Uma Lady Em Apuros
3 II
Notas iniciais
Segui à passos largos até a escadaria do terceiro e último andar da casa, Ana me segurou pelo pulso um instante.
— Seja delicada, senhorita.
Suspirei pesadamente.
— Eu estou tremendo tanto quanto todos os outros, Ana. Busque o chá está bem? Cuidaremos dela hoje e por quantos dias mais ela precisar.
Ana sorriu e saiu às pressas. Virei e subi aqueles degraus. O último andar era menos majestoso mas onde existiam os quartos de honra mais confortáveis e maiores, tudo era branco e azul e eu me senti sufocada por toda aquela forte iluminação naquele espaço. No final do corredor uma porta também branca sem nenhum adorno e sem nenhum som vindo lá de dentro estava. Parei em frente aquele portal que eu atravessara tantas vezes mais desde que era uma garota.
Estendi a mão e bati somente uma vez. Engoli em seco e disse:
— Eles não estão aqui, você pode abrir, Margoth.
Apenas uma fresta e eu sabia que estava com livre passagem. Entrei para a pequena sala existente no seus aposentos, era o quarto mais lindo que já vira um dia mas hoje parecia triste com as cortinas fechadas e uma magra e despenteada garota sentada em uma poltrona em frente à uma grande lareira em mármore. Respirei profundamente o cheiro das flores que eram postas todos os dias, naquele dia em especial percebi o cheiro de rosas.
— Marg...
Não terminei.
— Eles escolheram você?
— Sim.
— Para me dizer que Brandon está morto?
— Como você...? – eu iniciei e ela me silenciou com um gesto.
— Todos comentam sobre isso na casa, só precisei de um passeio no corredor.
Meus ombros caíram. Ela já sabia e deveria estar sofrendo. Corri para lhe abraçar e ela levantou indo me abraçar também. Ficamos as duas assim, ela chorava e eu lhe abracei até quando as pernas cansaram e ela pediu para sentar. E fiquei abraçada enquanto ela chorava no sofá. Ela fungou no meu ombro.
— Não deixe ninguém entrar aqui...
— Pedi um chá para Ana.
— Nem mesmo Ana!
Entendi e corri para trancar a porta.
— Não quero sair para o mundo, Isabel.
Ela me disse e chorou ainda mais no meu colo até cair em sono.
Levantei e fui até a porta, um bule frio de chá estava na porta. Levei até a mesa no centro da pequena sala, busquei um cobertor e cobri minha amiga. Depois desci novamente até a biblioteca.
A comoção já deveria ter passado e os dois andares superiores estavam vazios. Caminhei até a porta vrrmelha da biblioteca e encontrei somente Mari sentada com a xícara na mão esquerda e um pequeno livro na mão direita. Ela sentava extremamente ereta e soprava a xícara enquanto mantia os olhos no papel.
— Ela já sabe.
Eu disse apenas isso.
Ela não se assustou. Apenas pousou o livro no colo ainda equilibrando perfeitamente a xícara.
— Presumimos.
— Já sabia antes de mim.
Desta vez ela também pousou a xícara na mesa ao seu lado.
— Quem lhe disse?
— Ela ouviu os empregados. O que está acontecendo? Não entendo...
— Foi um tiro, Isabel... — ela disse com um semblante cansado.
— O corpo está lá embaixo.
— Eu quero vê-lo.
Mari, minha bela e gentil madrasta enrrugou os lábios. Não éramos ladies naquele vilarejo, quer dizer, o pai de Mari fora um baronete na pequena cidade vizinha mas meu pai é apenas o líder do grupo de caça da nossa vila. Nossa casa é um presente do título do tio de meu pai, que morrera a mais de vinte anos e herdado como presente de casamento quando casou-se com minha mãe. Observei ela levantar e vir até mim.
— Querida não somos nobres e portanto nossa educação tende a ser menos conservadora...
— Existe um mas?
— Creio que não seria apropriado para uma moça.
— Mas você...
— Eu sei. Criei você para tomar suas próprias conclusões.. mas e os outros, meu bem?
Suspirei.
— Volte para a sua amiga e ajude ela a sair para o funeral, será hoje ainda. Ela precisa.
Meu coração ficou gelado, não parei para pensar no funeral e nem que não deveria deixá-la sozinha. Corri ignorando as regras sem etiqueta de volta ao quarto.
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