Uma Pestinha Em Minha Vida

15 O plano maligno da pestinha e uma má notícia


Notas iniciais
Yo minna, como estão? -desvia de um tomate Então, sei que fiquei um tempão sem atualizar a fic, duas semanas e mais a semana em que o site ficou fechado! Por favor, não me matem por isso! Isso se deve à trabalhos de faculdade acumulados e crises de inspiração! Mas já está tudo resolvido! To até com a segunda temporada planejada! Então, para recompensar, hoje postarei dois capítulos! (Se minha internet que está caindo o tempo todo me permitir, é claro) Então, boa leitura (: Este capítulo vai para a JúhChan, pela ideia que ela me deu alguns capítulos atrás, obrigada flor!

Após um expediente pesado no Kurt Café, lá estava eu me dirigindo para a minha execução. Na real, eu não deveria estar reclamando, já que eu mesma tive a oportunidade de me livrar de toda essa tortura que é cuidar da Mavis e não a aproveitei! Na boa, eu mereço. Revirei os bolsos atrás da chave que Grandine me deu e suspirei antes de entrar na casa. Agora não tem mais volta, pense pelo lado positivo: mais grana! Isso Lucy, vai valer a pena e você vai desafogar mais ainda seu pai. Coloquei meu melhor sorriso no rosto e entrei.

– Boa noite Natsu!

– E aí Lucy!

...

Espera aí!

– NATSU? O QUE ESTÁ FAZENDO AQUI? – gritei para o rosado que estava jogado no sofá como se fosse seu, devorando um pacote de batatinhas e acariciando Charlie que dormia em seu colo. Mas que folga!

– Oh Lucy! Chegou cedo hoje. – Grandine apareceu na sala terminando de prender seus cabelos azulados em um rabo-de-cavalo perfeito. – Natsu chegou agora a pouco, disse que queria ajudar você a tomar conta da Mavis hoje, não é fofo?

– É-É sim. – ri nervosa.

– Eu falei ontem que vinha, lembra, Lucy? – verdade né? Ele disse isso ontem enquanto voltávamos pra casa, quando nos resolvemos.

– Sim sim, me lembro bem. – Vi Grandine olhar para nós dois e dar um sorriso meigo.

– Então, Lucy, Natsu, deixo minha pequena com vocês. Boa sorte. – riu sem graça ajeitando sua bolsa em seu ombro e saindo de casa. – E Natsu, diga para Igneel aparecer por aqui mais vezes, faz tempo que não o vejo.

– Tchau senhora Marvell! – falamos juntos.

Bam. Um minuto... Dois minutos... Fiquei parada diante da porta e Natsu continuava jogado no sofá, só que sem comer as batatinhas. Olhávamos para qualquer canto daquela sala menos um pro outro. Eu jurava ter visto uns fios loiros no topo da escada, mas deve ter sido só impressão, pois quando olhei de novo, não havia nada lá, e há essa hora, Mavis costuma tomar banho, deve ter sido só impressão mesmo. Esse silêncio estava me incomodando, até parece que eu e Natsu não nos resolvemos ontem... Por que estou me sentindo tão nervosa? Acho que, mesmo tendo nos resolvido ontem e eu sabendo que essa confusão que Cana implantou na minha cabeça era apenas um plano dela e apoiado pela Levy para me deixar confusa em relação aos meus sentimentos, não conseguia ficar confortável com o fato de estar sozinha com Natsu, pelo menos por enquanto, ainda mais com ele agindo como se não tivéssemos conversado... Mas poxa, vai ficar esse silêncio mesmo?

– Então... Você veio mesmo.

– Eu sempre cumpro com a minha palavra. – Nos encaramos e novamente o assunto morreu. Havia algo estranho no olhar de Natsu, parecia meio... perturbado, mas estava fazendo o possível para esconder isso.

– Está tudo bem, Natsu? Você anda meio estranho ultimamente. – comentei sentando-me ao seu lado e roubando seu saco de batatinhas, mas o mesmo nem percebeu.

– Está sim... – Continuei encarando-o esperando ele dizer a verdade. – É sério Lucy, eu só... Estou passando por uma fase complicada no namoro, só isso.

– Quer desabafar? Temos uns cinco minutos até a Mavis aparecer. – ri baixinho imaginando a menina pulando no lustre de novo. Ele pareceu mais relaxado ao ouvir isso.

– Lisanna é muito ciumenta. – Me conta uma novidade. Lógico que eu não disse isso em voz alta. – Ela... Não gosta muito de você e queria que eu parasse de falar contigo.

– Por isso vocês brigaram ontem?

– Exatamente. Mas eu decidi que não vou parar de falar com você, cortar amizades por conta de namorada ciumenta é tolice. Por isso decidi vir aqui hoje, pra ver se conseguia fazer nossa amizade voltar ao normal e pra rir um pouco, obviamente. – Dei-lhe um soco na cabeça.

– Basicamente você está aqui para rir da minha desgraça, não é?

– Lógico.

Senti meu coração se aquecer neste momento, de repente, todo aquele clima pesado sumiu. Mesmo com uma conversa simples como essa, sinto que acabamos de dar um grande passo, com essa escolha que Natsu fez, para tirar nossa “relação” dessa rotina “somos amigos, somos estranhos, somos amigos de novo, somos estranhos de novo”, para ter uma amizade sincera, a partir de agora. É chato falar pra uma amiga que a namorada dele te odeia, mas por fazer essa escolha... Sei lá, me senti bem com isso, sinto que a partir de agora, posso afirmar com certeza que você é meu amigo, e não apenas falar “acho que somos amigos.”

– TIO NATSU, TIA LUCY! – uma voz infantil que me dá arrepios na espinha gritou animadamente do topo da escada. A pequena desceu correndo a uma velocidade absurda e voou para cima de nós, pulando por cima do sofá. – VAMOS BRINCAR, VAMOS BRINCAR!

[...]

– Eu realmente não acredito que estou fazendo isso. – Natsu declarou baixinho com uma xícara de brinquedo na mão com um líquido dentro que mais parecia um caldo de meia suja.

– Você quis vir hoje, Natsu, não tem do que reclamar. – segurei o riso enquanto fingia beber do caldo de meia mais que suspeito.

– Mas eu ia adivinhar que ela ia me botar no meio desse rolo? – indignou-se. – Isso não combina comigo, não é nada homem.

– É a Mavis, meu amigo! Até parece que não a conhece! E como explica seu cabelo rosa?

– O que está insinuando, sua estranha?

– Exatamente o que você pensou, purpurina! – e começamos a brigar como Natsu costuma fazer com Gray. Foi uma cena estranha, mas engraçada.

Como vocês devem ter notado, eu e Natsu estávamos brincando de casinha. E como devem ter percebido, estamos sozinhos nessa... Mais ou menos. A baixinha nos arrastou para cá e com seu poder de persuasão assustador, nos convenceu a brincar disto com ela, não duvido nada que este chá seja um caldo de meia suja mesmo. Há pouco, ela saiu alegando ir pegar algumas frutas na cozinha, e que já voltava, logo, não era para eu ou Natsu sequer pensarmos em sair daqui, mas ela está demorando um pouco pra voltar, será que está tudo bem?

– TIA LUCY, TIO NATSU, PODEM VIR AQUI EMBAIXO? – a voz infantil gritou lá de baixo. Não morre mais! Entreolhamo-nos e demos de ombros. O que essa pestinha está querendo? Andávamos calmamente em direção à escada, quando um grito da pequena nos deixou alertas e passamos a correr. Então algo aconteceu. Não sei como isso foi acontecer, mas quando me dei conta, já estávamos na metade da escada. AQUELA PESTINHA!!!

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!!!! – eu e Natsu gritamos enquanto rolávamos escada à baixo.

Doeu. Vocês não tem noção de como doeu rolar todos aqueles quinze degraus! Ainda mais com Natsu me acertando o tempo todo! O que aquela pestinha pretendia com isso? Nos matar? Não duvido nada! Aliás, com é que não adivinhei que ela faria algo desse tipo? Aquela demora estava suspeita demais! Amarrar uma corda no topo da escada para que a pessoa tropece é sacanagem demais! E caramba, meu corpo inteiro está dolorido e não consigo me mexer! Tem algo pesado em cima de mim que impede de eu conseguir me levantar. Será que...

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – Abro os olhos e me deparo com Natsu apagado em cima de mim. Ele estava perto. Perto demais! Sinto meu rosto esquentar muito!

– Não me deixe surdo Lucy. O que será que aconte... – Natsu abre os olhos e percebe o quão perto está e cora furiosamente. – Lucy! Mas o que... – Ao pegar impulso para se levantar, o maldito fez algo ainda pior.

– KYAAAAAA!!!! – Sim, meus amigos, Natsu havia se apoiado nos meus seios! – PERVERTIDO!

Paff! O estalo deu eco.

[...]

– Há há há! Foi melhor que a encomenda! Vocês deviam ter visto a cara de vocês! – riu escandalosamente a pestinha enquanto Natsu segurava uma fatia de carne sobre seu rosto e eu massageava minha cintura ainda sentindo as dores da queda. Aquela pestinha me paga! – Vocês se goxxxtam! – ronronou.

– Quieta pestinha! Graças a você, estou com uma dor no corpo de matar! – apontei para ela e rosnei, mas não consegui o efeito que queria pois gemi de dor logo em seguida.

– E eu vou cuspir dentes por um ano! – Natsu apontou pro próprio rosto onde podia-se ver claramente cinco dedos estampados em sua bochecha devido ao tapa que lhe dei.

– O que aconteceu no seu rosto foi sua própria culpa, tio Natsu. – a pequena deu de ombros.

– Não fale como se não tivesse culpa nisso! – Natsu acusou-a – E por que fez isso? Por que amarrou aquela corda no topo da escada?

– Porque eu quis. – piscou para nós. Simples assim! A menina quase nos mata que sua justificativa foi “porque quis”? Ela é mesmo uma sadomasoquista!

– Cruel! – eu e Natsu gritamos juntos.

– Qual é, não fiquem tão bravos assim, sempre que se lembrarem disso, darão boas risadas. – riu inocente. “Inocente”. – Isso tudo fazia parte do meu plano, mas foi melhor do que eu pensei! – riu um pouco e tomou um gole de suco de laranja.

– Seu plano era nos matar? – acusei-a. Neste momento, tudo o que eu queria era enforcá-la usando a corda que ela usou pra tentar nos matar.

– Não seja má, tia Lucy, vocês dois estavam num clima muito pesado quando se encontraram, e eu nunca mais quero ver isso vindo de vocês, pra isso, precisava aproximar mais vocês. Um casal não devia ficar nesse clima! – piscou para nós e tomou mais um gole da bebida.

– NÃO SOMOS UM CASAL! – gritamos juntos irritados e constrangidos.

– E é nos matando que você quer nos aproximar? – falei com uma veia saltando da testa. Ela está tentando nos aproximar nos matando! Nos aproximar! Agora tenho minha vida controlada por uma criança! Onde estão os meus direitos? Depois daquela queda, nos aproximamos sim! Bem mais do que o permitido para um rapaz comprometido, mas se é isso que a pestinha queria, ela conseguiu! Agora não tem apenas uma pessoa querendo mata-la, tem duas!

– Bom... Se meus objetivos forem atingidos... – pegou Charlie no colo e saiu saltitando.

...

...

...

Ok, não estou conseguindo processar essa informação, e pela cara do Natsu, acho que ele também não. O que essa pestinha pretende, afinal?

[...]

PÉ-PÉ-PÉ

Num movimento automático, joguei o despertador pela janela, como de costume. Como o odeio! Mas infelizmente este monstrinho barulhento chamado despertador é essencial pra minha vida. Antes de sair de casa, tenho que me lembrar de busca-lo na moita pra poupar esse trabalho ridículo da Virgo.

Antes do despertador do meu celular tocar, o desliguei e me levantei cambaleando e me dirigi ao banheiro sem olhar pra frente, o que resultou em uma batida de cara na porta. Ótimo, comecei meu dia bem. Enquanto deixava a água morna escorrer por meu corpo, comecei a pensar sobre o dia de ontem. Aquela cena da escada se repetia sem parar na minha cabeça, o que fez minhas bochechas esquentar um pouco. Além de Natsu ter caído em cima de mim, ele ficou perto demais! E pior! Tocou nos meus seios! Nenhum cara jamais tinha feito isso antes! Ok, sei que isso foi um acidente e que não devia ter batido tão forte no rosto dele. E eu gostei. Sei que não devia, mas gostei da sensação. Droga Lucy, olha no que você está pensando! Bom, depois daquele tapa, acho que matei qualquer chance de Natsu algum dia ter gostado de mim... Será que ele gostou de tê-los tocado? Lembrei do dia do banheiro quando ele caiu em cima de mim e ficou olhando para baixo, e agora percebo que ele estava olhando meu decote porque um botão havia caído e ele estava maior que o normal... AAAAAH LUCY, O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO??

– Hime, você está bem? – ouvi Virgo do outro lado da porta. – A senhorita vai se atrasar.

O QUE??

Terminei meu banho correndo, me vesti na velocidade da luz, passei correndo por Virgo pegando o saco que estava em suas mãos com meu lanche e antes que eu me esquecesse, passei na moita que normalmente taco meu despertador para resgatá-lo e aí sim, fui para o colégio.

[...]

Por muito pouco não cheguei atrasada ao colégio. Hoje o Fairy Tail estava diferente, normalmente, mesmo depois do início das aulas, havia alunos pelo corredor conversando, rindo, brigando e se algum desses alunos fosse Cana Alberona, bebendo. Quando passei pelos corredores, eles estavam vazios. Ok, não exatamente vazios, mas não encontrei ninguém da minha sala, o que era meio raro.

Após o professor Freed entrar em sala, percebi o motivo disto. Na aula passada ele falou que passaria os temas dos trabalhos práticos de biologia e deixaria os temas mais complicados para quem chegasse atrasado. Na primeira vez que ele disse isso, três anos atrás, ninguém levou a sério e boa parte da sala se ferrou por isso, desde então, sempre que ele anuncia trabalhos práticos, ninguém quer chegar atrasado. Engoli em seco, escapei por pouco.

– Bom dia alunos, vejo que hoje ninguém chegou atrasado, muito bom. Todos se lembram que hoje eu passaria o trabalho prático que vocês deverão apresentar na semana que vem. Neste fim de semana, ocorre o acampamento anual da Fairy Tail – O acampamento! Estava tão envolvida com meus problemas recentes que nem me lembrava dele! – Este ano decidi pegar leve com vocês e só pedirei um relatório técnico sobre a viagem, juntamente com o professor de geografia. Os detalhes sobre o relatório eu colocarei no quadro dentro de alguns minutos, mas antes, sortearemos as duplas.

Ótimo! Eu estava quase comemorando por ser um trabalho fácil! Do jeito que o azar me ama, vou pegar uma pessoa que eu não quero que provavelmente me fará fazer o relatório sozinha ou que eu simplesmente não me dou bem! Deus que tenha dó de mim e me dê alguma chance de fazer esse trabalho com a Levy-chan, ou com a Erza ou com o Jellal!

– A primeira dupla é: Erza Scarlet e Jellal Fernandes!

Segurei o riso ao ouvir o grito de indignação de Erza e o de vitória de Jellal. Mas logo em seguida meu estômago se embrulhou, as chances de eu pegar alguém que eu goste para fazer este trabalho diminuíram.

– A segunda dupla é: Natsu Dragneel e Gray Fullbuster! – vi os olhos dos meninos se arregalarem e Lisanna e Juvia e demonstrarem uma expressão de surpresa e desapontamento.

– O QUE???? – A amizade de Natsu e Gray é algo bizarro, são melhores amigos, mas ao mesmo tempo piores inimigos, só quer ver no que isso vai dar...

– É isso mesmo, não aceito reclamações ou trocas! Como futuros profissionais, vocês devem saber trabalhar com qualquer tipo de pessoa, mesmo que não lhe agradem! A próxima dupla é: Gajeel Redfox e Levy McGarden!

Com o sorriso vitorioso de Gajeel e o doce de Levy, não consegui ficar chateada de verdade por agora não ter chances de cair com uma pessoa que eu realmente goste. Quem sabe esta não seja uma oportunidade dos dois se resolverem de vez?

– A próxima dupla é: Juvia Lockser e Lisanna Strauss.

Vish. Uma dupla onde as duas pessoas me odeiam! Espero que em nenhum momento eu seja assunto entre as duas.

– A próxima dupla é: Lucy Heartphilia e...

Ai meu deus, ai meu deus, ai meu deus!

– ... Sting Eucliffe.

...

...

Não... Isso não pode estar acontecendo... Um trabalho em dupla com o... Sting? Olhei para trás e pude vê-lo sorrindo travessamente para mim, o que me arrepiou até o último fio de cabelo. Arrepios começaram a atravessar meu corpo e o pânico começou a se espalhar. Sozinha de novo com o Sting?

FLASHBACK ON

– Legal, Blondie, que bom que caímos juntos para fazermos esse trabalho! – o garoto um pouco mais jovem comemorou ao se aproximar de mim. – Isso vai ser divertido!

– Sim! Eu estava torcendo pra isso acontecer! Demos muita sorte! – eu, um pouco mais jovem, sorri de volta.

– Sim! Depois do trabalho, podemos assistir um filme, ou tomar um sorvete, o que acha?

– Eu adorei a ideia, Sting! Por que não os dois?

– Combinado! Te vejo mais tarde, Blondie!

– É Lucy!

FLASHBACK OFF

Só de lembrar disto, mais um arrepio correu por meu corpo. O pânico já havia atingido todo meu corpo de uma maneira que me deixou completamente imóvel. Não! Isso não pode estar acontecendo! Não! Não! Não! Isso não pode se repetir! Minhas mãos estão suando, minhas respiração está falha, meu rosto está gelado. Não!

– Senhorita Heartphilia? A senhorita está bem?

Percebi o olhar da sala inteira em cima de mim, mas o único que eu realmente senti vinha exatamente de trás de mim. Junto ao olhar, também consegui sentir um sorriso. Eu estava apavorada. Não, professor, não está tudo bem!

– E-Está sim, professor... Eu... Só preciso de um pouco de ar... – Me levantei de minha carteira e andei lentamente em direção à porta sem mesmo pedir permissão ao professor. A sala inteira ainda me encarava, mas senti aquele olhar me acompanhando, o que estava me deixando mais desconfortável ainda.

Fechei a porta atrás de mim e suspirei longamente, tentando conter as lágrimas. Isso não é justo. Corri até a árvore onde eu costumava conversar com Levy-chan durante as aulas quando alguma de nós estava com problemas e chorei. Chorei por uns bons minutos. Eu não quero que isto aconteça! Não quero ter que fazer este trabalho com ele! Não quero que a história se repita! Eu só quero... Me sentir bem de novo!

– É, você não é a única que deu azar com o sorteio da dupla, não vou com a cara daquele Sting, mas bom, peguei uma pessoa que sei que vou cair na briga o tempo todo, mas mesmo assim, não é o fim do mundo. Por que está chorando? – uma voz conhecida sentou-se ao meu lado. Esta voz?

– Gray? O que está fazendo aqui? – perguntei secando algumas lágrimas com a manga da camisa.

– A sua reação na sala de aula ao ouvir o nome do Sting me surpreendeu. Levy, Erza e Jellal tentaram sair da sala para te ajudar mas o professor não permitiu, alegando deixar você em paz por enquanto. Natsu fuzilou Sting o tempo todo e ficava olhando para a porta para ver se você aparecia. Eu só consegui sair da sala porque disse que precisava urgentemente ir ao banheiro. Fiquei preocupado com você, Lucy, o que aconteceu?

Fiquei encarando Gray espantada por alguns segundos. Ele se importa? Lembrei-me do dia em que ele me salvou de um acidente e senti um sorriso sincero se formar em meu rosto. Podemos não ser grandes amigos, mas me senti segura naquele momento com ele. A presença dele me reconfortava.

– Eu apenas... Não gosto do Sting, não me dou muito bem com ele, ele era a última pessoa da sala com quem eu gostaria de fazer o trabalho... Só isso. – O que não deixa de ser verdade, eu apenas omiti o motivo disso, mas não é mentira.

– Tem certeza? Você parecia completamente apavorada na sala de aula, não está escondendo alguma coisa? – me olhou sério.

Estremeci com o olhar que ele me mandava. Era profundo. Muito profundo. E eu podia ver preocupação em seus olhos.

– Eu... – Não posso envolvê-lo nisso, ele não tem nada a ver com esta história. Não posso contar. – Apenas não me dou bem com ele, não tenho boas experiências com ele. Mas não se preocupe, Gray, foi apenas um susto, eu vou dar a volta por cima, tá bom? Não se preocupe. – Tentei dar um sorriso sincero, mas acho que ele saiu meio torto.

– Tem certeza?

Não.

– Sim.

– Sabe Lucy, mesmo não conversando muito, você pode confiar em mim, se acontecer alguma coisa, ou se você simplesmente estiver com medo, você pode me procurar.

Fiquei olhando para ele por mais alguns segundos e realmente me senti reconfortada com sua fala e finalmente consegui esboçar um sorriso sincero.

– Obrigada Gray. – E o abracei com todas as minhas forças. – Posso perguntar uma coisa?

– Já perguntou.

– Bobo, é sério! Por que toda esta preocupação com uma estranha?

– Você me lembra minha irmã.

– Sua irmã?

– Sim. Não esteticamente, mas pela sua preocupação e carinho por quem você ama. Vejo que você faz de tudo para ver seus amigos felizes, muitas vezes passando por cima da própria felicidade. Não sei o que aconteceu na sua vida, e não sei se você é realmente masoquista, mas para estar cuidando da Mavis, alguém você está querendo ajudar, porque aguentar aquela pestinha não é mole não.

Me surpreendi com sua fala. Gray é realmente muito observador e não pude evitar de rir com sua última frase.

– Você é muito observador.

– Minha irmã fez o possível para ver a mim e a Ul felizes. Por um momento, ela foi uma mãe provisória para mim quando Ul precisou viajar para resolver uns problemas. Reconheci isto em você, e foi inevitável criar um certo carinho por você, então, por favor, se cuida.

– Tudo bem, Gray, não se preocupe. – sorri para ele meio corada. – Eu vou ficar bem.

Eu espero.

Notas finais
E aí, minna, o que acharam? Próximo capítulo, o passado de Lucy e Sting se revela! O que acharam das duplas? Elas serão importantes mais tarde (: