Uma Paixão Chamada: Morte
11 A verdade doí, mas o pior é quando ela desaparece
Notas iniciais
A única coisa que eu não contava era que aquelas risadas fossem de... Sara.
– Acha a morte engraçada maninha? – Ele sorriu
– NÃO! Engraçado mesmo é o que eu vou fazer com você. – A voz de Sara não era a mesma, parecia misturada com uma voz masculina.
O cara alto deu um passo para trás, com medo. Sara ficou de pé e o sangue que antes estava no chão parecia estar voltando para seu corpo. De onde eu estava consegui vê-la, seu sorriso era macabro. Ela estava muito assustadora com aquele sorriso e os olhos esbugalhados, tive vontade de sair correndo.
De repente Sara se ajoelhou no chão e começou a esfregar a cabeça como se estivesse sendo profundamente incomodada.
– Então você já liberou a magia negra, mas não consegue controlar o seu lado negro... – O cara sorriu – Muito interessante Sarinha, assim as coisas ficam mais divertidas.
Ele correu na direção de Sara e chutou-lhe o rosto bem forte, Sara voou e bateu contra uma lata de lixo.
– Ela não é engraçada Matheus? – Ele começou a se aproximar de mim – Ah, caso você não saiba, eu sou o Samuel, irmão mais velho de sua namoradinha.
Sara veio se recompôs e veio correndo na nossa direção, mas parou de repente e começou a socar o ar... Só que não era o ar. Aquilo era uma barreira de força que Samuel tinha criado, uma barreira de força invisível que Sara estava tentando quebrar.
– Pergunto—me o que minha irmãzinha viu em você... Alan era tão melhor. – Ele empurrou-me e acabei caindo no chão – A pior parte é que Sara fazia de tudo para ser perfeita para você, mas quem disse que você queria saber dela? Você é o que por acaso? Gay? Faça-me o favor, todos os homens de verdade gostariam de ter uma garota como minha irmã em seus pés!
– Eu não sou todos os homens...
– Largue de ser mentiroso. – Ele me fitou – Sara é mais forte fisicamente, porém sou mais inteligente. Posso derrotá-la apenas com estratégias. Quem faz estratégias precisa saber quando alguém está mentindo ou blefando, seu caso é o primeiro.
– Você não me conhece.
– Conheço sim! E como conheço! Pensa que nunca tive quatorze anos de idade? Garoto, você é mais maluco por minha irmã do que ela é por você.
Fiquei em silêncio.
– Geralmente não é verdade essa coisa de “quando o menino te trata mal significa que ele gosta de você”, mas nesse caso é a mais pura verdade. – Ele mexeu nos cabelos loiros e curtos – Você nunca se achou bom o suficiente para minha irmã, sempre a viu toda feliz e pimpona andando com os populares enquanto você andava com aquela nerd na Carla, afinal, o que uma garota popular e linda iria querer com um Zé Mané?
– Isso é mentira! Eu amava a...
– Não venha me dizer que amava a Carla. Você nunca se importou com essa menina, ela era apenas o que sobrou, o resto, por isso você gostava tanto dela. Sempre julgou minha irmã, sempre te mostrou lados negativos dela para te fazer “trocar de lado” e quase conseguiu. Ainda bem que Sara deixou aquele boneco cair, senão você nunca teria descoberto a verdade.
Eu me encolhi. Tudo o que ele estava falando... era verdade? Eu gostava da Sara? Eu gostava daquela que há dias chamava de demônio loiro? Usei Carla só de estepe? As perguntas passavam pela minha cabeça como comerciais: eram segundos eternos.
De repente ouvi um barulho de algo quebrando, Sara estava conseguindo destruir aquele campo de força. Quando finalmente conseguiu, pulou em cima de Samuel que estava meio desesperado por saber que a “irmãzinha” tinha conseguido quebrar o campo de força.
Olhei para a mala onde estavam os bonecos... Será que eu poderia conseguir matar Samuel ou precisava de uma “aura mágica”? Sem pensar duas vezes abri a mala enquanto Sara ainda tentava golpear o irmão. Quando viram que eu estava com dois bonecos em minha mão (ambos pareciam com Samuel) ficaram assombrados.
Rasguei-os, em minhas mãos enquanto via os irmãos parados e me olhando.
Afinal, o que diabos eles estavam fazendo?
Foi aí que a pele de Samuel começou a rachar aos poucos, ele se desmontou. Primeiro um braço, depois uma das pernas e assim por diante... Os urros de dor não se cessavam e Sara apenas observava. Quando aquilo acabou, ele era pó.
Aproximei-me de Sara e segurei-a pelos ombros, sem pensar duas vezes a beijei. Ela ficou surpresa a princípio, mas retribuiu o beijo em questão de segundos. Não sei ao certo quanto tempo ficamos ali, apenas curtindo a boca um do outro, até que Sara se afastou.
Fiquei sem entender e ela apontou para um dos bonecos que eu tinha massacrado. Eu não havia percebido porque o cabelo de um dos bonecos estava dentro da blusinha que ele usava... Se era igual ao boneco de Samuel, mas com cabelo longo então.
– Sara?! – Olhei, ela não estava mais lá e nem em lugar algum.
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