Uma Grande Mudança
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Que sensação estranha. Tenho a impressão de ter sonhado algo, mas não consigo me lembrar. Ai, ai! Deixa quieto.
Quando me levantei da cama percebi que todas ainda estavam dormindo. Mas que estranho... Geralmente a Masako é a primeira a acordar. Peguei meu celular para ver a hora e... Gente! Ainda são três horas da manhã! Vou voltar a dormir. Mas antes vou beber um pouco de água.
Me levantei cuidadosamente para não acordar as garotas. Nem causei os sapatos para não fazer barulho. Como eu estava de meias eu não teria problemas com o assoalho gelado. Abri a porta com a maior delicadeza do mundo, pois praticamente todas as portas dessa casa rugem quando são abertas (ou fechadas). Desci as escadas e fui para cozinha. Não sei por que estou meio nervosa. Quer dizer, é claro que sei. Eu estou em uma casa super macabra que, possivelmente, tem uma pessoa possuída. Vou parar de pensar nisso. Que medo!
Peguei um dos copos que estavam no escorredor e coloquei um pouco de água.
Enquanto estava bebendo minha água, senti uma coisa estranha. Uma sensação de desconforto. Um frio na barriga. A mesma sensação que senti quando estava perto do Amaia-san.
Eu já terminei de beber água, mas estou com medo de me virar para trás. A pare com isso Missa! Esta tudo bem. Relaxe!
Coloquei o copo no escorredor, decidida de que eu estava sozinha lá. Só eu e mais ninguém na cozinha... O que é isso? Tem... Tem... Alguém atrás de mim. Deve ser minha imaginação. Mas então... Por que não consigo me mexer? Por que estou com tanto medo? Minha respiração está descompensada. Sinto algo tocando em meu pulso. Meu coração quase pula pele boca. Por causa da adrenalina do susto, consegui me virar para trás. Adivinhe quem estava la?! Amaia-san.
– Ainda acordada Etsuko-san? — Amaia-san perguntou com um sorriso no mínimo estranho. Os olhos dele são tão azuis. Que bizarro.
– Ah... É que eu fiquei com sede... — Respondi meio sem jeito. Ele não tem motivos para me dar medo... Mas estou tremendo.
– Hmm. Creio que o seu amigo... Como se chama mesmo?
– Natsuko Rin. — Completei.
Ele me encarou por uns segundos e depois continuou:
– É... Natsuko-san. Você...
– Missa. O que você esta fazendo aqui a essa hora? — Rin disse entrando na cozinha. — E com ele? — Rin olhou o Amaia-san com um olhar que eu nunca o tinha visto fazer. Um olhar de raiva, acho.
– Ah, é que eu vim beber água e... — E eu não sei o que o Amaia-san veio fazer aqui. Por que eu não digo logo isso ou Rin?!
– "E"...? — perguntou Rin se aproximando de mim e do Amaia-san.
– E eu a encontrei aqui e vim falar com ela. — Amaia-san falou.
– E-eu... Vou dormir agora. Oyasuminasai. — Dei uma piscadela para Rin. Espero que ele tenha entendido. Eu pisquei para demonstrar que está tudo bem. Será que ele entendeu? Acho que provavelmente sim, porquê ele piscou de volta.
Quando estava subindo as escadas, pude notar que o Amaia-san continuou na cozinha. Rin estava logo atrás de mim. Esse menino me assusta um pouco. O que ele tem de fazer que ele não possa fazer amanhã? Quer dizer, hoje né, já que já passou da meia noite. Enfim, antes de entrar no quarto, tenho que dizer uma coisa a Rin.
– Rin, amanhã eu te explico o que aconteceu. — Cochichei.
– Hm. — Respondeu simplesmente. Que estranho. Ele geralmente não é frio assim.
– Oyasu... — Fui cortada por ele que fechou a porta e nem deixou eu terminar de falar. Que raiva que me deu agora hein! Espera só amanhã Rin no baka!
Entrei no quarto e me deitei no meu futon (N/A: O futon é um tipo de acolchoado ou manta flexível o suficiente para ser dobrado e guardado durante o dia e utilizado à noite, com o objetivo de se poupar espaço. É formado por um shikibuton (inferior) e um kakebuton (acolchoado grosso)). E fiquei pensando... Por que será que o Rin estava tão estranho agora pouco? Amanhã eu falo com ele...
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