Notas iniciais
ér, eu sei que demorei a postar, mas eu tenho motivos. 1º meu pc pegou vírus ; 2º o vírus destruiu a placa mãe do meu pc. 3º não tinha como eu salvar a história. 4º eu tive que escrever tudo de novo. então, estou perdoada?

Eu não precisava ter visto aquilo. Quero dizer, quem em sã consciência iria querer isso? Eu podia morrer feliz sem ver aquilo, mas agora eu vou virar uma garota traumática e cheia de tics nervosos por causa disso.

Enfim, quando eu fechei a porta do quarto eu e Zack nos movemos em direção da sala e nos sentamos no sofá, dizer que estávamos constrangidos era pouco, estávamos com toda certeza tentando apagar a cena anterior da nossa mente, é claro falo por mim.

-Não vamos contar isso a ninguém. — murmurei.

-Pode ter certeza. – respondeu também murmurando.

-Nunca vimos isso, certo? – perguntei meio que retoricamente.

-Certo.

Suspirei.

-Eu não sabia desse lance da minha mãe com o Wonka.

-Quem iria esperar que a sua mãe, que é uma mulher de bom gosto, fosse parar com ele.

-É. – concordei.

Realmente, quem iria pensar que um dia a minha mãe iria ter caso com o diretor – que parece muito com o William Wonka do filme “A Fantástica Fabrica de Chocolate” – esquisitão do colégio. Argh! Sinto nojo só de pensar. Não que eu não soubesse que minha mãe tinha seus casos, afinal ela é linda, solteira e a filha praticamente não fica em casa, então, é eu sabia que ela saia com caras.

Dona Helen não é mole, ela sempre me dizia que teria uma reunião de última hora com o chefe, ou que tem muito trabalho pro dia seguinte e prefere adiantar, ou então falava que iria ter uma noite de mulheres com as amigas. Bom, a última pode até ser verdade, mas as outras não. O chefe da mamãe é muito rigoroso com horários e ele não prende funcionários na empresa, ou os pede para fazer hora extra. E por isso e outros motivos constrangedores – como achar cuecas, camisinhas e lingerie com direito à cinta liga de baixo da cama dela – eu sabia que minha mãe saia com outras pessoas.

Só não entendi ainda o motivo da minha mãe não me contar com quem ela sai, é meio estranho você fingir que não sabe sobre isso. Eu fico pensando comigo mesma de que quando ela estiver pronta pra falar comigo sobre isso ela vai falar, só que pelo amor, isso já faz uns belos três anos, minha paciência não vai durar pra sempre como também a minha cara de pau.

-Rose... – Zack interrompeu meus pensamentos.

-Quê? – perguntei olhando para ele, que apontou com o queixo para o corredor atrás de mim.

Eu fiquei com medo de olhar, admito. Afinal quem não ficaria depois do eu vi? Enfim, eu olhei para trás e lá estava a minha mãe com um robe de seda branca cobrindo seu corpo – o que foi um alívio pra mim – e uma pantufa também branca, do seu lado estava o cara que de agora em diante eu provavelmente teria muitos pesadelos, o diretor Wagner, ou se preferirem apenas Sr. Wonka – ele não se importa com o apelido “carinhoso” que a turma do primeiro ano deu pra ele no ano passado. (e olha que legal, fora eu quem o apelidou assim, bonitinho não?!) O Wonka estava devidamente vestido, e devidamente eu quero dizer com a roupa amassada e fora do lugar, sapatos na mão, chaves acho que do carro na outra e a cara toda vermelha. Ainda não sei como não vi o carro dele parado em frente a minha casa.

Agora pessoas queridas que perdem seu tempo lendo o que escrevo imaginem, o William Wonka com uma calça social preta com o cinto aberto, a blusa também social com metade dos botões abertos ( com um peito cheio de pelos e branquelo, eca), o cabelo super arrumado – me pergunto com ele conseguiu isso – dividido ao meio e a boca manchada com batom vermelho. Engraçado, né? Não quando você sabe que fora sua mãe que o deixou assim.

-Ér... Querida esse é o senhor... — minha mãe começou a falar, mas eu a interrompi.

-Mãe, eu sei quem ele é. Diretor da minha escola, lembra?! – perguntei retoricamente e até meio grossa. Quê? Eu não gostei disso, nem um pouquinho.

“E talvez tenha sido por esse motivo que sua mãe não te contou nada” minha mente chata e responsável resmungou.

“Foda-se” eu me respondi.

Ok. Ignore essa minha criancice interna.

-Certo. – respondeu – Ele já está indo embora, não quer levá-lo até a porta? – perguntou.

-Por quê? Ele não sabe o caminho, ou entrou pela janela?

-Rose! – ralhou minha amada mãe de gosto duvidoso.

Virei-me para encará-los e dar uma de adolescente maluca, mas Zack me olhou e balançou a cabeça negativamente, pedindo que eu não fizesse besteira (E eu não adivinhei isso, ele mexeu a boca para que eu entendesse, mas não saiu som nenhum). Então como não pude dar uma de louca, apenas me levantei e forcei um sorriso – daqueles que qualquer um notaria que é pra lá de forçado – e falei com a voz da Dona Florinda (n/a: viva ao programa mais educativo do mundo: Chaves o/.).

-Gostaria de me acompanhar até a porta, Sr. Wonka?

Ouvi Zack disfarçar uma risada tossindo, não que minha mãe não tivesse notado, pois ela notou e o fuzilou com os olhos, igualmente fez comigo.

-Claro Rose.

-Rosemerie. – o corrigi.

-Rosemerie. – repetiu.

Não falei mais nada apenas caminhei no máximo dez passos e abri a porta, dizendo:

-Porta, Sr. Wonka. Sr. Wonka, porta. Apresentações feitas, o senhor pode sair da minha casa agora? – falei rude. Para meu espanto ele riu. Uma risada curta, que me pareceu sombria. Medo.

-Nos vemos segunda, ROSE. – frisou bem meu apelido.

Antes de sair ele tascou um beijo muito, muito, muito nojento mesmo, na minha mãe. Dava para ouvir os sons das línguas se enrolando uma na outra e as mesmas apareciam às vezes.

-Ai, que nojo. – falei em alto e bom som. Eles se separaram e minha mãe corou enquanto o tarado do meu diretor sorria e passava por mim, saindo da minha casa. Eu bati a porta com força e gritei:

-Você é louca?

-Olha como fala comigo dona Rosemerie, abaixe o tom de voz.

-Você é louca? – falei num tom mais ameno.

-Não, mas posso saber sobre o que você está falando?

-O diretor da minha escola? Não podia ser qualquer carinha cheio da grana que iria tentar me conquistar com presentes e conseguir depois de me apresentar ao sobrinho gatinho dele? – perguntei e falei o que eu realmente esperava do próximo namorado da minha mãe.

-Sim, e como é que é?

-Ta de sacanagem comigo. – joguei os braços pro alto e olhando pra cima falei. – Valeu, hein?! Não podia ter acontecido em momento melhor.

-Ah, e fique sabendo que o Wagner é sim rico, mas eu não estou com ele por isso. E querida que comportamento foi aquele? Está de castigo até que peça desculpas para o meu amorzinho.

-Amorzinho? Ahh, não. Vocês não estão namorando, estão? – perguntei, rezando internamente que ela me dissesse um lindo e sonoro não. Porém, não foi o que ouvi.

-Sim. – disse em meio de um suspiro. – Ele não é lindo?

-Não, ele parece o William Wonka, com aquele cabelo tingido de vermelho dividido no meio. Pelo amor de Deus mãe, até o atendente delícia da padaria te dava o maior mole e você escolhe logo o Mané do meu diretor?

-Gosto não se discuti, Rose. Vá para o seu quarto. E Zack?

-Sim? – falou meu irmão segurando o riso.

-Você esteve bebendo? Sinto o cheiro de longe.

-Ér...Não?

-Vamos seu babaca. Você vai dormir comigo. – Falei enquanto o puxava em direção ao corredor e pegava a roupa que eu havia deixado cair antes e joguei pra cima dele e continuei a puxá-lo para o meu quarto.

Já lá dentro Zack se trancou no meu banheiro para o banho. Eu estava deitada na minha cama abraçada com o Fred, meu sátiro (ou o ursinho metade homem, metade bode mais fofo do mundo) e olhando um porta-retrato da minha família feliz. Eu, mamãe, papai, Zack, James e suas respectivas mães. Era uma foto antiga. Eu devia ter três anos ou um pouco mais, meu pai me segurava no colo, enquanto Zack estava sentado nos seus ombros segurando seus cabelos e James estava se pendurando na perna do meu pai. Nossas mães estavam um pouco afastadas se desdobrando de tanto rir. Bons tempos em que eu não me preocupava com o futuro, eu apenas esperava ansiosa o próximo dia, para poder brincar e me divertir com meus amigos e família. Sinto tantas saudades daquela época.

Mas eu não pude segurar o riso, toda vez que eu via essa foto eu caia na gargalhada. Cara, aquelas roupas era muito feias, ainda bem que já saíram de moda. Louvado seja os estilistas criativos.

-Do que está rindo? – perguntou Zack, saindo do banheiro apenas de box vermelha e com a toalha pendurada no ombro. Joguei o porta-retrato para ele que o pegou no ato e riu vendo a foto. – Eu me lembro de alguns flashs desse dia. Nunca me diverti tanto com a nossa família esquisita.

-Eu sinto falta daquele tempo, era tudo mais fácil. – Zack se jogou no meu lado e eu deitei a cabeça em seu peito desnudo e nos cobri do frio que começou a fazer.

-É, e a gente doido pra ficar mais velho. – ele riu. – você ficava uma gracinha com aquele vestidinho branco de bolinhas pretas, que ficava com a frauda quase toda aparecendo.

Dei um tapa em seu peito e depois ri. – É ficava mesmo, por isso que você vivia botando os meus amiguinhos pra correr quando eles me chamavam pra brincar de casinha.

-Hey, ninguém brinca de casinha com a minha pequena.

-Besta, foi numa dessas que a gente conheceu a Nanda. – falei. – Ela tinha acabado de chegar aqui nos EUA e a gente já tinha levado a menina pro mau caminho, mesmo ela não entendo o que a gente falava.

Dessa vez Zack e eu gargalhamos juntos. – Foi comédia aquele dia, toda vez que ela falava alguma coisa em português a gente pensava que ela estava nos xingando.

-É. Lembra daquele dia em que fomos pro parque aquático e você quase se afogou? – perguntei.

-Lembro. Como iria me esquecer do dia em que conheci a segunda garota mais teimosa da minha vida?

-Foi a Line quem te salvou. Você ficou caidinho por ela. Foi amor à primeira vista.

-Uhum, e eu só fui descobrir isso ano passado. – suspiro apaixonado para o idiota do meu irmão. – Ainda não acredito que a perdi.

- O que você fez afinal? – perguntei.

- Não sei exatamente o que me deu, apenas... Sei lá. Acho que eu fiquei tempo demais sem ficar com ninguém.

-Por opção sua. Eu e a Nanda cansamos de lhe dizer sobre a Line, você que agia feito um idiota e não acreditava na gente.

-Vocês diriam qualquer coisa pra fazer eu me sentir melhor, então era meio difícil acreditar nisso, não acha?

-Não. Vocês são dois cabeças duras, nunca acreditaram. Aí vem você e fica com uma garota perto da Line. Agora é que ela não vai acreditar mesmo. Aposto que ela está com muita raiva de mim agora, pensando que eu a fiz ficar criando esperança. E a culpa é sua, toda e somente sua.

-É, você realmente sabe como me fazer feliz.

-Você fez a merda parceiro, assuma as conseqüências.

- Amanhã eu vou consertar tudo isso. Ela vai ser minha nem que eu tenha que correr pelado pelo bairro.

-Olha que ela pode querer te obrigar a fazer isso. – falei rindo.

-Esquece, vamos dormir logo que amanhã é o dia.

-Certo. – bocejei e me estiquei toda na cama, para depois voltar a deitar no peito do meu irmão e enroscar minhas pernas nas dele. – Boa noite, Zack.

Zack me apertou contra o seu peito e beijou o topo da minha cabeça dizendo:

-Boa noite, pequena.

Não sei exatamente quando eu comecei a sonhar, mas foi um sonho bem estranho.

Eu estava sentada na beira de um penhasco, vestida apenas de um vestido branco de pano leve que voava com o vento junto com os meus cabelos que balançavam ao meu redor. Tinha uma menininha deitada no meu colo, a menina tinha os cabelos em chamas, mas parecia não colocar fogo em nada, já que eu passava a mão sobre ele, como se estivesse acariciando as chamas. Do rosto da garota caiam lágrimas cristalinas que deixava seu rostinho de anjo triste, ela não tinha os olhos abertos. A garota cujo qual nome eu não sei, mas que me parecia muito familiar sacudia os ombros com os soluços altos que saiam da boca pequena e rosada.

- Continue agüentando firme, eu estou aqui por você. – A minha voz soou perto mais a minha boca não se mexia. E era estranho porque eu via o meu corpo, via toda a cena, mas ainda não era eu.

- Dê uma chance ao destino, querida. Tudo vai ficar bem. – o eu “falava” para a menininha deitado no meu colo.

-Vai? – a garotinha abriu os olhos, e lindas esmeraldas brilharam com as lágrimas. A garota olhou diretamente para mim que só agora fui notar, estava de pijama em pé um pouco longe delas. – Vai mesmo? – ela tornou a perguntar e ai quando eu ia responder...

-Vamos, Rose, acorda cara. – Zack me sacudia.

-Ta. – murmurei.

-Anda cara. – Zack me sacudiu novamente.

-Ta. – gritei. – Já acordei. — disse enquanto me sentava na cama e coçava os olhos. – São que horas? – perguntei vendo que não tinha sol nenhum no lado de fora.

-cinco e meia. – respondeu simplesmente enquanto colocava a camisa e fechava o zíper da calça.

-Puta que pariu. Por que, diabos, você me acordou às cinco da manhã?

-São cinco e meia, e você tem que me ajudar a falar com a Line.

Estreitei meus olhos pra ele e perguntei:

-Não podia ser mais tarde?

-Não, deixa de ser preguiçosa e vai se arrumar temos um longo dia pela frente. – disse enquanto me levantava da cama e me empurrava para o banheiro e fechava a porta na minha cara, quando eu tentei sair.

-GAY! – gritei para o outro lado da porta.

Ouvi Zack rir.

Só para irritá-lo demorei uns belos cinqüenta minutos no banho. Esperem segurem as pedras, eu não gastei tanta água. Na verdade o banho, banho mesmo só demorou vinte minutos, os outros trinta eu fiquei escrevendo músicas. E não foi uma coisa legal, olha só o trecho de uma:

Ouvi uma história

Que há muito me intriga.

Comi um sanduíche que me deu dor de barriga

Esse é o qüiz da comilona!

(n/a: eu tinha que colocar isso, acabei de ver o episódio da Hannah Montana com essa música, junto com a minha irmã e logo pensei na fic.)

Ér... Eu estava começando a ficar com fome quando escrevi essa parte.

-Rose, saí desse banheiro logo. Daqui a pouco a floricultura vai abrir e a gente ainda nem saiu de casa.

-Tô indo. Hey, por que nós vamos à floricultura?

-Para compra flores, demente.

-Disso eu sei, mas pra que você vai comprar flores?

-Se você sabe, então por que pergunta?

-Porque sim idiota, mas me responde pra que você quer flores?

-Para dar pra Line, ora.

-Que cafona, mas ao mesmo tempo fofo. Já sabe qual flor vai comprar? – perguntei enquanto saia do banheiro enrolada na toalha.

-Não, é por isso que você vai me ajudar.

-Hmm. – murmurei. Eu abri a porta do meu closet e peguei um short jeans, uma regata azul escuro, e meu lindo e inseparável All Star preto de cano médio.

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-Certo, me lembra porque eu vim aqui.

-Porque você veio me ajudar a escolher flores pra Line.

-Ah. Ok. Mas ainda não sei porque a gente saiu de casa tão cedo. O Tio Zé ainda nem abriu isso aqui.

-Daqui a pouco ele chega Rose.

Esperamos. Esperamos. Esperamos. E só pra variar, esperamos mais. Eu não entendo o Zack. A gente podia comprar as flores mais tarde, mas não, tínhamos que sair mais cedo e me acordar às cinco e meia da manhã. NINGUÉM MERECE ACORDAR NESSE HORÁRIO. Ta, talvez o Wonka.

E finalmente o Tio Zé chegou. Ele é um senhor gordo, baixinho e careca. Mas é gente boa.

-Bom dia, crianças. Em que posso ajudá-los a essa hora da manhã? – perguntou o senhor gordinho.

-Pode me ajudar a matar meu irmão? – murmurei. E depois em voz alta perguntei:

-O senhor tem tulipas brancas, rosas vermelhas, lírios amarelas e orquídeas azuis?

-Sim, mas você quer fazer um buquê com essas flores?

-Não, não. Eu quero que o senhor faça seis buquês de uma mesma flor, dessas mesmas que lhe falei e de duas em duas hora eu quero que o senhor mande para esse endereço — peguei uma folha do caderninho em cima do balcão e escrevi o endereço da Line. – mande dois buquês a partir de meio-dia com os cartões que meu querido e idiota irmão vai escrever. E se até às nove horas ainda tiver flores você manda o resto todo de uma vez.

-Tudo bem, e você quer os buquês grandes, médios ou pequenos?

-Faça o maior que der, e tenha certeza de que dinheiro não é problema. Não vai ser eu quem vai pagar mesmo. — dei de ombros. Virei-me para meu irmão que me encarava meio abobado.

-Quer adicionar mais alguma coisa, Zack? – perguntei.

-Não, só me passa os cartões.

Ficamos belas duas horas escrevendo os cartões – quero dizer que o Zack escreveu – comigo ditando tudo. Ficou bem meloso, exatamente como o pateta do Zack.

-Enfim acabamos. Agora vamos logo porque eu tô cheia de fome e ainda tenho que tirar minha amiga da fossa.

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-Você já falou com ela? – Nanda me perguntou da outro lado do telefone.

-Não, eu estava ajudando o Zack com algumas coisas, mas daqui a pouco eu vou a casa dela.

-Sua mãe já viu o carro?

-Não, e nem me fala daquela traíra. –resmunguei.

-Por que traíra?

-Cara, você não sabe com quem eu a peguei na cama.

-Quem? – perguntou interessada. Ô serzinho curioso, viu?! Ta, talvez eu tenha feito isso de propósito. Eu disse talvez.

-O Wonka, tem noção do quanto foi estranho?

-Wonka? Quero dizer Wonka, nosso diretor? – falou deixando uma risada escapar.

-É, ri mesmo, mas ele não perde por esperar.

-O que você vai fazer?

-Amanhã você vai ficar sabendo, afinal você vai me ajudar.

-Ihh, Rose, não quero encrenca pro meu lado. Já tô na lista negra da escola, mais uma e é expulsão na hora e se eu bem me lembro, você também está prometida.

-Não vai ter problema nenhum, ele nem vai saber o que o atingiu, ou no caso quem. – ri maleficamente.

-Cara, eu tenho medo de você.

-Não sei por que, acho que tinha de ser ao contrário, não?!

-Por quê?

-Esquece.

-Certo, mas o que você vai fazer?

-Ai Nanda, deixa de ser apressada, quando eu for aí eu conto.

-Ok. Até mais tarde, então.

-Até. – desliguei o telefone e o coloquei no gancho, me joguei no sofá da sala fechando os olhos e colocando um braço sobre meu rosto.

-Rose? – ouvi a voz da minha mãe.

-Hum? – perguntei ainda com o braço no rosto e os olhos fechados (dãã).

-Rose, querida?

-Huum?

-Rose? – a voz de mãe parecia impaciente, então tirei o braço do rosto e abri os olhos e a encontrei parada ao meu lado com as mãos na cintura e o pé direito batendo freneticamente no chão. Oh-oh. Mau sinal, ou melhor, péssimo sinal.

-Sim? – falei meio insegura do que esperar, afinal eu ainda não havia aprontado nada. Então por que, diabos, ela estaria de mau humor?

-Querida, poderia me explicar o porquê de ter um carro, sem ser o meu, na garagem? – perguntou desconfiada.

Sentei-me ereta no sofá em dois tempos (o que fez me ficar meio tonta por alguns segundos) e sorri amarelo respondendo:

-Um carro vermelho? – perguntei e ela assentiu. – Tipo, um Porshe? – ela novamente assentiu. – Que por acaso é também um Cayman? – ela assentiu again. – Nunca vi na minha vida. – respondi me levantando e me preparando pra correr. Mas, como a vida é bela e adora pregar peças, mamãe me segurou pelo braço e me fez sentar de novo. Ôxi, mulher forte, sô.

-Rose, querida, eu estou ficando sem paciência, então me responda, de quem é aquele carro, sim?

-Ér... Então, aquele carro, é... É do... É meu. – falei a última parte rápido, rápido até demais.

Mamãe me olhou desconfiada e suspirou pesadamente e perguntou entre dentes:

- Como e quando você conseguiu esse carro?

-Numa aposta ontem, no aniversário da Gabi.

Dona Helen não tinha uma cara muito boa não. Ela tinha os olhos fora de órbitas, espuma saindo pela boca, fumaça saindo pelos ouvidos e uma gosma verde nojenta saindo do nariz. Hehe. Brincadeira, na verdade minha mãe estava com os olhos fechados, a boca numa linha fina e o rosto numa tonalidade preocupante de vermelho. Eu só tenho uma coisa a dizer sobre isso...

FU-DEU!

-Em que aposta, Rosemerie?

-Hã... Bom, não foi nada demais, assim... Eu e as meninas e também um amigo nosso, hã... Ér, meio que fizemos um showzinho, mas bem ‘inho’ mesmo sabe? –falei rápido, não que eu tivesse que esconder algo, mas na dúvida... — Mas tipo, foi limpo, nós só tínhamos que agitar a galera que ganharíamos, no caso eu, o carro.

Minha mãe ainda de olhos fechados, bufou e perguntou com uma voz meio sombria (Bah, acho que ela aprendeu com o meu pai):

-E você sabe se esse carro é roubado?

-Hã... Não? – o que era pra ser uma confirmação virou uma pergunta. Mãe, eu imploro, pára de dar corda pra eu me enforcar.

Ela abriu os olhos e eu quase pude ver faíscas saindo dos olhos da minha mãe. Medo.

-E como é que você aceita um carro assim, Rosemerie?

-Foi uma aposta, ta legal? Mais nada. – resmunguei.

-Fale direito comigo, garota. Eu sou sua mãe e quero respeito.

Revirei os olhos e baixinho respondi:

-Desculpe, só que a senhora não deveria deixar isso pra lá? Afinal eu te peguei numa situação meio estranha. A senhora finge que não viu o carro e eu finjo que não a peguei na hora ‘H’ com o diretor da minha escola.

-Não me venha com isso, Rose. Meu relacionamento com Wagner não lhe diz respeito, você vai devolver esse carro e ponto.

-Haha. – ri desgostosa. – Faz-me rir, seu relacionamento com Wagner não me diz respeito? Certo, certo. Fazemos o seguinte então, você termina com o Wonka que eu devolvo o carro, ok? – ér, eu sei. Foi uma coisa muito idiota de se dizer, mas o que posso fazer se isso realmente me irritou? Quero dizer, como assim não me diz respeito? Hello, ela é minha mãe, o papo mãe e filha de ‘eu-tenho-que-aprovar-seu-namorado’ não funciona dos dois lados? Pois se não funciona tem que passar a funcionar. Ora, isso é muito injusto, muito injusto mesmo.

-Você está prestando atenção no que você está falando? – minha mãe perguntou. – Você quer que eu termine com Wagner apenas por que você quer?

-Hã... É? E você quer que eu devolva o MEU carro por que VOCÊ quer? – devolvi. Ok, eu não estou gostando disso, eu assumo. Mas eu tenho orgulho, e eu não vou deixá-lo de lado por causa disso. Sinto Muito.

-Rose, não. Eu não vou terminar. – respondeu com a voz estranha, não sei dizer por que estava assim, só sei que sei lá...

-Pois bem, eu não vou devolver o carro. – disse me levantando e cruzando os braços sobre o peito, a desafiando.

-O que aconteceu com você? Cadê o respeito? Você quer que eu ligue seu pai?

-Ahhh, ótimo, agora vai colocar meu pai no meio? – perguntei irônica. — O assunto é aqui mãe. Pelo amor, eu não vou devolver o carro e você não vai terminar com o Wonka, pronto. Ambos os lados ganham. – falei.

-Não, eu não quero que você fique com aquele carro.

Bom, aí eu explodi.

-Porra, eu não quero que você fique com o Wonka, mas você não vai ceder, nem eu. Então viva feliz com o seu namorado que eu vivo feliz com o meu carro. Ok?

-VOCÊ NÃO VAI FICAR COM O CARRO! – minha mãe gritou. Dei um passo involuntário pra trás, me fazendo sentar de novo no sofá.

Minha mãe nunca havia gritado comigo em toda a minha vida. Ta, eu provoquei isso, mas não esperava que ela gritasse comigo. Meus olhos lacrimejaram, mas eu fiz um esforço danado para as lágrimas não rolarem pelo meu rosto.

-Ta bom. – murmurei. – Você venceu. Nada de carro pra mim.

Eu me levantei do sofá e me movi em direção a mesinha de centro onde eu tinha deixado a chave e abri a porta dizendo:

-Vou devolver o carro e passar a semana na casa do meu pai. – disse e fechei a porta, deixando as lágrimas descerem pelo o meu rosto. Afinal, por que essa discussão boba virou algo tão sério?

Notas finais
Mereço reviews? Estrelinhas e pontos positivos de pop.? Mel Dels, que gafe cometi agora, postei o mesmo capítulo três vezes ' Obrigada por me corrigirem meninas ( Razi,Luluka e Inuzuka-sama). Beeijos ;*