Uma História JakeNess- Como Acho Que Deveria Ser 2
29 Capítulo 29 - Descoberta
Notas iniciais
Pov. Edward
A culpa dolorosa pairava sobre todo meu corpo, deixando a ação de olhar nos olhos chocolates de minha Renesmee muito mais difícil. Como pude ter feito aquilo? Como pude machucar minha própria filha daquele jeito inacreditavelmente horroroso? E o pior: Como pude deixar isso ser levado adiante, sendo que eu sabia que aquilo estava a ferindo?
Sim, eu sabia. Fiquei tão obcecado pela ideia de poder controlar toda aquela situação pelo bem de Renesmee, que quando percebi que só a estava machucando, não fiz nada. Não parei com a chantagem. Puro orgulho. Um orgulho ridiculamente péssimo, que já me colocou em situações horríveis dentro de minha família.
Eu não queria ceder a Jacob. Não queria ceder ao cara que já foi supostamente apaixonado por minha atual esposa. Ou Ex. Não sei... Mas a questão é que estou incrédulo comigo mesmo, pois esse ato de orgulho devido ao passado, já me custou uma briga com minha filha. E agora, está acontecendo de novo.
Logo no começo do relacionamento desses dois, eu sabia como Jacob pensava. Ele sempre quis ter filhos com Nessie. Sempre achou que os filhos seriam inofensivos, e que mesmo que não fossem, Renesmee aguentaria a gravidez por ser uma hibrida. Jacob comparou a gravidez de Bella, e pensou que já que no final nasceu a menina mais doce do mundo, eles não teriam que se preocupar com esse tipo de coisa.
Mas como sempre, eu quis ter razão. No início, não liguei muito para essa questão de maternidade, pois os dois só estavam ainda no começo de um relacionamento. Eu sinceramente, nunca achei que seria algo tão intenso assim. Mas no final, percebi ser o contrário. Me vi olhando para Jacob incredulamente, enquanto ele afirmava que no próximo Dia Dos Namorados, ia pedir minha filha em casamento.
As coisas passaram rápidas demais pra mim. E a ideia do casamento não me apavorava, tanto quanto, a ideia de Renesmee morrer num parto de alguma criatura desconhecida pelo mundo. Foi aí que resolvi agir. Não poderia perder minha princesa, minha Renesmee. Só de pensar naquilo, crescia uma dor irremediável no meu coração gelado. Eu sabia que não poderia transforma-la. Eu sabia que o meu veneno só a faria sofrer por alguns minutos, e logo falecer.
De um dia para o outro, inventei um plano maluco, que eu julguei ser o melhor para minha Renesmee. Mesmo que chantagear seja algo errado, seria o melhor a ser feito. Aquilo poderia proteger minha filha de uma morte inevitável, e de um sofrimento para a família inteira. Pensei estar fazendo um favor a todos. Principalmente, para Bella e Jacob. Ela não perderia a filha, e ele não perderia a futura esposa.
Fui tão burro. Tudo isso só causou mais sofrimento. E justo para as pessoas que jurei jamais magoar novamente. Eu ouvia os soluços de minha filha durante o banho, enquanto ela se culpava por não poder ter filhos normais. Vi Bella com pena da filha, mas sem poder fazer nada. Ela sabia que não deve se meter em assuntos como esse, mas eu aparentemente nunca soube disso. Aliás... Eu sabia, mas como sempre, quis ter o controle da situação.
Aquele orgulho tomou conta de mim, me impedindo de pedir desculpas a Jacob, e parar com toda essa merda. E somente depois que vi minha filha morrer, que percebi como fui idiota. Só depois percebi que eu não poderia afastar ela de Jacob, pois ele a mantem viva. Ele que salvou ela da morte inevitável. E só depois de pura dor e sofrimento, que fui capaz de perceber todo o erro cometido. Qual o problema comigo?!
Parece que só magoo as pessoas. Justo as pessoas que amo. Sinto que quanto mais tento fazer o bem, mais eu erro, e deixo as pessoas escaparem por entre meus dedos... Como areia. Aquela areia que se vai, conforme você se movimenta. Conforme você assopra para a direção errada.
***
Renesmee ficava mais pálida do que o normal, conforme eu contava vergonhosamente o que fiz. Sozinha no escritório com Jacob e eu, ela apertava a mão do marido, enquanto o único som era minha voz, e seus corações anormalmente acelerados.
Eu ouvia os pensamentos tristes de minha família na sala. Carlisle havia conversado comigo, e disse que ficou triste pelo que fiz, mas que apesar de tudo, eu sou seu filho, e que ele me aceitaria em casa. Porém, eu é que não me aceito. Tenho vergonha só de olhar no espelho. Expliquei o porquê de eu ter feito a maldita chantagem, e tudo o que ele disse foi:
– Edward, do mesmo jeito que você, não me orgulho de seus atos. Mas como eu disse antes, você é meu filho. Apesar de tudo, o meu trabalho é te aceitar, e te ensinar o melhor.... Te ensinar o certo. – Ele suspirou. – O que você fez, o modo como agiu... Foi errado. Porém, vejo que você já sabe de tudo isso, e se arrepende de seus atos... O pior seria se não se arrependesse, porém... Como Bella disse, não é a nós que você tem que pedir perdão. – Assenti, me levantando. – Edward? – Me virei, envergonhado. – Não se pode mudar o passado, filho. Mas pode mudar seu jeito de ser agora, para poder melhorar o futuro.
Como sempre, com seu dom paternal de ser extremamente calmo, Carlisle disse tudo que eu precisava ouvir. Mas o único problema é que eu sabia. Tinha certeza de como Renesmee ia agir. Bella estava com o escudo sobre ela, mas seus olhos demonstravam tudo o que ela sentia. A cada olhar que ela dirigia a mim, a culpa caía mais e mais sobre meus ombros. Seus olhos chocolates puxados da mãe, transmitiam incredulidade, tristeza, e o pior: Raiva.
Terminei de admitir tudo, e suspirei, abaixando a cabeça. Me sentia inferior a todos nesse mundo. Inferior por meus atos de maldade. Ouvi um chiado, e logo Renesmee começou a chorar. Jacob me encarou, e logo abraçou a esposa, com sofrimento nos olhos. Eu sabia o quanto custava ver a pessoa que ama, triste. Nessie se jogou nos braços de Jacob, com as mãos delicadas, sobre o rosto, enquanto chorava compulsivamente. O ruído de suas lágrimas eram facadas em meu coração já morto.
Ouvi suspiros da sala. Me levantei, me aproximando.
– Filha, eu...
– Não me chame de filha. – Renesmee me interrompeu, falando entre dentes. A olhei assustado, junto com Jacob. Nessie se levantou me encarando, ainda com lágrimas escorrendo de seus lindos olhos.... Agora tão tristes. Um silencio se pairou sobre a casa.
– Renesmee, eu só queria o seu bem, eu só...
– Como pode fazer isso?! – Ela gritou chorando nervosamente. – Como você... Meu Deus! Pare de controlar minha vida, pai! – Renesmee exclamou segurando mechas de seus cabelos ruivos nervosamente. – Droga, não posso te chamar de pai! – Ela gritou cinicamente. – Você não é meu pai! Não pode ser! O pai que eu conhecia foi substituído por um completo idiota controlador! – Eu me encolhia a cada palavra proferida por Renesmee, sabendo que por mais que doesse, ela tinha razão.
Pov. Nessie
Eu estava chocada. A chantagem que meu pai fez... Tudo aquilo foi o motivo para um monte de merda causada na minha vida. Na minha vida com Jacob. E o pior é que eu acreditei que foi o Jake que não queria filhos, acreditei que o problema era comigo, acreditei que se eu engravidasse, meu amor ia me deixar... Mas tudo foi culpa do meu pai. Tudo culpa daquela merda de ciúme, daquela merda de tentar ter o controle sobre tudo.
– Me desculpe, sei que está brava...
– Brava?! – Perguntei incrédula. – Brava é pouco, Edward! – Cuspi seu nome, com raiva contida em meus pensamentos. O homem incrivelmente desconhecido a minha frente abaixou a cabeça. – O pior é que eu acreditei em toda essa merda! – Jake estava triste, e ao mesmo tempo assustado com o meu estado. – Acreditei que Jacob não queria filhos, e que a culpa era minha! A culpa é toda sua! – Acusei sem dó ou piedade. – E ainda vem me dizer que percebeu o erro depois que eu fiquei morta?! – Indaguei incrédula. – Vou precisar ser atacada agora, para você perceber quando se intromete demais na minha vida?! – Exclamei cínica.
– Nessie... – Jake tentou me acalmar, percebendo que eu estava a ponto de explodir. Literalmente.
– Não! Não vou me acalmar! – Falei sem tirar os olhos de meu pai. – Bem que o Jake me avisou! Ele queria falar! Passou dias tentando me falar, e eu ignorando, porque fui burra! – Exclamei entre dentes. — E eu aqui te chamando de pai, sendo que você fica aprontando um monte de merda pra cima do meu namoro, do meu casamento! – Gritei nervosa, sentindo lagrimas deslizando por minhas bochechas. – Você é um cínico! Um louco! – Exclamei com raiva. Edward me encarava com os olhos dourados, cheios de dor e culpa. – Sabe isso aqui, pai? – Debochei lhe mostrando minhas alianças. – Eu tava noiva quando você fez tudo isso! Eu tava casada quando você disse que me amava, mesmo sabendo de toda essa maldita chantagem!
– Eu já tinha pedido desculpas a Jacob. – Ele se defendeu, com a voz tremula.
– Não importa! Quer saber a verdade?! A culpa de eu ficar vomitando naqueles dias, é toda sua! – Exclamei lembrando de quando tomei todos aqueles anticoncepcionais. Edward me olhou confuso. – Lembra quando fiquei vomitando que nem uma doente semanas atrás?! Pois é, papai. Eu tinha me entupido de remédio, sabia? – Ouvi murmúrio surpresos na sala. Somente meu vô, minha mãe, e Jake sabiam disso. – Tomei uns trezentos anticoncepcionais com medo de engravidar! Tudo porque acreditei que Jacob não queria filhos! Coisa que foi imposta por causa dessa maldita chantagem! – Conforme meu pai foi assimilando tudo, sua boca foi se entreabrindo.
– Eu não sabia, Renesmee. Me desculpe, eu não tinha ideia. Se eu soubesse...
– Se você soubesse, o que?! Ia parar com a chantagem?! Não, não ia! Tudo porque você é um idiota orgulhoso! Não acredito que você é meu pai! – Exclamei mais pra mim mesma, do que para ele. Meu pai se encolheu. Me aproximei dele, abaixando o tom de voz. – Eu tinha você como exemplo, pai. – Falei com sinceridade, sentindo minhas lagrimas aumentando. – Eu pensei que você fosse... Não sei o que eu pensei. – Suspirei sussurrando. – Eu só queria acreditar que você tinha mudado. Que não era mais tão ciumento a ponto de fazer tudo isso. – Falei, limpando inutilmente algumas lágrimas de minha bochecha. – Você... Você... – Não consegui terminar de falar, e saí correndo do escritório, em velocidade vampiresca. Rapidamente, peguei a chave de meu carro no porta-chaves. Queria me livrar de tudo aquilo que só me machucava.
Ouvi passos atrás de mim, enquanto eu passava correndo pela sala. De relance, vi todos os olhares de minha família, cheios de pena sobre mim. Senti mais raiva, porque eu não queria que sentissem pena. Não de mim. Tinham que sentir pena de Edward. O homem que fez tudo aquilo, e que vai ter que viver com seus atos pelo resto da eternidade. Afinal, não se pode voltar no passado.
– Renesmee. – Ouvi a voz de minha mãe, e parei no meio do quintal, cheio de folhas secas, caídas das arvores. Por mais que eu quisesse fugir de tudo aquilo, eu não podia dizer não a minha mãe. Ela também estava sofrendo.
Senti o cheiro de meu pai, e seus passos lentos em minha direção. Jake já estava perto de mim, logo que parei de correr. Ouvi um estrondo no céu, denunciando a provável chuva.
– Renesmee, eu...
– Não encoste em mim! – Exclamei, logo que me virei pra encarar os olhos de meu pai. Todos me olharam assustados. Meu pai se afastou rapidamente, dando passos para trás. Jake me encarou receoso. Estranhei, e logo percebi que eu havia criado um círculo de fogo ao meu redor.
Um ruído surgiu no ambiente, logo que uma lagrima minha caiu solitária sobre uma folha seca na terra. O fogo de cor roxa alaranjada, se moldava em um círculo ao redor de mim. Era de uma chama tão alta, que eu só via os olhos assustados de meu pai diante de mim.
Comecei a chorar mais e mais, caindo ajoelhada no centro do círculo de fogo. Além da tristeza por tudo o que ocorreu, comecei a sentir uma tristeza repentina por perceber, que podia ter machucado alguns de meus parentes com esse meu dom recém-descoberto.
Conforme eu chorava, com as mãos sobre meu rosto, o fogo ao meu redor foi abaixando, até se tornar nulo. O único vestígio de que um dia ele existiu naquele local, foi uma marca preta sobre as folhas secas, ao meu redor. Todos ainda estavam assustados. Jake estava incerto se vinha até mim ou não, pois sabia que eu não estava nos meus melhores momentos. Agradeci mentalmente por ele ficar onde ficou, pois eu queria simplesmente... Sei lá... Sumir de repente.
Me levantei do chão com dificuldade, sentindo os olhares arregalados em minha direção. Alguns tinham até medo. Meu pai só queria se aproximar, junto com minha mãe. Um raio cortou o céu já escurecido, e como de costume, uma chuva enorme desabou.
– Me desculpe, eu... – Pedi chorando. – Eu só não consigo te olhar agora. – Falei pro meu pai, enquanto chorava, e saí correndo até meu carro estacionado na frente da porta da garagem.
Jake me olhou assustado e com medo, e correu até mim, mas eu já estava dando ré. Minhas lagrimas se misturavam com a agua da chuva, que tinha me ensopado segundos antes. Fiz a manobra, enquanto saía correndo pela pista molhada, me escondendo de tudo e de todos. Pisei fundo no acelerador.
– Nessie! – Meu amor gritou, se molhando inteiramente com a chuva. Chorei, apertando minhas mãos no volante.
Por mais que parecesse covarde, fugir era a melhor opção naquele horrível momento.
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