Uma Nova Chance Para O Amor BillMione
3 Capítulo 2
Capítulo 02
25 de novembro de 2004
– Desculpe aparecer assim, Charlie.
– Tudo bem, cara. Como andam as coisas?
– Terríveis. Fleur largou o emprego. Não me deixa se aproximar, nós nem podemos dormir juntos... Nem tocá-la eu posso mais... Merda!
– Beba um pouco para relaxar – Charles falou servindo um copo de uísque para o irmão mais velho.
Bill aceitou sabendo que o que ele mais fazia ultimamente era beber.
– Ela vai sair dessa.
– Não sei, Char. Não sei mesmo. Já tentei tudo. Ignorar, conversar, presentear,... Só que ela me afasta e diz coisas que eu não aguento. Coisas que não são verdade.
– O que ela diz? – perguntou o treinador de dragões.
– Que eu esqueci Victoria. Que eu não amo minha filha o suficiente. Isso é uma puta de uma mentira! – ele falou mais alto. O caçula não interrompia. Ouvia calado – Porra, Char! Meu peito sangra todo hora... Às vezes escuto o riso dela... É uma dor... E Fleur dizendo que eu não ligo! PORRA! – e jogou o copo contra a parede.
Charles sentou-se ao lado do irmão e o abraçou. Após alguns instantes, perguntou:
– Não está tarde? É melhor você voltar.
– Tenho certeza que ela nem percebeu que eu saí. Obrigado, Char.
– Quando precisar, meu camarada.
26 de novembro de 2004
– Fleur, não quis vir?
– Não, pai – Bill respondeu sentando-se e obervando o jogo de xadrez entre Harry e Rony. Olhou para Gina – Você está linda. Posso? – a caçula pegou a mão dele e posicionou sobre a barriga.
Hermione chegava com Ethan e sorriu ao ver a expressão nos olhos de Bill. Expressão que logo mudou ao ver o casal recém-chegado. Ele não sabia explicar. Simplesmente não gostava de Ethan. Era claro que o sentimento era recíproco.
– Então, — começou Gina – já decidiram a data?
– Estamos pensando em casar no verão. Acho que será na primeira semana de agosto.
Bill soltou uma risada irônica pelo nariz.
– Não entendi a graça, Weasley.
– Ethan,... – pediu Hermione.
– Agosto? Quer enrolar a garota? – Hermione detestava quando Bill a chamava assim. Ela tinha 25 anos. Tudo bem que era nove anos mais nova que ele, mas não era uma criança.
Harry e Rony pararam o jogo. Os dois amigos não entendiam a implicância de Bill com Ethan.
– Willian! A decisão de casar em agosto também é minha!
Sem dizer nada, e bravo por Hermione ter defendido o noivo, ele saiu da sala. O jantar transcorreu tenso entre os dois homens e logo Bill foi embora. Estava frustrado. Para variar sua mulher estava dentro do quarto da filha. Seus instintos lupinos estavam à flor da pele. E, não sabia por que, cada vez ficava mais irritado com Ethan Farmville. Dentro de alguns dias seria seu aniversário. Recusou que fosse feito qualquer tipo de comemoração. Tudo o deixava nervoso. Naquele dia, esvaziou uma garrafa de uísque de fogo.
29 de novembro de 2011
Como já era esperado, não viu Fleur. Aquilo o magoou completamente. Como casal, deveriam estar passando por isso juntos e não separados.
Passou pelo escritório e viu que ela estava lá, mas não queria conversa. Achava que Hermione estava cometendo um erro ao casar-se com Farmville. Lembrou-se de quando o conheceu e não gostou do homem assim que o viu. Entrou em sua sala e sentiu a raiva diluindo-se. Caminhou até a mesa onde viu uma caixa de presente e um cartão.
Bill,
Feliz aniversário!
Com carinho, Hermione
Nos últimos cinco anos eram as mesmas palavras. Gostou que ela tivesse mudado. Abriu seu presente e viu um livro grosso: “9009 feitiços: como fazê-los e desfazê-los”.
– Ainda não foi lançado, então não mostre por aí – a voz dela se fez presente.
– Obrigado.
– O que ganhou de Fleur? – o rosto dele tornou-se sério.
– Ela não me deu nada. Não se lembrou.
– Bill, desculpe... Eu...
– Não é você que precisa desculpar-se.
20 de dezembro de 2004
Hermione via que a cada dia Bill parecia pior. Mais magro, a barba sempre por fazer. Ela ficava até mais tarde e entrava mais cedo para rever o trabalho dele. Estava exausta. E ainda havia as brigas com Ethan. Ele não concordava com a postura dela. Para Ethan deveria haver separação entre amigos e trabalho. Principalmente amigos de uma família como Weasley, que ele considerava, mas não falava, inferior.
Bill chegou em casa depois de beber com os gêmeos no Três Vassouras. Encontrou Fleur com uma grande mala ao seu lado.
– Passarei o Natal com minha família na França.
– Tudo bem – cansado de discussão apenas concordava – Arrumarei minhas coisas e vamos para lá.
– Não, Bill. Eu passarei com minha família. Não quero que você vá.
– Mas que porra, Fleur! Não está sendo fácil para mim também! Perdi minha filha e agora estou perdendo você! Deixe-me ir junto!
– Não, Bill! Não estou conseguindo com você. Eu preciso ficar sozinha.
– Sozinha? Sozinha? Caralho, Fleur!
– Preciso ficar longe de você! E de seus olhos claros! E de seu maldito cabelo RUIVO!
Ela foi para lareira e desapareceu entre as chamas. Bill pegou uma garrafa de uísque e bebeu no gargalo. Não tinha forças para chorar. Na metade da garrafa, ele aparatou no Beco Diagonal. Acabou a garrafa antes de entrar em pub barato que cheirava a mijo e a vômito. Ele não se importava. Continuou bebendo sem saber o que bebia. Tampouco sabia como a briga começou. Ou terminou. Pegou o noitibus e chegou em sua casa. Tudo rodava. Tentou ver que horas eram, mas havia ponteiros demais no relógio. Percebeu que alguém chegava.
– Bill? Bill? O que houve com você?
Hermione foi até o banheiro e ligou o chuveiro.
– Levante-se, Bill – ela ajudava-o da forma que podia. Empurrou-o para dentro do chuveiro. Ele gritou:
– Caralho! Está gelado! – com um feitiço, ela impediu que ele saísse do box. Aos poucos, Bill começou a perceber quem estava diante de si. A imagem não estava duplicada. Triplicada.
– Hermione,...
– Estou te esperando na sala para te curar esses ferimentos.
Ele chegou cambaleante. Ainda sob efeito do álcool, sentou-se na frente dela. Hermione começou a passar uma poção cicatrizante, que pegou no banheiro, na mão dele.
– O que houve?
– Não lembro – a voz pastosa – Por que veio aqui?
– Sua mãe pediu para eu entregar uns biscoitos que ela preparou.
– Leve-os de volta.
– Você está completamente bêbado. Um pouco de açúcar vai te ajudar. Isso vai arder um pouco – ele viu que ela aproximou-se de seu rosto, passando a poção ao redor dos seus olhos. Sentia a respiração dela sobre si. Ela estava em pé agora. Inclinada. Desceu seu olhar para o contorno dos seios contra a blusa. Antes que fizesse alguma besteira e que pudesse impedir seu movimento brusco, afastou a mão dela com violência, empurrando-a para longe. Hermione desequilibrou-se ao ser pega desprevenida, e caiu.
Rapidamente Bill percebeu seu erro, Hermione levantou-se abruptamente.
– Hermione,...
– Não – ela afastou-se.
– Espere... hermione...
– Não, Willian! Você acabou de... De.. – ela limpou uma lágrima – Os biscoitos estão na mesa – entrou na lareira e partiu.
25 de dezembro de 2004
– Precisamos conversar – Bill falou impedindo a saída dela da cozinha.
– Não temos nada para conversar – não se viam desde aquele dia. O departamento deles só reabriria depois do Ano Novo. – Hermione tentou passar, mas foi impedida por ela.
– Eu não sei dizer o que aconteceu. Sabe que não sou assim.
– Você não era. Não sei no que vem se transformando – aquelas palavras machucaram-no.
– Por favor, Hermione – ela encarou os olhos azuis-esverdeados e tristes. Ele era o único dos irmãos que tinha essa tonalidade de cor.
– Certo... Só preciso de um tempo. Ah – ela disse voltando-se para ele – Se fizer isso mais uma vez eu lançarei uma azaração que fará você voar daqui até a casa de Charlie – e saiu da cozinha.
– O que tem a minha casa?
– É para onde serei lançado se pisar no rabo do dragão com Hermione.
– O que você aprontou, Bill? – o irmão mais velho viu que a família estava reunida no jardim magicamente aquecido para o almoço de Natal.
– Charlie, eu... uns dias atrás... — ele sabia que o irmão ficaria puto, mas Charlie sempre fora mais próximo – Bem, eu exagerei na bebida... Hermione apareceu em casa... Eu tinha me metido numa briga...
– Bill, que merda você fez? – outro perguntou enfaticamente.
– Ela foi me curar. Eu sei que isso não é desculpa, só que as coisas não estão fáceis desde a morte de Victorie e estou tanto tempo sem uma mulher, Char... – ele respirou fundo desviando do olhar penetrante do irmão – E ela... Isso é errado... Mas a respiração dela... – Charlie fazia esforço para entender – Eu olhei... Bem... Para os peitos dela – ele corou imediatamente e baixou a voz ao dizer peito – E faria uma besteira tão grande.... Então, afastei-a... Só que exagerei na força e ela caiu.
– Willian!
– Char, não precisa falar nada.
– Diminua a quantidade de bebida, Willian. Se mamãe soubesse disso... – e saiu da cozinha sem disfarçar sua decepção.
Ele sabia que precisava beber menos, porém algumas semanas eram impossíveis. Alguns dias só eram suportáveis quando ele bebia até apagar. Foi até a porta que dava passagem para o jardim e encostou-se no batente. Hermione estava conversando com Gina. A mão repousada sobre a barriga da amiga. Seus olhos foram para Ethan que o encarava, o moreno aproximou-se de Hermione e a puxou pela cintura. Bill procurou Charles. Deveria estar ficando louco por olhar para ela daquela forma. Afinal, era um homem casado.
07 de janeiro de 2005
– Bom dia, Bill.
– ´Dia – ele respondeu – Como foi o Ano Novo?
– Viajei com Ethan e uns amigos – ela falou enquanto organizava algumas pastas – Como você está? Onde passou o feriado?
– Com Charles na Romênia. Fleur ainda não voltou da França.
– Sinto muito, Bill – ele estava sentado sobre a mesa dela. Ao dizer essas palavras, Hermione colocou a mão sobre a coxa do ruivo. Ele estava muito tempo sem receber carinho, um toque. Pulou para trás. Hermione puxou a mão, assustada.
– Preciso verificar uns feitiços – ele falou tropeçando nas palavras. Dirigiu-se para o banheiro mais próximo. Jogou água no rosto. Ele simplesmente não poderia sentir essas coisas por Hermione. Ele precisava de Fleur. Sentia falta da filha. De Victorie. Oito meses sem sua pequena. Chorou.
Assim que voltou para seu escritório, trancou-se e pediu que não fosse incomodado por ninguém. Agradeceu por não encontrar Hermione no fim do expediente.
Detestava chegar em casa e encontrá-la vazia. Às vezes parecia ouvir o riso de Victorie vindo do quarto, corria até lá. Apenas para lembrar-se da sua verdade: ela jamais voltaria.
Acionou a lareira.
– Olá, senhora Delacour.
– Willian. Como está?
– Não muito bem. Posso falar com Fleur?
– Só um instante. – sua mulher apareceu instantes depois.
– Oi, Fleur. Será que eu posso ir até aí?
– Não, Bill. Eu vou. Aguarde um pouco.
O ruivo cortou a comunicação e sentou-se no sofá. A cabeça entre as mãos. Fleur apareceu com um suave “pop”.
– Fleur,... – sentia falta dela. Ele aproximou-se para abraçá-la, beija-la. A francesa deu passo para trás.
– Bill, espere.
– Não faça isso. Sinto tanto sua falta. Não podemos superar a morte de Victorie separados.
– Estou melhor com minha família.
– Eu sou sua família.
– São muitas lembranças. Simplesmente preciso de mais tempo lá.
– Fleur, eu vou para lá. Mudamos de casa. Faço o que for preciso!
– Então vai me respeitar e dar o espaço que estou pedindo. Eu entro em contato.
– Fleur, por favor...
– Adeus, Bill – ela voltou para a lareira e sumiu.
08 de janeiro de 2005
– E seu vestido?
– Escolherei com Gina. Também precisamos procurar um lugar, mas estava pensando que poderíamos celebrar na Toca. O casamento de Bill e Fleur foi lindo.
– Não casaremos naquele lugar. – ela rolou os olhos – Meus pais conhecem os melhores salões para celebração.
– Gostaria de um jardim. Ou uma praia.
– Hermione, querida, não somos hippies. E não faremos algo simples. Meus pais jamais permitiriam. Eles estão fazendo uma lista de bruxos que não podemos deixar de convidar.
– São pessoas que não conhecemos, Ethan.
– São pessoas influentes. Quem você pensa em chamar? – ela bebeu seu vinho, mas sua vontade naquele momento era tomar um uísque de fogo. Só que uísque não achava “fino” que mulheres bebessem uísque.
– Os Weasley, Neville, Luna e seu pai...
– Os loucos dos Lovegood? Não poderemos chamá-los, meu amor.
– Eles serão convidados. Também chamarei Minerva.
– Não quero brigar com você – segurou a mão dela – Só que sabe o quanto essas formalidades são importantes para meus pais.
E para você também, ela pensou.
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