Uma Nova Chance Para O Amor BillMione
2 Capítulo 1
Capítulo 01
03 de maio de 2004
Hermione foi trabalhar e viu que a porta do escritório de Bill estava fechada. Ele havia tirado 15 dias de licença. Ela nunca tinha se imaginado trabalhando no Gringotes, mas acabara recebendo uma proposta irrecusável. Dentre suas funções estava: trabalhar para clientes que queriam mais proteção em seu cofre, desfazer feitiços complicados e ajudar na segurança do banco que ela havia invadido e roubado anos antes. Hermione começara a trabalhar como estagiária, mas logo conquistou grandes efetivações. Como etapa final para que pudesse administrar cofres e clientes sozinhas, ela tinha que trabalhar para Bill Weasley.
Até que seu chefe voltasse, a morena apenas organizaria arquivos e selecionaria pedidos de proteção. Todas as petições passavam por uma avaliação de necessidade e eram classificadas de acordo com prioridades. Depois da parte burocrática, vinha o que Hermione mais gostava: os feitiços de proteção. Além de feitiços, eles eram responsáveis por criar armadilhas, coisa que era definitivamente divertida para Hermione. Porém, com o afastamento de Bill só lhe restava fazer a parte chata. Não demorava muito para terminar tudo o que tinha para fazer no dia, e passava o resto dele perdida em livros e mais livros.
26 de maio de 2004
Domingo, Hermione jantando com seu atual namorado:
– E como vai seu chefe? – Ele perguntou.
– Não sei, ele ainda não voltou ao trabalho. Molly mandou uma coruja dizendo que ele e Fleur ainda estão bem abalados. Ela se recusa a sair do quarto da filha. – Ela comentou com simplicidade.
– Você não deveria ter essa proximidade toda com a família do seu chefe. – O comentário dele fez com que Hermione revirasse os olhos, impaciente.
– Ethan, ele são minha família também. Os Weasley me acolheram quando... Bem... Quando os Comensais mataram os meus pais, e sou amiga de Rony desde os 11 anos.
– Acho que, profissionalmente, isso é péssimo! – Sem ânimo para brigas, Hermione direcionou sua atenção ao seu vinho e mudou de assunto.
27 de maio de 2004
Quando Hermione chegou ao seu escritório viu que Bill já estava sentado à mesa. Ela bateu na porta que estava aberta apenas para anunciar sua presença. Esperou alguns segundos, mas não obteve resposta.
– Bill? – Resolveu arriscar um chamado.
– Oi, Hermione. Bom dia! – A morena pôde perceber o quão abatido ele estava, a julgar pelas grandes olheiras ao redor de seus olhos. Seus longos cabelos ruivos estavam desarrumados. A cicatriz parecia mais aparente no rosto entristecido.
– Como você está? – Ela sabia que aquela pergunta era estúpida, mas precisava perguntar mesmo assim. Bill não disse nada, apenas balançou os ombros levemente. – Fleur? – Aquele era um assunto delicado. O ruivo passou as mãos pelo rosto, nervoso.
– Não quer sair do quarto de Victorie. – As palavras tristes tinham um peso quase insuportável.
– Há algo que eu possa fazer? – Hermione insistiu, tentando ser solidária.
– Usar o vira-tempo? – Ele sorriu entristecido, fitando-a. Hermione abaixou a cabeça, desviando o olhar para não chorar. – Apenas traga os arquivos em que trabalhou. Preciso ocupar minha cabeça. – Sem mais, a morena saiu, deixando-o sozinho novamente.
30 de junho de 2004
– Obrigado por tomar café comigo, Fleur. – Bill disse. Era a primeira vez que ela saía do quarto para comer depois do ocorrido. Antes, a veela saía apenas para usar o banheiro.
– Não tenho fome. Não tenho vontade de nada, Bill. – O ruivo tocou a mão da esposa com delicadeza, mas ela puxou de volta, interrompendo o contato entre eles.
– Fleur... Está sendo difícil para mim também. – Ele argumentou.
– Não parece! Você voltou a trabalhar! – O comentário veio em tom de acusação, machucando-o.
– Eu preciso... Eu preciso... – Ele começou a dizer.
– Esquecer? – Ela completou. – Acho que você não liga para o que houve! Não liga para mim! Ou para Victoria!
– Isso não é justo, Fleur! – Bill retrucou com a voz embargada.
– O que não é justo é minha pequena filhinha morrer e você continuar com sua vida! – E dito isto, ela saiu berrando em francês, batendo a porta com força em seguida.
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Hermione viu Bill chegar com os olhos avermelhados no escritório. Ele passou direto sem sequer cumprimentá-la e bateu a porta de sua sala com força. Ela ponderou por alguns instantes, em dúvida se deveria ir até lá ou não, mas decidiu que precisava checar como ele estava. Preparou um chá de camomila e bateu levemente na porta, abrindo-a em seguida.
– Bill, eu trouxe um chá. Está tudo bem? Tem algo que eu possa fazer? – Hermione aproximou-se, colocando a xícara na mesa.
– Não há porra nenhuma que você possa fazer! Você acha que estou aqui por que quero? Eu não quero esquecer! Aliás, jamais poderei esquecer minha doce filhinha! Saia daqui! Deixe-me em paz!
Assustada com a súbita raiva do ruivo, Hermione saiu da sala apressada, evitando que ele visse suas lágrimas.
04 de julho de 2004
– Bill está indo trabalhar, Hermione? – Ronald Weasley perguntou. Ainda que ele não admitisse, Hermione sabia que Rony andava muito preocupado com o irmão. Afinal, a família Weasley sempre fora um exemplo de união e amor.
– Sim, Rony. Quero dizer, o corpo dele. – Ela fez uma pausa, pensativa. – Estou precisando rever tudo o que ele faz.
– Nem posso imaginar algo assim. – Um moreno de olhos extremamente verdes se pronunciou. – Gina disse que ninguém consegue falar com Fleur. E tudo vai piorar quando souberem... – Harry começou, mas logo interrompeu a si mesmo, voltando a ficar em silêncio.
– Soubermos o quê? – Ron perguntou.
– Gina está grávida! – Harry disse, tentando não demonstrar tamanha felicidade que sentia, em respeito a Bill.
Mesmo com o estado delicado que a família Weasley se encontrava, Ronald não pôde deixar de parabenizar o amigo. Era bom ver que alguém estava feliz por ali. E ele sabia que aquela felicidade não se aplicava somente a Harry, mas também à Gina, sua irmã caçula que provavelmente estava radiante com a notícia. Hermione juntou-se a Rony, parabenizando Harry também. Um abraço foi suficiente para demonstrar o quão feliz estava por seu amigo de muitos anos.
– E você e Luna? – Harry perguntou, direcionando-se a Rony.
– Apenas curtindo o casamento. Sem planos para filhos por enquanto. – Rony respondeu displicente. – Mas e nossa querida Hermione... – Começou, virando-se para a morena. – Nem casada está!
– É... Eu não sei... – Ela disse um pouco envergonhada por conta do assunto.
– Você não gosta do Ethan? – Foi a vez de Harry perguntar.
– Claro que sim! Temos nossas brigas, mas eu realmente o amo. – A morena respondeu com convicção. – Só que não falamos sobre casamento ainda. – Completou, afundando-se em seus pensamentos, logo em seguida.
08 de julho de 2004
– Hermione eu realmente sinto muito pela forma como falei com você. – Bill estava tentando se desculpar. Hermione conseguia perceber o quão difícil estava sendo para ele. – Bem, eu e Fleur...
Hermione fitou o ruivo à sua frente. Não se falavam desde a explosão raivosa de Bill. Ele parecia confuso e bastante arrependido.
– Não precisa se justificar. Nem se desculpar. – A morena disse, quando os olhares se encontraram.
– Claro que preciso me desculpar! Eu fui muito grosso! – Disse, envergonhado. – Você não merecia aquilo. É sério, Hermione. Você aceita minhas desculpas?
– Claro, Bill. – A morena respondeu. Em seguida, esboçou um leve sorriso que não foi visto por ele.
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Bill voltou para casa levando um delicioso jantar do restaurante preferido de Fleur. A vida entre eles não estava fácil. Cada dia as coisas se complicavam mais com a ausência constante dela, e com a súbita vontade do ruivo de se afundar de trabalho. A francesa sentou-se à mesa, remexendo a comida em silêncio.
– Você foi à praia? Hoje fez um dia bonito! – Ele falou, tentando puxar assunto.
– Não. – Depois de algumas garfadas, Fleur se levantou, seguindo novamente para o quarto de Victorie.
19 de setembro de 2004
– O que foi, Gina? – Hermione perguntou, estranhando o comportamento da amiga.
– Nada... – Mesmo não satisfeita com a resposta, a morena sacudiu os ombros tentando não se importar e voltou sua atenção para os sanduíches que preparava.
– Você sabe de algo que eu não sei... – Não era uma pergunta. Hermione sabia que a ruiva estava escondendo alguma coisa.
– Logo você vai descobrir o que é... – Tentou ignorar a resposta evasiva e decidiu esperar, pois conhecia muito bem Gina para saber que se ela não quisesse, não falaria, não importava o quanto insistisse.
Chalé das Conchas
Bill entrou no quarto no quarto de Victorie e encontrou sua esposa deitada. Olhou pela janela e observou a Lua cheia no céu. Aquela seria uma semana difícil... Se ao menos Fleur o ajudasse. Sentou-se e tocou-a nos ombros, mas ela o repeliu afastando-se.
– Não faça isso, querida. Preciso de você.
– Eu preciso de Victorie.
Bill suspirou com tristeza diante da afirmação de sua esposa.
– Eu também, meu amor. Só que precisamos encontrar um jeito de continuar. Eu preciso da sua ajuda hoje. Por favor. – Bill tentou argumentar, pedir que ela lhe ajudasse, mas em vão.
– Não, Willian. Saia. Tranque-se no seu quarto. Não permitirei que entre aqui.
Calado, e profundamente magoado, retirou-se.
Casa de Hermione
Os convidados estavam conversando em pequenos grupos. Hermione não havia chamado muita gente, mas só a família Weasley já enchia toda sua casa. No entanto, ela sentiu falta de Bill durante a comemoração de seu aniversário. Logo após os parabéns, as pessoas começaram a ir embora, deixando a casa vazia em poucos instantes.
– Ah! Estou cansada! – Ela exclamou, deixando o corpo cair sobre o sofá e acomodando sua cabeça no colo de Ethan
– Hermione, sente-se. Eu quero falar uma coisa. – Ele disse, acariciando o emaranhado de cachos castanhos.
Ela assentiu, fitando-o sem entender. Sentiu o coração acelerar, com medo que ele terminasse o relacionamento de dois anos.
– Você é tão inteligente – Ele começou. A mão contornando o rosto dela. – E linda. – Completou com um sorriso.
– Obrigada, Ethan. – Hermione suspirou aliviada.
– Eu te amo, você sabe disso, não?
– Eu também amo você, Ethan.
Respirando fundo ele retirou uma caixinha do bolso de seu casaco. Abriu-a com delicadeza e Hermione visualizou um belíssimo anel.
– Aceita se casar comigo?
Sorrindo emocionada, Hermione aceitou.
21 de setembro de 2004
Hermione chegou cedo naquela manhã de segunda-feira. Ao olhar para a aliança em sua mão, ela constatou que estava realmente feliz. Bill passou pela sua sala dando um baixo “bom dia”, deixando a morena triste por ele nem ter se lembrado do seu aniversário. Depois sentiu certa culpa ao lembrar que não havia nem cinco meses desde a morte da pequena Victorie.
Em sua sala, Bill tentava se concentrar. Tudo estava desmoronando e não tinha ideia se um dia as coisas voltariam ao normal. Provavelmente não. Ouviu uma leve batida na porta e na hora soube que era Hermione. A doce Hermione. Apesar da sua preocupação, ela era a única que não tinha receio de lhe perguntar coisas, de conversar...
– Bill? – A voz invadiu seus ouvidos.
– Oi, Hermione. – Tentou ser gentil.
– Quer almoçar comigo? Tem um restaurante na Londres trouxa que eu sempre ia com meus pais. É ótimo! Faz tanto tempo que não vou até lá. Quer me acompanhar?
– Não, obrigado. Estou sem fome.
– Detesto comer sozinha. Faça-me companhia apenas. – Ela sorriu, tentando convencê-lo.
Sim, a doce Hermione. Qualquer outra pessoa o obrigaria a comer, mas não ela. Em silêncio, ele se levantou para acompanhá-la.
25 de setembro de 2004
Bill chegou ao escritório e viu que Hermione já estava trabalhando. Ela não percebeu a aproximação do ruivo.
– Hermione? – Ele disse, assustando-a e fazendo com que ela derrubasse o tinteiro. – Desculpe, eu não queria te assustar! – Ele falou, limpando a sujeira com um floreio da varinha.
– Não tem problema. Tudo bem? – Ela sempre fazia a mesma pergunta, mas ele raramente respondia.
– Isto é para você. – Bill falou, tirando uma das mãos de trás das costas, mostrando o belíssimo buquê que trazia consigo.
– Para mim? – Ela sorriu, surpresa.
– Desculpe... Seu aniversário... Eu esqueci completamente. – Estava um pouco envergonhado.
– Não precisava, Bill! – Grata, ela estendeu a mão para pegar o buquê. Bill reparou na aliança que ela usava e instintivamente segurou a mão da morena.
– Você ficou noiva do Ethan? – Perguntou surpreso.
– Sim, ele me pediu em casamento no meu aniversário. – Hermione sentiu seu rosto enrubescer e Bill percebeu que ainda tinha a pequena mão sob a sua.
– Pelo visto aceitou. – Ele disse, sério. A morena, envergonhada, puxou sua mão, evitando olhar para ele. Ethan e Bill nunca se deram bem. Claro que o ruivo nunca falara nada, mas Hermione percebia o desconforto dele. Ethan, ao contrário, sempre havia deixado claro sua insatisfação e às vezes até discutia com sua noiva por causa do ruivo.
19 de outubro de 2004
Com um acordo sem palavras, toda segunda-feira Bill e Hermione almoçavam juntos no tal restaurante trouxa. Quer dizer, ela almoçava. Bill restringia seus hábitos alimentares ao jantar e a ocasionais cafés da manhã. Pouco falava, apenas perguntava o que queria saber e Hermione respondia tudo com riqueza de detalhes. Ele costumava perguntar muito sobre o mundo trouxa. Naquele dia, em especial, algo diferente ocorreu. Como sempre, ele bebia água enquanto Hermione almoçava. O prato dela demorou a ficar pronto, então, como cortesia, o restaurante serviu uma quantidade extra de comida.
– Bill! É muito para mim! Por favor, aceite um pouco. – Hermione pediu.
– Não estou com fome. – Diante da resposta negativa dele, ela preferiu não insistir naquele momento.
Ela comia calada. Colocou um pouco de comida no garfo e Bill se pegou observando a boca dela em movimento. Ficou atento à forma como o garfo entrava e saía da boca carnuda. Hermione parecia alheia aos olhares do ruivo, então encheu novamente o garfo com comida.
– Por favor, Bill... Detesto jogar comida fora. — A morena resolveu insistir mais um pouco.
Como negar um pedido daqueles?
Ele inclinou-se e aceitou a comida. Hermione levou o próprio garfo até a boca do ruivo que achou a comida realmente maravilhosa. Seria possível que o gosto dela estivesse no garfo?
Sua expressão mudou de repente e ele levantou-se de súbito, assustando Hermione.
– Preciso ir. – Disse.
– Bill? O que houve? – Hermione retrucou, espantada diante da reação do ruivo.
Ele sumiu pela porta sem dizer mais nada. Hermione estranhou aquele comportamento, mas ficou sem respostas. Bill não voltou ao trabalho naquele dia nem no resto da semana.
26 de outubro de 2004
Bill voltou ao trabalho naquela manhã e cumprimentou Hermione como se nada tivesse acontecido. Só que ela não deixaria aquilo sem resolver.
– O que houve semana passada?
– Era semana de Lua cheia. Não estava nos meus melhores dias. – Tentou parecer natural ao mentir.
Ele fechou a porta do escritório e deixou para trás uma Hermione pensativa. Ela não entendera por que ele havia mentido. Afinal, ela sabia muito bem que não era semana de Lua cheia.
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