Uma Guitarrista Nada Normal
7 Surpresa Nada Agradável.
Notas iniciais
Depois de babar um pouco mais o meu novo carro eu voltei para a festa. Lá dentro algumas pessoas vieram falar comigo e me parabenizar por isso e aquilo. Enfim, ficamos os cinco juntos a festa toda. Mas eu estava preocupada, meu irmão não deu sinal de vida em lugar nenhum.
Estava irritada com ele, isso é fato, Line e Nanda não queriam nem ouvir seu nome. Gabi estava num meio termo – ela está irritada e bêbeda, então não conta -, já Jason, que apenas conhecia meu irmão de vista, não ligou muito quando eu pedi que ele me ajudasse a procurá-lo.
-Você vai procurar ele aqui dentro e eu lá fora. – instruiu Jason.
-Certo. – Nós nos afastamos e ele foi para algum canto que eu não consegui ver. Eu procurei perto do banheiro e só encontrei pessoas se agarrando. Procurei pela pista e eu só encontrei o óbvio: gente dançando. Procurei pelos banheiros, quartos, salas, cozinha, e tudo que se possa imaginar, agora só falta um lugar. E foi lá que eu o encontrei.
Sentado num banco em frente do bar estava meu querido irmão. Seu cabelo estava bagunçado e sua blusa com três botões abertos (N/A: não sei por que mais lembrei de um filme com botões, me ignorem), a sua frente havia vários copos de tamanhos diferentes.
Aproximei-me dele e parei ao seu lado:
-Ainda está brava comigo? – perguntou.
-Mais do que isso. – suspirei. – Vamos embora. – falei tirando da sua mão um copo com o que parecia ser vodka e que ele pretendia beber.
-Não! Não vou até falar com Line. – teimou.
-Ela não quer falar com você agora, Zack. Por favor, por mim e por ela, por favor, vamos embora. – pedi.
Zack afastou os copos que estavam a sua frente e deitou a cabeça no balcão, logo seus ombros se moviam de um jeito descompassado. Ele chorava.
Doeu-me ver meu irmão assim, ele sempre foi tão forte e brincalhão, toda vez que o via, ele era só sorrisos. Nunca o vi realmente triste. Droga! Por que eu não consigo ficar sem falar com ele? MUNDO CRUEL!
-Zack – chamei-o manhosa. Ele levantou a cabeça e eu vi seus olhos verdes lacrimejados e seu belo rosto molhado. – Oh, maninho! – o abracei. – Não fica assim não. Olha vamos, se arrume, depois você conversa com a Line, está bem? – perguntei. Ele assentiu e se levantou limpando o rosto com as costas da mão, fechou um botão da sua camisa e arrumou seu cabelo.
Saímos de perto do bar e eu fui para o lado em que as garotas estavam, mas Zack não me seguiu quando notou o caminho que eu fazia.
-O que foi? – perguntei voltando.
-Ela não quer falar comigo, lembra?
-Falar é diferente de ver. – Zack suspirou pesadamente, mas me seguiu até as garotas.
As meninas conversavam entre si, mas quando eu cheguei com Zack, elas se calaram subitamente (bem, a Gabi demorou um tempinho até sacar o motivo das meninas terem se calado).
- Eu vou embora agora gente, vocês vão comigo? – perguntei para a Line e para Nanda — realmente prefiro chamá-la assim-.
-Seu irmão vai com você? – perguntou Line, ignorando o fato dele – meu irmão – estar ao meu lado.
-Vai sim, Line.
-Então não. Talvez eu chame um táxi ou vá de carona com alguém.
Suspirei. – Tudo bem, mas e você Nanda, vai comigo?
-Com um galinha mentiroso por perto? Eu acho que não. – respondeu.
Franzi o cenho diante da frase da minha amiga, normalmente ela não é assim. Na verdade a Fernanda não toma as dores de ninguém, ela ajuda e apoia até o ponto em que não se envolve, mas ela nunca, nunca mesmo, afasta alguém pelo erro que ele cometeu com outra pessoa.
-Ta. Então eu já vou indo. Nos vemos amanhã? – perguntei.
-Não sei.
-Ok. Tchau. – falei enquanto dava um beijo na bochecha de cada uma, na vez da Nanda ela me abraçou e sussurrou ao meu ouvido:
-Desculpa agir assim, mas eu tenho que ficar com ela. – explicou.
-Tudo bem. – sorri fraco e me afastei. – Até mais tarde. – dizendo isso eu fui embora com Zack ao meu lado com uma carinha de cachorro abandonado.
Já do lado de fora eu achei Jason parado ao lado do meu mais novo carro com uma cara nada legal. Aproximei-me dele e falei:
-Hey, achei ele. – Jason levantou os olhos e me encarou com um sorriso sem graça.
-Pelo menos você o achou. Hum... Rose você pode me dar um carona? – perguntou.
-Só se você dirigir, — falei. – já que eu não posso e meu irmão está cheio de álcool na veia.
Jason arqueou uma sobrancelha e perguntou:
-O encontrou no bar?
-Yep. – tirei a chave do carro do bolso escondido no vestido e entreguei pra Jason. – Vamos?
-Espera, desde quando você tem um carro? – perguntou-me Zack.
-Desde a hora em que eu ganhei uma aposta. – respondi em tom óbvio.
Jason apertou o botão do alarme e abriu a porta do carro pra mim e assim que entrei, ele bateu a porta abrindo a do motorista logo depois, enquanto Zack entrava pelo outro lado do carro e sentava o meu lado, no banco de trás.
O caminho todo para a casa de Jason foi silencioso, eu não estava com a minimíssima vontade de falar, meu irmão tinha um olhar vago e o rosto sem expreção e Jason... bom, Jason estava desconfortável.
Olhando pela janela do carro notei que estávamos a duas quadras da minha casa.
-Jason, a sua casa fica muito longe? – perguntei.
-Não, só a duas quadras daqui. – respondeu.
-Jura?
-Uhum.
-Certo então, ou você é meu mais novo vizinho, ou você mora na mesma rua que eu – assim que terminei de falar Jason estacionou o carro em frente a três casas antes da minha.
-Ow. Ér... já que você mora perto, você se importa de deixar o carro na garagem lá de casa? – perguntei.
Jason não respondeu, apenas ligou o carro e parou quando eu praticamente gritei que ele parasse.
-Certo, é aqui. Valeu. – disse,abrindo a porta do carro e saindo, fechando-a logo depois.
Os meninos também saíram do carro e vieram para o meu lado.
-Obrigado pela carona, — disse Jason, entregando-me a chave do carro e beijando minha bochecha. – Até mais tarde, Rose. E Zack.
-Claro, até.
-Até. — respondeu também Zack.
-Vamos Zack, você vai dormir aqui, amanhã você liga pra tua mãe. – informei enquanto pegava a chave debaixo do tapete e abria porta.
Entrei em casa já tirando o salto e os deixando em algum canto da sala bem arrumada.
-Eu vou pegar umas roupas do papai que ainda estão aqui, e você usa pra dormir, ok?
-Uhum.
Eu subia as escadas para ir para o meu quarto quando lembrei de uma tática contra a ressaca.
-Vai lá na cozinha e bebe oito copos de água, pra depois você não ficar com dor de cabeça. –não esperei resposta, apenas segui o meu caminho, primeiro tomei uma ducha de água quente e coloquei meu pijama de flanela com desenhos de corações rosa e vermelho. Depois de pentear o ninho que ficou o meu cabelo e escovar os dentes eu fui ao quarto dos fundos onde tem algumas roupas que papai havia deixado aqui, peguei apenas uma calça de moletom e uma blusa.
-Zack? – chamei-o pela porta do quarto. – Zack? – chamei de novo.
-MEU DEUS! – ouvi Zack gritar.
Deixei as roupas que estavam em minhas mãos caírem com o susto, logo eu corri escada abaixo atrás do meu irmão idiota. Zack estava sentado no corredor em frente a porta do quarto da minha mãe, que no caso estava aberta.
-O que você está fazendo? – perguntei quando cheguei perto o bastante dele.
Zack levantou seu braço e apontou para dentro do quarto.
-O qu...?- não consegui completar minha pergunta já que um grito de susto quis escapar pela minha garganta. O motivo? Minha mãe estava nua na cama junto com o diretor da MINHA escola.
Isso foi uma surpresa pra lá de desagradável!
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