Capítulo 10

– É o seguinte, Hermione: Eu não gosto desse tipo de showzinho. Vou aparatar com você daqui para que possamos conversar.

Antes que Hermione pudesse articular uma resposta, Bill já estava com sua mão sobre o punho de Ethan, segurando-o com força.

– E pra você, é o seguinte, Ethan: Solte Hermione neste exato instante.

– E se eu não soltar?

– Você tem três segundos para mudar a sua reposta. Três... Dois...

–--

– Um...

Antes que Ethan pudesse reagir de alguma forma, eles sumiram no ar. Chegaram ao Chalé das Conchas em menos de um segundo por conta da aparatação. Ethan ainda segurando o braço de Hermione, Bill ainda segurando o punho de Ethan. Com um floreio, as luzes se acenderam. O bruxo moreno deu um passo vacilante para trás ao ver a cor e a ferocidade nos olhos de Bill.

– O-onde estamos? – Gaguejou incerto.

– Na minha casa. – Bill respondeu. Os punhos fechados, tentando controlar algo que era quase incontrolável. Seus olhos então foram para o braço de Hermione que tentou, inutilmente, escondê-lo atrás de si mesma. Com uma delicadeza que contrastava com a sua fúria, ele pegou o braço dela e visualizou a marca avermelhada causada pelo aperto de Ethan. Sem conseguir conter-se, soltou um urro baixo. Feroz. Muito mais lupino que humano.

– Não foi nada... – Ela disse, segurando a mão dele numa tentativa frustrada de amenizar a tensão do momento. Mesmo olhando para Bill, Hermione percebeu que Ethan tentava, discretamente, pegar a própria varinha que estava no cós da calça.

– Nem pense nisso! – A voz de Bill soou alta, apontando a varinha para Ethan no mesmo instante.

– Isso, sem dúvidas, foi um engano... – Ethan começou nervoso.

– Engano? – Bill aproximou-se do bruxo, ignorando os pedidos de Hermione para que se acalmasse. – Eu ouvi você dizer “Vou aparatar com você daqui para que possamos conversar”. O que quer que você tenha para conversar com Hermione, certamente, pode ser conversado na minha frente.

– Bem... – Ele passou a mão pelo pescoço nervosamente.

– Ethan... – Hermione começou. – Fale logo e vá embora.

– Eu... Eu queria me desculpar, Hermione... – O moreno começou a dizer nervoso. – Eu cometi um erro e... – Antes que ele pudesse continuar, a mão de Bill envolveu seu pescoço. Ele foi empurrado contra a parede. Ethan tentou impedir a pressão, segurando o punho de Bill em vão.

– Mentira! – Exclamou. — Você está mentindo, Ethan!

– Bill, solte-o... Isso realmente não importa. – Hermione interveio.

– Importa sim! – Ele aproximou seu rosto de Ethan. A outra mão pressionava a varinha contra a barriga dele.

– Ethan... – Hermione pediu.

– Eu ainda estou com Sophie. – Ele disse sentindo a pressão aumentar. Ele fazia força para respirar.

– Bill! Solte-o! – Hermione pediu aproximando-se dele. O ruivo apenas afrouxou o toque.

– Ainda estou com Sophie, mas percebo que é um erro. Eu segui você algumas vezes usando o feitiço da desilusão... – Bill sentiu que faltava pouco, muito pouco para que ele perdesse o controle. – E eu... Eu queria levar você para minha casa. Para mostrar que eu sou o cara certo para você. Que poderemos dar certo... Basta apenas...

– Basta apenas eu ser quem não sou. – Ela completou. – Bill, solte-o.

– Nunca mais se aproxime dela, entendeu? – O ruivo disse olhando fixamente nos olhos de Ethan.

– Isso é algum tipo de ameaça? – Bill soltou o ar pesadamente. Hermione segurou o braço dele com firmeza.

– Willian... – Ao ouvi-la chamar seu nome, seu verdadeiro nome, não apenas seu apelido, o ruivo soltou o pescoço do outro bruxo e depois afastou a varinha, ainda receoso. Em questão de segundos, Ethan sumiu. – O que está havendo?

Bill puxou Hermione pela cintura e a beijou possessivamente.

– Hermione...

Ele não entendia o que estava havendo... Ele não queria entender o que estava havendo. Ele queria apenas ela. Apenas Hermione. A doce Hermione.

–--

– É alguma piada? – O bruxo brigava no Ministério.

– Foi apenas um erro nosso, senhor...

– Isso eu percebi! Incompetentes! – Exaltou-se o outro.

– Gringotes tem sido bem criteriosa quanto...

– Isso não me importa! O erro foi de vocês! Eu tenho um trabalho a cumprir! Quanto tempo vai atrasar agora? – Ele estava extremamente irritado e não se preocupava em esconder a sua ira.

– Não sei, senhor... Eu darei total prioridade ao seu pedido, senhor...

–--

04 de agosto de 2005

Hermione acordou um pouco relutante após a noite que havia passado. Olhou para o lado e viu que Bill ainda dormia. Levantou-se com cuidado para não acordá-lo e foi até a janela próxima da cama. Abriu uma pequena fresta, olhou para fora por alguns instantes, mas voltou a encará-lo. O lençol cobria parte de seu corpo, deixando o peito bem definido à mostra. As marcas que Fenir deixara iam até a metade do abdômen bem definido. Ela resistiu à vontade de tocá-lo. Os pelos ruivos, os músculos que estavam novamente voltando ao corpo que ela tanto admirava... Um dos braços cobria seu rosto, enquanto o outro se esticava de forma desleixada do lado da cama onde estivera. Os cabelos ruivos bagunçados contrastavam com o lençol branco. Ele respirava vagarosamente mantendo os lábios entreabertos.

Ela sabia o que deveria fazer. Seu lado Hermione, de Hogwarts, sabia que ela deveria ir até uma biblioteca, até uma livraria e pesquisar o que estava havendo com ele. Entre eles. Só que ela queria realmente descobrir? E se suas primeiras suspeitas fossem verdadeiras? As suspeitas de que era apenas instinto?

Mas como se afastar dele? Quando seu corpo, sua intimidade e seu coração ardiam e clamavam por um único nome: Willian Weasley. Era como música pronunciar aquele nome. Wiilian Weasley... Wiilian Weasley...Wil-

– Hermione? – A voz rouca despertou-a de seus devaneios. Bill deitou de lado, o corpo apoiado sobre o cotovelo, o lençol caindo, descendo mais um pouco e levemente mais alto devido a excitação matutina do ruivo. Ele jogou o cabelo para trás em um movimento que Hermione sabia que nunca seria capaz de cansar de ver. Ela sorriu. Ele também. – O que faz acordada tão cedo? – Ele olhou para o relógio e percebeu que não eram nem seis horas ainda.

Bill levantou-se, sem se preocupar em enrolar o lençol na cintura. O olhar dela desceu, instintivamente, para o membro viril. Hermione não sentia vergonha daquela situação, não mais. Bill sorriu sensualmente enquanto se aproximava. O ruivo abriu o resto da janela permitindo a vista do sol que nascia no horizonte. Seus olhos se fecharam um pouco diante da luz. Abraçou-a, repousando o queixo sobre a cabeça dela.

– Algo te preocupa? Ou melhor... O que está te preocupando? Ainda está brava pelo o que houve com o idiota do seu ex-namorado?

– Não... eu apenas... – Ela pensou em como continuar, depois virou de frente para ele. Bill afastou-se o suficiente para olhá-la e não deixá-la sair de seus braços. – Como você sabia? Isso que eu queria entender... – E também não queria.

– Eu não sei... Eu apenas senti, Hermione. Senti que você precisava de mim. Apenas isso. – O ruivo afastou-se dela, colocando sua boxer preta em seguida. – Vamos pesquisar. Podemos ir até Hogwarts ou sei lá... Qualquer outra biblioteca e descobrir o que está havendo se é isso que você quer. – Ela notou que ele estava um pouco irritado.

– Bill... – Ela segurou o rosto dele que olhou para baixo encontrando os castanhos. – Eu não sei se quero saber.

Ele nada respondeu. Hermione viu que a expressão dele tornou-se ilegível e começou a pegar suas roupas e vestir-se. Ele apenas observava. Milhões de pensamentos passando por sua cabeça. A única pessoa em quem confiava para tirar suas dúvidas era Lupin. E Lupin o ensinara tudo que ele sabia. Só que ensinara para ele viver com Fleur. E Bill presumira que não seria diferente com outra mulher. Por que seria diferente com outra? Ainda mais com Hermione que ele vira desde que ela tinha 14 anos e não passava de uma criança aos seus olhos?

Por que com ela era tão diferente?

– Depois nos falamos... – E antes que ele pudesse impedir, ela aparatou.

– Merda! – Ele vestiu-se rapidamente e foi até a casa dela. Não havia ninguém. Procurou na casa de Gina e Harry. Na casa de Ron e Luna. Nada. Aparatou n’A Toca, mas ela também não estava lá.

– Bill... — Ele ouviu seu pai chamar – Antes que você vá embora, podemos conversar?

O ruivo olhou para o pai que agora estava praticamente calvo. Artur Weasley. Sobrevivera a duas guerras e a sete filhos (sendo que os gêmeos poderiam aumentar essa contagem). Ficou no mesmo cargo por anos não por falta de ambição profissional, simplesmente porque gostava do que fazia. Viveu a vida todo no mundo bruxo admirando e defendendo o mundo dos trouxas. Amava Molly incondicionalmente e era sempre aquele que ouvia a mulher brigar e castigar os filhos. Só que ele sempre estava lá. Ao lado dela.

Bill sabia que fora aquele homem que o ensinara a ser um homem de verdade. O ensinara como cuidar dos irmãos, de sua pequena Gina. Que o ensinara a ser pai. Que o ensinara a assumir um erro por mais grave que fosse a punição ou as consequências. E quando Artur Weasley chamava um filho para conversar, era por que a conversa seria muito, muito séria. E não havia espaço para respostas negativas.

– Claro, pai. – Bill respondeu, direcionando-se ao sofá. Seu pai à sua frente.

– Como você está? E sabe que não espero a resposta: estou bem, as coisas no trabalho estão indo bem. Quero saber como você, meu filho, está. – Bill achou q poderia voltar a chorar naquele momento.

– Estou quebrado, pai. Estou perdido! – Ele escondeu o rosto nas mãos. Sentiu o pai sentando-se ao seu lado e passando a mão em suas costas. – Minha vida virou um quebra-cabeça onde as peças não se encaixam desde que Victorie morreu. Desde que Fleur partiu.

– E Hermione?

– Ela é que faz as coisas terem sentindo em minha vida. É algo que nunca senti... Eu nunca... Nem pro Char eu consegui admitir, mas pai... – Ele olhou para Artur – Eu a amo como nunca amei ninguém e isso me assusta porque eu acho que esse sentimento está trazendo meu lado lupino à tona e não sei como controlar. Remus não me falou nada sobre isso... Eu tenho me descontrolado... – Artur não falava nada, apenas escutava. Ele conhecia cada um de seus filhos muito bem para saber como agir. – Eu tenho medo... Medo de que isso a afaste de mim. Medo de me machucar de novo... Eu não estou curado e não sei como seria se eu a perdesse. Ela é muito boa para mim, pai...

– Bill, primeira coisa: não se desmereça. Esse não é seu perfil. Hermione é uma moça corajosa, inteligente e outras tantas características que não preciso citar. Converse com ela. Esclareça o que há entre vocês... Como você quer controlar algo que não compreende? Segunda coisa: dê uma chance a si mesmo de amar e ser amado. Você merece isso. Uma nova vida, uma nova esposa... novos filhos...

– É tão difícil, pai...

– Eu posso imaginar, meu filho... – Bill deixou-se cair no ombro do seu pai de forma desajeitada. Aquele homem que o pegara no colo quando criança, que o ninara, que o levara de cavalinho tentava, da melhor forma, consolá-lo. E estava conseguindo.

– Só acho que...

– Não, Bill... – O pai soltou um riso pelo nariz. – Você não é velho para ela. Veja Remus e Tonks... Sabe que amo você e seus irmãos da mesma maneira, mas ela e Rony nunca dariam certo. Ela combinava menos ainda com aquele engomadinho que vinha aqui. E, com você, meu filho, ela combina perfeitamente. Tenha apenas paciência.

– Eu não a encontro.

– Você sabe onde esperar por ela. Às vezes é preciso isso... Ter calma e esperar...

–--

Como seu pai mesmo havia dito, Bill sabia muito bem onde esperá-la. E foi o que fez. Mas não esperou sem fazer nada. Ele era Willian Weasley, afinal de contas. Um grifinório. Marcado por um lobisomem. Ele era um meio-lobisomem. Não era homem de se acovardar. Mesmo que tivesse medo, não poderia deixar esse medo dominá-lo.

–--

Hermione chegou em casa pela lareira. E olhou o ambiente à sua volta. Por um instante pensou em pegar a varinha.

– Sou eu. – Ela reconheceu a voz grave de Bill surgir da cozinha. A sala iluminada apenas por velas flutuantes.

– Bill... O que está fazendo?

Ele aproximou-se dela e viu que Hermione tinha um grosso livro na mão direita.

– Nesse livro tem a resposta? – Ele perguntou, passando a mão pelo braço dela até alcançar o livro e pegá-lo para si. Mesmo à meia luz conseguiu ler o título.

– Talvez... Eu ainda não o li.

Bill colocou o livro sobre a mesa de centro, voltou até Hermione e levou-a pela mão até a mesa de jantar. Hermione notou que ele havia posto a mesa para duas pessoas. Um candelabro e um pequeno vaso transparente com uma delicada rosa ornavam a mesa. Ela sorriu.

O ruivo foi até a cozinha e voltou com uma garrafa de vinho aberta. Serviu os dois de maneira calma. Desde quando estavam juntos nunca havia muita calma.

– O jantar está quase pronto! – Ele disse, sentando-se ao lado dela. Eles brindaram e o ruivo notou que Hermione, sempre com sua natureza curiosa e questionadora, abrira a boca para falar, mas interrompeu-a. Seus dedos sobre os lábios dela... – Não pergunte. Eu que preciso falar. Não direi que as coisas entre nós começaram de forma errada, mas de forma... Atrapalhada. Você acabou se envolvendo com um homem que traz muitas marcas, e não estou falando dessas cicatrizes. – Bill falou passando a mão sobre o próprio rosto. – E eu acho que desde que estou com você, eu nunca lhe tratei como você realmente merece ser tratada.

– Isso não é verdade, Bill! – Ela disse bebendo mais um gole do vinho.

– É verdade, Hermione. Por mais que quiséssemos manter isso em segredo, não precisava ser como foi. Quando eu preparei um jantar para você? Quando nós ficamos apenas conversando em frente à lareira? Ou assistimos um filme?

Ela ficou em silêncio e Bill tomou mais um gole de seu vinho.

– Eu não te culpo.

– Mas eu me culpo, Hermione. Você merece muito mais do que alguém como eu.

– Bill... Você... – Ela encarou os olhos azuis diante da bruxuleante luz das velas. Seu coração começou a palpitar. Bebeu um gole do vinho e encarou o colo, a vergonha de olhá-lo tomou conta de si. Provavelmente choraria. O ruivo sorriu, segurou delicadamente o queixo dela fazendo com que se olhassem novamente.

– Estou terminando aquele relacionamento para começar outro. Não garanto que não serei possessivo e que nossas sessões de amor louco pela areia ou contra a parede ou em algum cofre abandonado... – Ele falou sorrindo e Hermione sorriu também, sentindo um alívio no peito. – acabarão. Só que precisamos, e eu quero que tenhamos mais desses momentos que estamos tendo agora. – Bill levantou-se e deu um beijo na testa dela.

Voltou com uma forma onde havia lombo assado com batatas e cebola. Fez mais uma viagem, trazendo uma panela de arroz. Serviu os dois. Tornou a encher as taças.

– Bom apetite! – Ele falou sorrindo.

– Você que preparou? – Hermione perguntou cortando um pedaço de carne.

– Claro... Herdei os dotes culinários de Molly Wesley!

– Está realmente uma delícia, Bill. – A morena disse ao provar uma garfada. Ele sorriu vendo a aprovação no sorriso dela.

– Conte alguma coisa... Alguma coisa sobre você que eu não sei.

Então Bill soube que Hermione achou que realmente fosse morrer na mansão Malfoy. Que ela chorou por noites seguidas quando Rony os abandonou. E soube que ela, desde criança, sabia que era diferente e que magia não parecia ser apenas coisa de livro. Soube também que sua matéria preferida era Transfiguração em Hogwarts, e que ela aprendera a respeitar Adivinhação, apesar de não confiar 100% nessa arte. Por fim, soube que Hermione gostava de livros de suspense policial e que chorava quando assistia “Forrest Gump”.

E Hermione soube que Bill, quando criança, tinha medo do escuro, mas superou o medo para ser valente para Charles, que tinha o mesmo medo. Que em Hogwarts, foi considerado o bruxo mais inteligente da idade dele e também usou o vira-tempo. Soube ainda que Bill já pensara em ser curandeiro, mas gostava mais de aventuras. Soube também que ele detestava armários de vassouras, pois era lá que Artur e Molly o escondiam junto com Charles na época da primeira guerra.

Quando o jantar terminou, eles abriram outra garrafa de vinho e conversaram. Um jazz tocando ao fundo. Hermione sabia do gosto dele por rock, claro, mas ambos aprenderam que apreciavam jazz.

Quando foram para cama, Hermione beijou Bill. De forma sensual, ousada. Ele retribuiu ao beijo e ajeitou-se ao lado dela, beijando cada pedaço de pele que ele adorava saborear, para em seguida murmurar no ouvido dela:

– Hoje não, minha pequena, hoje vamos apenas dormir. Você nos meus braços. Como deve ser. Nos meus braços. – Ele puxou-a para seu peito. Suas mãos afagaram os cachos castanhos até que ambos adormeceram.

Notas finais
N/B: Ai que coisa mais linda esse capítulo! Segurei uma lágrima aqui! Parabéns mais uma vez pela fic, que está cada dia mais linda! Ainda estou muito curiosa em relação a essas coisas do cofre, tantos mistérios! Tô esperando o próximo! Beijos! N.A.: Ju, gostou tanto que está pegando os capítulos pra palpitar depois da Nana... Mas cadê a nota dela?! rsrsrsrsrsr Genteeee, Super feliz que estão gostando... Nunca tinha escrito, já tinho lido.. e to amando a experiência... Mais alguns caps e a história chega ao fim!!! Vou me dedicar a ela, inteiramente! Continuem comentando e votando! Beijos, Ártemis