Uma História JakeNess- Como Acho Que Deveria Ser 2
28 Capítulo 28 - Agora ou nunca
Notas iniciais
Pov. Jacob
Após um longo voo de volta para casa, o clima estava tenso. Logo que Emmet veio nos buscar no aeroporto, Nessie apertou minha mão, visivelmente nervosa. Desde nossa conversa seguida por longas e deliciosas horas de amor, eu percebi que minha pequena, logo que pisou em Forks, sabia o que ia acontecer. Sabia que tinha algo errado, e sabia que o que iria descobrir ali pra frente, não seria nada agradável.
O clima no caminho em direção a mansão Cullen foi estranho. Emmet trocou poucas palavras com a gente, sem fazer uma daquelas piadinhas maliciosas. Junto com seu sorriso fraco, ele demonstrou a Ness que as coisas em casa não estariam muito diferentes. Suspirei abalado.
Eu estava abalado, porque (1) daqui a algumas horas, minha amada esposa ia descobrir as chantagens do pai, (2) o pai era um herói pra ela, e a descoberta a faria chorar, com vergonha do parente, até então, querido, e (3) antes, a minha ideia da chegada a Forks era simplesmente lhe mostrar a casa que fiz pra ela, ver sua expressão de admiração, e embarcar numa longa noite de amor. Nada que envolvesse descobertas chocantes sobre sogros chantagistas. E a cada segundo, meu medo aumentava, junto com o de minha pequena.
Porém, para nossa surpresa, quando chegamos em casa, todos nossos amigos vieram pra cima de nós com aquelas perguntas divertidas, e maliciosas. Os Cullen estavam tensos, fingindo que não sabiam de nada, e eu não vi Edward. Aquilo não era um bom sinal.
Nessie respondia às perguntas com um falso entusiasmo, enquanto arrancava o esmalte roxo das unhas, discreta e nervosamente. Nossos amigos não sabiam do que estava acontecendo. Afinal, todas as vezes que eu fazia ronda, eu meio que construía um muro em minha mente, para eles não ficarem xeretando meus pensamentos. Aquele era um assunto muito delicado, e se Leah ficasse sabendo ia armar um barraco com Edward. Sem falar que o Embry sempre foi um pouco linguarudo.
Depois de Bella cumprimentar Renesmee, ela veio até mim, com um olhar preocupado e confuso.
– Por que Renesmee está assim? – Bella perguntou confusa. Bella conhecia a filha como a palma da mão. Alguns olharam, e continuaram a paparicar minha pequena. Expliquei como tinha sido minha conversa com Nessie, e que ela estava daquele jeito, pela ansiedade para saber o que aconteceu. Sem falar, no medo.
– Cadê o Edward? – Perguntei após explicações discretas sobre tudo o que aconteceu. Não queria que os meninos viessem me perguntar o que estava acontecendo.
– Não sei. – Bella disse com um pouco de desespero. – Ele estava lá fora, alguns minutos antes de vocês chegarem. Falou que não suportaria olhar para a Renesmee agora, e saiu pela floresta.
– Ele vai voltar, não vai? – Perguntei, e percebi que Nessie nos olhava meio desconfiada, e confusa.
– Vai. Foi o que ele prometeu. – Minha amiga suspirou. – E desculpem por tudo isso. – Ela se referiu aos nossos amigos com a grande recepção. – Eles não sabem, e insistiram em fazer isso. — Assenti, e fui até minha pequena.
– Tá tudo bem. – Sussurrei, passando meus braços por seu ombro. Nessie assentiu, me dando um beijo na bochecha. Ela passou seus bracinho por minha cintura, e enterrou sua cabeça em meu peito. Dei um beijo carinhoso no topo de sua cabeça.
– Vocês são tão fofos juntos. – Rachel disse entusiasmada. Os outros concordaram. De relance, vi Jasper olhando preocupado para a sobrinha, que se agarrava a mim com todas as suas forças.
– Eu sei. – Nessie disse sorrindo em minha direção, apesar de todos os ocorridos. Ela fez biquinho, se levantando nas pontas dos pés. Sorrindo, lhe dei um selinho. Todos fizeram aquele coro de Awwt.
– Como foi a lua de mel? – Embry perguntou malicioso. Eu e Nessie o olhamos, revirando os olhos. – Que foi? O propósito de ir na lua de mel é transar feito loucos, certo? – Ele perguntou com obviedade. Todos riram. Ness me encarou, e sorriu.
– Vamos esquecer as coisas por enquanto. – Ela sussurrou no meu ouvido, e me deu um beijo na bochecha. Percebi que apesar de tudo, ela se sentia em casa, e queria conversar com Rachel e Leah como sempre fez. Queria tentar ter um momento feliz, antes de saber a verdade. Verdade que ela sabia não ser nada legal.
Os Cullen certamente ouviram o pedido que Nessie me fez, porque começaram a agir normalmente. Inventaram uma desculpa ridícula para justificar a falta de Edward, mas Ness sabia que era mentira. Acho que no fundo ela suspeitava que o que nós a contaríamos no futuro próximo, tinha a ver com o pai.
– Camiseta legal, Nessie. – Seth disse simpático, observando a frase escrita em preto na blusa de minha pequena, em inglês: A vida não é sobre esperar a tempestade passar, e sim sobre aprender a dançar na chuva. Quando Seth a elogiou, Sheldon lhe deu um golpe forte na nuca.
– Au! – Meu amigo exclamou, enquanto todos olhávamos assustado para Sheldon. Nunca o tínhamos visto usar a força de hibrido. – Por que você fez isso? – Seth perguntou passando a mão na nuca, fazendo careta.
– Para mandar um recado. – Sheldon disse sério. – Ela não é pra você. – Ele se referia a Nessie.
– O que? – Seth perguntou confuso. Todos estavam assim.
– Ela não é pra você! – O cientista exclamou metendo o dedo no nariz de meu amigo. Todos de assustaram. Inclusive Nessie. – A última vez em que um homem, além de Jacob, nutriu sentimentos pela Nessie, isso não acabou bem. Ela não é pra você. – Sheldon se referiu ao ocorrido com Nahuel. Todos estavam impressionados com a atitude dele.
– Mas eu só disse que a camisa dela era legal. – Seth se defendeu assustado.
– Não importa.
– Não gosto da Nessie desse jeito. – Seth disse sério.
– Não perguntei se gosta ou não gosta. A Nessie é do Jacob, e é dele que ela gosta. E diferente de certos híbridos maldosos, ele não a faz sofrer. – Sheldon se referiu a Nahuel. Nessie sorriu tímida, observando a atitude nosso filho adotivo. Dei um meio sorriso. – Ela não é pra você. Se insinue pra ela novamente, e amanhã acordará sem seus países baixos. – Quando ele disse isso, Seth se assustou, e todos seguraram o riso. – Não riam, afinal isso serve para vocês também, Embry e Brad. – Sheldon advertiu os mais safados da turma.
Os dois arregalaram os olhos, assentindo com medo. Eles sabiam que por mais que Sheldon não usasse a força para atacar, ele era inteligente o suficiente para colocar algum tipo de ácido no shampoo deles.
– Eu, hein. – Seth exclamou fazendo careta. Sheldon deu de ombros.
– Fico contente que tenham voltado. – Ele disse para nós dois. Assentimos sorrindo. – Nessie, amanhã é seu dia de me levar no trabalho. – Minha pequena assentiu fazendo careta. Todos riram.
– Vamos almoçar? A Esme cozinhou, e eu tô com fome. – Leah resmungou mal-humorada. Rimos, e nos dirigimos para a cozinha.
O almoço foi agradável, na medida do possível. Através de seu olhar, eu via a preocupação de minha pequena, mas ela consegui fingir que estava tudo bem. Respondia tudo o que lhe perguntavam, assim como eu. Embry continuava com seus comentários maliciosos, e pervertidos. Leah e Rachel insinuavam coisas para Nessie, que só ria e balançava a cabeça em negativa.
Mas me senti meio mal, observando o estado de minha pequena, e de todos os seus familiares, que observava todos os seus movimentos, em todo o almoço. Fiquei pensando em que, talvez, se eu não tivesse aceitado essa chantagem, o momento de agora seria diferente. Edward talvez estivesse aqui, aninhando a filha que o tanto ama. Bella estaria feliz com seu casamento. Esme e Carlisle não estivessem com pena e tristeza no olhar dourado.... Todos estaríamos felizes de verdade. Sem nenhum ocorrido para atrapalhar. Mas infelizmente, a vida não é justa.
***
Após todos irem embora, o clima se pesou, intensificando o nervosismo de minha pequena. Ela apertava minha mão, e eu percebi que se eu não estivesse ali, fazendo carinho em seus cabelos ruivos, e segurando firme sua mãozinha, Nessie já teria se derrubado lágrimas a muito tempo. Lágrimas presas até agora, num nó enorme em sua garganta.
Eu sentia a pressão sufocante pairando no ar. Nessie já sabia que todos ali estavam cientes de tudo, através de seus olhares tristes dirigidos a ela. E sabia também que seu ali estava envolvido, contando que ele não tinha aparecido. Até agora.
Bella tinha o visto do lado de fora da casa. Logo que ela fez uma pequena menção com o rosto pálido, Edward entrou lentamente, sentindo a tensão que era quase palpável. Seus ombros curvados para frente, e sua cabeça baixa denunciou toda a culpa que caía sobre seus ombros.
Todos ficaram tensos. Jasper e Emmet trincaram os dentes, e enrijeceram o corpo. Mas não era por raiva do irmão, e sim do que provavelmente ia acontecer pelos próximos minutos. Eu permaneci com os braços ao redor dos ombrinhos de minha pequena, que observava o pai com tristeza e curiosidade. Para nossa surpresa, ela lentamente se levantou. Edward se encolheu mais.
O único barulho eram os passos suaves de Nessie, sobre o enorme tapete. Ela chegou perto de Edward, parecendo ambos frágeis. Um pelo erro cometido, e a outra pela já provável descoberta do erro.
Para nossa surpresa, Nessie o abraçou, desarmando o pai. Edward ficou sem reação, e parado por um instante. Bella os olhou, sabendo que tinha algo errado. Edward com insegurança, passou os braços ao redor do corpo miúdo de Renesmee. Percebi que Bella provavelmente devia estar com o escudo sobre Nessie, porque Edward parecia confuso. Como se não soubesse o que a filha estava fazendo. Mas eu sabia. Ela sabia.
Pov. Nessie
Depois de todos os olhares, e as pistas que me deixavam cada vez que o nome de meu pai era tocado, eu sabia exatamente o que iria acontecer. Quando cheguei perto de meu pai, suas olheiras eram profundas, e seus olhos vazios. Minha mãe parecia estranha em relação a ele. Toda família estava assim.
Ninguém conseguia mentir ali. E por que eu mentiria? Eu sabia que tinha algo errado, e aos poucos soube que esse algo tinha a ver com meu pai. Meu querido pai depois de tantos conselhos, músicas compostas em dupla, sermões carinhosos... Ele tinha feito algo. Algo tão ruim que não tinha coragem de elevar a cabeça, e olhar nos olhos de cada um.
Elevei meu olhar, e encarei seus olhos dourados e vazios.
– Eu te amo muito. – Respirei fundo. – Mas tem muita culpa em seus olhos, pai. – Constatei, o desarmando. Era agora ou nunca.
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