Uma Nova Primavera
20 Escolhas
Notas iniciais
Sasuke
Cheguei a ficar por horas em frente a essa maldita Universidade, buscando um estímulo para ir atrás da Sakura. Algo dentro de mim me impedia de sair do carro. Depois de relutar o suficiente para a noite chegar, decidi ir embora. Foi a escolha da Sakura. Não podia interferir. Voltei para a casa dos meus pais e não quis falar com ninguém. Em meu olhar estava notório que nada havia mudado.
(...)
Um Mês Depois...
Meus estudos não eram nada fáceis. Legislações, processos, isso era o meu foco no momento, além da Sarada. Éramos só nós dois e lógico que minha mãe queria fazer parte, mas limitei os seus cuidados com a Sarada, não queria ter uma filha mimada, pois minha mãe exagerava em realizar as suas vontades.
Já havia voltada para o meu verdadeiro lar, a casa que seria da minha família, Sakura, Sarada e eu. Contratei a mesma babá que cuidou de mim e ela parecia muito feliz em cuidar da minha filha. Eram dez horas da noite. Estava revisando os assuntos de uma disciplina, enquanto a Sarda dormia em seu quarto, por sorte, ela acordava poucas vezes, então, era o momento perfeito para estudar. Já estava na sexta xícara de café quando ouvi algumas batidas na porta. Me levantei curioso para ver quem seria e fiquei estagnado ao ficar cara a cara com a última pessoa que imaginei ver nesse momento.
— Você... – ela não dizia nada. – O que veio fazer aqui?
— Sasuke... Eu...
— Se veio dizer alguma coisa idiota é melhor dar o fora daqui, e não pense que você possui o direito de vir nessa casa, perdeu tudo no instante que decidiu ir embora sem me dizer uma palavra sequer.
— Eu sei... Fiz algo estúpido e não tenho nem coragem de me desculpar, mas eu não aguentei mais viver longe da minha filha! Deixe-me vê-la, Sasuke!
Estreitei a porta, demonstrando minha negação ao seu pedido. Ela estava suja, literalmente, com os cabelos bagunçados e os olhos bem avermelhados. Era difícil vê-la assim que me atrevi a perguntar:
— O que houve com você?
— Nada. – ela respondeu cabisbaixa.
— Hum... Droga... Tenho muita coisa pra te dizer... Montei um discurso há muitos dias atrás... Hum... Estou com raiva, muita raiva de você, mas não sou tão desumano a ponto de te mandar embora desse jeito. – abri a porta, dando-lhe passagem. – Entre.
Suas mãos estavam trêmulas, e isso me deixava incapaz de despejar tudo o que tinha a dizer. Não era o momento. Não era a hora. Preferi ajuda-la. Se meus pais vissem isso, diriam que sou o homem mais idiota da face da terra. Realmente, acho que sou. A Sakura tomou banho, vestiu uma roupa sua, que ainda estavam em nossa casa, e ficou no quarto com a Sarada. A porta estava um pouco entreaberta, e a vi chorando ao lado da nossa filha.
Voltei para a sala, sentei-me e comecei a pressionar meus dedos em minha testa, pensando no que deveria fazer. Quis ligar para o Itachi, mas era desnecessário. Provavelmente, a Sakura iria embora pela manhã, então ainda tinha algumas horas para pensar no que dizer e como dizer.
(...)
Sakura
Há alguns dias...
— A Anatomia é algo surpreendente, não é Sakura! – Ino repetia sem parar essas palavras em nosso quarto.
— É.
— Ah amiga, o que pode te animar? Uma festa? Um rapaz bonito? É só me dizer que dou um jeito!
— Acho que fiz a maior besteira da minha vida!
— Finalmente, mais de cinco palavras! Eu sei que aconteceu alguma coisa que você evita me contar! Somos amigas ou não?
Sentei-me na cama e Ino sentou-se ao meu lado. Peguei uma foto escondida embaixo do meu travesseiro e entreguei em suas mãos.
— Minha filha, meu namorado, mais pra companheiro, morávamos juntos...
— Nossa... Não fazia ideia. Que bela família! E onde eles estão? – ela olhou-me assustada. – Não me diga que...
— Eles estão bem – a interrompi. – Pelo menos, deviam estar se eu não tivesse os deixado.
— O que? – ela parecia assustada.
— Eu tive que deixá-los para estar aqui...
— E você escolheu uma carreira ao invés de sua família? – suas palavras estraçalhavam meu coração. – Sakura, não estou entendendo... C-como alguém deixa uma filha para trás? O que você queria? Era ruim a sua vida? Você era maltratada? – comecei a chorar desesperadamente. – O que houve de tão ruim?
— Nada... – falei em meio aos prantos. – Eu sou uma péssima mãe! Uma péssima mulher! O Sasuke deve me odiar! Todo mundo deve me odiar! Sabe, Ino, fiz exatamente o que minha mãe fez a mim... Exatamente. Fugi das minhas responsabilidades pra seguir um sonho idiota!
— Ei, ei... Calma, amiga... – ela lançou seus braços ao meu redor. – Volte para a sua família... Se eles te aceitarem você esquece isso...
— Não posso ir... Assinei o contrato com a Universidade e se desistir, irei perder todas as chances de conseguir uma vaga em uma turma de Medicina... O tal do Kabuto deixou isso bem claro.
— É o preço a ser pago.
— Mesmo que eu desista, que chances tenho de voltar ao meu lar?
— Uma em um milhão... Mas, o que custa tentar?
(...)
Peguei minhas coisas e saí do alojamento. Passei na coordenação, peguei todos os formulários de desistência e preenchi o mais rápido que pude. Quando concluí toda a papelada, olhei em minha bolsa e tinha uma quantia pequena de dinheiro. Não era o suficiente para chegar em Konoha, mas ajudava a diminuir a distância.
Despedi-me da Ino sem mencionar minha falta de dinheiro e decidi ir direto para a estação de trens, onde pude pagar. Não quis ir até a minha mãe. Ela falaria novamente sobre os meus sonhos e tudo o que eu estaria perdendo, então, jurei a mim mesma que nunca mais a deixaria chegar perto de mim ou da minha filha.
A viagem de trem foi longa, me deixando em uma cidade vizinha à Konoha. Seria um dia de viagem a pé. Então, assim que saí do trem, andei o mais rápido que pude para ver minha filha. Não podia parar. Já havia feito muita besteira e o mínimo que podia fazer era pedir ao Sasuke que me deixasse vê-la.
Andei por um caminho de terra por mais ou menos três horas. Meus pés doíam, mas não desisti de andar. Faltavam poucos quilômetros e para dificultar ainda mais começou a chover. Por sorte, foi breve, mas o suficiente para molhar-me.
Quando cheguei em Konoha, eram oito horas da noite. Algumas pessoas que passavam perto de mim se afastavam e me olhavam com desdém. Passei em frente a uma loja com uma vitrine que refletia minha imagem. Olhei para mim mesma e vi a situação em que estava. Como podia chegar desse jeito? Senti-me envergonhada e comecei a chorar. Andei pelas ruas com as lágrimas escorrendo em meu rosto, me preparando psicologicamente para ser expulsa pelo Sasuke.
Assim que cheguei em frente a casa, relutei em bater na porta. Nem sabia ao certo que horas seriam. Mas, decidi arriscar, pois não tinha pra onde ir e não aguentava mais ficar sem ver a minha filha. Finalmente, bati na porta.
(...)
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