesse onde estão cada um de seus filhos, nem sequer se estão vivos.
A única coisa que podia fazer era ser uma companhia para Catelyn e mostrar sua solidariedade quando ela precisasse.
—Ainda não te agradeci pela ajuda com o noivado de Sansa.
—Não precisa Catelyn, fiz com prazer.
—Mas sua ideia foi muito boa e todos saíram satisfeitos.
Sansa estava em dúvida entre as propostas do Lord da Campina e do novo Lord do Vale De Arryn.
Temendo ofender a cada um deles, Sansa não sabia o que fazer.
Maryssa se sentou com ela e analisou friamente as duas propostas.
Os Starks tinham rompido com o Vale por causa de Lysa, mas eram um aliado poderoso para se ter. Ao mesmo tempo, ofender a Campina, o reino que melhor podia fornecer comida e recursos caso o Norte precisassem não era uma boa ideia.
Depois de constatar que Harrold Hardyng tinha uma filha ilegítima e uma plebéia estava grávida dele e que Willas Tyrell seria um marido com potencial de ser mais fiel além de ser mais rico, Maryssa escreveu uma carta a Olenna Tyrell com uma proposta: Sansa se casaria com Willas, mas sua neta Desmera Redwyne seria a esposa de Harry. Olenna amou a proposta, e logo os dois casamentos foram marcados, e assim o Vale estaria ligado a Campina por casamento, e por sua vez ao Norte pelo casamento com Sansa, unindo de vez todos os reinos.
—Sansa mandou uma carta, ela diz que está gostando de Willas e sente que a personalidade dele será perfeita em um marido.
—Isso é bom. Eu odiaria contribuir com a infelicidade de Sansa depois do tanto que ela sofreu.
—Eu sinto que Willas será bom para ela.
—Se é assim, então é um alívio.
Catelyn suspirou, pensando em Arya, sua pequena, que sempre protestava quando falavam em casamento.
"Eu só queria minha família reunida!", pensou a ruiva.
Robb entrou na sala, muito preocupado com a carta de Jon.
—Robb você está pálido.
—Jon mandou uma carta da Muralha. As lendas são reais, os mortos voltaram a vida.
—Hein?
Robb explicou para as duas sobre os Caminhantes Brancos e o que Jon estava enfrentando além da Parede.
—É algo difícil de acreditar, filho.
—Jon está trazendo uma das criaturas como prova.
—Misericórdia!
—Prova maior do que essa não há.
(...)
Quando Robb estava escrevendo uma carta para Renly explicando a situação, foi surpreendido por uma mensagem desesperada do próprio Renly.
Daenerys Targaryen estava em Westeros, em Pedra Do Dragão, com três dragões adultos.
—Ainda mais essa! -disse Robb, em um impasse.
Robb andou de um lado para o outro, sem saber o que fazer.
Maryssa, vendo a aflição do marido, ficou preocupada.
Robb acabou lhe falando o que estava acontecendo.
—Bem, o Jon vai vir aqui com a prova de que os Caminhantes Brancos são reais, não é?
—Sim.
—Ao menos por enquanto há tempo de adiar essa guerra. Pegue essa coisa e leve para Daenerys primeiro, depois para Renly. Eles não vão poder negar a evidência. Exija que parem a disputa para a verdadeira guerra. Quem vai disputar um trono se todos nós morrermos?
—É uma boa ideia Maryssa. Preciso trazer todos a sensatez, não podemos ignorar um perigo desses.
—Esse não é mais o jogo dos tronos, é o jogo da vida e da morte.
—Eu tenho que ir lá.
Maryssa não gostou, mas sabia que não havia outra escolha, não com um perigo tão grande se aproximando no horizonte.
Maryssa abraçou Robb preocupada.
Depois de tanta paz era injusto eles serem obrigados a lutar outra guerra, e dessa vez uma guerra ainda pior.
(...)
Quando Jon trouxe a criatura consigo, Maryssa sem perceber deu um passo para trás.
Eddard agarrou sua perna, tremendo ao ver a coisa.
Maryssa pôs a mão na cabeça dele para acalmá-lo.
Ela nem percebeu que tremia junto com ele.
—Isso é... Parece uma coisa saída de um conto de assustar criancinhas. Exceto que assusta de verdade e é real.
Jon assentiu. Ele ainda tinha pesadelos com o Rei Da Noite levantando os mortos, os olhos sem vida da criatura o fitando.
Ele ainda se arrepiava só em pensar.
—Melhor colocarmos o bicho num baú cheio de gelo e neve para conservar ele melhor.
—Sim, eu já mandei uma carta para Renly explicando a situação e que estava indo direto a Pedra Do Dragão para mostrar a prova a ela, prometendo ir até Porto Real com o morto vivo depois.
Os preparativos foram feitos e eles estavam saindo.
Robb abraçou a cada um da família e deu um beijo na testa de seus filhos.
Ele olhou para eles, ao se afastar para ir embora e fez uma promessa dentro de si.
Ele vai voltar para eles. Ele vai viver. Ele não vai deixar sua família desamparada.
(...)
Uma surpresa, de fato, quando anunciaram que uma delegação do Norte e das Terras Fluviais vinha a Pedra Do Dragão.
—Será um truque?
—Eles pedem urgência em falar com a rainha.
—Vamos recebê-los, vai ser algo interessante de se ver.
Os nortenhos e ribeirinhos entraram, junto com sua comitiva.
—Vocês estão diante de Daenerys Nascida Da Tormenta, Khaeleesi dos Dothraki, A Não Queimada, Quebradora De Correntes, Mãe Dos Dragões.
—Esse é Robb Stark, Primeiro De Seu Nome, Rei Do Norte E Do Tridente. -anunciou Jon.
—Que eu me lembre o Norte dobrou os joelhos para Aegon, O Conquistador, e jurou lealdade eterna aos Targaryen. Estou enganada.
Robb deu um passo a frente.
—Não, não está.
—E você se declara rei?
—Me desculpe, minha senhora. Torrhen Stark realmente dobrou os joelhos. Desde então os Starks mostraram lealdade. Mas sua família quebrou a aliança que faz conosco. Você não pode esperar queimar vivo o pai de um homem, fazer o irmão dele se enforcar e esperar que esse mesmo homem se curve diante de você. Assim como também seu pai matou o sobrinho e herdeiro de Jon Arryn e exigiu a cabeça do meu pai e de Robert Baratheon, quem ele criou como filhos. Como ele poderia obter lealdade dessa maneira?
Robb praticamente atirou as palavras no rosto de
Daenerys, sem se importar com os dragões rugindo.
—Sua família confundiu as coisas, Daenerys. Eles confundiram o vínculo de suserano e seus vassalos e passaram a tratá-los como seus escravos. As sementes da rebelião estavam plantadas a séculos. Seus ancestrais abusaram dos dragões e os perderam, depois abusaram do seu poder real e os perderam. Seu pai não era leal a ninguém e dominou com medo e terror. Sua família teve pouquíssimos bons reis e rainhas. Só dois reis foram positivos o suficiente para serem chamados de "O Bom". Vocês perderam tudo, Daenerys Targaryen, para seu próprio abuso e tirania. Nem bons entre si mesmos conseguiram ser, foram violentos uns com outros de várias formas também.
Daenerys foi atingida por essas palavras, pois era verdade. Até Viserys foi ruim com ela, e ela era tudo o que ele tinha.
—Eu tive que me proclamar rei por que meu povo precisava e ainda precisa. Não posso dobrar os joelhos, mesmo que você me queime. Por que essas pessoas colocaram sua confiança e sua esperança em mim e eu não posso trair isso depois de todas as promessas que fiz. Eu sou um Stark. Eu cumpro minha palavra. Mas eu prometo uma coisa. Se meu povo ceder, se eles quiserem que eu dobre os joelhos, eu dobrarei.
Todos ficaram em choque com a declaração inesperada de Robb.
—Você faria isso?
—Se eles assim pedirem.
—Desistiria da sua corôa tão fácil assim?
—Eu não preciso de uma corôa, a corôa que precisa de mim.
Daenerys ficou confusa, se ele não veio dobrar os joelhos por que estava ali então? Que urgência era essa?
—Então, por que veio até aqui?
—Eu vim para avisar que a guerra é inútil. Que lutar pelo trono é inútil. Temos outra guerra para lutar. Nossas vidas estão em risco com o perigo que vem além da Muralha.
—Mas que perigo é esse?
—Se eu te dissesse que as lendas são reais? Que os mortos estão voltando a vida e atacando os vivos? Que há um exército desses monstros vindo atacar a todos?
—Eu diria que ou você está fazendo uma piada ou tem uma prova do que diz.
Robb fez sinal para trazer o baú.
Ele e Jon o abriram.
A criatura saltou.
Os dois a seguraram pelas correntes.
As pessoas a volta deram um passo para trás. Alguns estavam até vomitando, enquanto outros se urinaram de medo.
—Quantas dessas... Criaturas...
—Eis o problema. Eles estiveram milhares de anos incógnitos. Nós não sabemos. É tempo mais que o suficiente para criar um exército enorme.
Daenerys ficou pálida.
—Eles só podem ser destruídos com fogo, aço valiriano e vidro de dragão. -explicou Jon-Armas normais não funcionam, congelam e quebram. Aqui tem vidro de dragão, permita que a gente minere. Por favor, vamos adiar essa batalha pelo trono, por que os mortos vivos não ligam para o jogo dos tronos eles só querem matar todo mundo. Depois podemos matar uns aos outros a vontade, mas diante de algo dessa magnitude não seria sábio entrar em guerra agora.
Daenerys engoliu em seco.
—Eu concordo. Pegue quanto vidro de dragão precisar. Não vou exigir meu trono agora. Mas depois que tudo acabar eu vou querer o que é meu por direito.
—Eu concordo e todos concordamos. Temos que ser sábios. Depois vamos resolver quem fica com o trono mas agora precisamos lutar por nossas vidas.
Daenerys concordou.
Como poderia imaginar uma coisa como essa?
(...)
Longe dali, um navio aportava.
Uma jovem saiu dele, com a cabeça coberta por capuz.
Arya nem acreditava que pisava de novo em Westeros.
Segurando sua Agulha, ela nem sabia por que demorou tanto na Casa De Preto E Branco, mesmo sabendo que era seguro.
Mas sentia que era a hora certa.
—É a hora de voltar para casa.
(...)
Brandon concordava com a irmã.
Também era a hora dele voltar para casa.
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