Uma Noite De Amor E Música
3 Pensamentos de Freddie Benson
Notas iniciais
Dedicado a: lilianyMcCurdy - 1° Leitora *---*
Quando Madisen passa por mim, é como se o mundo não fosse mais tridimensional. A terceira dimensão se dissolve, depois a segunda; só o que me resta é uma dimensão e essa dimensão é ela. Mas é claro que também há outra dimensão, e essa dimensão é o tempo, que continua passando, Madisen continua andando, todas as outras dimensões voltam e, embora agora haja mais, parece haver muito menos. E eu fico com essa garota, a musa dos sinais confusos, essa Sam. Ela beija muuuito bem, mas claramente tem problemas enormes de coerência. Pergunto como é que ela conhece a Madisen, porque isso está me deixando totalmente confuso, e no começo ela fica olhando para mim como se eu fosse o cara que ela não acabou de beijar do nada, mas depois coloca a mão no meu braço de um jeito que me faz perceber que eu tenho mesmo um braço, depois está se afastando e ao mesmo tempo olhando para mim como se eu fosse uma criança com câncer. Depois eu pego o braço dela e ela resiste sem realmente resistir. Por fim, ela se afasta, só para tocar meu rosto de um jeito que me lembra exatamente o beijo dela. Depois me chama de "pobre coitado". E, como só um pobre coitado faria, eu pergunto:
— Por quê ? Sei que ela sabe de alguma coisa, mas não diz. Em vez disso, ela fala:
– Tenho que ver minha amiga. — Vou com você — me ofereço.
Eu sei que a Madisen está em algum lugar atrás de mim, talvez esteja até olhando. E não é que eu não tenha nada melhor para fazer do que seguir uma garota que beija bem para onde ela quer ir. Zayn está subindo no palco para ser dançarino do Spencer, e Avan e Jade não estão em meu campo de visão.
Sam diz: — Vamos combinar uma coisa. Você nos dá uma carona, e eu te dou dois minutos além de sua oferta original. Sete é o meu número da sorte.
E ela fica só olhando para mim.
– É sério — eu digo. — Como você conhece a Madisen ?
— Eu acabei com as Barbies dela no sexto ano — ela me diz. — E foi assim desde então.
Ela agora passa pela multidão e eu a sigo.
— Ela estava aqui há um segundo — diz ela.
— Quem?
– Ela não. Ariana. Quer dizer, cala a boca um pouquinho para eu poder pensar direito, está bem ?
Como se o fato de eu ficar quieto fosse fazer com que ela de repente fosse capaz de ouvir todos os passos que são dados neste clube. Enquanto ela está olhando em volta, eu faço o movimento idiota de olhar para trás e vejo Madisen e seu modelo novo se agarrando. Ela está tão gata coma camiseta dos Ramones e as meias douradas que eu sempre pedi a ela para usar porque fazem com que ela pareça algo extraído de um gibi da Marvel. Lembro de tirar essa camiseta, de tirar as meias dela, ela gritando : — cuidado, cuidado. Enquanto eu começava a abrir suas coxas. E agora são as mãos de outro cara que estão desbravando o mesmo caminho, tocando seu rosto perfeito e descendo pelo queixo pronunciado e — ah, que merda — caindo no vão embaixo daquela minissaia simplesinha e provocante. E ela fica olhando para mim o tempo todo. Eu juro que ela está olhando para mim. Eu me viro e Sam não está ali, mas por sorte está a poucos metros de distância. E a menina que ela procurava me parece meio familiar. Não de um jeito:
Não Fizemos Colônia de Férias juntos ?, mas algo tipo: Não pisei em você para entrar no banheiro masculino ontem à noite ? Agora ela está pendurada no cara do Are You Gibby? como se estivesse se candidatando a ser um bolso no casaco dele. Eu sei que ele está pronto para costurar a garota. Só que a minha Namorada de Sete Minutos está no caminho. Grita o nome de Ariana como só uma irmã mais velha diria e, pelo ressentimento que aparece nos olhos de Ariana, eu acreditaria que elas eram irmãs se Sam já não a tivesse chamado de amiga. Também achei, por uma fração de segundo, que elas poderiam ser namoradas, mas algo na expressão de Sam deixa claro que elas eram amigas sem outros benefícios. Ariana está prestes a dizer algo hostil, mas de repente Avan e Jade acabam esbarrando em mim e dançamos loucamente. Passamos a ser essa massa de paramécios agitados, conectados pela euforia, enquanto o guitarrista faz uns solos eletrizantes. Até Madisen deve estar fazendo parte disso, e se nós dois participamos disso ao mesmo tempo, então significa que ainda estamos conectados de alguma maneira. Todo mundo nessa sala está conectado, menos Sam — ela é tipo a estátua que ninguém fez, uma estátua de alguém totalmente derrotado. Ariana dançaencostada no cara do Are You Gibby?. Procuro me desligar, mas há algo em mim que simplesmente não me permite. Penso que minha Namorada de Sete Minutos está precisando de ajuda.
— O que é que tá pegando? — eu grito.
E ela olha para mim como se tivesse esquecido que eu existia. Isso quer dizer que ela também se esqueceu de montar a guarda para mim, então eu tenho um momento em que vejo as frases por trás de seus olhos.
Não posso fazer isso. É difícil demais, merda. Mudo minha pergunta. Eu digo:
– Está tudo bem?
E, com a mesma simplicidade, as frases dela aparecem atrás de uma tela. Mas eu sou curioso. Sim, sou curioso pra cacete.
– Por que não estaria? — questiona ela. — Acho que nosso tempo acabou.
– Não precisa mais da carona? _ pergunto.
Não me lembro de usar minhas rodas para conseguir mais um tempo com uma garota complicada. A música terminou e todo mundo está gritando. Eu mal a ouço gritar.
— Me espera aqui.
Zayn e Avan já se colocam em posição, Zayn curvado sobre as costas de Avan enquanto mergulham juntos. Enquanto o cara do Are You Gibby? usa as mãos para aplaudir, Sam coloca a mão no ombro de Ariana e se inclina para gritar em seu ouvido. O que se segue é uma daquelas batalhas com cabos-de-guerta sem corda, onde mede-se centímetro por centímetro para saber exatamente quem puxou e quem foi puxado. Não consigo ouvir nada até que Ariana grita:
– Eu não estou doida!
O que quer dizer que ela está — Afinal quem mais usaria uma frase tão ridícula para se defender ? O cara do Are You Gibby? está começando a entender e tenta sair do atraso se agarrando com ela. Mas seu instinto o derrota totalmente, porque a mão dele desvia em algum lugar perto do peito dela e este nunca é um terreno fácil para se ancorar. Nessa disputa, Sam dá um puxão em sua palma da mão peluda e Ariana logo cambaleia na minha direção. Antes que eu entenda o que está acontecendo, Ariana tomba em cima de mim e eu a seguro. Depois ela vai baixando e sei que está prestes a vomitarem mim, mas em vez disso ela se levanta, me olha e diz:
— Seus sapatos são muito feios.
Agora Sam está ao meu lado:
— Vamos. —
Ela deixa Ariana ali para que eu a carregue enquanto grita: "Sai do meu caminho" para as pessoas, afastando-as aos grunhidos. Meu coração sabe a direção que seguimos, porque algo em mim começa a bater, como se tivesse algo mais importante a dizer e, quando saio de minha cabeça por tempo suficiente para enxergar, surge alguém no nosso caminho e esse alguém é a garota que levou a chave do meu coração e a engoliu sorrindo.
— Preciso do seu carro — diz ela.
E é como se eu tivesse me esquecido o significado das palavras, porque eu só fico ali parado, olho Madisen e penso “Ela está falando comigo” e de algum modo isso se traduz por “Ela está me dando uma chance”.
— Preciso ir a um lugar — ela me diz. — Prometo que trago de volta.
Procuro a chave no bolso. Estou pensando “Eu vou com você”. Estou pensando nas conversas no banco do carona compondo músicas dedicadas a ela em minha cabeça. Seu rosto iluminado pelas luzes do carro à noite, do painel, de faróis e da pista oposta. Me lembro demais disso. Merda, eu a amava naquela época. E aquela época está se misturando ao agora. Estou pensando “Por que não?”. Estou pensando “Ainda somos as mesmas pessoas”. E uma voz de fora de mim diz:
– Acho que o carro já está cheio. Não tem espaço para você, Madisen. Me desculpe.
– Como é ? — pergunta Tris.
– Desculpe-me. Eu não falei com clareza. Vou tentar novamente. TCHAU !-
– Agora porque não leva a Bebunzila daqui e acha uns fãs legais do Weezer para brincar de rock? Estou falando com Freddie, e não com você.
Ela está brigando por minha causa.
Mas por algum motivo é Sam quem está passando o braço em mim e colocando a mão no bolso de trás da minha calça. Estou prestes a afugentá-la, mas então Madisen diz:
– Vamos lá, Freddie ... Nós estamos atrasados e preciso do carro. Vou pagar pela gasolina.
E agora entendo que não faço parte do “nós” dela. Fui exilado desse “nós”
– Vou achar o Gibby — decide Ariana.
– Não vai procurar merda alguma — diz Sam, afastando o braço e entrelaçando no de Ariana. O que nos deixa naquela pose estranha de vamos ver o mágico de Oz, com Madisen nos impedindo como a Bruxa Má do Oeste.
Ela pode me ganhar com tanta facilidade.
Mas, em vez disso, ela bufa e diz:
— Pode ficar com ele, eu só quero o carro.
E com essa, Madisen me larga para sempre. De agora em diante, toda vez que eu a vir, ela vai me deixar para sempre. Repetidas vezes, sem parar. Sam tira a mão do meu bolso e sustenta Ariana com o corpo todo. Agora a fala é minha e mal consigo fazer isso. Não é que eu esteja bêbado, chapado ou alucinado. É só que estou derrotado. E isso prejudica todos os meus sentidos. Só existe um acorde de esperança nessa cacofonia, e é o da garota que estou seguindo. Sei que posso dizer a ela para pegar um táxi — tenho a sensação de que ela pode muito bem pagar por ele —, mas gosto da ideia de sair e ficar com ela. Ela se despede do gerente do clube enquanto chegamos à porta e somos libertados na rua. A calçada está cheia de fumantes, conversando ou batendo as cinzas com pose. Recebo o cumprimento de cabeça de algumas pessoas que conheço vagamente. Normalmente, se eu saio com duas gatas, recebo também alguns olhares de admiração. Talvez por causa da raiva evidente entre Sam e Ariana, ou talvez porque todos pensam que eu sou gay — qualquer que seja o caso, não recebo mais cumprimentos do que um taxista receberia por fazer uma corrida.
Sei que devo oferecer ajuda a Sam para empurrar Ariana para frente, mas a verdade é que não estou com vontade de carregar ninguém, exceto eu mesmo. As ruas estão vazias. Eu estou vazio. Ou, não — eu estou cheio de dor. E minha vida que está vazia. Me atrapalho com a chave. Madisen não estará esperando por mim dentro do carro. Madisen não estará esperando por mim nunca mais. Eu não devia ter vindo aqui. Não devia ter ido a lugar algum em que ela pudesse me encontrar. Estamos no meu carro.
– Mas que merda é essa? — pergunta Sam.
Eu dou de ombros e digo:
— É um Yugo
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