Uma Nova Chance Para O Amor BillMione
7 Capítulo 6
Capítulo 06
Trecho do prólogo
– Essa lei jamais será aprovada!
– Fora a confusão com os duendes!
– E o que vamos fazer? Essa é uma medida para garantir a segurança do mundo bruxo e trouxa!
– É uma invasão de privacidade! – gritou exaltado um dos bruxos.
Os ânimos continuaram acirrados durante toda a discussão.
A reunião realizada cerca de um ano não tomou rumos muito diferente, mas a situação era emergencial...
– A população confia no Ministério!
– Em que mundo você vive? Depois do fiasco de duvidarmos de Potter e Dublemdore, mesmo que anos atrás, não somos mais tão bem vistos assim. Eles não confiam sem antes questionar. Havia Comensais infiltrados bem debaixo de nosso nariz!
– Podemos começar com as famílias que tiveram ligação com a Arte das Trevas.
– Será uma lista extensa...
– Malfoy não gostará nada disso.
– Draco Malfoy vem lutando para limpar o nome de sua família já que seus pais eram declaradamente partidários de Voldemort. Tenho certeza que ele abrirá seus cofres.
– Vamos fazer isso de uma vez – com um floreio, o bruxo fez um pergaminho desenrolar-se e assinou seu nome. Depois, o documento foi passando de mão em mão. Todos assinando. E todos desconfiados que aquele ato causaria uma grande polêmica.
02 de maio de 2005
– Hermione, posso... pedir um favor? – Bill falou assim que chegou ao Gringotes.
– Claro, Bill – ela falou sabendo que essa era uma data difícil para ele. O ruivo havia chegado atrasado e com os olhos vermelhos.
– Tire o dia de folga e vá comigo ao cemitério? Não quero ir sozinho... – ela concordou e organizou os documentos para ler depois.
No túmulo de Victorie tinha algumas flores. Ele ajoelhou-se e Hermione colocou a mão sobre o ombro dele.
– Parece que foi ontem que eu a peguei no colo pela primeira vez. Tão pequena... Nunca senti tanta felicidade. Não há um dia que eu não me culpe pelo acidente, apesar de saber que foi um acidente. Tem noite que acordo e ouço a risada dela ou o choro. Corro para o quarto e o encontro vazio. Quando Fleur foi para França, ela levou todas as roupinhas e brinquedos. Tenho apenas um macacão que guardei. Victorie já estava grande para aquela roupa. E mesmo assim... Tão pequena. Por que isso foi acontecer?
Ela não tinha resposta para essa pergunta.
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– Sirius é lindo, Gina – Hermione falou com o bebê em seus braços.
– Obrigada. Você e Ethan já pensam em nomes? Aliás, o que houve com sua alinça?
A morena colocou o bebê no berço e puxou a amiga para fora do quarto. Na sala, contou sobre o rompimento e pediu:
– Deixe que conto para Harry e Rony, ok? Sei lá qual será a reação deles. Já basta um dos seus irmãos querendo matá-lo.
– Você e Bill andam bem próximos, não?
– Trabalhamos juntos, claro que estamos próximos.
– Sabe muito bem que não é dessa proximidade que estou falando, Mione.
– Ele é um bruxo inteligente e... atraente – Hermione falou corando – Mas, é apenas admiração.
– Vou fingir que acredito. E como ele está? Sei que não deve estar sendo um bom dia.
– Fui com ele ao cemitério de manhã. Está bem triste, claro. Nós almoçamos e depois disso ele quis ficar sozinho em casa.
– Pelo menos ele voltou a se alimentar. Ainda não acredito que aquela vaca da Fleur o abandonou...
– Acha que ele sente falta dela? Da Fleur, quero dizer.
– No começo, sim. Só que ultimamente ele parece bem ocupado com uma bruxa teimosa que trabalha com ele e não admite que há algo rolando.
– Não fale besteiras! – Hermione exclamou. — Acha que posso roubar seu marido hoje para uma conversinha? – Hermione perguntou claramente mudando de assunto.
– Fique à vontade. Ele passará na Toca com Rony para ver como meus pais estão.
– Vou até lá, então – as duas se despediram e Hermione aparatou – Olá, Molly – encontrou a matriarca na cozinha.
– Hermione, minha querida. Tudo bem?
– Sim, sim. E você? – ela percebeu que a senhora Weasley tinha chorado.
– Um dia triste, não? Artur está no Ministério. Passamos no cemitério agora pouco. Tentamos falar com Bill, só que ele cortou a comunicação por lareira.
– Eu fui com ele ao cemitério. Bill quis ficar sozinho depois do almoço.
– Obrigada, minha filha. Você tem o ajudado muito. Mais do imagina – Hermione corou levemente e, antes que pudesse falar algo, Harry e Rony chegaram.
– O que faz aqui, Mione? – Rony perguntou enquanto xeretava o que sua mãe preparava.
– Queria conversar com vocês – o ruivo olhou a amiga e notou que era algo importante.
– Vamos para o meu quarto.
– Como nos velhos tempos – Harry falou, andando entres os dois e colocando a mão sobre os ombros deles. Depois sentaram na cama e no chão para ouvir o que a amiga tinha para falar.
– Ele o quê? –Rony gritou, o rosto rubro, levantando-se. Harry o puxou para baixo.
– Acalme-se, Ron. Como você está com tudo isso?
– Fiquei chateada, mas estou bem. Eu estava em dúvida sobre o casamento. Estávamos brigando muito por causa do local e da lista de convidados. E por outras coisas – ela não queria dizer que era por causa de Bill – No dia em que o peguei... Bem,... – ela deu de ombros — Nós tínhamos brigado. Depois Bill apareceu e conversamos. Eu estava pensando em cancelar tudo.
– Por causa do Bill? – Harry perguntou maroto.
– Não! Por minha causa! – ela respondeu mais rápido do que necessário – os dois amigos entreolharam-se com um sorriso no rosto.
– Parem vocês dois! Não há nada entre mim e Bill!
– Mione e Bill sentados embaixo de uma árvore... – eles começaram a cantar juntos.
– Melhor correrem – ela falou apontando a varinha para os amigos que não pensaram duas vezes. Molly ouviu a bagunça, mas não brigou. Era reconfortante saber que eles estavam bem e felizes.
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– Eu mesmo cuidei para que qualquer objeto com rastro de Arte das Trevas fosse enviado ao Ministério – Draco falou cruzando as mãos sobre a mesa. Seus olhos cinza encarando o advogado.
– Eu sei disso. Apenas estou dizendo para o senhor os rumores que estão circulando no alto escalão do Ministério. Isso ainda nem chegou ao ouvido dos aurores.
– Flaherty, sei que é advogado da minha família há anos, mas eu não sou como meu pai. Posso não ser amiguinho de bruxos nascidos trouxas, só que jamais declararia uma guerra insana como Voldemort fez. Se a lei passar, faço questão que meu cofre seja novamente averiguado.
O velho advogado acenou com a cabeça e levantou-se para sair. Porém, antes de alcançar a porta, Draco perguntou:
– Você acha que algum bruxo pode ter algo a esconder?
Flaherty pareceu pensar antes de responder:
– A casa de muitos bruxos foi revistada no pós-guerra. No entanto, nós dois sabemos que eles tiveram tempo suficiente para livrar-se de qualquer prova incriminatória. Os cofres de Gringotes são administrados por duendes e eles realmente não se importam com quem está no poder, desde que o ouro não falte. – após uma breve pausa continuou – Eles tinham um dragão lá dentro! Além de uma taça com a alma de... O que mais seus cofres poderiam esconder? – ele saiu da sala e Draco recostou-se na cadeira acendendo um cigarro. Aquela lei, se aprovada, daria merda.
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– E você acha que essa lei será aprovada? Não passam de boatos!
– Eu sempre sei das coisas antes, não? A lei será aprovada. Acredito que o Malfoy também esteja sabendo.
– Malfoy? E por que ele não nos disse nada?
– Sabe que o filho da puta bandeou pro outro lado.
– Sabe quando será aprovada?
– O Ministro ainda não divulgou nada. Os aurores devem saber em breve.
– Nenhuma data então.
– Infelizmente, não. Até por que há uma distância entre a aprovação da lei pelo Ministério e a aprovação dos duendes. – o bruxo levantou-se – Mas acho melhor você fazer uma visita ao seu cofre no Gringotes se não quiser passar boa parte da sua vida em Azkaban.
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07 de maio de 2005
– Hermione, tudo bem? – Bill perguntou ao chegar ao seu escritório.
– Sim e você?
– Tudo bem – ela sorriu e o desfazedor de feitiços não podia negar que era um belo sorriso. Daqueles que iluminaria os túneis e cofres escuros de Gringotes. Sentou-se sobre a mesa dela como era seu costume.
– Hoje você vai participar de uma reunião importante. Os aurores virão aqui explicar as novas regras para o uso dos cofres.
– Novas regras?
– Segundo o Ministério, objetos de magia das trevas não poderão mais ser armazenados aqui.
– Finalmente! Por que demoraram tanto tempo para criar essa lei?
– Impasses burocráticos dentro do Ministério, mas o problema maior será o diálogo com os duendes.
– Eles criariam confusão com isso? – Sim, eles criariam. Hermione respondeu sua própria pergunta em pensamento.
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Ao redor da mesa seis representantes do Gringotes: quatro duendes (Grampo, Gympsy, Woota e Xumy) e dois bruxos (Hermione e Bill); do Ministério compareceram o Ministro (Shacklebolt), três aurores (Harry, Rony e Dino Thomas) e o chefe do Departamento de Cooperação Internacional em Magia e seu funcionário de confiança e futuro substituto (James Thompson e Draco Malfoy, respectivamente).
Shacklebtolt começou:
– Por meio deste documento que trago em mãos, o Ministério da Magia da Inglaterra exige que a regra para o uso dos cofres no Gringotes seja revista. Dessa forma, queremos prevenir que objetos portadores da Arte das Trevas sejam escondidos no interior desse banco. A partir da data de hoje, 07 de maio de 2005, uma investigação e inspeção minuciosa serão conduzidos nos cofres por seus desfazedores de feitiços. Caso algo suspeito seja encontrado, esse objeto será encaminhado para os aurores. O Ministério fez uma lista de bruxos que devem ter seus sofres inspecionados com urgência. – ele passou algumas cópias da lista. Os duendes não tocaram no pergaminho – Pedimos a colaboração dos senhores funcionários do banco para que, em parceria, possamos continuar mantendo a paz no mundo mágico.
Hermione olhou para os duendes e percebeu que eles não gostaram nada. Um silêncio pesado se fez até a voz grave de Bill soar pela sala.
– Nós, do Gringotes, zelamos pela privacidade e segurança de nossos clientes. No entanto, nosso mundo foi duas vezes ameaçado por forças que causaram morte e terror. Acredito que, como membros de uma sociedade mágica que preserva a paz, a segurança deve prevalecer.
– Você está dizendo – Grampo começou – que apóia a inspeção dos nossos cofres?
– Sim – Bill falou encarando o duende com firmeza.
– A mocinha bruxa pensa da mesma forma?
– Senhorita Granger – ela o corrigiu – Sim, penso da mesma forma.
– Acontece que nós, duendes, não aprovamos nada disso – Grampo continuou – Vocês, bruxos, não são confiáveis.
– Nós não somos confiáveis? – Rony indagou ficando vermelho – Você nos roubou a espada!
– Cale-se, Ron e fique calmo – Harry pediu ao seu lado.
– A espada sempre foi nossa. E vocês deram um jeito de levá-la dos duendes mais uma vez.
– A espada é fiel aos grifinórios e aparece quando um necessita de ajuda – Harry rebateu.
– Essa discussão não levará a nada – Draco disse com sua típica voz arrastada – Quais os argumentos para não aceitar nossa proposta?
– Temos um contrato de privacidade com nossos clientes que não pode ser quebrado – Gympsy respondeu.
– Ele pode ser quebrado se a segurança estiver em risco – Hermione falou.
– Acontece que não há nenhuma ameaça ao seu precioso mundo, certo? – Grampo questionou com ironia.
– Não é apenas nosso mundo – Bill declarou.
– No momento não há ameaças – Kingsley falou – Só que precisamos ser prevenidos depois dos últimos acontecimentos.
– Acontecimentos que não interferiram com os duendes – Xumy disse ajeitando seus óculos.
– Nossos mundos não são tão separados – Thompson falou – Afinal, nossas leis também protegem a vocês.
– E você – Rony apontou para Grampo – estava prisioneiro!
– Sabemos o custo para a reconstrução do Gringotes durante a guerra – Bill disse.
– Ele não foi destruído por Comensais. Foi destruído por vocês – Grampo falou apontando para o trio. Draco olhou divertido para o grupo. Especialmente para Hermione. Ela não era de perder uma discussão.
– Porque vocês tinham em seus cofres um objeto com parte da alma de Voldemort!
Bill sorriu orgulhoso para ela. Os duendes se calaram.
– Há alguma suspeita por parte do Ministério de que há objetos perigosos em nossos cofres? – Woota falou indagou. O grupo do Ministério entreolhou-se.
– Não, não há – Kingsley respondeu.
– Quando os senhores tiverem alguma prova voltamos a conversar – os duendes começaram a recolher suas coisas.
– Esperem! Não podem encerrar assim! – Dino manifestou-se pela primeira vez. Os duendes não se dignaram a responder. Apenas saíram da sala.
– São uns filhos da puta mesmo! – Ron exclamou. Draco estava impassível.
– Bill, — Shacklebolt começou – você que os conhece e trabalha com eles há mais tempo. O que achou?
Hermione observou Bill mexer em seu rabo de cavalo, ele fazia esse gesto quando as coisas saíam como ele previa, mas não desejava.
– Acho difícil eles mudarem alguma regra se não apresentarmos prova de algo concreto e realmente perigoso. No entanto, estão abertos a negociação e isso é um avanço. Eu posso falar com Woota, ele é mais acessível.
– Nós podemos fazer um relatório sobre as vantagens dos bruxos voluntariamente nos darem acesso aos cofres.
– Granger e seus relatórios – Draco falou de forma debochada – Ainda não perdeu essa mania? – ele notou os olhos castanhos o fitarem com raiva.
– Não vou nem perder meu tempo, Malfoy.
– Eu acho uma boa ideia. Até o final da semana mandamos um esboço para vocês – Bill falou, já de pé, colocando uma mão sobre o ombro dela. Draco olhou de forma zombeteira, mas achou melhor guardar a provocação para si. Além dos amigos de Hermione, havia Willian Weasley e Draco não queria ser azarado na frente do seu chefe. Levantou, arrumando arrogantemente suas vestes.
– Harry, eu e Dino vamos investigar a lista de bruxos com possíveis ligações com Arte das Trevas.
– Certo – Harry disse – Tenho que entregar uns documentos no Ministério. Encontro com vocês mais tarde.
O grupo separou-se e Harry seguiu para o Ministério.
– Potter.
– O que você quer, Malfoy?
– Na minha sala eu falo. – os dois andaram em silêncio e aparataram até a entrada do Ministério. Chegando na sala de Draco, Harry falou:
– Diga logo o que quer.
– Calma, Potter, afinal minha informação ajudou seu departamento a levantar uma lista de possíveis suspeitos, não? – Harry ficou calado. Draco sentou-se – Vou interpretar esse silêncio como um sim. Concordo em abrir as portas do meu cofre, como apoio a essa lei. Agora convencer os duendes... – ele reclinou-se sobre sua cadeira e fez uma pausa dramática.
– Fala logo, Malfoy.
O loiro abriu uma gaveta e entregou um pergaminho para Harry.
– Esses bruxos possivelmente têm objetos com magia ou traços de magia das trevas – Harry refreou a pergunta de como ele teria aquela informação. Era uma lista bem reduzida e com dois nomes muito importantes. Nomes de bruxos de quem eles jamais conseguiram prova alguma. – Vai ficar aqui para sempre, Potter? Não me agrada ficar olhando para sua cara de testa rachada.
Harry levantou-se e disse antes de sair, relutante:
– Obrigado.
13 de maio de 2005
– Bill! – Hermione exclamou ao ver o ruivo alto parado à porta da sua casa. Achou que tinha corado, pois há algum tempo pensava nele. Principalmente depois da viagem – Entre. Não esperava por você.
– Só para me certificar que está tudo bem com você – ele disse entrando – Não tivemos tempo para conversar nos últimos dias.
– Quer beber alguma coisa?
– Uma cerveja – ela serviu os dois. Ele pigarreou antes de continuar – Está tudo bem? Farmville não tem te incomodado?
– Não, claro que não.
– Se ele te incomodar...
– Acho que dois guarda-costas são suficientes – ela falou sorrindo. Os dois, então, começaram a conversar sobre feitiços, sobre Hogwarts. Sobre a guerra. Era gostoso conversar com Bill. Com Ethan tudo era cheio de protocolo. Bem diferente de Bill e do restante dos Weasley. O ruivo sentia-se feliz como há muito não acontecia. Seu coração ainda estava triste, mas com Hermione suportar e superar a dor era mais fácil. Distraído, ao invés de colocar o copo sobre a mesa, deixou-o cair.
– Mione, me desculpa – os dois saíram do sofá e se abaixaram juntos para recolher o vidro – Eu lanço um feitiço reparador – Hermione sentiu o perfume dele. Era um cheiro forte. Amadeirado. Ela parou com a cabeça, mas ele continuou seu movimento. Então suas testas se encontraram num forte impacto – Merda! – ele xingou. O copo foi consertado – Eu te machuquei?
Eles se levantaram e Hermione brincou:
– Sempre soube que vocês Weasley são cabeça dura, mas não tanto – ele riu.
– Deixe-me ver – Bill segurou o rosto dela com delicadeza – Talvez fique com um pequeno galo – Hermione estava estática. Sentia a respiração quente dele sobre si. Bill passou levemente seu polegar sobre o machucado descendo pelo rosto, pelo maxilar. Seu indicador passeando pela bochecha. Até tocar os lábios de Hermione. Ela tinha os braços soltos ao lado do corpo. Não sabia como agir, o que pensar. Eram raros os momentos que isso acontecia. Sua mente lógica, racional diria:
Hermione, ele é o irmão mais velho do seu amigo. Também é seu chefe. Não tem um mês que você rompeu seu noivado. Ele divorciou-se há pouco tempo.
Se cérebro poderia fazer uma lista interminável de objeções. Só que seu cérebro apenas funcionava para processar as sensações que ele causava. Mais nada. Forçou-se a encará-lo. Os azuis de uma intensidade e coloração rara.
Bill tocava a pela dela, o corpo que fora proibido. Claro que ao longo dos anos, notara a transformação de Hermione. Nunca a vira como irmã, diferentemente dos seus caçulas. Só que ele tinha Fleur. Ele amava Fleur. Mas esse sentimento havia se diluído em decepção, tristeza e dor.
Ele sabia como Hermione sempre estivera ao lado dele. Com suas palavras, silêncios e seus belos e carinhosos olhos castanhos. Lábios quentes e rosados. Ele inclinou-se sobre ela. Viu os olhos castanhos se fechando. Entregue. Bill inclinou-se mais. Estavam a milímetros de distância.
Mas algo o refreou. E depois? Depois do beijo? Eles ainda trabalhavam juntos. Ela tinha a vida pela frente. Ele, apenas desilusão.
Afastou-a de si:
– Melhor eu ir embora – a voz ainda mais grave, rouca de desejo reprimido.
– Entendo – claro que ela entendia. Guardou sua mágoa. Ele foi embora sem que outra palavra fosse trocada.
17 de maio de 2005
Os dias passaram e eles mantinham-se distantes e mais frios. Hermione estava detestando isso. Já tinha se acostumado com a presença dele e a forma desleixada como ele se sentava em sua mesa.
O que estava havendo com ela?
Só de pensar no cheiro dele, no toque dele. Ela sempre achou que Ethan tinha a pele muito macia, muito delicada. Já Bill, não.
– Está tudo bem? – a voz dele soou.
– Sim. Apenas pensando em um possível acordo com os duendes – ela mentiu. Ele percebeu. Quem Bill queria enganar? Seus pais já tinham percebido como ele a olhava.
– Vou sair mais cedo hoje – ele não precisava dizer mais nada. Era noite de lua cheia.
Saindo do Gringotes ela resolveu fazer uma visita aos Weasley. Ela jantou com o casal e conversaram animadamente.
– Hermione, querida, vamos deitar.
– Será que posso ficar lendo aqui por mais um tempo? – ela apenas queria se afastar das lembranças de Bill em sua sala.
– Claro, claro – o casal retirou-se. Cerca de meia hora depois, ela viu a lareira brilhar e o rosto de Charles aparecer.
– Hermione? O que faz aí? Quer dizer, não tenho tempo para isso. Estou atrás dos gêmeos. Eles não estão na casa deles. Eles estão aí?
– Acho que eles saíram com o Lino.
– Merda... E Rony e Harry?
– Em uma missão. Chegam amanhã. Charlie, o que houve?
– Percy sozinho é o mesmo que nada...
– Charles...
– Eu sofri um acidente e não posso me locomover. Preciso achar alguém para...
– Bill... – ela levantou-se deixando o livro no sofá – Bill está sozinho.
– HERMIONE! Fique onde está. Pela sua segurança.
– Eu vou até lá. Ele não pode ficar sozinho.
– HERMIONE! – só que ela já tinha sumido – Puta merda!
Ela aparatou próximo ao Chalé das Conchas e correu até lá. O mar estava agitado e a lua brilhava redonda e forte no céu. Conhecendo o feitiço para destrancar a porta, ela entrou. Todo o ambiente estava escuro.
– Lumus – quase tropeçou em uma cadeira caída – Bill? – tudo estava no mais completo silêncio – Bill? – ela repetiu – Charlie não pôde vir – ela explicava enquanto andava cautelosamente pela sala em direção aos quartos. Ouviu algo passar atrás de si e virou-se. Não viu nada – Bill? – antes que ela se virasse novamente, sentiu seu corpo chocar-se contra a parede. Não foi um impacto forte, mas firme. A varinha quase escapou de seus dedos.
– O que você faz aqui? Você não deveria ter vindo – eles estavam próximos. Uma mão dele segurava o braço dela. A outra se apoiava na parede.
– Charlie não pôde vir...
– Eu ouvi isso. Por que você veio? – ele dirigiu a varinha para o rosto à sua frente. Ele tinha os longos cabelos ruivos caídos ao redor do rosto. Sua respiração era rápida e curta. Os olhos... Os olhos foram o que fizeram a varinha dela quase cair novamente. A pupila estava um pouco mais dilatada, o azul da íris era intenso e, ao redor dela, uma fina linha vermelha. Um vermelho mais forte que seus cabelos flamejantes – Responda! – ele pressionou-a com um pouco mais de força.
– Eu não queria que ficasse sozinho.
– É mesmo? – ele deu um sorriso desconhecido para ela. Bill desceu seu olhar para a boca dela. Depois para o decote. A língua de Bill lambeu os próprios lábios e Hermione acompanhou cada movimento. Ele pareceu controlar seus instintos e falou – Você não deveria ter vindo. Vá embora.
– Não. Já disse: não quero deixar você sozinho. Não quero deixar que passe por isso sem ajuda – ele aproximou-se dela. A mão que estava no braço indo para a cintura.
– Você não sabe no que está entrando, Hermione – o nome dela era um sussurro. E aquilo a arrepiou. Bill percebeu. Pegou a varinha da mão dela. Com um aceno algumas velas se acenderam. Eles estavam no corredor que levava aos quartos.
– Seus olhos... – ela conseguiu dizer ao vê-los melhor à luz das velas.
– Assustada? – ele perguntou, aproximando-se mais ainda. A varinha dela foi jogada longe.
– Não – Bill encarou-a, procurando qualquer vestígio de mentira. Não havia. A mão que estava na parede foi até a mão dela, entrelaçando os dedos. Depois, pressionou a mão contra a parede. Bill inclinou-se ainda mais. Seu nariz respirando contra o pescoço dela. O cheiro dela. Ele gemeu. Hermione sentiu o coração acelerar.
– Sua mãe nunca te contou a história da Chapeuzinho Vermelho? Mexer com lobos não é uma boa ideia.
– Você não é um lobo. Você não completa a transformação – ela disse juntando o pouco de racionalidade que havia – ele riu pelo nariz. A respiração mais forte contra o pescoço dela. Ela gemeu. Bill percebeu. Sorriu mais ainda.
– Você realmente não está com medo – ele falou em voz baixa e rouca. E Bill estava cansado de tentar se controlar. Seu lado lupino pedia para que se soltasse. Pedia Hermione. Ele precisava prová-la. Seus lábios tocaram a pele dela. Os beijos começaram a percorrer todo o pescoço. Hermione não conteve outro gemido.
– Bill... – o coração do ruivo tornou-se mais rápido. Há quanto tempo alguém não o chamava dessa forma? Uma mão de Hermione ainda presa entre a sua. A outra mão dela deslizou pelo braço dele até alcançar a nuca. Os dedos se perdendo nos fios ruivos. Aquele toque o excitou ainda mais. Avidamente seus lábios foram beijando e mordendo cada pedaço da pele do pescoço dela. Quando chegou próximo a boca, afastou-se milímetros. Então, Bill, puxou-a sem delicadeza para um beijo.
E ela retribuiu. Nunca havia sido tocada ou beijada dessa forma. As línguas se encontravam com desejo e ferocidade. A mão dela começou a percorrer as costas dele. Bill soltou a outra mão dela e a puxou pela nuca. Ele estava excitado. Há meses vinha se controlando.
Lupin havia explicado que seus instintos, inclusive os sexuais, ficariam mais fortes na época da lua cheia. No entanto, ele tinha Fleur. Apesar da francesa não gostar muito desses momentos, o lado lupino dele sempre fora mantido sob controle: comia carne vermelha, permanecia em casa nas noites de lua cheia e tinha relações sexuais frequentes.
No entanto, tinha mais de um ano que não teve outra mulher. Em suas noites de embriaguez havia beijado uma ou outra, mas isso não era suficiente.
A mão dele segurava-a possessivamente. Com ela tudo estava sendo mais intenso. Mais forte.
– Hermione,... – ele afastou-se o suficiente para que fosse possível passar a mão pela barriga dela sob a camiseta. Bill precisava sentir a maciez daquela pele. Hermione não impediu o toque. Permitiu que ele rasgasse sua blusa. A morena puxou a camisa dele pela cabeça. Fogo. Seus lábios beijaram as cicatrizes. Dentes, línguas. Ele a suspendeu. Pernas enroladas em sua cintura. Gemidos. Hermione sentia a excitação dele. Bill sentia o cheiro da excitação dela.
– Bill! – uma voz soou de repente – Afaste-se de Hermione!
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