Uma Garota Fora Da Lei
5 Presa com um idiota.
Notas iniciais
Acordo com algum ser que veio do inferno, porque para me acordar batendo na porta, não é coisa do bem.
Levanto resmungando e abro a porta, uma mulher que aparentava uns vinte e nove anos estava lá, sorrindo como se eu fosse corresponder.
– Você que é Emily Moore? — Pergunta me examinando.
– Depende, o que é? — Respondo passando a mão pelo meu rosto.
– É que o diretor mandou entregar a chave do sótão para você — Ela diz e estende a chave -,claro, se você for ela. — ela puxa a chave de volta.
– Eu poderia mentir e dizer que não, mas sim, sou eu! – confirmo e ela estica a mão com a chave e sorri de novo – Só isso? — pergunto não correspondendo o seu sorriso.
– Sim! — ela diz ainda sorrindo.
– Vou fechar a porta. — digo olhando pra ela com o cenho franzido.
– Tudo bem, tchau! – Ela continua sorrindo e sai, mas que mulher mais estranha.
Volto e vou para o banheiro fazer a higiene que uma garota precisa, depois saio, visto-me e saio do quarto.
Antes de começar a arrumar as coisas eu vou tomar um bom café da manhã. Sento na mesma mesa que sentei antes e as meninas... Mas conhecidas como patricinhas, olhavam para mim e toda hora falavam algo.
– Nossa, parece que alguma das alunas andou pela loja “oi, eu ainda sou virgem”.
– Ou, andava pela rua e parou na loja onde minha vó compra roupas... – As que estavam na mesa riram... Eu levantei joguei o resto que eu não comi no lixo, passei por elas e falei
– Pelo menos eu não comprei roupa na loja “Olha, eu sou uma vadia e estou sem calcinha, transe comigo.” – Digo e dou as costas saindo do refeitório, tá eu poderia dar uma resposta melhor, mas prefiro deixar quieto.
Agora falta eu achar o quarto da peste, mais conhecida como David, para ir arrumar o sótão comigo. Bati em centenas de quartos, mas nada do dele, estava quase desistindo, bati em mais um e abriram.
– Olá novata! O quer aqui? Sentiu saudades? — Reviro os olhos ao ouvir aquilo.
– Fala sério. Se toca Luther, eu nem te conheço. — Sim, era aquele menino muito chato.
– Basta você entrar aqui que a gente se conhece rapidinho. — ele diz com um sorriso safado desnecessário no rosto.
– Muita areia para o seu caminhãozinho. — digo e ele ri.
– Se o visse ia mudar de ideia. – Ele diz se aproximando e põe as mãos em minha cintura, o empurro.
– Não toque em mim, ou perde o seu caminhãozinho.
– Eu não tenho medo de você.
– Olhe a minha ficha criminal, e mude de ideia!
– Ui! Tudo bem – Ela levanta as mãos como se rendesse – Mas afinal, o que quer?
– O quarto do David.
– Mas já? Tão cedo assim? Você sabe que ele é o tipo de menino que leva a menina e...
– NÃO! Eca, não vou fazer isso ai que você está pensando... Eu só quero o quarto dele para ele ir comigo limpar o sótão.
– Ah, sim. Lá é bem bagunçado.
– Imagino, mas onde é o quarto dele?
– Esse ai de frente. – Ele aponta atrás de mim
– Ah, obrigada!
– Olha, ela sabe pedir obrigada! – Ele fala debochando, ignoro e bato na porta do folgado – Não vai dizer o seu nome?
– Não!
– Então eu vou descobrir sozinho...
– Boa sorte!
– Qual a primeira letra?
– N...
– Novata?
– Exatamente – Bati de novo na porta – Acorda David.
– Ele deve está com alguma... “Amiga”.
– Disso eu não duvido de nada, ACORDA DAVID – Bati mais forte
– Cuidado para não derrubar a porta.
– Eu vou te derrubar, pisar em cima, dar um monte de tapas se você não calar essa boca.
– Ui! Foi mal ai princesa!
– Ah! DAVID – Dei um chute na porta e ele abre.
– O que é?
– Como assim “o que é?” – Ele estava somente de cueca, passando as mãos pelos olhos e pelo os cabelos.
– David... Vem cá! – Alguém falou de lá de dentro
– Dá um fora nessa coitada, e vamos para o sótão. – Eu disse ignorando totalmente seu corpo esbelto que estava em minha frente.
– Aqui no quarto é mais confortável, não quer? – Luther riu e David sorria irônico para mim.
– HAHA! Espera que eu estou fazendo xixi na roupa de tanto rir...
– Calma ai, vou – Ele olha para baixo – Vestir a roupa.
– É uma ótima ideia – Eu dou as costas e ele fecha a porta, Luther ainda me encarava.
– Gostou do corpo saradinho dele? Pois aquilo me seduziu gata – Ela tenta imitar voz de gay.
– Sim, isso foi muito irresistível. – Usei sarcasmo na frase.
– Vou te fazer uma pergunta, mas não se sinta ofendida... OK?
– O quê?
– Você é... Você gosta... Digamos, de pessoas do mesmo sexo que você?
– O quê? – Grito – Tá maluco ou o que garoto?
– Sei lá, você não quer me dizer seu nome, não sentiu atração pelo David, não quer entrar e ver meu caminhãozinho... – Ele fala quase em um sussurro a última frase.
– Isso não quer dizer que eu gosto de mulheres, isso significa que eu não sou as meninas de bordel, como as daqui desse maldito internato.
– Ah, entendi, você é a rebelde, a novata que quer chamar atenção...
– Você é chato!
– Nem me conhece ainda.
– Ainda bem, e ouvindo as suas conversas sem graça eu não quero conhecer mesmo – A porta atrás de nós abre, mas é a menina que sai.
– Bom... ótimo dia para vocês – Ela morde os lábios sorrindo e sai.
– Coitada... Acha que isso vai se repetir – Luther diz
– Você é amigo dele?
– É...
– Que legal – Digo sem nenhuma animação.
– O que você tem contra mim?
– Você conversa demais.
– Entra, vamos conversar mais então.
– Luther, se desilude, você nem me conhece, não sabe de onde eu vim, não sabe o que eu fiz para está aqui, com quem, quem são meus “amigos” e enfim, você não se interessou tão rápido assim não é?
– Se eu disser que sim, o que você vai fazer? – Reviro os olhos.
– Nada, fazer o que se sou uma menina muito irresistível.
– Posso conhecer esse seu lado irresistível?
– Mas é claro que sim...
– Sério?
– Não! – Digo obvia – Por favor, fique quieto ai!
– Nossa! Violência moça. – Ignoro, alguns segundos depois:
– Pronto, vamos? – Agora é David que sai.
– Já estava na hora...
– E aí Luther...
– E aí! – Depois do importante cumprimento dos dois eu e David fomos para a sala do diretor.
– Pensei que ia ter que chamar os dois – Ele diz assim que entramos.
– Foi que o príncipe estava se arrumando!
– Pelo menos eu me arrumo, já a princesinha ai!
– Não comecem, vocês sabem o que fazer, a Silvia já entregou a chave para você?
– Sim!
– Então é isso, o sótão o mais obvio possível, fica lá em cima... Agora vão e... — Ele para e pensa.
– E...? — Peço continuação.
– Se por acaso encontrarem uma caixa... Com algumas roupas dentro, traga!
– Roupas?
– Sim, isso que você está vestida!
– Ah, sério?
– Vão logo – Saímos da sala e fomos subindo escadas e mais escadas até o sótão.
– Deve ser aqui, esse é o ultimo andar, e isso aqui está tudo sujo. — Diz ele.
– Ah, mas é sério? — Pergunto.
– Deixe a sua ironia para depois, por favor... Venha logo – Ele abre uma porta com dificuldade, mas abre e entramos.
– Nossa! – Começo a tossir.
– Larga de drama, nem mexemos em nada ainda.
– Eu sei, vamos logo – Começamos a tirar algumas coisas que cima de outras – AH! — Grito e ele me olha assustado – AH! Tira, tira... Ah!
– O que foi?
– Tem uma barata ali – Aponto para o lugar.
– Sério isso? Você dá uma de durona e tem medo de uma pequena baratinha?
– Olha só garoto, não ter medos de pessoas é uma coisa, mas medo de barata é uma coisa que é impossível de evitar.
– Garotas... – Ele diz por último.
Começamos a arrumar tudo, colocamos umas coisas em cima das outras, varremos, e eu e ele não parávamos de espirrar ou tossir.
Eu tiro o casaco, porque aquele lugar estava começando a ficar quente, mais do que já tava.
– Vai ficar ai sentado príncipe?
– Eu estou cansado, dá um tempo!
– E você acha que estou cheia de energia não é?
– Sei lá, você não para quieta!
– Tudo bem, levante daí agora!
– Quem vai me obrigar? Você?
– Não duvide!
– Disse a menina que tem medo de barata!
– Barata é um caso a parte! Levante.
– Emily... Esse é o seu nome, certo?
– Por quê?
– Sim, esse é seu nome. Entenda: Aqui quem manda sou eu, nesse internato eu sou amado e desejado por todas, e eu acho que você não está por fora.
– Ai coitado, está cego de ilusões.
– E eu sei que você quer dar uma de durona porque quer que eu me interesse em você, mas entenda: Você não faz o meu tipo!
– Era para chorar? Porque eu só estou vendo motivos para comemorar.
– Você é um poço de sarcasmo.
– Eu sei... – Sorrio – Agora levanta daí – Ele levanta e voltamos a arrumar. Não dizemos mais nada um para o outro, apenas ficamos concentrados na bagunça que tínhamos que arrumar, e que bagunça.
[...]
Acho que esse foi o dia mais longo de minha vida, isso é muito bom, passar um dia todo arrumando o sótão, muito legal não é? Pois... Não é.
Passaram-se mais meia hora, paramos, olhamos em volta e estava tudo limpo como eu acho que nunca foi.
– Prêt! – Digo abrindo os braços.
– O quê?
– Eu disse pronto, pessoa desinformada!
– Me desculpe por não saber em quais línguas você costuma falar.
– Perdoado! E só para não ficar curioso, foi em Francês.
– Obrigado, isso mudou minha vida e encontrou a cura para doenças.
– Que bom, no final eu sempre acabo ajudando o mundo.
– Vamos sair daqui – Saímos, coloco a chave na porta fechando para trancar e:
– Espera, as caixas com as roupas!
– Ah é, vai pegar!
– Vai você.
– Não começa com a chatice, vai logo!
– Vai você que está perto da porta!
– VAI LOGO!
– Você é insuportável garota!
– Entenderei isso como um elogio!
– Que bom... – Ele entra e abaixa para pegar as caixas – Dá para vim ajudar? Não é só uma!
– Argh! – Entro deixando a chave do lado de fora, abaixo para pegar uma caixa e escuto algo batendo, me viro, e a porta bateu!
– Parabéns Emily...
– Vá abrir! – Ele deixa a caixa no chão e vai abrir a porta, ele da vários empurrões, mas nada.
– O que foi agora? – Eu pergunto
– A porta não tá abrindo – Ele da alguns tapas e empurrões.
– Você que é frouxo! Sai daí – Eu vou e tento abrir, dou empurrões, murros, chutes e até cabeçadas... Mentira, ainda me resta um pouco de juízo.
– Ah! Sai – Ele vem correndo e se bate contra a porta, ele cai no chão e eu começo a ri, me jogo no chão.
– Ai!- Minha barriga já estava doendo de tanto que eu ri – Tudo bem, eu não quero ficar presa – Começo a gritar – SOCORRO, SOCORRO, EU TO PRESA COM UM IDIOTA AQUI – Começo a bater desesperadamente na porta – Socorro! Socorro! Ele quer me matar! SOCORRO!.
– Desiste, estamos presos.
– Não, não, não – Bato mais um pouco na porta e mais algumas vezes e nada – Socorro – Começo a gritar em uma voz de choro – Socorro!
– Desiste garota! – Ele grita.
– Por que não tenta abrir?
– Por que você não vê que é impossível? Eu acho que tem séculos que ninguém troca essa fechadura, a porta é de uma madeira resistente, não vai é fácil derrubar.
– Madeira resistente? – Franzo o cenho. – Ou seja “Desculpa Emily, sou um fresco que não consegue arrombar uma porta.”
– Garota, se você não fosse tão você, eu provaria agora mesmo que não sou fresco.
– Ah fala sério! Se não fosse estaria tentando abrir a porta – Começo a bater novamente e a gritar – Ele está me abusando, socorro.
– Desiste Emily.
– Ai que ótimo! – Eu me jogo no chão – Eu estou presa em um sótão, e para ficar melhor ainda, com você! – Digo irônica e colocando as mãos no rosto.
E é isso... Eu estou em um sótão, presa com um idiota.
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