Notas iniciais
Oi minhas lindas! Demorei, mas cheguei. Esse capítulo já estava escrito, mas tive que mudar algumas coisinhas, e acrescentar a Bella kkkk Acho importante ela aparecer... Mas enfim, as postagens vão voltar ao normal, prometo. Só nesse fim de semana que eu não sei, porque vou dar uma passadinha em Paúba e Maresias... Mas é só no fim de semana... E provavelmente, vou usar o 3g do meu pai, então... Enfim, aí está o capítulo... Grandinho até kkk Beijinhos e bos leitura!

Pov. Nessie

No dia seguinte, acordei desorientada. Pisquei um pouco, passando a língua por entre os lábios, que estavam secos. Respirei abafadamente, percebendo os efeitos de dormir com Jacob. Com sua temperatura anormal, ele havia me deixado suada. Porém, eu gostava disso. Seu calor me reconfortava, e me protegia. Não havíamos saído da posição, na qual dormimos noite passada.

Ao lembrar da noite passada, fitei o teto do quarto de meu lobinho. Senti como se todos aqueles materiais, que compunham a estrutura daquela casa, desabassem sobre mim, como uma lembrança sombria. Como se todas as palavras ditas na noite anterior, esmagassem meu corpo, em cheio. E quando conseguem, por fim perfurar minha pele, correm pelas minhas veias, em direção ao meu coração, rasgando-me de dentro pra fora.

Encolhi meu corpo, e senti o aperto dos braços fortes de Jake, ao meu redor. Era como se, mesmo inconsciente e dormindo, meu lobinho sentisse minha dor, e quisesse me proteger o mais forte possível. Porém, por mais que Jake faça de tudo para me proteger, ele não consegue. Quero dizer... Jake consegue me livrar de machucados físicos, mas... Mentalmente, de acordo com toda a situação em que eu me encontro, ele não consegue me livrar da dor.

Cerrei meus olhos com força, tentando impedir lagrimas de saírem. Não desejo essa dor a ninguém. A dor que é causada por alguém que você ama. Por alguém que te criou, e que você nunca imaginou, poder fazer uma coisa dessas. Eu me sentia como se sombras, cobrissem totalmente as lembranças que eu tinha com meu pai.

Sei que ele só queria meu bem, mas aquilo tudo era tão... Horrível. A imagem de meu pai chantageando Jacob, rondava minha mente, me deixando cada vez mais incredulamente triste. Por que ele tinha que fazer isso? Se intrometer na minha vida novamente? Por que ele tinha que destruir toda minha confiança nele? Por que ele tinha, que manchar toda nossa relação de pai e filha? Perguntas me invadiam, com a mesma intensidade, em que eu afundava na tristeza, e na dor de saber que, alguém que você ama, te... Traiu.

Perdoar. Isso é fácil. Eu poderia perdoar meu pai agora mesmo, afinal sempre me ensinaram a perdoar. Mas confiar? Confiar é algo, que eu não sei, se consigo fazer de novo. Confiança é que nem papel. Depois de amassado, não volta a ser o mesmo. Nunca volta a ser o mesmo. E eu havia confiado em meu pai, todos os dias de minha vida. Mesmo depois daquela briga, no meu primeiro dia dos namorados com Jake. Mas acho que coloquei confiança demais, numa pessoa só.

Confiei em meu pai, quando ele disse que nunca se intrometeria de novo. Mas olhe onde estou agora. Triste, com dor, e me sentindo culpada por tudo o que aconteceu. Sim, sou uma idiota por sentir culpa. Mas sinto mesmo assim. Me sinto culpada por deixar Jake passar por isso. Culpada por ter um pai daquele jeito. Culpada por não deixar meu amor me contar a verdade. Verdade, aliás, que sempre esteve bem na minha frente.... E principalmente, culpada por ter falado tudo aquilo para o meu pai.

Mesmo ele estando errado, foi ele quem me criou. Ele que me ensinou a maioria das coisas que sei hoje. Ele que tocou piano comigo todas as tardes... Senti que fui tão dura com ele, o chamando de cínico. Mas ao mesmo tempo... Não sei. Se ele tivesse sentado comigo e com Jake, pra conversar, e contar seu medo, acho que seria melhor. Menos dolorido. Daríamos um jeito.

Mas ele preferiu mentir, omitir, chantagear... Fazer tudo, o que ele me disse para nunca fazer. Quando falo, não me refiro, só a dor de descobrir isso. Mas também a dor que eu tinha no peito, antes de saber a verdade. A dor, de quando pensei, que Jake não queria filhos. De quando pensei, que ele me deixaria, caso eu engravidasse. A dor que senti, após me entupir de anticoncepcionais, e vomitar durante minutos. Tantas coisas resumidas em uma só palavra: Dor.

Respirei fundo, tentando não chorar. Eu não queria chorar. Queria me livrar de tudo aquilo. Esquecer um pouco as coisas. Dar um tempo, em vez de dar mais motivos, para minha dor de cabeça continuar.

Observei Jacob dormindo. Seu rosto cansado estava a centímetros do meu. Sua respiração batia em minha testa, e eu sentia seu peito, subir e descer. Seu corpo colado ao meu, com nossas pernas entrelaçadas. Parecíamos um só, com os corações tão próximos. Eu era tão sortuda por ter Jacob ao meu lado. Ele sempre cuidando de mim, sendo um perfeito cavalheiro. Preocupado comigo, e sempre carinhoso. Ao meu lado nos momentos mais difíceis. Ele sempre esteve lá. E sempre estará, porque é o amor da minha vida.

Fiz um carinho em sua bochecha morena, e lhe dei um beijo na ponta do nariz. Dei um meio sorriso, enquanto sentia o aperto de seus braços, rodeando meu corpo de forma protetora. Fechei os olhos, inalando seu perfume amadeirado, e novamente, senti o sono me tomar aos poucos.

***

Pov. Jacob

Bocejei, enquanto piscava os olhos, repetidamente. Senti uma brisa em meu pescoço, e logo identifiquei a respiração de minha Nessie. Apertei as pálpebras, e a encarei. Seu rostinho lindo, apoiado em meu ombro, não transmitia qualquer expressão. Não tinha sinal de tristeza, ou qualquer sentimento relacionado à noite passada. Noite que rondava minha mente. Mas mesmo assim, não tinha expressão alguma.

Fiquei a encarando, enquanto tentava, de alguma forma, ler seus pensamentos. Queria saber o que minha pequena estava sentindo. Saber se estava melhor, ou não. Saber qualquer coisa, que me ajudasse a cuidar dela. Afinal, ontem me senti tão incapacitado. Nessie só chorava, e pedia desculpas, por algo que ela não tinha culpa. Tudo o que consegui fazer foi abraça-la. Meu amor estava tão frágil.

Suspirei, e delicadamente, me levantei. Não queria acorda-la. Eu deixaria Nessie descansar, o quanto ela quisesse e necessitasse. A noite de ontem foi muito pesada. Tanto para seu corpo, quanto para sua mente.

Peguei o cobertor, que estava na beirada da cama, e a cobri carinhosamente. Nessie se remexeu um pouco, e agarrou o cobertor, enquanto dormia. Sorri fraco, e lhe dei um beijo na testa. Respirei fundo a observando, e me ajoelhei no pé da cama.

– Nessie. – Chamei baixinho, mesmo sabendo que ela dormia profundamente. – Eu te amo muito, viu? – Sussurrei, depois de limpar a garganta. Minha voz estava um pouco rouca. – Eu quero tanto, que você fique bem. – Declarei, enquanto segurava uma de suas mãos branquinhas entre as minhas. Para minha surpresa, nenhum pensamento foi transmitido. Ela não havia sonhado naquela noite. – Por favor, não se culpe por nada. Você não tem culpa... Não fez nada de errado. E eu fico tão triste vendo você desse jeito... Tão frágil. – Engoli o nó que se formou em minha garganta, após lembrar da imagem de minha pequena em meio a chuva forte. – Para o que você precisar, eu estarei aqui. Cuidarei de você. Estarei do seu lado. – Beijei sua bochecha delicada. – Você é minha vida. – Sussurrei, e beijei sua mãozinha.

Nessie não demostrou nada, mas um breve pensamento surgiu em sua mente. Ela estava pensando, ou sonhando comigo. Eu não soube distinguir, afinal sempre quando ela dormia, as imagens de seus pensamentos ficavam um pouco desconexas... Então não dava pra saber se era sonho, ou um pensamento concreto. Mas me envolvia. E eu amo a conexão, que há entre nós.

Sorri fraco, me levantando, e fui até a porta do quarto. Eu senti o cheiro de meu pai, e sabia que ele, provavelmente, estava estranhando tudo. Mas eu não iria contar o real motivo por Nessie estar aqui. Não sei se isso é errado da minha parte, mas só contarei, se minha pequena permitir. Aquilo tudo é um assunto muito complicado, e não sei como ela vai estar quando acordar.

– Oi, filho. – Meu pai cumprimentou, logo que pisei na sala. A última vez em que eu o tinha visto, foi ontem, no almoço. Antes de toda aquela briga.

– Oi. – Respondi com um sorriso fraco.

– Você e a Nessie brigaram? – Ele indagou direto, e sério.

– Não, por que? – Estranhei a pergunta.

– Você quase nunca dormiu aqui, desde que começou a namorar com ela... Imaginei que agora que estão casados, iriam pra casa de vocês, mas você está aqui... – Meu pai juntou o cenho, e elevou os ombros, demonstrando confusão. — Vocês discutiram?

– Não, pai. Não discutimos. – Respondi suspirando. – Tanto que a Nessie está ali no meu quarto, dormindo. – Expliquei o seguindo até a cozinha, recém reformada. Havíamos trocado alguns moveis velhos, abrindo um pouco mais de espaço. Era até melhor, devido a cadeira de rodas do meu velho.

– Ah, entendi. – Ele exclamou, e abriu um sorriso. – Vocês estavam... Sabe... Se relacionando? – Ele perguntou insinuativo, arqueando uma sobrancelha. Balancei a cabeça freneticamente, incomodado com o rumo da conversa.

– Não, pai, não. – Falei, enquanto balançava o rosto. Ele deu uma risadinha.

– Desculpe, mas da última vez que a Nessie dormiu aqui... Aliás, da última vez que ela passou a noite aqui, vocês não dormiram... Se é que me entende. – Meu pai comentou, enquanto comia um biscoito. Bufei, revirando os olhos.

– Olha pai, nós não transamos... Se é o que você quer saber. – Comentei um pouco irritado, porém mantendo a calma. Passei a mão pelo rosto, de forma nervosa. – Ontem aconteceram umas coisas, e.... A Nessie... Pai, ela não está bem, ok? Passou por muita coisa ontem à noite, e deve estar cansada. Aliás, nem sei como ela vai estar, quando acordar. – Falei mais pra mim mesmo, do que pra ele. – Mas quando isso acontecer, não pergunte nada... – O sorriso de meu pai se desfez, dando lugar a uma expressão confusa. – Nessie pediu pra dormir aqui, e eu deixei.

– Tudo bem, mas...

– Pai, não me pergunte o que aconteceu, ok? Nós não brigamos, nem nada. Tanto que eu estou aqui pra cuidar dela, haja o que houver. – Suspirei, lembrando do ataque de choro de minha pequena, ontem à noite. – Mas é que... Isso é um problema que... Bom, só vou falar, quando eu for autorizado a falar... Sei lá... Só não pergunte nada a respeito. – Orientei, o olhando com seriedade. – Consegue fazer isso? – Perguntei calmo.

Meu pai ficou me encarando durante um tempo, como se tentasse assimilar tudo o que falei. Sua expressão de foi mudando aos poucos. De confusão, para receio, e por fim, compreensão. Não que ele soubesse do que se tratava, mas sabia que devia ficar quieto.

– Consigo filho. Ok... Não vou perguntar nada a respeito. – Assenti, enquanto ele suspirava. Me encarou por uns instantes, e se virou em direção a mesa. – Vai colocar uma roupa Jacob. Nada de sentar na mesa, sem camisa. – Soltei uma risada fraca, lembrando de quando eu ainda morava aqui. Assenti e saí do cômodo.

Quando fui colocar a mão na maçaneta da porta de meu quarto, senti aquele cheiro inconfundível de vampiro. Apurei meus sentidos, percebi ser Bella. Respirei fundo, voltando a sala, indo em direção a porta. Eu não tinha ideia de como minha amiga estava.

– Bella? – Perguntei, logo que abri a porta. Fazia anos que ela não pisava nessa casa.

– Olha, sei que você disse, que não sabe se Renesmee quer falar comigo, ou com qualquer pessoa, mas eu estou preocupada com minha filha, e preciso conversar com ela.

– Hã... Ok. – Assenti, percebendo que Bella estava agitada. Provavelmente, iria me bater, caso eu falasse pra ela voltar mais tarde, porque Nessie está dormindo.

– Ah! – Minha amiga exclamou como se lembrasse de algo. – Eu trouxe as roupas da Renesmee. – Ela me entregou uma das malas de minha pequena.

(Mala da Nessie: http://www.kipling.com.br/assets/public/images/catalogo/87e2c461244a134632a849c82e6c4c74_w200_h171_q80.jpg )

Peguei a mala lilás, e observei que Bella batucava o pé no piso de madeira, extremamente sem paciência. Percebi que ela quase quebrava a chave do volvo em suas mãos, devido a sua força extrema.

– Posso entrar? – Bella perguntou, depois de bufar.

– Pode. – Respondi, abrindo espaço. Ela entrou rapidamente, deixando aquele cheiro de vampiro no ar. Nada contra minha amiga, mas o único cheiro, perfume que gosto da casa dos Cullen, é o cheiro pertencente a minha esposa.

– Oi Billy. – Ela cumprimentou, ainda meio dispersa, observando o ambiente. Meu pai só acenou com a cabeça, ainda meio confuso. – Eu vou ver Renesmee. – Bella informou, e andou a passos largos, até a porta de meu quarto. Meu pai fez careta, e voltou pra cozinha. Suspirei, e segui minha sogra.

***

Pov. Nessie

Abri os olhos lentamente, um pouco mais aliviada do que a primeira vez. Nesse momento, aquele peso sobre a noite passada diminuiu. Não deixou de existir, mas acho que como é a segunda vez que acordei hoje, meus pensamentos já estavam esperando por tudo isso.

Olhei o colchão a minha frente, e de cara, percebi a ausência de Jacob. Bocejei, e me revirei na cama, levando um susto. Minha mãe estava na beirada da cama, me encarando fixamente com seus olhos dourados. Um pouco mais adiante, vi Jake entrando no quarto, carregando algo lilás. Percebi ser uma de minhas malas.

– Mãe? – Indaguei, com a voz meio manhosa, devido ao sono. – O que você... O que a senhora está fazendo aqui? – Perguntei calma. Eu não estava brava por ela ter vindo. Só um pouco surpresa, e confusa. Minha mãe suspirou, e encarou as mãos.

– Quer que eu vá embora, não é? – Ela perguntou decepcionada.

– Não, não. – Me apressei em responder, enquanto olhava interrogativamente para meu lobinho. Ele só suspirou em resposta. – Só estou... Surpresa. – Comentei a encarando novamente. Me ajeitei na cama, me sentando. – Por que a senhora está aqui?

– Olha filha, eu não sei o que fazer. – Minha mãe começou a falar rapidamente. – Estou muito preocupada com você, e seu pai foi dar uma volta na floresta, e não voltou até agora. Sei que ele está bem, mas... Na verdade, estou preocupada com vocês dois. Seu pai sai por aí, e você... Renesmee, nunca mais faça aquilo, está me ouvindo? – Ela exclamou mandona. Abaixei o olhar. – Saiu que nem uma louca por aquela chuva forte! Sabe o quanto fiquei preocupada em você bater o carro? Sofrer um acidente?

– Desculpa, mãe. – Pedi sem graça.

– Estou falando sério. Jamais faça aquilo de novo. Você...

– Bella. – Jake a chamou. – A Nessie pediu desculpas para mim ontem. Ela não fez por querer. – Ele disse, me defendendo, de forma calma e sincera. – Foi muita coisa pra cabeça dela...

– Sim, mas ela saiu daquele jeito, e....

– Bella, certas horas... Nós sentimos vontade de fugir... – Jake declarou, compreensivo. Minha mãe o encarou, e voltou seu olhar a mim. Ela suspirou, e apoiou sua mão em minha perna.

– Ok, desculpe... Mas é que, sabe? Fiquei preocupada. Você já sofreu tanto... Teve aquele negócio com o Nahuel, e....

– Eu sei, mãe. Eu sei, tá tudo bem. – A confortei, apoiando minha mão sobre a dela. – E me desculpe por ter saído daquele jeito... Mas eu estava... Não sei como eu estava... Eu não conseguia encara-lo naquele momento... Só queria sair dali. Não vai mais se repetir, ok?

– Tudo bem, filha. – Minha mãe disse, sorrindo fraco. – Mas então...

– Vocês querem que eu saia? – Jake perguntou já pegando na maçaneta da porta.

– Não, fica aqui! – Implorei, quase desesperada. Eu não sabia como estava meu emocional. Mas sabia que, desde sempre, quando eu choro, o único que me reconforta é o Jacob. Haja o que houver, sempre precisarei dele. E aquela conversa com minha mãe, poderia tomar um rumo desagradável.

– Tá tudo bem, pequena. – Jake disse carinhoso, vindo até mim. Sentou do meu lado, e passou seu braço musculoso, por meus ombros. Minha mãe sorriu ao nos ver juntos.

– Então... – Ela suspirou. Habito que estava ficando constante, em nosso dia a dia. – Como você...

– Não sei. – A interrompi antes de terminar a frase. Por mais que ainda estivesse sentindo um turbilhão de coisas, eu não queria chorar. Não mais por aquele motivo. – Quero dizer... Não quero sentir mais, mãe. – Expliquei, e ela juntou o cenho, confusa. – Isso tudo é tão inacreditavelmente ruim. – Concluí horrorizada, e Jake apertou seu abraço em mim, enquanto olhava a janela. – E eu não quero sentir coisas ruins, mãe. Tristeza, raiva, culpa... Tá tudo misturado, e é sufocante.

– Mas... Culpa? – Dona Bella perguntou receosa.

– Sim... Me sinto uma tonta, por sentir culpa, mas... Me sinto mal por ter dito tudo aquilo a ele ontem. Acho que falei coisas demais.

– Não, Renesmee. – Minha mãe me interrompeu. – O que ele fez foi horrível. Você estava certa em tudo e mais um pouco. Não fique assim....

– Não gosto de sentir raiva dos outros, mãe. – Lamentei, suspirando. Jake pegou minha mão, fazendo carinhos. – Principalmente do meu pai... Mas agora, a tristeza está sendo substituída por raiva... Afinal, não quero chorar. O que ele fez, está feito. Não dá pra eu ficar chorando por aí... O problema é que estou com raiva... Porque... Isso tudo é uma droga. – Falei irritada. – Ainda me pergunto o porquê de ele ter feito isso.... E ainda sinto raiva, por estar sentindo culpa de algo que foi ele quem causou...

– Vai voltar pra casa? – Minha mãe perguntou, depois de um tempo me encarando. Percebi que ela não sabia como reagir aquilo. Jake me encarou, esperando a resposta.

– Queria... Se o tio Billy deixar... Ficar mais um dia aqui. – Pedi sem graça. Jake assentiu. – Se não for incomodo, é claro.

– Não vai ser incomodo nenhum, anjo. – Meu lobinho disse, me dando um beijo na bochecha. Sorri fraco.

– Obrigada. – Agradeci, envergonhada. Minha mãe sorriu, e olhou a janela.

– Bom... Eu tenho que ir. – Ela suspirou, e me encarou com aquele conhecido olhar maternal. – Olha querida, sempre vou te apoiar, ok? E se precisar de mim, é só ligar. Seu celular, sua carteira, roupas... Tem tudo naquela malinha ali, ok? – Assenti, e dei um meio sorriso. Sempre achei engraçado ver uma mulher com aparência de adolescente, sendo minha mãe. – E pare de sentir culpa, Renesmee. – Ela repreendeu. – Você não tem culpa de nada.

– Não tem mesmo. – Jake concordou, me abraçando mais forte.

– Viu? Ouça seu marido... – Ela sorriu divertida, mas eu percebia uma tristeza profunda em seus olhos. Eu sabia o que era aquilo. Minha mãe não suportava ficar longe de meu pai. – Enfim. Já matei, em parte, minha preocupação. – Mamãe suspirou. – Tenho que ir, meu amor. – Ela se levantou, beijando minha testa. – Fique bem, ok? – Assenti, sem graça. – Eu te amo.

– Também te amo, mãe. – Retribui, e logo ela saiu do quarto. Percebi uma sombra de tristeza passar por seu rosto, enquanto ela girava a maçaneta da porta. Mas como toda a humanidade, ela resolveu esconder todos aqueles tristes sentimentos, com um disfarce sorridente. Suspirei. Tudo tinha se desestruturado.

– Hey amor, não fica assim. – Jake disse, me puxando mais pra perto de seu peito, e me dando um beijo na testa. Beijei seu peito, e o abracei.

– Ai, Jake. Eu sou tão sortuda por te ter ao meu lado. – Declarei, engolindo o nó que havia se formado em minha garganta, e apertando meus braços ao redor de seu pescoço moreno. Jake passou seus braços por minha cintura. – E obrigada. Por tudo... Por cuidar de mim. Te amo muito. — O beijei rapidamente por todo seu rosto. Necessitava tanto daquele homem, que chegava a ser deliciosamente assustador.

Colei nossos lábios, sentindo a ansiedade tomar conta de meus atos. Fazia horas, que eu não beijava o Jacob. Selinhos não eram suficientes. Não para demonstrar o que eu estava sentindo. Além de amor, tinha a gratidão. Gratidão por ele cuidar de mim, e ser tão carinhoso. Gratidão por ele existir.

Enquanto nossa bocas iam se moldando aos poucos, porém com facilidade, fui me ajeitando na cama. Senti uma de suas mãos, se espalmar por minhas costas, me causando arrepios intensos, enquanto a outra ia de encontro a minha nuca, segurando meus cabelos pela raiz.

Jake me puxou, e logo me sentei no seu colo, passando minhas pernas por sua cintura. Cada espaço de fricção entre nossas peles, era um choque no meu mundo. Como se abalasse minha estruturas, de tal forma, a fazer-me ficar sem falas. Tudo o que eu conseguia fazer era beija-lo, e retribuir o carinho que, desde sempre, ele tem me dado.

Em alguns segundos, nossas línguas já estavam se entrelaçando, e dançando em nossas bocas. Aquelas conhecidas borboletas começaram a se alvoroçar em meu estomago, causando uma orquestra de sensações. Sensações já esperadas, e causadas só pela mínima presença de Jake perto de mim. Presença que aumentava a cada segundo.

– Não precisa agradecer, pequena. – Jake disse, enquanto tentávamos pegar folego. Ele me olhava com tanta intensidade, que fazia meu coração aumentar de tamanho. Eu me arrepiava por inteiro, enquanto Jake passava a mão por meu pescoço, tirando alguns fios de cabelo do caminho.

– Mas é claro que preciso agradecer, Jake. – Declarei um pouco mais séria. – Afinal, por mais que sempre tenha obstáculos entre nós, você nunca desistiu de mim. Sempre esteve do meu lado, me salvando... Cuidando de mim.

– Só sinto necessidade de te ver bem, pequena. – Ele disse, beijando minha testa. Se ajeitou na cama, se encostando na parede, comigo em seu colo. – Tudo isso porque te amo mais que minha vida.

– Eu sei, meu amor. – Sorri torto. – Eu também te amo... Mas preciso agradecer. – Insisti com obviedade. – Aliás, me desculpe por tudo o que aconteceu.

– Já falei que você não tem culpa de nada. – Jake relembrou, após revirar os olhos.

– Não, não... Eu sei. – Afirmei, enquanto passava meu dedão pelo contorno de seus lábios. Aqueles carnudos lábios morenos, me hipnotizavam tanto, que só por sentir a textura de sua pele em minhas mãos, já me deixava extasiada. Jake ficou observando meu movimento, enquanto eu encarava fixamente aquela deliciosa parte de seu rosto. – É só que... Sei que você terminou nossa casa. – Declarei, e olhei seus olhos negros. – E sinto muito por, ao invés de nós a conhecermos, ouvirmos a verdade de meu pai... Sabia desde o início que, tudo isso, não estava envolvido nos seus planos.

– Tá tudo bem, anjo. – Jake disse, e beijou minha mão que sustentava em seus lábios. – Eu não ligo, ok? Aliás, nós podemos ficar aqui em casa, o tempo que você quiser.... Desde que você fique bem. – Ele sorriu encorajador. Beijei seu peito, e seu pescoço.

– Eu te amo.

– Eu também te amo. – Sorri torto com sua declaração, e beijei seus lábios. Lábios que sempre me confortaram, na maciez de sua pele.