Capítulo 15

07 de setembro de 2005

– Senhorita Granger! Quanto tempo, minha senhora! – O elfo fez um exagerado gesto de reverência. Seu nariz praticamente tocou o chão.

– Sabe que não precisa agir assim, Misty. – Hermione falou de forma sincera e afetuosa.

– Ahhh... Mas Misty sente falta da senhorita. A senhorita sempre foi boa com Misty. – A pequena criatura disse, dando passagem para Hermione. – Vou chamar meu senhor. Fique à vontade. – O elfo fez uma nova reverência e sumiu no ar. Ela olhou a espaçosa sala de estar. Não sentia falta dali.

– Me perguntei quanto tempo levaria até voltar. – Até aquele momento, Hermione nunca tinha notado como a voz dele podia soar tão arrogante.

– Eu não voltei, Ethan.

– Veio aqui por causa do seu “chefe”. – O advogado falou de forma desdenhosa.

– Ele é mais do que isso e você sabe. – Ela fez uma pausa para respirar profundamente. – Suas acusações são ridículas.

– Não, não são. – Ethan anunciou sério. Trazia um envelope e o entregou para Hermione. Ela olhou irritada para ele antes de pegar o pergaminho pardo. Abriu e olhava com incredulidade para seu conteúdo. – São fotos daquele dia. Fotos de como meu pescoço e costas ficaram.

– Não acredito que chegou a esse ponto... Você o provocou antes, Ethan! Por que está fazendo isso? Está com Sophie, não está?

– Sim, estou. Só que eu realmente me senti culpado pela traição. Eu... – A morena identificou um rastro de sinceridade. – Eu cheguei a me odiar pelo o que fiz, até que soube a verdade.

– A verdade? Que verdade, Ethan? – Ela jogou as fotos sobre o sofá.

– Delacour me contou sobre seu caso com Bill! – Os olhos dele estavam frios novamente e Hermione abriu a boca, indignada perante a acusação.

– Eu nunca te traí! Nunca! Meu relacionamento com Bill começou depois que terminamos.

– Sei... – Ele disse, ironicamente. Hermione encarou com tristeza as feições daquele homem que um dia amara.

– Quer saber, Ethan... Eu vim aqui para conversarmos. Eu realmente fui apaixonada por você e meu erro foi achar... Foi acreditar que você era uma pessoa decente... Uma pessoa que poderia respeitar o que tivemos de bom... Ridícula, não? Sendo que terminamos porque você me traiu. – Ela respirou fundo, e continuou. – Nós temos como provar tudo... Memórias e até veritasserum se for preciso. – Hermione ajeitou a bolsa no ombro. – Em vez de se mostrar o homem que um dia mereceu meu amor, você apenas se mostra um completo babaca filho da puta. Adeus, Ethan.

–--

– Você não foi realmente às compras, foi? – Bill perguntou assim que Hermione chegou à sua casa. Ela carregava algumas sacolas que foram colocadas sobre a mesa. Hermione olhou para o ruivo que tinha atenção voltada para a lareira apagada.

– Não. – Ela sentou-se ao lado dele.

– Eu só queria ter uma vida calma. Tentar recomeçar... – Ele disse frustrado. – Por que foi procurar o bosta do seu ex-noivo?

– Para tentar convencê-lo a retirar a acusação. A falsa acusação.

Bill virou para o lado e encarou a namorada. Ela fez o mesmo. O ruivo brincou com um cacho do cabelo dela. A expressão ainda séria.

– Obrigado, Mione... Por, sei lá,... Cuidar de mim e tentar. – Ele deu um breve sorriso. – Ele não mudou de ideia, mudou?

– Não. Fleur conversou com ele. Ethan acha que tivemos um caso.

– Se eu soubesse que hoje estaríamos passando por essa merda toda, teria te beijado muito tempo antes. – Ele sorriu mais ainda. Hermione também.

– É mesmo?

– Sabe o que eu teria feito? – Ele indagou, aproximando-se dela e colando seus lábios no pescoço da morena. Ela fechou os olhos, entregando-se ao carinho.

– O quê?

– Teria te agarrado no Cairo... Logo que chegamos e você parou para admirar a mansão... Foi quando eu tive certeza do que sentia, mas não conseguia assumir ainda... Você estava linda e eu queria te beijar ali mesmo.

Ela sentiu o corpo arrepiar-se. Ele distribuía beijos pelo pescoço dela e falava bem próximo ao seu ouvido. Hermione sentia o ar quente contra sua pele. Conseguia apenas murmurar o nome dele... Fechou os olhos.

– Também teria te beijado quando notei seu olhar sobre meu corpo. Quando seus dedos tocaram minha cicatriz. Teria te beijado tanto tempo antes, Hermione...

A boca dele alcançou os lábios dela e beijaram-se. Fizeram amor ali mesmo. No sofá, no chão da sala. Sem resignações, sem preocupações momentâneas. Apenas desejo, lembranças de um passado recente... Entrega.

09 de setembro de 2005

– Malfoy? – Harry perguntou, estranhando a presença do loiro em sua sala. Rony rolou os olhos, irritado.

– O que faz aqui, doninha?

– Vocês e os outros aurores precisam ir ao Gringotes. – Draco falou, ignorando o comentário de Rony.

– Os duendes cuidam muito bem da segurança do Gringotes. – Rony falou.

–Nem tanto, considerando que vocês já o roubaram. – Ergueu uma sobrancelha em desafio. Mas não estou aqui para ficar de conversa. Vocês precisam ir agora até o Gringotes. – Draco falou. O tom autoritário e desdenhoso sempre presente em sua voz.

– Malfoy, estamos ocupados investigando os nomes que passou. Infelizmente, os duendes não aceitam que os cofres sejam inspecionados. – Harry declarou, ajeitando seus óculos.

– Encontrei um jeito de “resolver” esse problema. – Rony levantou-se de súbito e Harry olhava com incredulidade enquanto Draco contava seu plano.

Não se espantou e tampouco se defendeu quando recebeu um soco de Rony após relatar tudo. Sangue escorreu de seu nariz, manchando sua pele clara.

–--

Cerca de uma hora antes...

– Tem certeza, Mione?

– É um cliente importante e isso me ajudará a ser promovida, não é?

– Claro. – Ele concordou, sorrindo. Estava dividido entre deixá-la cuidar sozinha do cliente do cofre 7878 e o bilhete recebido. Hermione sempre for uma mulher independente. – Só tome as precauções necessárias, ok?

– Participei de uma guerra e roubei esse banco aos 18 anos. O que de mal pode acontecer? – Ela perguntou, dando uma piscada para ele.

Bill puxou-a pela cintura, aninhando Hermione em seu peito. Faria tudo que estivesse em seu alcance para protegê-la, para mantê-la viva. Só que não poderia passar por cima de quem ela era. Hermione Granger sempre fora forte, independente, esforçada... Batalhadora. E o ruivo sentia que para ela aquilo era importante, que ela precisava daquele desafio... E por outro lado...

– Eu ficarei bem, Bill... – Ela falou, de forma tranquilizadora.

O ruivo deu um beijo na têmpora dela.

– Eu te amo. – Eles voltaram a se beijar. Bill não queria que ela se fosse.

– Eu preciso ir. – Hermione disse, afastando-se. Ele forçou-se a soltá-la.

Os dois foram até a outra sala e encontraram o cliente esperando calmamente.

– Bom dia, senhorita Granger. – O homem cumprimentou Hermione e depois se virou para Bill. – Senhor Weasley.

Imediatamente, o ruivo sentiu seu coração pulsar de forma diferente. Ele sentia-se ameaçado. Aquele cliente sempre trouxera para ele desconfiança, agora trazia isso mais do que nunca. Bill não era lobisomem, também não estava na lua cheia, mas sentiu o lobo arranhando seu peito. O lobo uivando para que não deixasse Hermione entrar nos túneis do Gringotes com Miles Bletcheley.

– Vi que sua documentação para transferência dos seus bens está ordem, senhor Bletcheley. Vamos até o seu cofre? – Hermione falou de forma simpática.

– Você não tem ideia de como estou ansioso para isso, senhorita Granger. – Ele sorriu, mas Bill não viu gentileza naquele sorriso. Hermione deu um passo à frente, mas a mão do namorado impediu que ela continuasse.

– Acho que irei com você, Hermione. – Ele falou com os olhos fixos em Miles. O sorriso do cliente vacilou por milésimos de segundos. Milésimos imperceptíveis para Hermione, mas não para Bill.

– Como achar melhor, senhor Weasley. – O tom era entre zombeteiro e desafiador. E Bill sentia, sabia que Hermione não tinha notado. Não. Ela estava ansiosa pela promoção.

– Não, não senhor Bletcheley. Eu mesma conduzirei essa transação. Bill... — Ela dirigiu seu olhar para o namorado. – Nós já conversamos sobre isso.

– Eu deixarei vocês a sós. – Ele falou, sem deixar de encarar o ruivo. O sorriso aberto no rosto. Afastou-se calmamente.

– Hermione, por favor... A próxima vez...

– Não, Bill! – Ela o interrompeu. – Eu vou. – Hermione insistiu teimosamente – Sei que quer cuidar de mim, mas não podemos deixar esse seu lado dominar.

– Você está ignorando algumas coisas que estão na sua frente, Hermione! Eu sinto sua ansiedade e isso está te cegando! – Ele disse nervoso. Sua voz era baixa, ameaçadora. Ela cruzou os braços, irritada.

– Agora é assim? Até o que eu sinto você pode saber?!

– Isso também é novo para mim! Esse bruxo não é de confiança e não vê a hora de ficar sozinho com você no cofre! – Ele rebateu, sentindo o sangue correr mais rápido. Sentindo o lado lupino querendo aflorar novamente.

– Ele falou para você ir junto! – Hermione argumentou.

– Era mentira! Uma mentira óbvia e você não notou! – Bill segurou o braço dela com firmeza, mas sem machucá-la. Respirou fundo e mudou o tom de voz ao dizer. – Não vá.

– Estamos falando da minha carreira, Willian.

– Não, Hermione... Estamos falando da nossa vida. Você é minha vida. Eu te amo... Não vá... – Ele tinha os olhos azuis escurecidos, as linhas vermelhas começavam a se formar. Hermione puxou seu braço, interrompendo o contato.

– Você acha que algo pode acontecer... Só que eu preciso arriscar... Eu sei me cuidar, Willian... – Dizendo isso, ela virou-se e saiu da sala, sumindo no corredor com Miles Bletcheley.

– E você ainda não entende que eu não posso arriscar mais nada na minha vida... – Bill disse para si mesmo. Passou a mão pelos cabelos. Ela poderia ficar muito brava, mas ele entraria com o protocolo de risco de segurança.

–--

– Senhor Bletcheley, esse é Clip. Ele irá nos acompanhar até o seu cofre. – O duende, mal humorado, sentou-se no último lugar. Hermione indicou o assento do meio. O bruxo sorriu simpaticamente e sentou-se. Ela ocupou o lugar na frente dele. Logo o carrinho se pôs em movimento. Hermione ia desfazendo os feitiços que ela e Bill tinham colocado para proteger o cofre de Bletcheley, enquanto o duende controlava o pequeno veículo.

O carro freou de repente parando a milímetros de uma parede de pedra.

– É agora que você me fura? – Ele perguntou, sorrindo de lado.

– Sim, senhor Bletcheley. – A morena respondeu, sorrindo também. – Algo que o senhor concordou.

– Não apenas concordei como achei uma excelente ideia, senhorita Granger. – Ele esticou a mão e Hermione fez um pequeno corte no dedo dele. Um filete de sangue escorreu e Miles deixou pingar sobre uma pedra, que, segundos depois, adquiriu uma coloração avermelhada. A gigantesca porta diante deles, desapareceu.

O carrinho continuou sua viagem pelos túneis, indo cada vez mais fundo.

–--

– Você está aqui há muitos anos, senhor Weasley e sabe que esse não é o procedimento! – Grampo exclamou.

– Seu primo está lá embaixo! Aquele bruxo vai aprontar alguma coisa.

– Esse banco foi roubado uma única vez e isso jamais se repetirá. Os cofres são seguros! – O duende rebateu. – O risco de segurança só pode ser acionado pelo bruxo que está dentro dos túneis!

– Esse bruxo é suspeito! Ele pode ter guardado algum artefato das trevas.

– Nós duendes não ligamos para isso, senhor Weasley.

– Filhos da puta! – Ele xingou, batendo com força na mesa. Saiu em seguida.

–--

Miles não tinha apenas um cofre, ele tinha cinco. Todos protegidos com grande quantidade de feitiços. Hermione notou que em cada cofre, ele pegava um objeto e deixava outro. Achou aquilo estranho, mas não perguntou nada. Ela não tinha autorização para isso. O duende não demonstrava qualquer emoção, exceto o mau humor.

Quando terminaram, desceram do carrinho. Clip ainda os acompanhava. Hermione retirou um pergaminho de sua pasta.

– Apenas mais alguns detalhes... Senhor Bletcheley. O cofre ficará inativo por quanto tempo?

– Acredito que uns quatro anos, senhorita Granger. Mas... Eu poderei acessá-lo antes se precisar?

– Claro, claro. – Ela sorriu. – Você deverá falar conosco, no entanto. Questão de segurança.

– Sem dúvidas. Posso ir?

– Estou terminando. O senhor gostaria de colocar mais algum feitiço de proteção em algum dos seus cofres?

– Não, estou satisfeito. Gostaria apenas de ir embora por que tenho uma chave do portal para pegar. – Hermione fitou-o atentamente. Será que ele estava ansioso para que tudo terminasse? Ele parecia realmente um pouco nervoso... Ansioso... Será que Bill estava certo? Que ela não notou nada suspeito nele, pois estava cega pela promoção?

– Não vou demorar... Alguém terá autorização para acessar seus cofres? – Ela continuava a registrar as respostas dele.

– Não, senhorita Granger. – As palavras simpáticas sumiram. – Será que, por favor, eu poderia ir embora?

– Claro, senhor Bletcheley. – Ela forçou um sorriso. Sem dúvidas ele escondia algo. – Clip, como é padrão do protocolo 451 de segurança do cliente Miles Bletcheley devemos acompanhá-lo até a saída do Banco. – Sua vontade era pegar sua varinha, mas ele poderia desconfiar.

O duende olhou de Hermione para o bruxo. Ela realmente estava acionando protocolo 451? Aquele era o protocolo de risco de segurança. Olhou novamente para Hermione e deu um leve aceno de cabeça.

– Realmente, senhorita Granger... Não será necessário. Assim que eu sair do Banco, vou aparatar em casa e...

– Senhor Bletcheley, o senhor não poderá sair daqui sem a presença da senhorita Granger. É para sua própria segurança. Faz parte do nosso sistema se segurança. Um que o senhor concordou em seguir ao pedir feitiços extras para a proteção dos seus cofres.

– Tudo bem. – Ele disse, e não havia a menor sombra da antiga simpatia em seu rosto. Miles cruzou os braços.

– A senhorita Granger irá te acompanhar enquanto eu finalizo a documentação de transferência.

– Senhor Bletcheley. – Hermione indicou a saída.

– Depois de você, senhorita... – Ele fez um gesto com a cabeça e Hermione hesitou. Rapidamente, o bruxo descruzou os braços, puxando sua varinha. O Feitiço verde atingiu o duende. Hermione tinha os dedos em volta da sua varinha quando ouviu: – Nem pense nisso.

– Você não conseguirá sair daqui. O protocolo de segurança...

– Eu estudei sobre o protocolo 451, Granger. Sei que é o protocolo de risco de segurança e ele só entra em ação quando o inútil do duende avisa aos outros. O que não aconteceu, não é verdade? ­Accio varinha. – Hermione sentiu a varinha escapar da sua mão.

– Não importa... Você não conseguirá sair daqui...

– Isso é o que veremos.

–--

Bill não sabia mais o que fazer. Andava de um lado para o outro. Esperava por Hermione do lado de fora da entrada que dava acesso aos túneis. Ele não tinha recebido autorização para entrar e xingava Grampo de todos os nomes possíveis.

Sentiu, de repente, o peito batendo mais forte. Um arrepio percorreu seu corpo e ele parou, encarando o portão de pedra. Ela estava em perigo. Seus olhos adquiriram a típica coloração vermelha.

Nisso, a porta se abriu e ele viu Hermione surgir com Miles Bletcheley atrás dela. Instintivamente, avançou, porém parou de repente quando viu que ele tinha a varinha apontada para a namorada.

– Nem pense nisso, Weasley.

– Solte-a, Bletcheley! Não tem como você sair daqui! – Bill já tinha sua varinha erguida.

– Ah... Tem sim... Além de ter sua namoradinha eu preciso avisar que dentro de cada cofre meu há uma bomba.

– Como?! – Hermione indagou, mas calou-se ao sentir a pressão da varinha em sua cintura.

– Eu só posso desarmá-la em minha casa. Minha garantia para sair daqui com vida e com meus objetos. – Ele sorriu ironicamente.

– Seu filho da puta! – Bill exclamou, os olhos avermelhando-se mais ainda. Então Miles notou os olhos do bruxo e seu sorriso se desfez.

– Vocês têm 30 minutos para me deixar sair ou o banco todo irá explodir.

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Notas finais
N/B: AHHHHHHH! É muita emoção em uma fic só! Romance, mistério e aventura! (Fala com voz de narrador da sessão da tarde) Muito, muito ansiosa pelos próximos capítulos! N/Intrometida: O capítulo está maravilhoso. Vibrei aqui ansiosa nessas últimas páginas. Todo esse mistério do banco! Nossa. O que será que está por vir? Parabéns essa fic está cada vez melhor. Uma pena estar acabando. Mas fics suas não irão faltar né? Rs Ju Fernandes N.A.: não, Srta Fernandes! Estou cheia de ideias que parecem não tem fim!!!! Feliz que tenham gostado do cap e ri horrores com a voz de narrador da sessão da tarde! rrrsrsrrs