Uma Nova Chance Para O Amor BillMione
6 Capítulo 5
Capítulo 05
02 de abril de 2005 (continuação)
Soltou um baixo grito de insatisfação e preparou-se para dormir. Demorou a pegar no sono. Não soube quando tempo rolou na cama. Acordou com um barulho em sua tenda. Pegou a varinha, porém antes que pudesse dizer “lumus”, foi desarmada.
Na barraca ao lado
Mesmo depois que Hermione interrompeu o toque e saiu como um pomo de ouro pela tenda, Bill continuou sentindo a pele dela na sua. Já tinha cansado de usar a desculpa que era falta apenas de uma mulher, mas também não tinha coragem de assumir que poderia ser algo mais. Ele era um recém divorciado, amargurado e velho demais. Ela estava noiva de um riquinho pomposo, que era jovem, inteligente e bonito. Não era marcado como ele. Sorriu lembrando-se como ela ficara ao observá-lo sem camisa e decidiu que andaria mais vezes daquele jeito. Na verdade não ligava nem um pouco em tirá-la de Ethan Farmville, só que não sabia o que poderia oferecer a ela. Hermione tinha a vida toda pela frente. E ele? Não podia nem pensar na possibilidade de outros filhos enquanto ela queria vários. Soltou os cabelos e passou a mão nervosamente pelo rosto, frustrado. Precisava de uma dose de uísque, precisava conversar com Charlie e precisava de Hermione. Sabia que não seria nada fácil passar pelo menos 15 dias ao lado dela só que tudo estava mais difícil do que imaginava. Seu pensamento foi quebrado ao ouvir um barulho do lado de fora.
– Hermione,... – ele murmurou. Pegou sua varinha e um pergaminho que estava bem guardado. Saiu correndo.
Na tenda de Hermione...
Havia três homens apontando a varinha para si e Hermione odiou sua teimosia. Um deles parecia estar fazendo uma pergunta, só que ela não entendia nada.
– Desculpem, não falo árabe. Vocês entendem inglês?
Um deles se aproximou e segurou Hermione pelo braço, ela protestou tentando soltar-se. Eles começaram a falar entre si.
O bruxo que a segurava e que falou por último, aproximou-se ainda mais cheirando seu cabelo.
– Pare com isso! Solte-me agora mesmo! – só que ele a prendia com firmeza.
Uma quarta voz foi ouvida e Hermione viu que era Bill que entrara. Ele ainda estava sem camisa, as mãos estavam erguidas. A varinha na cintura. Ele conversava em árabe, viu quando ele puxou lentamente um pergaminho do bolso e um deles pegou para ler. Hermione não tinha ideia do que se passava.
– Hermione, — Bill começou – venha para cá. Sem correr e ande olhando para baixo.
– Quê? Esse bruxo covarde est- ela foi interrompida pela voz grossa de Bill.
– Não é hora disso! – o tom era agressivo – ele só vai te soltar se olhar para baixo. Faça isso agora. Depois eu te explico. Deixe de ser tão teimosa, garota! – ele usava um tom que ela jamais ouvira. Irritada, olhou para baixo e sentiu ser solta. Andou até Bill, que a envolveu em um abraço. Ela sentiu-se segura e não pôde evitar um suspiro ao sentir o peito nu e quente. – Sem levantar a cabeça me responda: onde está sua varinha? – ainda o tom bravo e agressivo.
– Voou para algum lugar quando fui desarmada.
Bill falou alguma coisa em árabe antes de pegar a própria varinha e lançar um “accio”, fazendo com que a varinha dela voasse até ele.
– Suas coisas já estão arrumadas?
Ela confirmou com a cabeça e apontou para a bolsa de contas: — Já está tudo lá dentro.
– Pegue-a e, por favor, não encare ninguém nos olhos.
Hermione obedeceu e voltou para perto de Bill. Quando eles saíram, a barraca foi desmontada. O ruivo ainda tinha Hermione bem perto de si, seu braço em volta dela. Impediu que ela falasse algo quando percebeu que os bruxos egípcios levavam sua tenda com eles. Os três montaram nos camelos e o bruxo que parecia liderar o grupo falou algo e depois partiram. Bill levou Hermione para sua barraca. Assim que entraram, falou:
– Qual foi a única coisa que te pedi?
– Como eu ia saber?
– Não ia, por isso pedi que ficasse aqui. E se eles tivesse te levado?
– Me levado? Levado para onde?
– Eles são bruxos nômades do deserto. As leis egípcias têm alguns acordos, mas eles têm sua própria lei. Uma delas é que encontrarem alguma mulher sozinha em seu caminho eles a tomam para si.
– Mas isso é uma barbaridade! – ela protestou.
– Por sorte, eu apareci e mostrei o documento dos ministérios inglês e egípcio Disse que era – a voz e a confiança dele falharam – que era minha mulher e que brigamos. As mulheres são como posse para eles. Não queria te assustar ao falar daquele jeito com você – ele sentou-se no pequeno sofá e passou a mão pelo rosto. Ela sentou-se ao lado dele.
– Obrigada – e deixou a cabeça descansar no ombro dele.
– E seu braço? Está machucado? – o tom que ela conhecia e apreciava. Bill puxou a manga do pijama dela para cima com cuidado – Filho da puta! – murmurou ao ver a marca avermelhada.
– Não é nada, Bill – o ruivo pegou sua varinha e curou o braço dela – Por que você apareceu... sem camisa?
– Cicatrizes são sinal de bravura e hombridade para eles – Hermione desviou a atenção dos olhos para as marcas no rosto dele. Tocou-as com as pontas dos dedos. Bill fechou os olhos. O toque dela seguindo a trilha deixada por Fenrir tantos anos antes, descendo pelo rosto, pescoço, peito...
– Hermione,... – ele sussurrou e segurou a mão dela. Quando abriu os olhos viu que estavam mais próximos. Encarou com firmeza os olhos tão castanhos como uma avelã. Entrelaçou seus dedos aos dela. Sem tirar a mão dela do seu peito. Ela também o encarava com firmeza. De repente, Hermione saiu do torpor e afastou-se, levantando.
– É... obrigada. O quarto está arrumado?
O ruivo apenas concordou com a cabeça sem confiar na firmeza de sua voz.
03 de abril de 2005
Quando Hermione acordou viu que Bill estava sentado no mesmo lugar.
– Você não dormiu?
– Um pouco. Não saia sozinha da tenda, mesmo durante o dia. Eles estão nos vigiando.
– Sério?
– Sim – ele foi até lá fora e ela o seguiu – Está vendo? – ele apontou para o horizonte. Hermione viu ao longe os contornos. Nervosa, abaixou o braço de Bill. Ele riu – Eles sabem que sabemos. Melhor assim. No entanto, eles devem ficar afastados. Estão com medo.
– Por quê?
– Porque falei que são cicatrizes causadas por um lobisomem. Coma alguma coisa e vamos entrar nessa casa o quanto antes, ok?
07 de abril de 2005
– Finalmente! – Bill exclamou quando mais feitiços foram removidos e eles alcançaram a porta principal – Agora precisamos entrar – eles tentaram de tudo, até Hermione olhara para baixo.
– Se for mesmo isso... Licença, Bill – ela falou puxando-o para trás. Abaixou-se e puxou o tapete.
– O que está fazendo? – ela levantou sorrindo e segurando uma chave – Como sabia? – Bill perguntou sem esconder sua admiração.
– Todo filme mostra alguém que esconde uma chave sob o tapete – ela enfiou a chave na fechadura e a porta abriu. Eles sorriram e mal deram dois passos foram jogados para fora da casa.
– Bruxos ricos e seus malditos feitiços! – Bill bronqueou – Você está bem?
– Sim, mas que tal continuarmos amanhã? – Hermione falou ficando em pé e tirando a a areia do corpo – Já está anoitecendo e estou com fome.
– Tudo bem... Será que você... Bem... Será que você pode preparar aquele macarrão que comemos outro dia?
– Claro, Bill – ela concordou sorrindo ao vê-lo levemente corado.
15 de abril de 2005
Hermione estava fazendo seu relatório diário. A casa tinha muitos feitiços e armadilhas. Naquele dia, haviam conseguido localizar o cofre. Tinham dois problemas a resolver: abrir o cofre e conseguir tirar a herança de dentro da casa. Olhou para o lado e viu Bill consultar nervosamente o calendário.
– Está preocupado com a lua cheia?
– Sim. Planejei essa viagem achando que resolveríamos tudo isso em 15 dias. Não achei que haveria tantos feitiços.
– Acho que mais uns dois ou três dias terminamos. E também... – ela aproximou-se e colocou sua mão sobre o ombro dele – posso te ajudar. Não tenha medo, Billl – ele levantou-se bruscamente, derrubando a cadeira.
– Você não sabe como é, garotinha – falou encarando-a e suas mãos segurando o punho dela – O que passo, o que sinto, — ele aproximou os lábios da orelha dela – e do que preciso – disse em voz rouca. Voltou a encarar os olhos castanhos que, apesar da surpresa, não demonstravam medo. Voltou a si – Hermione, desculpe, eu...
– Não sou uma garotinha – ela desprendeu-se do toque dele e foi para seu quarto.
18 de abril de 2005
Eles arrumavam as malas em silêncio. Tinham conversado apenas o necessário nos últimos dias.
– Hermione... – Bill começou – Perdão...
– Tudo bem. Só que pare de me chamar de “garota”. Não sou mais criança, apesar de ser mais nova que você – ele concordou sabendo toda confusão que havia em sua cabeça, em seu corpo e em seu coração era exatamente por saber que ela não era mais nenhuma criança.
27 de abril de 2005
– Precisamos comemorar! – Bill falou animado segurando as mãos de Hermione.
– Você acha?
– Claro, Hermione! Você recebeu um aumento e perspectiva uma efetivação! Isso é algo para se comemorar! – ela riu encabulada. O sucesso da missão havia permitido que suas chances de promoção dentro do Gringotes se tornassem mais reais – Vou te levar para jantar!
– Bill, você mal está comendo... – qualquer que falasse isso deixaria Bill bravo, menos ela.
– Abro uma exceção. Aliás, venho me alimentando melhor ultimamente. Levarei você naquele restaurante que abriu em Hogsmead. Dizem que a comida é maravilhosa.
– É muito caro! – ela protestou.
– Não ligo. E você não pode recusar, certo?
Como ela poderia recusar? Quanto tempo não o via tão animado?
– Quando?
– Amanhã. Eu passo na sua casa para aparatarmos juntos. Às 20 horas?
– Combinado!
Bill foi jantar na Toca ao sair do Gringotes. Como raramente acontecia, estavam apenas seus pais.
– Mãe, pai,... eu... Eu e Fleur nos divorciamos. Formalmente, eu quero dizer.
– Tudo bem, meu filho – Artur falou.
– Você está melhor sem ela, Bill. Desculpe, mas sabe que nunca gostei muito dela. – ele sorriu – Agora, me diga... O que está havendo entre você e Hermione? – Bill engasgou e Artur sorriu.
– Que ideia é essa, mãe?! Nós apenas trabalhamos juntos e somos amigos.
– Sei... E todos os olhares, o jeito como a toca ou garante que ela seja servida nos nossos jantares é apenas amizade?
– Cl-claro...
– Espero que você enxergue logo o que sente e impeça Hermione de cometer o erro de casar com aquele rapaz. Ela ficaria muito melhor com você. Formariam um lindo casal – Bill corou, enquanto Artur apenas sorria.
28 de abril de 2005
– É apenas um jantar, Ethan.
Desde que tinha voltado, não havia um dia que ela e o noivo não tinham algum desentendimento.
– Você já sabe o que penso sobre isso.
– Sim, já sei e, mesmo assim, você não se cansa de repetir. Além do mais, terá um jantar com seus associados. Estou feliz e não quero ficar em casa sozinha.
– Falei com meus pais sobre a lista de convidados – ele falou mudando completamente de assunto – Você pode chamar os senhores Weasley e Potter com a esposa.
– Quê? Isso não tem sentido! Vou chamar todos os Weasley. E também Xenófilio.
– Ele e a filha são dois malucos!
– Não vou discutir isso com você por que eles serão convidados!
– Veremos – ele falou desaparatando do apartamento dela. Quando Bill chegou encontrou uma Hermione nervosa.
– O que ele fez? – perguntou diretamente.
– É essa maldita lista de convidados. Ele e os pais acham que podem decidir quem eu convido ou não – Hermione caiu pesadamente sobre o sofá. — Se era assim agora, imagina como será depois? Às vezes penso em cancelar tudo – Hermione ouviu Bill murmurar algo, mas não o compreendeu – O que disse?
– Que você deveria cancelar. Não se case com ele, Hermione – ele disse sentando-se ao lado dela – Ele é um riquinho metido a besta. Ele não quer ver você crescer profissionalmente. Tenho certeza que nem deu os parabéns pelo seu aumento, não é? Você é tão maravilhosa, Mione, e pode conquistar tanto. Desculpe ser sincero, mas você não merece um cara como Farmville.
– Obrigada pela sinceridade, Bill – ela sorriu.
– Eu já vinha pensando sobre cancelar, mas não é fácil...
– Será pior depois de casar e com filhos – a dor voltou aos olhos dele e ela percebeu.
– Bill, – Hermione falou pegando a mão dele – hoje é dia de comemoração. Não está com fome? – ela sorria e Bill não pôde evitar sorrir também. Era contagiante.
– Muita... Vamos comer!
Chegaram ao restaurante, onde o ruivo já tinha feito a reserva. Conversavam animadamente. Dividiram uma garrafa de vinho. Com Bill, Hermione sentia-se leve... e feliz. De repente viu as feições dele se tornarem sérias. Olhava sobre o ombro dela. Os punhos fechando sobre a mesa.
– O que houve? Bill?
– Melhor irmos embora.
– Por quê? O que houve? – eles se olharam e Hermione quis saber o que causara aquela mudança, ele segurou sua mão e murmurou antes que ela se virasse:
– Eu realmente sinto muito... – Hermione virou-se e viu Ethan beijando outra mulher numa mesa mais afastada. Ela sabia que as coisas não estavam bem há algum tempo, duvidava de seus sentimentos, mas... traição?
Hermione levantou-se e Bill a seguiu instantes depois. Ela parou em frente à mesa do noivo e cutucou-o no ombro.
– Acredito que a reunião está sendo bem sucedida – e cruzou os braços.
– Hermione! Eu... – ele levantou-se olhando para os lados, nervoso e com medo de chamar atenção – Não pensei que viria a um restaurante como esse.
– Incrível como as pessoas podem nos surpreender, não é?
– Eu posso explicar...
– Não quero explicações. Está tudo terminado – e foi embora. Bill deu uns galeões para o garçom que se aproximava. Alcançou Hermione e começou a caminhar ao lado dela em silêncio. Logo, a bruxa sentiu ser puxada. Ethan segurava a mão dela.
– Eu posso explicar.
– Tire sua mão dela agora mesmo. – Bill falou empurrando o outro bruxo.
– Foi ideia dos meus pais. Eles... eles não estão satisfeitos com o nosso casamento e...
– Quanto tempo? Quanto tempo, Ethan? – ela repetiu a pergunta ao ver que ele não respondia.
– Alguns meses – Bill percebeu que Hermione fazia força para não chorar – E meus pais ficavam falando sobre você e ele – disse o “ele” de forma desdenhosa apontando para o ruivo – Então me apresentaram a Sophie. Quer dizer, eu já conhecia, mas ela estava na França há muitos anos.
– Não quero saber de mais nada.
– Entenda, Hermione. Eu realmente gosto de você!
– Não o suficiente.
– Eu preciso... Não posso ficar contrariando os meus pais. São meus negócios e minha riqueza que estão em jogo. E, para eles, você não é boa o suficiente.
– Covarde – Bill falou aproximando-se dele, que recuou – Como pode falar algo assim?
– Deixa para lá. Vamos embora, Bill.
– Não. – depois virou-se para Ethan — Nunca gostei de você. Não vale nada. Um filho da puta,...
– Vamos embora – Hermione disse – Acho melhor ficar com isso – ela tirou a aliança do dedo – Envio suas coisas por coruja. Faça o mesmo com o que deixei na sua casa – virou-se e continuou andando.
– Hermione, espere... Por favor – Bill se interpôs no caminho.
– Você não sabe a mulher maravilhosa que acabou de perder.
– Sim, eu sei... – o ruivo pareceu ver arrependimento, só que não se importava.
– Fique longe dela – afirmou ameaçadoramente, depois virou e correu para alcançar Hermione. Ela sentiu a mão dele e virou-se nervosa – Sou eu. Venha eu nos aparato para sua casa.
– Pode ser para sua? Não quero ver fotos dele no momento. – ele aparatou.
– Hermione, eu... – ela o abraçou de repente e deixou as lágrimas que tanto segurava caírem. Bill ficou alguns segundos sem saber o que fazer até envolvê-la em seus braços.
– Shiu... Vai ficar tudo bem, Mione – depois de algum tempo, ela falou:
– Sei que é besteira – a voz embargada – E que eu pensava mesmo em cancelar o casamento,... Só que a sensação de ser traída é horrível... – ela sorriu triste – Molhei toda sua camisa...
– Não se preocupe. Logo que comecei trabalhar no Cairo, conheci uma bruxa e gostei muito dela. Ficamos um tempo juntos, até que desconfiei... Resumindo: sei como está se sentindo. Farmville foi um filho da puta covarde e que não merece seu amor.
– Obrigada, Bill – eles se olharam. O dedo dela limpando as lágrimas. Mesmo com o rosto vermelho e os olhos levemente inchados, ela era bonita. Sentiu uma vontade urgente de beijá-la. Só que aquele não era o momento. Ela estava fragilizada. Relutante, afastou-se.
– A noite é de comemoração, não? Pelo seu aumento e por se livrar de um idiota. Vá lavar o rosto. Vou preparar algo pra comermos.
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