Uma Pestinha Em Minha Vida
1 Torturada por uma criança!
Notas iniciais
Meu coração estava disparando a cada segundo que passava, minhas mãos suavam e meus ouvidos doíam. Não por conta do medo, mas pelo fato de ter uma garotinha berrando no meu ouvido. Então olhei para frente e vi que chegamos ao limite. Era tudo tão apavorante. Então ouvi um clic. Sei que fazemos de tudo pelos nossos amigos, mas será que algum deles se lembrou de perguntar SE EU TENHO MEDO DE ALTURA????
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH!!!!!!!!!!! – berrei como se fosse o último momento de minha vida quando o carrinho se lançou com tudo pela parte mais alta da montanha russa.
[...]
– Qual é tia Lucy, está com medo de um brinquedinho desses? – perguntou sarcástica a menina que estava ao meu lado ao sairmos do brinquedo.
Uma menina de dez anos estava debochando de mim, que tenho dezessete!! Quase o dobro da sua idade! Isso é muito humilhante! Por que é que isto está acontecendo?
– Aonde mais você quer ir, Mavis? – perguntei tentando recuperar meu fôlego me apoiando nos joelhos.
Ela pareceu pensar e do nada sua carinha de anjo completamente inocente se transformou em uma carinha demoníaca, demonstrando que seus pensamentos não eram nada puros. NÃO GOSTEI NADA DISSO!!!
– Naquele! – ela apontou para o maior elevador em formato de Torre Eiffel que já vi na minha vida.
– O QUE???
Como é que entrei nessa roubada mesmo?
FLASHBACK ON
– Por favor, Lucy, por favor! – Levy implorava agarrada na minha perna
– Sei não...
– É só por um dia! Meus pais estão viajando e Gajeel me convidou pra sair, poxa, seria minha primeira oportunidade de sair com uma pessoa sem ser obrigada a voltar pra casa antes das 22:00 e com roupas extremamente sufocantes que meu pai me faz usar nos encontros! Cuida da Mavis pra mim? — Ela se agarrou mais ainda à minha perna.
Bom, de fato, o pai de Levy era muito rígido com ela, ela não tinha liberdade de ser ela mesma! E Gajeel finalmente a convidou pra sair (acho que ele estava com medo da resposta do pai dela, não é pra menos, com tantos metais espalhados pelo corpo e só usando roupas pretas não passaria uma boa impressão para um pai extremamente conservador). Suspirei. Espero ter meu lugar no céu garantido.
– Tudo bem...
– AAAAAAAAAAAAAH OBRIGADA LUCY!!! VOCÊ É A MELHOR!! – gritou ela me sufocando com o abraço que me deu.
–MFMFMFMF!!! – berrei ficando roxa
– O que disse?
– Você tá me sufocando! — tentei gritar, mas minha voz quase não saiu e meu rosto já estava assumindo uma estranha coloração azulada.
– Ah, desculpe-me! — falou ela me soltando com uma gota na cabeça. – Amanhã deixo a Mavis na sua casa às 18:00, tudo bem? – perguntou ela se acalmando.
– Tudo bem, pra que servem as amigas?
FLASHBACK OFF
“Pra serem torturadas pela prima da melhor amiga!” Completei mentalmente entrando na fila para o elevador.
[...]
– Mas já cansou, tia Lucy? – Mavis me interrogou enquanto saltitava e rodopiava.
– Deixe-me respirar um pouco. – implorei estirada num banco perto do bate-bate, tentando fazer com que meu coração voltasse a bater normalmente e normalizar minha respiração, ah, dá um desconto, eu tenho medo de altura e essa pestinha está se aproveitando disso!
É melhor eu dar um jeito de acalmar esta pestinha, caso contrário, meu coração não irá aguentar até o resto da noite! O que eu fiz pra merecer isso? Levy, você me deve muito! Há, e como me deve... Deus, por favor, me envie alguma ajuda!
– Mavis, vá comprar um algodão doce pra você, e traz um pra mim. – Um garoto de cabelo rosa (cabelo rosa!) surgiu do além e entregou uns trocados pra capetinha.
– Ah, obrigada tio Natsu! – ela pegou o dinheiro e sumiu pelo parque.
– Aproveita pra respirar enquanto ela não volta, toma um refrigerante. Prazer, sou Natsu Dragneel.
Olhei para o mesmo e pude ver luzes douradas saindo de seu corpo e um coro de aleluia no fundo. Deus ouviu minha prece e mandou um anjo para me salvar? Um anjo de cabelo rosa? Aliás, é o primeiro garoto de cabelo rosa que eu conheço. Então percebi que ele me encarava estranho, esperando uma resposta e o brilho dourado que eu via, juntamente com o coro de aleluia sumiram, legal Lucy, você estava tão encantada pela salvação que imaginou o cara como uma criatura divina! Ai meu deus, que cara será que eu estava fazendo?
– Lucy Heartphilia, obrigada. – apertei sua mão sem graça e aceitei o refrigerante logo em seguida. – Obrigada por me salvar.
– De nada, e então, é a nova babá da Mavis?
– Apenas por hoje, Levy precisava desse favor.
– Entendi, por um momento achei que você fosse alguma louca por ter aceitado tomar conta da Mavis, sabe, ela adora se divertir do modo dela, mas vi que foi por um bom motivo, você deve ser uma amiga bem fiel.
– Obrigada – ele me chamou de louca? – Como vocês se conhecem?
– Meu pai é amigo dos McGarden. E lá vem a Mavis, espero que tenha tido tempo pra respirar, mas não se preocupe, a Mavis no fundo é uma boa garota. – ele pousou a mão direita no meu ombro me passando apoio e segurança.
– Acho que bem no fundo mesmo, obrigada Natsu.
– Aqui tio Natsu, obrigada. – falou Mavis chegando e entregando um algodão doce para Natsu. – Rosa igual ao seu cabelo. – ela sorrindo até parece uma criança inocente. Parece.
– Valeu Mavis, pode ficar com o troco.
– Oba!
– Agora tenho que ir, minha namorada vai ficar louca se eu não voltar logo, até mais Lucy, foi bom te conhecer! Tchau Mavis!
E do mesmo modo que brotou, ele foi embora, correndo em direção à montanha russa. Garoto de cabelo rosa suicida.
– Esse Natsu parece ser um cara legal. – comentei e comecei a beber do refrigerante que ele havia me entregue.
– Ohh... Tia Lucy, você goxxxxta do tio Natsu?
– O QUE? – me engasguei com o refrigerante. – Não enrole a língua desse jeito! E claro que não, Mavis! Acabei de conhecê-lo! – Como uma criança podia pensar isso logo de cara?
– Sei. E então, tia Lucy, vamos à roda gigante agora! – e sem que eu tivesse tempo de responder, a menina já me puxava para a maior roda gigante que eu já vi na minha vida! É hoje que eu morro!
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