Uma Pestinha Em Minha Vida
20 Acampamento da Fairy Tail pt4: Nossa pequena vingança e recalques na montanha
Notas iniciais
Fiquei tossindo por algum tempo ainda na água, tentando fazer com que meu pulmão e todo o resto voltasse ao normal. Tossia tanto que meus olhos se enchiam d’água, me impedindo enxergar qualquer coisa. Senti braços agarrando meus pulsos e me tirando da água. Naquele momento eu gostaria de não estar com a garganta e os olhos tão irritados para poder ver e agradecer a pessoa, seja lá quem for, decentemente por isso.
– Você não muda nada, não é, Blondie? Continua um ímã para problemas.
Engasguei novamente. De todas as pessoas do acampamento, tinha que ser logo ele a me tirar da água? Virei-me do lado oposto a ele e tentei me levantar para sair de lá, evitando ao máximo algum contato com ele, mas ele foi mais rápido e segurou meu pulso.
– Não seja tão chata, Blondie, afinal, eu te ajudei antes que pegasse uma hipotermia. Mostre um pouco de gratidão pelo menos.
Fiquei alguns segundos em silêncio sentindo minha garganta e minhas costas ardendo e suspirei.
– Obrigada.
– Ah, temos um progresso aqui! Então, Blondie, perdeu uma palestra sobre ecologia, estava aqui todo esse tempo?
Apenas assenti com a cabeça.
– E estava sozinha, não estava?
Assenti novamente.
– Certo, então não sabe me dizer onde o Dragneel e o Fullbuster estavam, não é? Afinal, eles também não estavam na palestra.
Esta “conversa” estava ficando perigosa, o tom dele era claramente ácido! Preciso sair daqui. Tossi novamente.
– Olha Sting, eu realmente não estou a fim de conversar, quero voltar e...
– Eles estavam com você, não estavam?
– Sting, eu...
– ESTAVAM, NÃO É??
Esta alteração me deixou realmente assustada. Os olhares ameaçadores que ele me mandava na Alemanha começaram a invadir minha mente, fazendo com que um arrepio passasse pelo meu corpo inteiro. Me sentia presa em uma masmorra com um torturador particular. A pouca coragem que eu tinha se esvaziou do meu corpo, novamente eu estava vulnerável a ele. Como sempre. Droga, Lucy, você realmente é uma vergonha!
– Estavam. Apenas conversamos, aqueles dois mais brigaram entre si por idiotices do que falaram comigo.
– Típico daquele Majimboo e daquele Nudista. São idiotas e isto não vai mudar, não é?
Aquilo me irritou, realmente me irritou, mas fiquei em silêncio, ainda estou vulnerável e sozinha com um psicopata que ainda segurava firmemente meu pulso a beira de um lago, ele poderia fazer qualquer coisa comigo se eu o irritasse. Sério Lucy, você continua sendo uma idiota.
– Mas isto não me preocupa, por enquanto, mesmo você tendo ficado amiguinha deles de repente, ainda são dois idiotas. A questão é, o que o Lates está fazendo aqui?
– Você não perguntou isso a ele agora a pouco?
– Aquilo não me convenceu, afinal, ele ainda espera uma resposta sua, não é? Você sabia que ele estava aqui, não sabia?
– Com é que eu poderia saber? Perdi o contato com ele desde que voltei para cá.
– Verdade, é? Está me dizendo que é apenas uma coincidência?
– Sim.
– Para o seu bem e para o bem dele, espero que seja verdade, Blondie. – Isso me irritou mais ainda e acendeu uma fagulha de coragem.
– Você não é dono da minha vida, pare com isso. Ele apenas riu. Riu como se realmente fosse uma piada. Pelo visto, para ele é.
– Estou falando sério.
– Certo certo. – Abanou a mão como se não fosse nada de mais. – Vamos voltar para o acampamento, você vai pegar um resfriado se continuar neste estado. Nada respondi. — Ou se você quiser, podemos ficar aqui e eu mesmo te esquentar. – Falou em meu ouvido com uma voz sedutora e mordeu o lóbulo da minha orelha, me causando um leve arrepio e claro que ele notou isso, sorrindo satisfeito. Esse cara me irrita, ele devia fazer o mesmo para qualquer uma, pobres Laki, Kinanna e Angel, são umas iludidas. Afastei-o imediatamente e me levantei.
– Vamos voltar. Ele fechou a cara, mas não contestou.
– Certo.
[...]
– Lucy! O que aconteceu com você? – Levy gritou desesperada ao me ver entrar na cabana naquele estado deplorável.
No caminho de volta para o acampamento consegui tirar Sting da minha cola. Pelo horário, acreditava que as meninas estariam no refeitório e que a cabana estivesse vazia, assim poderia tomar um banho e aparecer para elas nova em folha, sem falar que me sentiria melhor assim, dar explicações coberta por roupas molhadas e geladas não é nada legal.
– Posso explicar depois de um banho? Quero me livrar destas roupas geladas. – sorri sem graça, tentando escapar do olhar preocupado de Levy.
– Onde estava, Lucy? – Agora foi a vez de Erza perguntar.
– Minha nossa, você caiu no lago? Olha que a bêbada era eu, como conseguiu isso? Os meninos deixaram que isso acontecesse com você?
– Indiscreta. – comentei fechando a cara e procurando uma muda de roupas secas em minha mala.
– Que meninos? Ah, é por isso que você, Natsu e Gray não estavam na palestra? Ora ora Lu-chan! Ora ora... – Levy jogou um sorriso mais que malicioso para mim, o que obviamente me deixou super corada, mesmo gelada por causa das roupas molhadas.
– Levy-chan!
– O que estava fazendo com os meninos, Lucy? – Agora quem perguntou maliciosa foi Erza.
– N-NADA DEMAIS!
– Vamos, Lucy, compartilhe conosco!
– M-Me deixem em paz!
Bati a porta do banheiro com toda a força e com fumaça saindo de meus ouvidos. Eu chego só trapos e elas ainda ficam maliciando minha vida? Amigas da onça! E ainda pude ouvir as risadas delas e teorias do que eu posso ter feito com eles! Entrei na banheira com tanta raiva que apenas a temperatura do meu corpo, já quente, deve ter feito a água entrar em ebulição!
Saí do banheiro já vestida e mais calma, as meninas já tinham baixado o tom das risadas e já me sentia bem novamente. Um banho pode fazer milagres!
– E então, Lucy, vai nos contar agora? – Levy piscou de maneira sugestiva jogada em sua cama escrevendo algo em um caderninho que sempre a acompanhava, devia estar escrevendo mais algum conto. – Estou escrevendo um conto erótico baseado na sua vida, vai ser mais fácil escrever depois que você me contar o que aconteceu hu hu hu.
– LEVY-CHAN!
Cana e Erza riram descontroladamente por alguns minutos, juntamente com Levy devido à inconveniência da escaladora de rodapés. Sentei na cama da baixinha com a maior cara de bunda que eu podia fazer esperando o ataque de risos destas hienas passar.
– Pronto?
– Sim, pode contar tudo! – Levy secou uma lágrima em um canto do olho e se empolgou novamente.
– Conte tudo! – Incentivou Erza.
– E não esconda nenhum detalhe! – Cana terminou.
Com toda essa expectativa das meninas, não consegui conter um suspiro, eu realmente gostaria de ter algo mais animador para contar. Contei tudo a elas, menos a parte de Sting ter me ajudado. Sei que se contasse isso, teria que ouvir e responder muitas perguntas que eu não queria responder agora. Sei que prometi aos meninos que contaria em breve, e o mesmo vale para elas, mas um problema de cada vez! Primeiro o problema das vacas que me jogaram no lago!
– Não acredito que fizeram isso! Que vadias iludidas! – Levy apertou seu lápis com tanta força que este se partiu ao meio. – Precisamos fazer algo a respeito!
– Temos que informar o diretor! Esse tipo de coisa é inaceitável! – Erza se pronunciou.
– Mas assim as vacas vão levar uma advertência e ficar ameaçando a Lucy no colégio ou até fora dele, temos que pensar em outra coisa. – Cana falou sem olhar-nos e preparando um jogo de cartas em sua cama.
– Eu pensei em pequenas vinganças durante as atividades amanhã, sabe? Pra descontar a raiva e ser discreto o suficiente para não chamar a atenção do coordenador. – comentei.
Ao ouvir esta palavra, Erza se arrepiou inteira, arrancando risadas de todas nós.
– C-Calem a boca! Vocês não tem noção do quanto aquele homem é assustador!
– O que ele tem de assustador pra você, tem de engraçado para nós! – Levy explodiu em gargalhadas, seguida por mim e Cana.
– Mas o que você prefere, um deus grego azulado com uma tatuagem tribal no rosto que é louco por você ou aquele coordenador sedução? — Cana piscou para Erza abrindo uma garrafa de sakê, e como resposta, teve uma travesseirada na cara.
[...]
No dia seguinte eu e as meninas aplicamos nossa pequena vingança nas meninas da cabana vizinha. Coisas pequenas como a bolada na cara que Levy deu em Angel no jogo de volei, a derrubada do almoço de Laki devido a um “pequeno desequilíbrio” de Cana, o tombo que Erza fez Kinanna levar durante a corrida de três pernas e o banho gelado que Lisanna tomou por eu ter acidentalmente desligado a energia da cabana dela. Como eu sabia que ela estava no banho? Não sabia, apenas desliguei a energia por um segundo e ouvi ela gritando do banheiro!
– Ah! Me sinto vingada! Isso é tão bom!
– Há há, foi simples, mas foi mais divertido do que eu esperava! – Cana se espreguiçou.
– Foi mesmo, o que vamos fazer agora? – Erza perguntou.
– Aqui no cronograma diz que escalaremos a montanha e encerramento do acampamento com um baile às oito da noite. – Levy leu o cronograma e suspirou logo em seguida dando uma risada divertida. – Mais duas atividades para você aturar o coordenador, Erza!
– QUIETA, ESCALADORA DE RODAPÉ!
– Essa doeu, Erza! Você é má!
[...]
– Falta muito pra chegar ao topo? Eu não sinto mais as minhas pernas! – Cana choramingou se jogando nas minhas costas. NAS MINHAS COSTAS! Nem preciso falar o quanto isso me deixou aleijada, não é?
– Estamos quase chegando, Cana, agora POR FAVOR saia das minhas costas! – choraminguei.
– Se não bebesse tanto e praticasse mais exercícios você não sentiria tanta dificuldade.
– Pra você falar é fácil, não é, Erza? – Cana saiu das minhas costas e pôs-se a se arrastar montanha acima.
Estamos nesta trilha há uma hora nesta subida interminável, e assim como eu e Cana, o resto da sala também estava choramingando para subir esta desgraça. Atividades sustentáveis, quem teve essa ideia brilhante? Não havia muita gente na nossa frente, apenas Erza que estava completamente normal (Como ela faz isso?), Gajeel e por incrível que pareça, o coordenador Ichiya! Dá pra acreditar que aquele cara estranho e gordo tem tanta disposição quanto a Erza?
Olhando para trás, Gajeel deu aquela risada estranha dele e veio até nós.
– Está precisando de ajuda aí, baixinha?
– Por favor!
Antes que alguém pudesse perceber alguma coisa, Gajeel jogou Levy em suas costas como um saco de batatas e começou a correr morro acima.
– AAAAAH! NÃO ERA ISSO QUE EU QUERIA! ME PÕE NO CHÃO! ME PÕE NO CHÃÃÃÃO!
– É, parece que só veremos nossa amiguinha baixinha no topo. – Cana falou se escorando em mim.
– Aposto que ela não está tão brava quanto ela demonstra, sei muito bem que ela adora qualquer atenção do Gajeel. – comentei parando onde estava.
– Vamos parar um pouco, Erza, minhas pernas vão cair se eu continuar nesse ritmo!
– Bom, os outros parecem estar longe ainda, não vejo problema em um minuto de descanso.
– Viva! – Eu e Cana comemoramos.
Aproveitei o tempo para tomar água e fazer um alongamento antes que eu tivesse que amputar as pernas. Erza apenas encostou-se a um tronco de um árvore e Cana se jogou no chão de tal maneira que parecia morta. Na verdade, não duvido que esteja, mas o sossego não durou muito pois, após avistar Jellal, Erza já nos pôs de pé e seguir em frente. Tudo para não encontrar o amor, não é, Erza? Por que se nega tanto a isso?
Chegamos ao topo e tivemos que esperar o resto da sala chegar para começar a atividade. Sentamos em alguns troncos que havia lá e ficamos conversando enquanto alguns tiravam fotos do local e outros se jogavam no chão pelo cansaço da subida. Na realidade acho que todos estamos fora de forma mesmo, não parecia tão alto quanto eu imaginava, então parei para observar melhor o local. Do topo da montanha era possível ver o acampamento lá em baixo e toda a extensão do vale. Os pinheiros cobriam boa parte do território e era possível ver alguns ninhos dos mais diversos pássaros por perto, com algumas placas informativas espalhadas pelo local. Apenas uma parte do lago era visível, mas era uma visão que encantava com o sol se refletindo no espelho d’água. O céu estava num azul calmante, com poucas nuvens completamente brancas e fofas e a brisa? Era constante e suave, completamente relaxante! Esse lugar é lindo! Imagino como ele deve ser a noite, sem nenhuma luz da cidade para atrapalhar, o céu deve ficar perfeito para ver as estrelas!
– É lindo, não é? – Uma voz se pronunciou ao meu lado. Estava tão concentrada na paisagem que nem percebi que havia alguém do meu lado.
– É sim, é relaxante. Não deveria estar com a Lisanna?
– Eu estava, mas ela não parava de reclamar, ficou reclamando da subida com as amigas, então vir espairecer.
– Você deve ser bastante paciente.
– Confesso que tenho testado um pouco da minha paciência com ela desde que você apareceu.
Aquela confissão me pegou desprevenida e fiquei muito sem graça ao ouvir isso.
– Desculpe.
– Relaxe, está valendo a pena.
– Como pode dizer isso? Você tem brigado mais com ela desde aquele acidente do banheiro! – Não pude deixar de corar ao lembrar este pequeno incidente, ele viu mais do que deveria do meu decote!
– Há há, é verdade, mas ganhei uma boa amiga! Com isso já vale a pena. – falou com um sorriso que bambeou minhas pernas. Sério Natsu, tem ideia do quanto este sorriso é perigoso?
– V-Vamos voltar, acho que o Ichiya vai começar a falar.
– Vamos.
[...]
– E pensar que esse sacrifício todo apenas para ouvir aquele estranho falando por meia hora sobre respeitar a natureza, esse lugar me dá nojo! – Lisanna reclamava o tempo todo passando filtro solar sem parar mesmo sendo finzinho de tarde.
– Nem me fale, estou coberta por picadas de mosquito! – Laki se juntou a ela.
– E o Sting nem olhou pra mim em momento nenhum! – Kinana choramingou se apoiando na melhor amiga, Laki.
– Tudo bem, tudo bem, um dia ele ainda vai reparar na gente, você vai ver!
Juvia nada disse, apenas continuou seguindo-as calada. Eu e minhas amigas não estávamos muito longe delas, estávamos perto o suficiente para ouvir tudo o que elas falavam, ou praticamente gritavam. Quando eu e Natsu voltamos para onde todos estavam, Ichiya estava começando um discurso a respeito do meio ambiente e da fragilidade deste sistema e sobre sua importância para o equilíbrio da vida na terra. Inspirador, mas meio clichê. Após isso ele promoveu um debate que não durou muito, meio que acabou sendo apenas uma discussão entre Levy e Gajeel que eram os que mais entendiam do assunto e ele deu alguns minutos para explorar.
– Pare de reclamar, Lisanna, não é tão ruim assim, aproveite melhor o lugar! – Natsu estava com um vinco na testa ao lado de sua namorada, ele não parecia estar muito satisfeito de estar naquele grupo.
– Mas Nat-kun! Isso aqui é o exílio! Não tem internet e nem sinal de celular! Não dá pra viver sem isso, é uma chatice só! Não vejo a hora do baile de hoje à noite e ir embora desse lugar horrível! Primeiro essa notícia horrível, depois aquela queda de energia estranha na nossa cabana, aposto que foi a Heartphilia! Ela morre de inveja de mim e não perde a oportunidade de me perturbar!
Vaca! Bom, foi mesmo eu quem cortou a energia da cabana dela, se ferrou!
O garoto apenas suspirou. É, ele realmente tem bastante paciência. Não posso falar nada, afinal, eu tomo conta do capeta quase todas as noites da semana! Estávamos apenas eu e Cana, Levy havia sido carregada por Gajeel e Erza estava numa discussão com Jellal, então eu e Cana decidimos sair de perto.
– Como aquelas meninas reclamam! Não me conformo como Natsu aguenta isso, logo um cara esquentado como ele! – Uma terceira voz entre nós se pronunciou.
– Gray?
– Se importam se eu lhes fizer companhia, senhoritas? Realmente não dá pra ficar de vela daquele chiclete.
– Claro! Tem alguma bebida aí? – Cana se pendurou em seu pescoço.
– Por que eu traria isso numa caminhada?
– Vocês são uns sem graça! Todos vocês!
– E então, meninas, vocês já arrumaram um par pra hoje à noite?
– Ainda não, creio que a Levy vá com Gajeel e Erza com Jellal, mas ainda não tenho par, e você, Cana?
– Acho que vou com o Elfman?
– Com o Elfman? – Eu e Gray exclamamos surpresos.
– Sim, ele estava me devendo uma e ele também está sem par, agora temos que resolver o seu problema, Lucy, Gray, você já tem par?
– Não.
– Então está resolvido! Vai com a Lucy pra ela fazer ciúmes no Natsu!
– COMO É QUE É????
– Wow, tá interessada no rosinha, maninha? – ele riu, me puxando pelo pescoço e bagunçando meu cabelo.
– Ai ai! Parem com isso! C-Claro que não! De onde você tirou essa ideia, Cana?
– Oras, deu pra sentir o clima que rolou entre você lá no topo de longe! Vocês precisam ficar juntos!
– Cana!
Sério, ela é paga pra me desconcertar desta maneira? Que clima? Ok, teve um clima mesmo mas ESPERA AÍ! Natsu é comprometido, mesmo com uma menina chata como a Lisanna, mas é! Cana não deveria tirar conclusões assim do nada!
– Isso vai ser interessante! Nunca gostei daquela namorada dele mesmo, vai ser divertido!
– Gray! Sério! Se a Juvia me vir no baile com você ela vai me jogar na caixa d’água pra eu morrer afogada no meio da noite! – choraminguei.
– Isso é o de menos, está decidido! – Cana riu. " Isso é o de menos", minha morte não é nada de mais para eles. Amigos da onça!
[...]
O baile demorou um pouco mais do que o programado para começar pois todos estavam mortos demais para estarem dispostos a estarem em um salão abafado após aquela caminhada, apesar de a volta ter sido bem mais fácil do que a ida. O salão estava todo decorado para uma festa casual, sem nada muito luxuoso ou caro. Um bar instalado em uma das laterais do salão, algumas mesas postas, pista de dança, DJ, e muita, mas muita comida! As pessoas começaram a aparecer por volta das nove da noite, quando o cheiro da comida começou a invadir as cabanas mais próximas. Levy com um vestido branco simples com uma fita e um laço abaixo de seus pequenos seios e uma sapatilha era uma das mais animadas do local, arrastando Gajeel, com um jeans escuro e uma camisa polo preta para todo lugar, era engraçado vê-lo assim. Erza e Jellal, pela primeira vez, parecia constrangidos de olhar um para o outro, com um casal que se encontra pela primeira vez. Não posso me esquecer de jogar isto na cara dela depois! Cana estava bastante empolgada com Elfman, era seu melhor amigo, então estava tudo de boa com eles, eles pareciam apostar quem bebia mais. Laki e Kinana dividiam Sting. Como pode? Como elas aceitam isso, as duas dividindo o mesmo cara? E ele não parecia ligar muito para elas, parecia estar mais interessado no que estava bebendo do que falar com elas. Juvia estava de cara fechada em um canto com um vestido azul escuro simples me lançando um olhar mortal enquanto um cara chamado Lyon fazia o possível para chamar sua atenção. Hibiki estava aqui também e neste momento estava cantando Jenny enquanto Ren cantava Sherry e as duas pareciam estar caindo na lábia deles. E por último, Natsu e Lisanna. De longe Lisanna era a pessoa mais animada do baile, parecia que havia vindo para este acampamento pensando neste baile, mas Natsu não parecia compartilhar da mesma empolgação que ela, na verdade ele pouco falava com ela, prestava mais atenção nos amigos e de vez em quando lançava uns olhares desconfiados para Gray.
– O que foi, Lucy, não parece estar se divertindo muito. – Gray comentou me trazendo uma bebida.
– Só estou um pouco cansada por hoje, subir aquela montanha não foi fácil.
– Concordo. E aí, pronta pra fazer ciúmes na pantera cor de rosa?
– Gray! Eu não quero fazer ciúmes no Natsu!
– Ora, vamos! Estou a fim de ver ele irritado um pouco!
E antes que eu pudesse contestar, ele já havia me puxado para uma dança. Confesso que pisei um pouco no pé dele no começo e que ele pisou no meu também, mas foi divertido! Gray era tão péssimo dançarino quanto eu!
Comemos, rimos e dançamos mais um pouco, Gray é um cara legal, foi uma noite bem divertida! Nos juntamos com Levy, Gajeel, Erza, Jellal, Cana e Elfman algumas vezes, Natsu e Gray soltaram algumas faíscas de vez em quando mas nada que estragasse a festa e Lisanna quase armou um barraco porque Natsu não estava com a atenção totalmente nela. Reparei que Erza e Jellal estavam realmente se divertindo, mesmo que eles não queriam admitir, acho que esse casal vai se resolver logo!
Estava me divertindo bastante, e estava tão distraída tentando separar o começo de uma briga entre Natsu e Gray que nem reparei que alguém havia subido no palco. Alguém que poderia acabar com minha noite.
– Boa noite, meus amigos! Vamos agitar esta festa! – O que ele está fazendo lá em cima? – Esta canção é para todos aqueles que possuem o parfum mais belo da juventude, men!
Então a melodia de I’ll Survive ecoou pelo salão! E pior, ele começou a cantar! Mamãe! Descobri alguém que canta pior que o Gajeel! A voz de alguém se destacou no meio da multidão, com um grito que acordou a todos daquela hipnose absurdamente estranha e colocou todos para correr!
– Salve-se quem puder!!!
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