Uma Grande Mudança
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Como é que eu fui me distrair ao ponto de nem saber como cheguei aqui? Ai! eu sou uma lesada mesmo! O que eu devo fazer numa situação dessas? Cacetada! Será que eu sou a única preocupada em como sair daqui?
–Rin! Fale alguma coisa! Você lembra por que lado nós viemos? — Perguntei exaltada. Mas também né, quem não ficaria. Além do mais, Rin não parecia estar nem um pouquinho que seja preocupado! E isso me deixa beeeeem irritada!
– Não lembro. – Ele respondeu simplesmente. Mas qual é o problema nesse garoto? Ele é idiota ou finge ser?
– RIN! MAS QUAL PROBLEMA, AFINAL? Será que você não se tocou ainda? Nós estamos perdidos em um lugar q não conhecemos e, que por sinal, é bem difícil de sair! Se toca pelo amor de Deus!!!! – Falei sério com ele. Mas por alguma razão TOTALMENTE desconhecida por mim, ele achou graça. ¬_¬ Eu vou matá-lo!
– Pare de rir seu sem-noção! Qual é graça de estarmos perdidos? – Perguntei indignada.
– Não estou rindo porque estamos perdidos. Estou rindo da sua reação. – Ele respondeu. Não... sério isso? Acho, só acho, que quando uma pessoa se perde ela procura um jeito de se achar! Mas que idiota!
– Como você acha que eu deveria estar? Plantando bananeira? Ou dançando macarena, talvez? Ah! Já sei! Queria que eu ficasse igual a uma palerma, rindo da reação das pessoa, igual a você! Acertei? – Falei cruzando os braços e fazendo bico de insatisfação.
– Ei! Olha como fala comigo! Eu não estava rindo por um motivo assim como esta pensando.
– Foi o quem você falou que estava rindo da minha reação.
– Mas não é bem DESSE jeito. É que eu não pensei que você ficaria tão nervosa e tão rápido. Sua voz é engraçada quando está nervosa. E você fica bastante... fofa. – Ele terminou de falar um pouco corado. Senti minhas bochechas queimando. Mas quem não ficaria tímido com isso, assim, do nada?
– B-baka! Urusai! Vamos logo procurar sair deste lugar. – Falei me virando de costas e andando para... para algum lugar que só Deus sabe onde.
– Pra onde você está indo? – Perguntou Rin.
– Não sei. – Respondi.
– Você é normal? – Ele perguntou ironicamente.
– Dizem que não, mas vai saber.
– Ei! Vocês! O que vocês estão fazendo aqui no bosque? Aqui não é lugar para crianças andarem sem um adulto! – Uma voz de home falou. Não sei quem é mas parece ser de meia-idade pela voz.
Eu e Rin nos viramos para ver quem estava nos chamando e, realmente era um senhor.
– Oh, que bom que está aqui! Senhor, pode nos dizer o caminho pra sair daqui? – Perguntei gentilmente.
– Claro. Vocês tem que andar reto até encontrarem uma trilha com pedrinhas brancas. Quando à encontrarem, sigam ela e vão sair do bosque.
– Muito abrigada! – Agradeci.
– Obrigado. – Rin também agradeceu.
– Não tem de que. – O velinho respondeu. Mas o que será que ele está fazendo aqui? Por que um velhinho que parece ser tão bondoso está sozinho na floresta? Ele também deve ter se perguntado algo assim quando nos viu. Mas ficou meio óbvio que nós estávamos perdidos depois que perguntamos como sair dalí. Mas isso não importa, não é mesmo. Ele deve ter vindo buscar lenha, que nem nesses filmes. Mas... não está tão frio para ligar a lareira... Então por que...
– Missa, no que está pensando? – Rin perguntou cortando meu raciocínio.
– Hã? Ah, é que eu tava tentando entender o que um velhinho sozinho estaria fazendo em um bosque em pleno dia. – Respondi o olhando com dúvida.
– Eu também fiquei meio desconfiado. Primeiro pensei que poderia ter vindo cortar lenha, mas se fosse isso ele estaria carregando um machado ou algo assim... né?
– Sim, sim! Também pensei nisso, mas se não é isso então o que é?
– Eu ainda não cheguei em uma conclusão concreta. – Ele disse fazendo pose de “intelectual”.
– Ui, ta bom então sensei. – Brinquei. Nós dois começamos a rir, mas paramos porque vimos o menino, aquele... O neto do Nishijima-san... como é o nome dele mesmo?
– Veja Missa. Não é o Amaia Akihiro? O neto do Nishijima-san? – Disse Rin. Poxa mas esse Rin tem que parar de ler minha mente! Como ele pensa nas mesmas coisas que eu?
– Sim. Era nisso que eu estava pensando, mas eu não lembrava o nome dele.
– Mas que rude, menininha! Não lembrar do nome de um cliente. – Rin disse com um sorriso provocativo.
– Humpf! Você me irrita Natsuko Rin. – Disse o encarando.
– Eu sei disso Etsuko Missa. – Ele disse também me encarando. Está muito perto. Perto de mais! Esse Rin ta querendo apanhar! Me virei para frente e vi que o garoto não estava com ninguém, muito menos com a mãe, como havia dito ao seu avô.
– Ne, Rin. Olha, o Amaia-san não está com a mãe dele. Ele está sozinho.
– É verdade. Mas isso é estranho. Ele não tinha dito para o avô que iria ajudar sua mãe com as compras?
– Sim, ele disse. O que vamos fazer? Espioná-lo?
– É, pode ser útil.
Então foi isso que fizemos. Nós nos aproximamos um pouquinho mais do... Como se chama mesmo? Ah, sim! Amaia-san. Enfim, nos aproximamos dele mais um pouco pois de onde nós estávamos não dava para ver o que ele estava fazendo. Quando chagamos mais perto pude perceber que ele estava chorando. Será que estou vendo coisas?
– Rin! Ele está chorando? — Perguntei.
– Acho que sim. Não consigo ver bem. – Ele disse apertando um pouco os olhos.
– Será que muito arriscado se chegarmos mais perto?
– Acho que não. Vamos tentar. – Ele disse escondendo atrás de um banco de madeira. Eu o segui e me escondi também.
Como estávamos mais perto, pude perceber que ele realmente estava chorando. O que será que aconteceu?
– Coitado. Vamos lá falar com ele Rin? – Falei puxando de leve a manga de sua camisa.
– Tsc! A alguns minutos atrás você nem lembrava o nome dele agora ta aí choramingando! Bipolaridade tem tratamento, garota. – Ele falou irritado. Mas qual o problema dele? Não disse nada de mais e ele quase explode!
– Acho que o bipolar aqui é você! Seu arrogante sem educação!
– Cale a boca, menina chata!
– Não fale assim comigo seu rude!
– Eu falo como eu quiser!
– Uma ova! Trate de me respeitar! Sou uma menina!
– Não estou vendo nenhuma menina.
– O que?! Seu idiota! Agora eu te mato!
– Shhhh!!! Você está falando alto de mais sua histérica! Assim ele vai nos descobrir! – Ele disse tampando a minha boca. Tentei tirá-la mas ele é persistente! Então não tive outra escolha. Mordi ele (U.U)
– Itai!! Além de louca e bipolar ainda é canibal?
– Se for para te machucar, sim!
–Sua...- Rin foi cortado por um som estranho. Nós dois paramos de brigar um pouco e olhamos para Amaia-san. Ele parecia estar conversando com alguém mas não consegui ver ninguém alí. De repente senti um frio na barriga e um calafrio na coluna. Me arrepiei por inteira. Senti uma sensação desconfortável. Não vou dizer nada para o Rin, ele pode ficar preocupado... ou não. Ah, sei lá! Amaia-san estava dizendo alguma coisa mas não consigo decifrar totalmente. Algo como “Eu sei... Mas espere só mais um pouco... Não posso. Ela é... Eu não vou... Sim... O que?” Depois disso ele se virou para trás e quase nos viu, se não fosse por Rin ter me puxado para ficar totalmente atrás do banco.
– Não diga nada! E não se mecha! – Rin cochichou tão baixinho que quase não escutei. Como resposta balancei de leve a cabeça positivamente, claro. Não sou tão doida de deixar o Amaia-san me achar. Depois de um tempinho vimos o Amaia-san indo em para outro lugar.
– Ufa! Essa foi por pouco. – Rin disse se levantando.
– É. Vamos ver se achamos uma livraria ou algo parecido. – Sugeri.
– Uma livraria? Por quê?
– Porque pode ter alguns jornais antigos ou alguma história que esteja interligada com o caso do Nishijima-san.
– Nossa! Como você pensou nisso? – Ele disse sorrindo daquele jeito de novo.
– Como assim “eu” ? O que você quer dizer com isso, cabeça de vento?
– Nada. Imagina!
Andamos um pouco e encontramos uma espécie de cafeteria misturada com uma biblioteca. Uma cafétéca? Meu palavrear é tão culto... hahahaha não.
– Com licença, moça. Vocês tem jornais antigos da cidade? Notícias ou algo assim por aqui? – Rin perguntou para a moça que estava atrás do balcão. Ela o olhou com um olhar do tipo “ Por que uma criança está interessada em algo como isso? “. Acho que Rin também interpretou assim pois fez uma cara de cachorro sem dono e disse:
– É que eu vim passar uns dias aqui na cidade e estava pensando em saber um pouco mais sobre a história dela... – Que apelão! Mas não é que a jovem balconista caiu?!
– Ahhhh!!! Me desculpe seu fofo! Você é tão inteligente! Kawaii!!!- A moça teve um ataque de histeria. Nossa. Ela colocou o braço no ombro de Rin e o levou para algum lugar mais adentro da cafétéca. Rin olhou para trás com um olhar muuuito irritante e sorriu travessamente. Tsc! Ainda me mostrou a língua! Baka!
– Aqui está, fofinho. Nessa seção você vai encontrar o que precisa. Se precisar de ajuda pode me chamar. – A moçinha falou e foi para o balcão.
– Nossa mas que cena, hein. – Falei ressaltando o “ que cena”.
– Ficou com inveja né? – Ele disse me provocando.
– Que? Hahahahahahaha não me faça rir seu apelão.
– Apelão? Quem é apelão aqui?!
– Você! Lesado!
– Cale a boca e me ajude a achar algo importante aqui. Sua ingrata, se não fosse por mim não acharíamos nada.
– Mas é claro que acharíamos. Você só quis se exibir! Exibido!
– Sshh!! – Alguém da cafétéca pediu silêncio. Eu tenho que parar de inventar palavras.
Nós tentamos ao máximo achar algo importante lá, mas a única coisa que achamos foi que a muitos anos atrás um homem morrera subitamente na cidade. Resolvemos levar essa notícia por via das dúvidas. Quando saímos, o sol já estava se pondo. Fomos direto para casa do Nishijima-san e entregamos para Naru a tal notícia. Eu e o Rin resolvemos não contar agora o que nós vimos com o Amaia-san. E assim, quando a noite chegou totalmente, todos foram se deitar.
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