Notas iniciais
Mais um capítulo, espero que gostem^^

Pansy não se preocupara com o que Hermione havia presenciado. Ela sabia que a castanha era esperta e, se dissesse algo, sua palavra de nada valeria. Ela não gostava do cavaleiro, mas tinha de admitir a si mesma que havia sido divertido desfrutar de sua presença enquanto Hermione observava a tudo.

Pansy levava aquilo quase como um jogo; torturar Hermione deixava seus dias menos entediantes. E ela havia feito questão de mostrar aquilo no dia seguinte, quando pedira que Hermione levasse uma carta ao jovem cavaleiro que estava hospedado na casa de visitantes. “Não seja apanhada” – Pansy fizera questão de recomendar “Se alguém lhe vir, engula isso!”

Hermione na verdade engolira a própria tristeza quando caminhou até a casa, olhando ao seu redor com medo de que alguém lhe pegasse no flagra e tivesse que fazer o que Pansy lhe ordenara.

Ela entrou na casa e olhou ao seu redor, vendo a grande movimentação dos criados que passavam com bacias de agua e alimentos para o desjejum. Procurou pelo rosto do cavaleiro até que o encontrou em um grupo com outros homens.

Ela acenou para ele, que a olhou confuso antes de segui-la para fora.

Hermione trancara a dor e a mágoa em seu peito quando estendeu a carta para o homem. Ela não fora ensinada a ler, então não havia nem a menos aberto o pedaço de papel antes de entrega-lo ao homem. No entanto, ela pode ver como a medida que o homem lia as palavras ali, sua feição séria mudava para uma de contentamento e luxúria. Hermione sentiu a sensação de enjoo no estomago novamente.

O homem levou o bilhete ao nariz, sentindo o cheiro e então o devolveu para Hermione, antes de se virar e voltar para dentro com o peito inflado em desejo e antecipação.

Hermione levou a mão a barriga, sentindo vontade de colocar as entranhas para fora.

E ela fez o que fazia de melhor quando não queria que a vissem chorar. Ela correu.

Correu até que as pernas ficassem bambas e então o ar faltasse em seus pulmões e eles queimassem buscando por um respiro. E então ela parou quando chegou ao rio e subiu a colina que levava a nascente. Respirava com dificuldade, então se sentou para que pudesse pensar com clareza.

Olhou o bilhete tentando entender o que dizia, mas parecia um desenho estranho e sem significado.

— Pensei que havia morrido durante o temporal de ontem. Ou que algum bicho a tivesse encontrado.

Hermione saltou, assustada, olhando para trás e encontrando os olhos azuis acinzentados de Draco. Ela apertou seus olhos para ele.

— Eu sei que sim, milorde – ela disse com sarcasmo – Mas para seu desalento isso não aconteceu.

Draco olhou as vestes da mulher, em nada lembrando a aparência do dia anterior. O cabelo já estava novamente preso ao topo da cabeça com alguns fios desalinhados e o rosto estava ligeiramente sujo. Ele se aproximou e Hermione deu um passo para trás, pensando que o homem iria castiga-la como havia dito na noite anterior.

— Não se aproxime.

Ao invés disso, Draco se abaixou na beira do rio, enfiando suas mãos na agua e passando em seu rosto. Ele fechou os olhos por um momento, antes de direcionar sua atenção para Hermione.

— Não precisa ter medo. Não farei nada com você – Draco disse – Qual seu nome?

Ela soltou a respiração que mal percebera estar segurando.

— Hermione – pronunciou após avaliar se era seguro dizer seu nome a Draco. Ele não a havia denunciado, ainda, ao seu senhor para que fosse castigada. Sabia que ele poderia pedir sua língua em uma bandeja caso quisesse – Eu quero me desculpar pelos insultos de ontem. Não sei onde andavam meus pensamentos – justificou recebendo de Draco um meneio de cabeça como se ele não se importasse. Ela olhou para a carta já amassada em sua mão e então pensou por alguns instantes, antes de oferece-la a Draco – Pode me dizer o que está escrito aqui?

Draco olhou em dúvida para o papel manchado de lágrimas. Ele suspirou, mas tomou o papel e o abriu com cuidado para que não rasgasse. Seus olhos se arregalaram para a criada e então para o papel. Ela não teria escrito aquilo, senão, não o pediria ajuda para lê-lo.

— Onde conseguiu isso? – perguntou surpreso.

— Uma amiga escreveu e me pediu que desse a um pretendente – mentiu – mas fiquei curiosa com o conteúdo.

— Isso não é coisa de alguém como você ler! – Draco bradou – E muito menos que uma mulher devesse enviar a um homem que ela espera receber o mínimo de cortesia.

Hermione franziu o cenho em confusão.

— O que está escrito?

Draco a olhou com raiva. Nem mesmo as mulheres da corte haviam sido tão promiscuas quanto as palavras naquele bilhete, mas ao invés de dizer palavra a palavra, ele suspirou, falando apenas parte de seu conteúdo.

— Ela marca um encontro com ele hoje. Aqui diz na mesma hora e no mesmo lugar.

Hermione abaixou seus olhos e então colocou os braços ao redor de si. Pansy ficaria com ele novamente e o enfeitiçaria como uma bruxa.

Draco viu a expressão de tristeza em seu rosto.

Ela olhou para Draco e então quando seus olhos se encontraram, seu peito se encheu de raiva. Pansy estava ali, como uma donzela, a espera de um pedido de casamento como se fosse digna de alguma honra, quando na verdade havia se deitado com um homem que nunca planejara manter matrimonio e ainda por cima havia feito aquilo para feri-la. Ela ficou com raiva porque Pansy havia dado a Viktor o que ainda nem passara por sua cabeça. E olhando nos olhos de Draco, se lembrou do motivo que o levara ali: o cortejo a Pansy. Lembrou-se de como o lorde parecera interessado na jovem durante o jantar e então a raiva nublou sua mente.

— Lady Pansy escreveu essa carta e me pediu que o entregasse a um de seus cavaleiros.

Draco pareceu ter ouvido latim.

— O que disse?

Hermione repetiu, desta vez mais lentamente.

— Lady Pansy Parkinson, de Emory. A primogênita do senhor destas terras. Ela se deitou com um de seus cavaleiros ontem e me pediu que levasse a carta até ele. Ela deseja vê-lo novamente.

Draco sabia que Pansy não era sua melhor escolha, e nunca havia pensado realmente em desposá-la; estava ali apenas para agradar ao pai que o pressionava constantemente para contrair matrimonio o mais rápido possível. No entanto, a ideia de que a jovem havia sido ardilosa o suficiente para posar como uma dama imaculada ao ponto de nem mesmo olhar em seus olhos enquanto conversavam e logo em seguida convidar outro homem com menos honrarias a se deitar entre suas pernas e se fartar ao meio delas era um afronte.

— Por que me diz isto? – perguntou, sabendo que como uma criada Hermione não devia ter dito aquilo. Foi quando notou a magoa em seus olhos.

— Durante todos os meus anos como criada, tudo o que eu um dia achei bonito ou que me alegrei em ver, Pansy se encarregou de arruinar.

E então ela se virou, dando as costas para Draco, fazendo o caminho de volta. Ela não se arrependeu do que disse a Draco. Ele não merecia ter como esposa uma mulher como Pansy. Ninguém merecia.

Hermione acreditou com todo o seu coração que Draco desistiria do cortejo a Pansy, mas isso não ocorreu. Ele continuou ali com seu pai, chegando até mesma a fazer-lhe um elogio quando Lúcio e Jaime, o pai de Pansy iam a frente mostrando as plantações da propriedade. Hermione estava colhendo ervas para um chá quando viu que ele lhe elogiou os brincos que ela usava.

No entanto, foi no jantar que Hermione viu, com uma tristeza quase palpável que Draco estava cada vez mais próximo de Pansy. Próximo até demais para o permitido, como Hermione observou.

No entanto, logo que o dia seguinte amanheceu, Malfoy tinha partido com sua comitiva. E Pansy passou várias enfurnada em seu quarto, sem atormentar Hermione com suas ordens ou suas humilhações cruéis.

Hermione desejou que Pansy ficasse um bom tempo assim, isolada, e que com isso pudesse ter um pouco de paz, mas isso durou pouco.

— O duque de Navarra virá ter com seu pai – a mãe de Pansy dissera a filha enquanto esta era vestida por Hermione, que fazia o que de melhor sabia fazer: fingir estar invisível – Sua família tem muitas propriedades e iremos oferecer um bom dote.

Era início da primavera e o vento frio que entrava pela janela aberta do quarto levava para dentro o cheiro do campo que Hermione tanto gostava, e isso a distraia de mais uma conversa que ela não queria ter de presenciar.

Pansy bufou.

— É um infeliz aquele homem – declarou – E além disso está velho.

A mãe de Pansy a olhou pelo espelho, demonstrando desagrado.

— Você não pode viver a rejeitar todos os homens. Um deles terá de escolher antes que, pior, eles a rejeitem. Aproveite enquanto é bela e jovem. Não irá durar para sempre.

Hermione terminou de prender a última barbatana do vestido e foi buscar a caixinha de joias para que ela escolhesse.

— Depois que o lorde Malfoy não propôs casamento como esperávamos, esta ficando sem opções.

Hermione tropeçou, fazendo com que algumas joias fossem ao chão.

Pansy a olhou com raiva.

— Cuidado, sua imunda! Um anel deste vale mais do que você e toda a sua linhagem inútil.

— Vá – a mãe de Pansy disse, empurrando Hermione para fora do quarto. Ela sabia que a criada estressava a filha ao extremo somente por existir – Veja se está tudo pronto para os convidados que vamos receber.

Hermione assentiu e desceu as escadas, a procura de sua amiga e confidente. Encontrou Luna limpando a tapeçaria enquanto resmungava sobre os sapatos de barro sempre sujarem tudo.

— Luna – Hermione chamou, a segurando pelo cotovelo e então abaixando o tom de voz para que ninguém as ouvisse – O lorde Malfoy não fez um pedido formal a Pansy.

O coração batia tão forte e rápido que ela quase não conseguia ouvir os próprios pensamentos.

— E se ele disser o que lhe contei sobre ela?

Luna revirou os olhos, votando a bater com força nos tapetes.

— Não se preocupe, Hermione. Ele não tinha intenção de pedi-la em casamento. Eu ouvi naquela noite ele dizer ao seu pai que o dote que o pai de Pansy oferecia era muito pouco para uma mulher como ela. E isso não é algo bom. Além do mais, já se passou muito tempo. Se ele tivesse dito algo, você já estaria morta.

Hermione colocou as mãos a cintura. Aquela noite não saia dos seus pensamentos. Se Draco a denunciasse e cobrasse uma retratação pelas ofensas que ela havia lhe proferido e contasse sobre o que havia revelado de Pansy, ela seria acusada de injúria e receberia a morte como punição.

— Fique calma – Luna ralhou – Fará um buraco ao chão se continuar batendo o pé desta forma.

Ela passou uma mão pela testa e então a levou ao peito, assumindo que a amiga embora fosse inconsequente, estava sendo sabia.

— Ele era tão forte e cheiroso.

— Eu aposto que não. Viktor deve cheirar a cavalos, suor e cerveja amarga.

Hermione balançou a cabeça. Não citara o nome de Viktor desde aquela noite. Pansy havia usado o momento em que ele saíra para ir atrás dele e seduzi-lo. Ela não havia imaginado que seria pega por Hermione, mas achou melhor assim do que ela ter que esfregar aquilo em sua cara quando a visse suspirando pelo cavaleiro pelos cantos.

— Eu falava de Draco.

Luna arregalou os olhos e então esqueceu os tapetes.

— Não, não e não! – disse indo até a amiga e então a segurando pelos ombros – Um cavaleiro tudo bem, mas um lorde? Esqueça. Não pode se apaixonar por algo tão impossível assim, Hermione. Isso é estúpido até para mim.

Hermione deu um olhar engraçado para a jovem loira que a olhava como se estivesse doente.

— Não estou apaixonada por ele. Nem nunca estarei. Não se preocupe, Luna.

Luna observou a amiga, tentando perceber se podia confiar nela, mas antes que obtivesse sua resposta, escutou o barulho dos homens chegando.

Aquilo seria uma conversa para mais tarde.

Do outro lado da colina, a dias de viagem dali, nas terras que pertenciam aos Malfoy, Draco lia a carta que havia recém-recebido do rei Henrique. Um sorriso convencido reluzia em sua boca enquanto ele terminava de ler o conteúdo.

Havia dois meses que apenas uma coisa serpenteava por sua mente: a infeliz criada que ele havia encontrado naquela noite chuvosa. Ela juntamente a sua voz irritante e seu cheiro de mistério.

Seu relacionamento com seu pai ia de mal a pior. Lúcio não aguentava mais o filho solteiro e sem perspectivas de um casamento que ele precisava garantir logo para que os herdeiros pudessem herdar as terras que o rei havia lhe prometido logo que isso acontecesse. Junto ao título de Duque, que ele almejava mais do que a tudo. Para isso, ele precisava garantir o casamento de Draco. O que parecia impossível já que nenhuma das jovens naquelas terras atraia a atenção de Draco. Nem mesmo quando ele havia visitado a corte uma daquelas mulheres havia sido alvo de sua atenção.

O filho vivia pensativo pelos cantos. Havia diminuído drasticamente suas travessuras noturnas e passava a maior parte do seu tempo caçando ou em seu quarto, recluso. Sendo assim, Lúcio e Narcisa se surpreenderam quando naquela manhã Draco chegara a mesa para o desjejum em completa alegria. Ele se postou atrás de uma cadeira, a frente de seu pai. Sua mãe assistia a cena em alegria. O filho pareceu ter retomado a sede pela vida.

Draco fixou seus olhos em Narcissa.

— Comece os preparativos, mamãe. Meu casamento se aproxima.

Lúcio sentiu o peito se encher em alivio, mas a sensação se perdeu logo que se lembrou de quem era seu filho. Mas foi Narcissa quem questionou, curiosa e eufórica.

— E eu posso saber qual a senhorita que é merecedora de ser sua esposa, meu filho?

Draco inflou o peito.

— Hermione, de Emory.

Ele havia enviado um de seus servos mais fieis a propriedade dos Parkinson ao findar daquela fatídica semana, quando não havia conseguido tirar os olhos e o cheiro daquela jovem dos seus pensamentos. Ele havia descoberto que ela dissera a verdade: era uma criada. Mas também recebera informações sobre seu caráter e suas ideias.

Lúcio franziu o cenho.

— Não me lembro de nenhuma Hermione em Emory. Tem certeza de que ela pertence a aquela casa?

Draco assentiu, e então olhou pesarosamente para seu pai.

— Ela é uma das criadas da casa.

Narcissa engasgou e Lúcio arfou, sentindo uma dor dilacerante no braço esquerdo e então o ar faltou em seus pulmões. Era isso. Seu filho finalmente havia conseguido: morreria em desgosto.

Notas finais
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