Notas iniciais
Oie! Como vão? Obrigada à Sora Miyuki, Haru e à Anne Mikane por favoritarem a fic. (^3^) Também muito obrigada à todos que estão acompanhando e gostando de "Uma Pequena Visita". Espero que gostem do cap! Boa leitura!

Já era tarde da noite. A pequena garota acorda sem sono. Senta na cama e esfrega os olhos. Ela põe seus pezinhos no chão frio, pega um cobertor e uma de suas pelúcias.
A loirinha caminha devagar em direção à sala. Vai até o braço do sofá e sussurra:

— Papai Len, vochê está acodado?

— Hum... Agora estou... — ele murmura se mexendo um pouco.
— Papai Len... — ela o cutuca — Não conshigo domi.

Ele se remexe e diz sonolento:
— Esse sofá não é muito grande, não tem espaço pra dois...
Rin larga suas coisas no chão e tenta empurrar uma poltrona para perto do loiro. Como não era forte o suficiente, o móvel nem saiu do lugar.
Len respirou fundo e levantou-se. Empurrou a poltrona até ao lado do sofá e a inclinou para trás, fazendo assim uma caminha improvisada.
— Pronto. Agora vá dormir. — se jogou de volta no sofá.
— Huhum! — ela assentiu animada — Obigada!— subiu no móvel e se aconchegou nele com seu cobertor e seu bichinho de pelúcia.

— Papai Len... — o chamou novamente.
— O que foi, Rin-chan?
— Conta uma históia pa mim?
— Na sua casa é aquela governanta maligna que lhe conta historinhas?
— Não, é a mamãe.
— Aquela nanica... — resmunga.
Ele encara a loirinha que faz o mesmo com os seus olhinhos amáveis. Len respira fundo e se rende:
— Tudo bem então! — a garota comemora — Mas você vai me prometer que depois vai dormir, certo?
Ceto!

— Era uma vez, em um apartamento cheio de roupa suja e comida estragada, vivia uma barata. Essa barata adorava subir em cima de cabelos loiros, principalmente de menininhas que demoram muito pra dormir. Fim!

— Hã?! – ela indaga – Po acasho ela vivi aqui?

— Talvez... – sorri maquiavelicamente – Bons sonhos.

A pequena arregala os olhos e treme toda. Olha para os lados e mexe em sua cabeça, com medo de encontrar algo lá.

Vochê está mentindo, não é?

Ele não responde.

Rin se levanta e sobe em cima do loiro e rola para o seu lado, ficando em suas costas.

— O que está fazendo aí, menina?! Eu não disse que não tem espaço?

— Eu shou pequena... – argumentou.

— Assim eu vou cair.

— Mais asshim a dona baata não vai me acha, po que o sheu cabelo é mais shujo que o meu. – disse sonolenta.

— Da onde que você tirou essa conclusão?!

Mas ela não escutou. A pequena foi relaxando, até que se rendeu ao sono que estava chegando.

— Ei! Rin-chan?! – notando que ela já dormia, ele suspira e desiste. Por fim, logo também adormeceu.

~***~

Len acorda dolorido. Ele estava caído no chão com o cobertor enrolado na cintura.

Ainda sonolento, ele pergunta:

— Rin-chan... Por que eu estou aqui em baixo?

— Não shei. Vochê eshtava aí quando acodei.

— E você? – se ergue esfregando a cabeça – O que está fazendo?

— Jogando. – se remexe na cadeira com o seu tablet.

— Algo de moda? – ele pergunta juntando o cobertor.

Coida.

— “Coida”?

Coiida!

— Ah, corrida. – arruma a poltrona – Já tomou café?

Não tirando os olhos – e muito menos os dedos – do aparelho, ela responde:

— Ainda não.

— Tem cereal açucarado, caso queira.

— Hum...

A campainha é tocada. O loiro ajeita sua roupa amarrotada e faz um pequeno rabo de cavalo com o cabelo.

— Já estou indo! – se dirige à porta.

— E aí Len! – exclama o outro rapaz – Onde você se enfiou ontem?!

— Piko. – boceja – Desculpa, eu esqueci.

— Esqueceu? Como esqueceu?! Era um encontro duplo! Tive que cancelar.

— Aff, eu já falei que estou bem assim.

— Não, não! Eu remarquei para hoje de tarde! Não dá pra cancelar de novo!

— Cara, eu-

— Papai Len, — falou a loirinha – Onde eshtá o ceeal açhucaado?

— No balcão de baixo. – ele responde.

— Espera aí! – exclama Piko – Tem alguém no seu apê?

— Hã... Tem sim, só q-

— Agora entendi! – sorriu com malícia em seu rosto – Você tem visita... – ri – Deixa eu ver?

— O quê?

— Pela a voz ela é uma burikko*! Deve ser muito fofa! Seu safadinho!

— Não é o que você está pençand-

— Papai Len, — ela novamente o chama – Onde tá o leite?

— Oh! Pelo jeito ela gosta de brincar de papai e filhinha! – o prateado concluí.

— Não! – o Kagamine diz – Está na parte de cima da geladeira.

— Cara, deixa eu ver ela, vai?!

— Piko, cala essa boca!

O rapaz se invoca e empurra o loiro pra dentro. Ele então encontra uma pequena garota em cima de uma cadeira na frente da geladeira.

— Meu, ela é uma sósia anã sua, por acaso? – começa a rir – Caraca, que fofa!

— Quem é esshe tio feio? – a menina pergunta.

Len suspira e põe a mão no rosto.

“Sabia que ele era burro, mas nem tanto...”— pensou o loiro.

~***~

Depois de esclarecerem tudo ao prateado, tomaram café da manhã e, enquanto a menina assistia um desenho na TV, os rapazes conversavam:
— Vai lá Len! Me ajuda cara!
— Já falei: não estou em clima para um encontro.
— Mas é o que você sempre diz!
— Piko, tente entender, eu tenho que cuidar da Rin-chan. Não posso sair e deixá-la sozinha.
— E se você levar ela junto? As gatas se amarram em caras que gostam de crianças!
— Nem pensar! Minha filha não é imã de mulheres!
— Pô cara! — resmungou Utatane pensando em desistir até que algo lhe vem em mente. Se levanta e vai até a loirinha que o encara curiosa.
— O que vochê qué, tio feio?
— O que me diz, Rin-chan? Quer ir à sorveteria comer algo?
Shovete?! – a garota se animou.
— Piko, o qu- – o loiro tentou falar quando foi interrompido pelo o amigo.
— Vai negar um sorvete a sua filha, é?
— Vamos na shoveteia! Vamos, vamos! – a pequenina insistiu.

~***~

Os três chegaram no local. Rin ainda estava animada:

Sherá que tem shovete de laanja?

— Talvez tenham... Mas mesmo assim não se afaste de mim. – o loiro explicou à pequena.

— Vamos para aquela mesa! – apontou Piko.

Shim! – exclamou a menina correndo em direção.

— O que eu acabei de dizer, Rin? – suspirou Len. Ele olhou para a mesa – Ei! Ela está ocupada!

— Não sei do que está falando... – cantarolou o prateado, empurrando o amigo.

— Oi! – a loirinha acenou para as duas moças – O tio feio disshe que esshe luga é nossho!

— Oi garotinha! – falou uma delas — Chegamos aqui primeiro, então-

— Fala aí meninas! – exclamou Utatane – Desculpa o atraso. – sentou-se seguido de Len – Esse é o meu amigo do qual lhes falei outro dia.

— Prazer, sou Yuzuki Yukari e essa é a minha amiga, Akita Neru.

— Olá.

— Oi – falou o loiro. – Rin-chan, sente aqui do meu lado e se comporte.

— Tá bom. – respondeu a menina.

— É sua? – perguntou a outra moça.

— Sim. Ela veio passar um tempo aqui em casa.

— É um amorzinho! – sorriu.

— Viu eu falei. – cochichou Piko.

Len bufou e revirou os olhos.

Esse Piko... Ele vai ser só...” – pensou.

— O que vão querer? – perguntou a garçonete.

— Pra nós dois sundaes de morango. – disse Yukari.

— Um sorvete de chocolate pra mim, boneca. – o prateado deu uma piscada.

— Eu não vou querer nada. – disse o loiro.

Shovete de laanja!

— Querida, infelizmente não temos esse. – sorriu a garçonete.

Mash eu queia esshe...

— Rin-chan, você ouviu a moça. – Len explicou.

— O que você acha de um sorvete de baunilha com cobertura de cauda de laranja, hum? – tentou convencê-la.

— Não é a meshma coisa... – a pequena fez um bico.

— Então vamos fazer assim: eu trago o sorvete de que eu lhe falei. Se não gostar, sai por conta da casa. O que me diz?

— Humm... Tá bom...

A garçonete sorriu e se virou.

“Essa mulher...”— o loiro pensou – “Acho que a conheço de algum lugar...”

~***~

Rin enfiou uma bela colher cheia de sorvete de baunilha com cauda de laranja na boca e se animou ao sentir aquele sabor agradável. É, pelo jeito não ia ser por conta da casa não.

As suspeitas de Len de já ter visto a garçonete continuavam. Tinha até mesmo pensado se não perguntaria a mesma, mas temia parecer estar flertando com ela. A qual não era a sua intenção.

— No que vocês trabalham, meninas? – perguntou Piko, querendo puxar assunto.

— Sou vendedora de calçados. – disse Neru – E ela ainda é estudante.

— É. Estou na metade da faculdade de advocacia. – a moça confirmou – E vocês?

— Eu e o Len trabalhamos em uma lojinha de conveniências. É bem tranquilo, não é?

O loiro que estava perdido em seus pensamentos volta a si:

— Hum? Ah, sim.

Moçha...— disse a garotinha, que até o momento não tirava sua atenção do sorvete – Esshes melões não shão pesados? – apontou para a loira que ficou vermelha e nervosa.

Os dois rapazes ficaram sem reação, enquanto a outra garota se matava de rir.

— Ri-Rin-chan... – o Kagamine tentou falar – O qu-quê você q-quis dizer?

— Hum? – a pequena o encarou inocentemente.

— B-bem... Hã... – murmurou Neru olhando para os lados.

Len temia que esse era o fim e que o amigo iria se revoltar com ele.

Pelo menos, não vou ser forçado a levar Rin para esses encontros terríveis...”— concluiu internamente.

Notando o silêncio de todos, a menininha novamente diz:

— Então moçha, esshes bincos shão pesados?

— Brincos?! – todos exclamaram largando após um longo suspiro.

Akita Neru pôs as mãos nas orelhas e enfim percebeu que estava usando um par de brincos com a imagem de um melão fatiado.

— Rin-chan, nunca mais me assuste assim... – murmurou o loiro.

~***~

O resto do encontro ocorreu normal. Eles conversaram bastante, mas – tanto o Utatane quanto as garotas – notaram que Len continuava distante. Isso mesmo, lá não era o local onde ele queria estar.

~***~

— Rin-chan...- bateu na porta – está tudo bem?

Shim! – ela afirmou.

— Quer ajuda?

— Não.

— Então ande logo, preciso tomar o meu banho também.

— Tá bom!

O loiro voltou a lavar a louça, quando ouviu a pequena o chamar:

— Papai Len!

— O que foi? – retornou à porta do banheiro.

Rin a abriu e o puxou pela camiseta.

— Vem logo!

— Mas-

She abaixa!

— Hã?

Ápido! – insistiu apontando para a borda da banheira.

O Kagamine suspirou, mas fez o que a garota pedia.

Ela dobrou as mangas de seu pijaminha amarelo e empurrou a cabeça do pai na banheira, pegando com um potinho água e derramando no rapaz.

— O que está fazendo? – ele perguntou.

— Lavando o sheu cabelo! Asshim a baata que shobe em cabelo não vai fica aqui! – pegou o xampu e derramou uma grande quantia naquela cabeleira loira. Estralou os seus dedinhos e se pôs a esfregar o couro cabeludo.

— Rin-chan, eu sei lavar meu cabelo, ok?

— Não acedito! – fez bico – She fosshe vedade não haveia nenhuma baata aqui!

Essa menina...” — riu internamente – “Por mais que ela tenha medo da barata, ao mesmo tempo criou um método de vencer esse medo. Que espertinha...”

Notas finais
Gostaram? Sim? Não? Comentem! Qualquer comentário é muito bem vindo! burikko* = é a "idéia de um olhar indefeso, submisso e fofo de uma jovem". Começou com mulheres japonesas adotando o som de um bebê ou de uma criança. "As meninas obscureceriam suas palavras para parecer crianças que aprendem a falar". –> Direto da tia Wikipédia. Beijinhos e até mais! (^3^)