Uma Pestinha Em Minha Vida
8 Encontro de Levy, problemas à vista!
Notas iniciais
– Levy-chan? Recebi sua mensagem, o que aconteceu? – me sentei ao lado da pequena criatura embaixo de uma árvore que havia no playground do colégio. Sim, deveríamos estar em aula agora, mas quando Levy me chama para conversar durante o período de aulas, é sinal de que alguma coisa séria aconteceu. E ao ver Levy abraçando suas pernas com uma expressão vaga confirmei minha suspeita.
– Lu-chan, estou me sentindo estranha...
– Você quer que eu te leve à enfermaria?
– Não é nada disso, Lu-chan, acontece que... Meu encontro ontem foi muito estranho.
– Você me tirou da aula de biologia pra me falar sobre seu encontro? – perguntei irritada, mas ao ver sua expressão levemente magoada, voltei atrás. – Desculpe, pode continuar, estranho como?
LEVY POV’S ON
FLASHBACK ON
– Levy McGarden, certo? É um prazer conhece-la.
O moreno à minha frente se apresentou. Rogue Cheney aparentemente era um rapaz educado e rico, tudo o que meu pai gostaria para mim, ou para ele, já que minha opinião não importa.
– O prazer é meu, Rogue-kun. – fingi estar interessada. Era sempre assim! Meu pai me arrumava um encontro com um cara bonito e rico com a desculpa de que preciso achar um namorado decente, mas sei muito bem que seu real interesse é uma possível parceria com a família do meu “pretendente”. Isso é tão injusto comigo!
Estava pronta psicologicamente para a noite entediante que estava por começar, primeiro o garoto se apresentaria, depois começaria a falar sobre si mesmo, sempre se gabando de seus feitos e seu status, e eu ficaria olhando para a cara dele fingindo estar interessada quando na verdade estaria querendo dar um tiro no meio de sua testa! Bom que a tortura comece!
– Levy, vou ser sincero, sei muito bem o real sentido deste encontro neste restaurante italiano. Você não precisa fazer isto se não quiser, sei que está aqui porque seu pai te obrigou. Não aprovo de maneira nenhuma esta mania de nossos pais marcarem encontros com segundas intenções e nos forçar a participar disto. Você parece ser uma garota legal. Não vou te forçar a jantar comigo e te fazer fingir que adorou este encontro para seu pai. Se quiser sair e se divertir até dar o horário de eu te levar para casa, não irei te impedir. – disse me olhando intensamente.
O...que?
Levei alguns segundos para absorver suas palavras. O que estava acontecendo?
– Er... O-Obrigada Rogue-kun – falei ainda chocada com a situação. Isso nunca havia acontecido antes. Posso realmente confiar nas palavras deste estranho? – Eu... vou dar uma volta então.
– Tudo bem. Apenas esteja aqui no horário combinado para eu te levar para casa, certo? – me olhou com mais serenidade desta vez.
– Certo...
Havia acabado de me levantar da mesa e me dirigia à saída do restaurante quando hesito e decido olhar para Rogue. Este trazia um sorriso no rosto. Não um sorriso de quem tramava algo, mas um sorriso sincero, em paz. Então ele faz algo que me chama atenção. Tira um livro debaixo da mesa. E não era um livro qualquer. Antes que me desse conta, já estava em frente a mesa encarando-o surpresa.
– Dom Casmurro? Gosta de Machado de Assis? – desta vez perguntei empolgada.
– Sim, meu autor favorito. – respondeu com um sorriso sincero. – Gosta, senhorita McGarden?
– Está brincado? Ele é um gênio!
Antes mesmo que eu percebesse, estávamos novamente à mesa, desta vez, conversando animadamente, uma conversa que realmente me interessava! Jantamos e continuamos a conversar. Tão rápido o tempo passou que nem vi quando chegou a hora de ir embora.
Rogue me deixou em casa como combinado e me deixou com a promessa de que me encontraria novamente para continuar nossa conversa sobre livros, depositando um beijo em minha mão.
Ao fechar a porta, a realidade parece bater de frente comigo com força total. O que aconteceu nesta noite? Eu tive um encontro com um estranho em que eu realmente me diverti?
FLASHBACK OFF
LEVY POV’S OFF
– Estou me sentindo estranha, Lu-chan, isso nunca tinha acontecido antes!
Eu realmente não sabia o que dizer para Levy. Realmente, isso foi muito estranho, mas algo me preocupava, e Gajeel?
– Levy-chan, acha que pode estar gostando deste Rogue? – perguntei meio insegura.
– Não seja boba, Lu-chan, sabe que amo o Gajeel, só que ainda não me acostumei com o que aconteceu, foi muito estranho, não consigo tirar isso da cabeça. – Isso é um mau sinal! – Ele foi tão gentil comigo.... – Isso DEFINITIVAMENTE é um mau sinal! – Sei que está sem palavras, Lu-chan, eu só precisava desabafar, obrigada por me ouvir! – e me deu um abraço de urso. – Vou ao banheiro, você vem?
– Não Levy, vou dar um tempinho aqui fora mesmo.
– Tudo bem então. – e vi a pequena criatura se afastar.
Assim que Levy entrou no corredor, saquei meu celular e comecei a digitar uma mensagem na velocidade da luz, mas quando eu iria enviar, uma voz me interrompe, me pregando um susto.
– Cabulando aula, Lucy? Que coisa feia, não esperava isso de você! – Essa voz? Droga! Logo aqui e agora?
– O que faço ou deixo de fazer não é da sua conta, Sting. – falei ríspida. – Você também está fazendo o mesmo, não está?
– Calma, Blondie, não precisa de toda essa grosseria. Eu apenas estava andando pelos corredores quando te vi. Faz tempo que não consigo ficar sozinho com você, bateu uma saudade, sabe... – falou se aproximando.
– Fique longe de mim. – Tentei falar de uma maneira que o intimidasse, mas isso obviamente não deu certo, o medo na minha voz estava claro.
– Vai me dizer que não estava com saudades, Blondie? – falou me prensando contra a árvore com um sorriso malicioso.
– É claro que não, me solta! – tentei me livrar de suas mãos, mas ele definitivamente era mais forte do que eu.
– Não se faça de difícil, Blondie, sei que você quer isso. – e depositou um beijo em meu pescoço. Eu não queria, eu realmente não queria, mas não consegui evitar um gemido. Droga! Vamos corpo, colabore comigo, não com ele!
Finalmente voltando a ter o controle sobre meu corpo, comecei a me debater na tentativa de me soltar.
– Para com isso Sting, mas que droga! Para! – mas ele não parava, pelo contrário, parecia aumentar a pressão sobre mim. Idiota!
– Ela está pedindo pra você parar, não está ouvindo? – uma voz nos cortou, fazendo com que Sting parasse de beijar meu pescoço, mas não havia me soltado ainda. O que ele está fazendo aqui? Todo mundo decidiu cabular aula hoje?
– Ah é, e se eu não quiser, algodão doce? – provocou.
– Você vai se arrepender.
– E o que pretende fazer? – continuou a provocar.
Vi Natsu abrir a boca para responder, mas o mesmo foi interrompido pelo sinal, anunciando o intervalo. Em segundos os corredores foram tomados por alunos. Perante a tal situação, Sting me solta, deixando uma marca vermelha em meus pulsos.
– Teve sorte desta vez, Natsu, eu o faria em pedacinhos, caso continuasse a me desafiar. E Blondie, espero continuarmos mais tarde. – e saiu como estivéssemos tendo uma simples conversa casual. Argh, como o odeio!
Natsu o encarou feio e o seguiu com os olhos enquanto ele se afastava. Assim que o perdeu de vista, Natsu se virou para mim preocupado.
– Você está bem, Lucy? Está doendo muito? – Natsu pegou meu pulso para avaliar o estrago feito por Sting.
– Estou sim, obrigada por aparecer. Te devo uma. – sorri para ele agradecida. É a segunda vez que esse menino me salva.
– Não se preocupe com isso. Sabe, desde o primeiro dia, não fui com a cara daquele Sting, agora comprovei que ele realmente não presta, se precisar de ajuda, Lucy, pode contar comigo. – Isso foi realmente muito fofo de sua parte! – Bater naquele idiota deve ser incrível, estou empolgado! – Ok, isso foi idiota, mas não pude evitar um riso.
– Obrigada mesmo Nat...- fui interrompida pelo mesmo.
– Que ferimento é esse na sua testa, Lucy? – apontou para um pequeno hematoma na minha testa. Droga, pensei que a franja estivesse cobrindo! Aquela pestinha! – Foi aquele idiota quem te fez isso? – perguntou ficando com raiva.
– Não se preocupe, não foi ele não, foi só um pequeno acidente doméstico, háháhá. – ri sem graça. – Aquela pestinha me paga! – sussurrei ao lembrar da frigideirada que levei na cara ontem ao correr atrás de Mavis para ela me devolver meu caderno. Dá pra acreditar que ela me tacou uma frigideira na cara?
– Pestinha? – Vish, ele ouviu meu comentário! – Está falando da Mavis? Este era o desafio que você mencionou ontem? Andou tomando conta dela de novo? – dessa vez perguntou segurando um riso, o que não deu muito certo.
– Ela mesma, e não ria! Isso não tem graça! – respondi envergonhada.
– Tem e muita! Você é mesmo estranha, Lucy! – riu. – Você é realmente intrigante, sabia? Vou nessa, se cuida!
– Você também.
Estranha? Intrigante? Ora essa, é assim que o mundo me vê? Assim que Natsu se afastou, vi ao longe Levy se aproximando. Droga, no meio desta confusão, esqueci de mandar a mensagem! Tenho que ser rápida!
Desbloqueei meu celular e rapidamente enviei a mensagem. Bem a tempo de Levy não perceber meu ato, viva!
– Vamos à cantina, Lu-chan? Estão servindo aqueles bolinhos que você tanto gosta!
– Só se for agora! – sorri.
“Preciso falar com você urgente! Me encontre após meu expediente no Kurt Café! Abraços, Lucy”
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