Uma Nova Chance
4 Um Novo Começo
Notas iniciais
Hagersburg, Carolina do Norte, era uma pequena cidade, como tantas cidades do Sul. Um verdadeiro paraíso para muitas pessoas. Era a cidade, em que, no verão, o calor era insuportável. O simples ato de ir até a esquina, já era o motivo para querer entrar no chuveiro. Porém, alguns habitantes já estavam acostumados com o calor. Pescar ou navegar era um estilo de vida para muitos. Naquela cidade, todos se conheciam, e consequentemente, conheciam sua história.
Para Christian e Sophie, aquele lugar era o paraíso, era tudo tão diferente do que eles estavam acostumados. Sem aquela confusão toda, sem se estressar, pegar um trânsito, sujeito a se atrasar a qualquer compromisso. Em Hagersburg, era difícil encontrar alguém estressado, transito? Já fazia oito meses que Christian estivera em um. Era tudo tão calmo, tão tranquilo.
Quando Christian se mudou, ele ouviu várias perguntas como: “Nunca te vi por aqui, é novo aqui?”; “Você pretende ficar por muito tempo?”; “ O que te levou a vir para cá?”... Ele esperava ouvir mais dessas perguntas, porém algumas pessoas já o conheciam, tanto pelas viagens que fazia frequentemente com seus pais, como das poucas vezes que passara as férias com Leila e Sophie. No início, Christian não queria que as pessoas não soubessem o que tivera acontecido, o motivo que tinha levado ele e Sophie a se mudarem. Quando algumas pessoas o perguntavam sobre sua esposa, ele desconversava. No entanto, apenas uma pessoa soubera o motivo para que ele estivesse morando sem a esposa, um amigo de Christian, mas ele sabia que não fora ele a comentar com outras pessoas e sim uma coleguinha de escola de Sophie, essa coleguinha contou para seus pais e em menos de uma semana, todos naquela cidade já sabiam o porquê dele estar ali, mas ninguém se atreveu a comentar sobre o assunto, pelo menos não com Christian.
Esse era um dos principais motivos para que Christian não quisesse que soubessem, não aguentaria perguntas de como foi à morte ou algo do tipo. Eles deviam saber que esse assunto era delicado de mais para ser tocado, que não era simples palavras de conforto como “tudo ficará bem”, “não fique assim, tudo ficará bem”, “eu sinto muito”, não adiantaria de nada, somente o tempo curaria a dor que a família sentira depois da perda, mas que essa ferida, para eles ainda não foi fechada.
— Papai, no que está pensando? — Sophie perguntou, batendo na perna de Christian, tirando—o de seus pensamentos. — Os ovos!
Christian olhou rapidamente para o fogão, desligando o fogo logo em seguida. Olhou para os ovos, todos queimado, bom, ele havia tentado fazer ovos mexidos e como das outras vezes, ele queimou.
Suspirou, colocando a espátula sobre o balcão. — Então, Sophie, você me acompanha em um café da manhã? Eu conheço um restaurante onde a comida é fabulosa.
◦◦◦
O despertador tocou às seis horas da manhã, mas ela já estava acordada. Como nas outras noites, não conseguira dormir por muito direito, foram poucas as vezes que conseguiu dormir sem pesadelos. Levantou—se de sua cama, para logo em seguida arruma—la. Pegou o seu uniforme, que consistia em uma calça jeans e uma blusa, com o nome do restaurante no bolso da blusa, e caminhou para o banheiro.
Depois do banho tomado, dentes escovados, porém, ainda nua, ficou de frente ao espelho e afastou—se um pouco. Havia engordado um pouco. Abriu um sorriso, satisfeita. Isso era bom, muito bom. Há uns meses ela nem se reconhecia, estava muito magra.
Terminou de se arrumar, para logo em seguida prender o cabelo em um rabo de cavalo e sair de casa. Preparada por mais um dia de trabalho. Como todos os dias, ela foi ao trabalho a pé, isso não era um incômodo, ela gostava de caminhar, pois isso, a fazia se sentir livre. Suspirou olhando em sua volta e fechando os botões de seu casaco. Era final de fevereiro, o inverno estava perto de acabar, ela estava feliz por isso, preferia mais o sol, mesmo sabendo que na Carolina do Norte, o calor é bastante intenso, mas estava feliz por ser assim, era algo diferente do que estava acostumada a ver.
Assim que entrou no restaurante, ela sentiu o aroma agradável de comida. Clayton’s era um restaurante aconchegante, onde servia comidas cadeiras e frescas. Ela olhou em volta do restaurante, para àquela hora, até que o restaurante estava cheio. Após Paul, o gerente e irmão do dono, a cumprimentar, ele entregou um bloco para ela e lhe avisou que já havia clientes para ela atender.
— Papai, eu acho que vou aprender a cozinhar quando a tia Gail tiver aqui. — Ana ouviu uma garotinha, com os lindos cabelos castanhos presos em uma Maria Chiquinha, ela tinha uma expressão indignada.
— Olá, bom dia, — Ana disse, só assim eles notaram a presença dela. — que carinha indignada é essa?
— Sabe o que é, Senhorita Roberts? — ela disse, ao ler o nome no crachá de Ana. — É que meu pai não sabe cozinhar, eu ainda morro de fome!
Ana gargalhou. Christian olhou divertido para ela.
— Estou sendo constrangido pela minha própria filha.
—Eu não sei o que significa constrangido — ela falou, depois olhou para Ana. — só sei que ele cozinha muito mal. — ela completou, só que dessa vez cochichando.
— Então, eu garanto que você vai amar a comida daqui. — Ana disse, segurando a risada dessa vez.
— Eu sei que vou amar, desde que me mudei para cá, aqui se tornou minha segunda casa! — ela falou, fazendo Ana rir.
Eles disseram o que queria, enquanto Ana anotava o pedido, Christian não deixou de olha-la e de pensar o quando ela era linda. Ele já tinha a visto na cidade, apenas uma vez.
Ana sentiu-se constrangida com o olhar que recebia de Christian, terminou de anotar o pedido e caminhou em direção a cozinha, mas antes não pudera deixar de ouvir as palavras da garotinha que brincava com os guardanapos em cima da mesa.
— Papai, também achou ela bonita? — A garotinha perguntou, sem maldade, mas ela não ouviu a resposta de Christian, pois ele se mantivera calado.
Ana apressou ainda mais os passos entre as mesas até chegar a cozinha, sabia que ele ainda continuava a observa-la, riu-se consigo mesma ao entrar na cozinha pelo elogio que recebeu de Sophie. Já fazia tanto tempo que não recebia elogios, e esse era especial e puro vindo de um coração sem malicia.
— Pedido para mesa três. — Ela entregou a nota com o pedido a José, o cozinheiro do restaurante, que ao perceber o pequeno sorriso nos lábios de Ana, ele perguntou curioso:
— Ok — respondeu, já preparando a panela para começar a preparar o pedido. — Que sorrisinho é esse? Um passarinho verde pousou na sua janela hoje de manhã? — perguntou José, com um ar de curiosidade, já que nunca a vira sorrir tão espontaneamente desde que começaram a ser colegas de trabalho.
— Não é nada de demais, não começa, José — o respondeu, nervosa. — Quer saber, quando o pedido estiver pronto me chama, tenho mais clientes para atender — ela falou, o cortando, não gostava muito de ficar de conversa no trabalho, temia perde-lo e ter que ir para outro lugar e ser obrigada a deixar seu casulo, o paraíso que havia encontrado para o seu refúgio.
— Hum... Srta. Roberts. Aviso sim — disse José, voltando ao seu trabalho.
◦◦◦
Saindo da cozinha carregando a bandeja com o pedido da mesa três, Ana foi surpreendida por Paul, que parou ao seu lado e lhe abriu um sorriso satisfatório, colocando a mão em seu ombro.
— Acho que foi um bom negócio contratamos você — comentou ele — os clientes têm te elogiando bastante, está sendo atenciosa com todos. Só querem ser atendidos por você.
Ana sorriu, desconcertada. Ficava feliz em saber que o proprietário a aprovasse, mas ela tentava ao máximo ser gentil, não era boa em puxar assunto, mas sempre se esforça para fazer um bom trabalho.
— Ah, que isso, senhor Paul. Eu só estou fazendo o meu trabalho, gosto dele. —Paul assentiu e Ana continuou seu caminho até a mesa três.
—Nossa! O cheiro está tão bom! — exclamou Sophie, com os olhos em cima da bandeja que era posta em cima da mesa. —Acho que vou comer até minha barriga explodir, não quero mais passar fome papai, nem comer comida queimada é ruim e amargo, papai.
Christian passou uma das mãos nos cabelos e gargalhou olhando para Ana que também riu achando graça da menina.
— Ei, do que estão rindo? — perguntou a menina, olhando para os dois — papai, eu... Eu fiz aquilo de novo?
— Fez o que, meu anjo? — Ele tentava conter outra risada, observando Sophie que tinha uma expressão pensativa, com uma das mãos no rosto, mas logo deu um pulo na cadeira.
— Lembrei, papai! Eu estou te constrangendo? — perguntou, se enrolando ao falar. —— Nossa que palavra difícil. Mas eu só falei a verdade. — No momento em que falou, ela olha para Ana. — Stra. Roberts, sabe cozinhar?
—Sim, eu sei cozinhar — respondeu Ana, naturalmente ajeitando os guardanapos que Sophi, tinha espalhado na mesa.
— Viu só papai, ela sabe porque não chama ela para ir na nossa casa?
— Sophi... É melhor parar de conversar e comer ou a comida vai esfriar. — Christian chama a atenção da filha e Ana aproveita para se afastar indo atender outra mesa.
Ana os observa de longe a menina, ela comia sua refeição com gosto realmente estava com muito apetite. Percebia-se o quanto, ele era atencioso com a filha. Um misto de pensamentos começara a rondar a mente de Ana, enquanto esperava José terminar mais um pedido.
“Que garotinha mais simpática. Ele parece ser atencioso deve ser casado, com certeza é, e a esposa uma mulher de sorte. E pensar que um dia sonhei com isso uma família... Mas a vida me pregou peças o destino não quis que fosse assim ”. Pensou, sentindo lembranças amargas invadirem seus pensamentos.
— Ana!? — chamou José, quase gritando tirando-a dos seus pensamentos.
— Sim? O que foi? — Ela se assustou, quase derrubando no chão a bandeja pronta para mais um pedido. José balançou a cabeça negativamente, limpando as mãos em um pano de prato.
—Ana, o que foi? Daqui a pouco, Paul vem aqui reclamar comigo pela demora da entrega do pedido.
— Já estou indo, me desculpe.
Ana saiu rapidamente da cozinha, pensou que Sophie e Christian já tinham ido embora, mas ele estava no caixa pagando a conta. Sentiu um alguém cutucar em sua perna direita, era a menina sorridente perguntou:
— Srta. Roberts, que dia pode ir na minha casa?
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