O casamento já havia acabado, os convidados e os noivos estavam no jardim, onde acontecia a festa, alguns convidados já estavam de saída. Meus irmãos sorriam alegremente enquanto posavam para uma fotografia junto com a mais nova integrante da família, Claire. Minha mãe conversava com alguns parentes da noiva e eu sorria para as pessoas que também sorriam para mim.

Olhei para a família feliz que conversava, minha mãe havia se juntado aos meus irmãos, todos sorridentes, olhei com atenção, eu já havia ido em bora uma vez, já havia abandonado minha família pelos mesmos motivos de meu irmão ter brigado com aquela selecionada no jardim — medo, incompreensão e falta de liberdade de expressão- , e um pouco mais, a minha missão era clara, mas falhei, os vigiei e conheci meus irmãos de verdade. Como eu sentiria saudade deles novamente, olharia aquela foto em meu bolço toda vez que sentisse aquele aperto no coração.

Ouvi alguém chamar meu nome, era William, olhei para seu rosto em cima de uma das arvores e acenei com a cabeça, fui até minha mãe e lhe dei um abraço.

– Sentirei saudade... — ela segurou meus ombros e me olhou com atenção, sabia que partiria novamente, o castelo não era meu lar, nunca foi, por isso fui para o Norte, queria ser livre e queria que meu povo também fosse.

– Mas... — ela franziu as sobrancelhas

– Shh — a interrompe — você não quis retirar as castas, eu fracassei, voltarei para visitar vocês! — a abracei novamente — tenho que ir.

Corri em direção a floresta e senti os olhares sobre mim.

– Lucy! — ouvi minhas irmãs me chamarem, Agatha gritava bastante, sentiria muita falta dela ao meu lado.

Soltei o cabelo enquanto os encarava, tirei meu colar de estrela e o joguei para eles, caio na grama, mas Claire o pegou, e vi em seus olhos que já tinha entendido tudo, corri pela floresta enquanto tirava o vestido, estava usando uma blusa vermelha e uma calça por baixo. Ouvi os outros correndo nas arvores, sorri e aprecei o passo.

Falhei na missão, mas eles entenderiam, sabiam que não daria certo, mas eu precisava vê-los, precisava ver minha família, antes de voltar ao norte.

A divisão sempre esteve comigo, o castelo, a liberdade, mas... Depois deste tempo com minha família percebi que nunca os esqueceria, mas também não poderia ser uma princesa, tentei fazer Henrique forte para quando se tornasse um rei, espero que não tenha falhado, sempre irei estar por perto, literalmente perto, sei como entrar no castelo, sei tudo sobre aquele lugar, e já tenho um plano em mente para fazer minha mãe mudar de decisão com as castas. Sorri ao pensamento.