Uma Garota Fora Da Lei
4 Castigo.
Notas iniciais
Diga-me que eu estou sonhando, sim, isso tem que ser um sonho, não pode ser verdade, até porque que lógica tudo isso faz? Ironia do destino? Só pode, porque sinceramente isso não pode ser real, mas sim, é real, e para quem pensou, sim também, é o indigente intrometido da boate.
– O que você está fazendo aqui? – Perguntei com o cenho franzido.
– Eu que te pergunto isso, pois eu acho que onde você deveria está é em uma cadeia e não em um colégio.
– Olha aqui ser indigente, saia do meu quarto! E você também... Coisa! – Refiro-me a garota que o acompanhava.
– Calma ai estressadinha, acha mesmo que eu esqueci do que você me fez?
– Ahn, acho que não, mas se quiser esquecer me diz que eu tenho um belo taco de beisebol aqui dentro, é só fazer alguns movimentos bruscos pronto, você esquece rapidinho.
– Ainda não esqueci.
– E daí? Eu só acho que não afetou nada, porque né. – Digo olhando de relance para a garota.
– Isso não é da sua conta, mas o que quer aqui?
– O mesmo que você, mas eu não vim para “comer” meninas. No quarto de outra menina.
– Como assim? Esse quarto é seu? Você vai estudar aqui?
– Sinceramente eu achava que você fosse mais inteligente.
– Alô? Eu to boiando aqui. – A coisa se pronuncia.
– Acho bom ficar boiando ai queridinha, pois se alguma pessoa contasse ao diretor o que eu vi, você e você afundariam. — Digo apontando para cada um.
– Você não faria isso, faria? – O indigente pergunta.
– David não deixe que ela faça isso!
– Ah! David, eu já sei onde é a sala do diretor então vou lá dar um avisinho ao senhor Smith. – Dou as costas e David segura meu braço
– Não vai fazer isso.
– Ah, não? Por quê?
– Por favor, não fala nada, eu te peço, meu pai é o diretor disso tudo e se ele descobrir que a filha dele estava fazendo isso eu morro. – Ela é filha do diretor, aquilo estava ficando legal.
– Se vocês me derem um motivo, somente UM motivo. Eu não conto nada. – Disse e me soltei do indigente, que agora se chama David.
– Por favor... – Ela insiste – Nós fazemos o que você quiser, mas não conta! – Diz quase chorando
– Ei, ei! Menos drama por favor, te peço isso, odeio drama! — Menos os meus, claro.
– Tudo bem, mas não conta!
– David... – Começo – Eu pedi um motivo para que eu não conte
– A gente faz um favor para você! – Diz ele.
– Um favor? – Arqueio a sobrancelha.
– Sim! Qualquer. – A coisa que ainda não sei e nem quero saber o nome diz.
– Diga o que quer fazer para mim. – Digo e ficamos alguns segundos em silêncio
– Vai a David, diz logo.
– Vai David, não ver que a moça está desesperada? – Digo sorrindo ironicamente.
– Eu não sei o que tenho para você.
– Tudo bem, depois eu falo o que eu quero. Agora vão saiam daqui – Eles se direcionam até a porta.
– Você não vai contar não é? – Pergunta ela.
– Depois a gente fala sobre isso, vou pensar se conto, ou não! – Esboço um sorriso cínico. Vou os empurrando eles saem.
– Ainda não me esqueci. – Ele diz e eu reviro os olhos – Vai ter volta.
– Era uma ameaça?
– Ainda não!
– Tá, quando for me avisa, para eu poder sentir medo sabe? Sou uma ótima atriz. – Digo e bato a porta na cara dos dois.
Olho em volta e o quarto estava mesmo precisando de uma boa faxina, e bota muita faxina nisso que os moveis estavam quase cinzas de tanta sujeira, mas o lado bom é que tem uma cama de casal, e uma janela para um vista bonita do colégio.
Tranquei a porta, coloquei minhas malas em cima da cama. No quarto tinha uma vassoura, acho que isso aqui antes era um deposito, pois estava cheio de materiais, mas o quarto era grande, prendi o cabelo com um coque alto e tiro a blusa ficando apenas de sutiã.
Começo a limpar tudo, troco roupa de cama, tirar germes, acho que esse dois não foram os únicos de usaram essa cama para uma noite de prazer. E continuo com a limpeza...
[...]
Quase uma hora e tudo estava pronto.
O quarto estava limpinho, está até com cara de “Sério mesmo que foi a Emily que limpou?”.
Depois arrumo minhas roupas e pego uma para vestir após o banho, deixo em cima da cama e vou para o banheiro, depois de um bom banho, visto-me, hora de conhecer o colégio.
Fecho a porta e vou andando, várias pessoas me encaravam enquanto eu passava. Se estava me incomodando? Mas é claro que não, opiniões de outros nunca liguei, e não é agora que eu to em um colégio cheio de gente que odeio, que eu vou ligar.
Assim que viro o corredor me bato com alguma coisa que tinha o dobro do meu tamanho.
– Olá gracinha! – Levanto os olhos e encaro o ser que me bati. Não respondi – Nova por aqui?
– Alguma vez já me viu aqui?
– Não!
– Então tire suas próprias conclusões.
Digo e dou as costas, mas que menino mais estranho, continuo andando e assim que acho o bendito do refeitório pego um lanche e me sento um pouco afastada de todos.
Minutos depois que termino vejo a coisa que estava se agarrando com o David vindo em minha direção.
– Não vai contar não é?
– Está tão desesperada assim?
– Você não sabe o quanto, ele é meu pai e se fica sabendo de alguma coisa como essa eu perco tudo.
– Que bom, mas como é o seu nome?
– Julia.
– Ok, tenho seu nome e agora eu vou contar – Levanto-me da cadeira, mas ela me segura.
– Não conta, faço o que quiser.
– O que eu quiser?
– Sim! O que você quiser, menos me matar.
– Ah! É uma pena, então me deixa pensar em outra... – Mesmo já sabendo o que eu queria, enrolei um pouco – Nove horas atrás do colégio você e o grandão.
– O David?
– Não, o Abraham Lincoln.
– Para quê?
– Só apareça e verá, ou quer que eu conte?
– Melhor ir, mas o que vai fazer?
– Fica tranquila Julia, eu juro que sou do bem.
Sorrio e saio. Precisava conhecer onde eu iria passar boa parte dos próximos dias agora, olho em volta e o colégio era legal, e olha, mas uma vez me bati com o mesmo garoto que antes.
– Está me perseguindo ou o quê? — Pergunto.
– Por que te perseguiria?
– Não sei, talvez se apaixonou por mim e me quer.
– Menos, por favor. – Dou ombros e me viro para continuar o caminho, mas pessoas e as suas manias de segurar meninas pelo braço me impedem.
– O que é?
– Como é o seu nome?
– É algum agente do FBI? CIA?
– Não!
– Então não lhe devo informações.
– Eu sou Luther.
– Parabéns. Agora me solta.
– Nome?
– Para você, sou a novata!
– Qual o problema com seu nome?
– Nenhum.
– Então me diz.
– Apenas novata! – Ele solta meu braço. – Adeus, Luther. – Pisco e vou para o quarto, ando até mais devagar, já que me bato com pessoas de corredor em corredor.
Chego ao quarto e me deito. Esperando dar a hora de botar um plano em ação.
[...]
Assim que deu cinco para as noves, eu levantei e sai, fui em silêncio e encontrei com eles em qualquer canto do colégio
– Aqui estão vocês... – O tal do David e Julia estavam na porta – Vamos?
– O que você vai fazer afinal hein? – Julia pergunta
– Vou fugir.
– Com assim fugir? – David pergunta
– Não fugir, fugir, só por essa noite, vou dar uma volta pelo local.
– Você vai se encrencar – Diz David.
– Fica tranquilo.
– Acha mesmo que vai conseguir fugir? – Julia pergunta
– Não duvide de nada sobre mim.
– Sei não viu, meu pai costuma ser bem severo com os alunos que tentam fugir.
– Por favor, vamos logo com isso! – Saio andando e os dois vem atrás de mim.
– Isso é uma tatuagem de verdade? – David pergunta
– Não David, é que lápis de cor.
– Ah, para uma criança como você é até que era de se esperar. – Viro-me o encarando.
– Cuidado com o que fala.
– Isso é uma ameaça?
– Não, é apenas um aviso!
– Sabe que eu não tenho medo de você não é?
– Você fala assim como se eu tivesse de você.
– Se esquece de que eu vou descontar do que você fez na boate, não é?
– Tá, espero a sua vingança. – Chegamos no fundo do colégio, o muro era um pouco alto.
– Você vai conseguir pular? É muito alto... – David diz
– Eu sei, mas vai, eu vou pular – Os dois colocam as mãos e eu piso e eles dão o impulso.
– Posso saber o que está acontecendo aqui? – Os dois me soltam e eu caio no chão
– Ai! Que merda vocês dois não podem... – Olho para cima e vejo o diretor nos encarando.
– Eu fiz uma pergunta e quero a resposta... Julia?
– P-pai, eu...
– A gente estava indo da uma volta pela cidade, sabe tio? – Digo e os dois me olham incrédulos.
– O quê? Mas é claro que não... – David se defende.
– Os três em minha sala, agora.
– Não pai, você entendeu errado, eu juro que...
– Os três agora em minha sala. – Ele dá as costas e nós o seguimos.
Assim que chegamos sentamos e ele nos encara
– Quem vai começar?
Demorou um pouco e como nenhum começou...
– Não foi nada, como eu disse, só iríamos dar uma volta. — Digo.
– Emily, eu andei olhando a sua ficha. Pensa que eu não sei as coisas que você já fez? Pois bem, eu sei, de você eu espero tudo, eu quero saber de vocês dois... — Ele aponta para Julia e David.
– Pai perdoe-me? Me coloca de castigo me faz limpar o chão do refeitório com uma escova de dentes, mas não briga comigo! – Isso é muito drama para uma pessoa só.
– E você, David?
– Bom... Eu... Eu... Eu não sei.
– Pelo jeito a única que não tem papas na língua é você Emily. Julia vai limpar a biblioteca... — Ela o interrompe.
– Mas o quê? Pai eu... — E ele a interrompe também.
– Não me importa, a biblioteca amanhã, quero brilhando.
– David, sem jogar no próximo campeonato no time.
– O QUÊ? Mas o time depende de mim!
– Deseje boa sorte a eles, mas não acaba aqui, Emily e David vão limpar um sótão que tem aqui.
– Sótão? Eu não sou obrigada a isso!
– Então no primeiro dia quer levar uma detenção?
– Ficar dias sem vim á isso? Ótimo!
– A detenção aqui é diferente, isso é um internato, alunos não saem daqui, você fica um mês todinho lavando pratos entre outras coisas.
– Onde é o sótão? — Pergunto como se não fosse óbvio onde ficasse.
– Amanhã às oito da manhã os dois no sótão...
– Fala sério, ela tenta fugir e eu que tenho que pagar? – David retruca.
– Os vejo amanhã, saiam da minha sala!
Sem resmungar nós saímos.
– Mas Julia, fique!
Ela volta e eu e David saímos.
– Por que você disse isso de mim? Você sabe que quem ia fugir era você, e não eu.
– Ah, se quiser eu volto e digo a verdade.
– Ótimo! – Sorrio e estava para abrir a porta, mas David me segura pelo braço – O que vai dizer?
– Senhor Smith, na verdade o que aconteceu foi: Quando eu cheguei, eu vi sua filha e o David a ponto de transarem em minha cama, eu dei uma condição para eles, ou eles me ajudavam a dar uma volta pela cidade, ou eu contava para você o que eu vi.
– Você é esperta!
– Eu sei... — Sorrio.
– Até amanha, mas ainda vai ter troco.
– Como eu disse: Espero a sua vingança.
– E vai ter vingança...
– A aguardo ansiosamente! – Digo e dou as costas, vou para o quarto, mas DE NOVO, no caminho:
– Novata? – Viro-me
– O que é Luther?
– Por que não me disse seu nome?
– Se quiser descobrir... Vai lá na sala do senhor Smith e olha a minha ficha, só cuidado para não se assustar com as coisas que eu já fiz – Pisquei mais uma vez e dessa vez eu fui para o quarto. Entrei, fechei a porta e deitei.
Amanha será um longo dia, terei que aguentar um filhinho de papai reclamando que a poeira sujou sua blusa. Isso não pode ficar pior.
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