Os Parkinson acordaram cedo naquela manhã, quando a comitiva dos Malfoy chegou sem avisar. Os cavalos estavam pesados pelos baús que carregavam e quando Pansy foi acordada às pressas, ela sorriu ao ver o tamanho do cortejo e mais ainda ao ver como os cavalos pareciam cansados pelo peso que carregavam. Os olhos chegaram a brilhar imaginando os vestidos, joias e tecidos que teriam ali... E todos para ela.

— Seu pai está tão feliz! – sua mãe lhe dissera enquanto a ajudava a vestir um longo vestido carmesin com pressa – Não precisaremos aumentar o dote e assim que se casarem teremos parte das terras dos Malfoy.

Pansy sorriu. Ela queria mais. E ela não aceitaria o contrato de casamento até que conseguisse tudo o que tinha direito. Draco estava disposto a pagar um preço alto por sua mão em casamento, e ela poderia tirar proveito disto. Prova disto é que haviam chego sem nenhum aviso, tamanho o desespero em desposa-la, imaginou Pansy.

O pai de Pansy, Jaime, recebeu Lúcio com fortes abraços e elogios aos cavalos fortes e bem cuidados. Os convidou para dentro e percebeu com orgulho que esposa e filhas estavam todas prontas, para receber o futuro noivo de sua primogênita.

— O que acha de uma caçada? – Jaime propôs – Esta época do ano é perfeita para caçar javalis.

Lúcio olhou com desgosto para o filho, fechando os olhos antes de os abrir e proferir com pesar:

— Na verdade, meu caro amigo, viemos tratar de um assunto rápido e sério.

Jaime ficou surpreso. Acreditou que o amigo iria dar mais voltas afim de negociar o dote de sua filha mais velha. Mas sorriu mais ainda, percebendo que o jovem Malfoy estava tão apaixonado por sua filha que não queria perder tempo. Ele fez um gesto para que esposa e filhas se retirassem e então fez um gesto para Lúcio e Draco se sentarem. Pediu que uma das criadas trouxesse pão e cerveja para os convidados que estavam com sede.

— O que me traz a sua casa, não é nenhuma de suas filhas – Lúcio disse, sentindo como se uma corda estivesse ao seu pescoço – Mas sim uma de suas criadas. Hermione.

Jaime o fitou confuso, não entendo o que sua criada havia feito.

— O que ela fez? – perguntou confuso, e então completou, afoito – Ela está conosco desde tenra idade. A mãe faleceu de cólera e a acolhemos para que não morresse de fome.

Lúcio limpou a garganta, e olhou para o filho antes de prosseguir. Draco o estimulou com um aceno de cabeça então entregou a carta que guardara com tanto esmero desde que o rei o havia respondido.

— Meu filho quer unir a casa de Avondale com a de Emory, mas ele quer tomar por esposa sua criada, Hermione.

Os olhos de Jaime se arregalaram primeiro em surpresa, e então em fúria. Ele fechou o punho, desferindo um soco com força sob a mesa.

— Isso é um ultraje! Uma afronta! Veio a minha casa, lorde Malfoy de Avondale, comeu com minha família, cortejou minha filha e agora a pretere no lugar de uma criada?

Lúcio não se abalou. Uma coisa era o filho estar louco! Outro, era alguém com menos posses se sentir no direito de ofende-lo pelo que quer que fosse.

Então ele abriu a carta que Draco lhe entregara, a empurrando para Jamie que a pegou a contragosto. A medida que avançava em sua leitura, ele mudava de cor. Primeiro amarelo, depois verde e por mim vermelho, furioso. Gotas de suor brotaram em sua face.

— O rei Henrique é a favor da união. Ele recomenda que ela aconteça imediatamente e que nossa família lhe ressarça no mínimo três vezes pela criada. Estamos dispostos a lhe dar 5 criados. Jovens e fortes.

— Ela não tem um dote – Jaime disse dobrando a carta com raiva e a devolvendo para Lúcio com desgosto.

— E eu não quero – Draco respondeu, recebendo um olhar alterado de seu pai. Lúcio podia praticamente ouvir todos os seus antepassados os olhando com raiva e rancor.

— Jaime – Lúcio chamou, vendo que o amigo ainda relutava – O rei Henrique irá pessoalmente receber o contrato desta união. Ela vai acontecer.

Jaime engoliu a seco, soltando seus músculos sob a cadeira e pensando como seria visto pelas outras casas. Como os outros pretendentes iriam se interessar por alguma de suas filhas quando um deles, que havia ido até lá cortejá-la, havia escolhido uma criada como seu esposa e pior, que havia conseguido o aval do rei para tal? Seja lá como ele havia conseguido...

Jaime sabia: sua casa estava arruinada. E ele não pode deixar de olhar com ódio quando Hermione se aproximou com pão e cerveja, servindo a todos parecendo alheia ao que acontecia a sua volta. No entanto, logo que seus olhos se focaram em Draco, ela o reconheceu. Temeu por sua integridade física acreditando que ele estava ali para denunciá-la.

Ela tentou se afastar, voltar para a cozinha e sumir. Reaparecer somente quando o lorde partisse, mas ao invés disso quando murmurou um “com licença” quase inaudível, seu senhorio lhe parou, pedindo para que ficasse.

Na cabeça de Hermione, só passava medo.

Na de Draco, era como se só existisse Hermione ali.

Ele sabia que havia sido arriscado pedir aquela autorização ao rei e que a chance de lhe ser negada era grande, mas ele lhe ofereceu algo ainda maior: um favor. Draco estava em débito com a coroa e ele não se importou naquele momento com o preço que teria que pagar ao rei Henrique. Ele estava mais ocupado pensando que finalmente havia encontrado uma esposa e que se livraria das ordens de seu pai, se tornando senhor de sua vida e faria uso de todas as terras que teria direito após o casamento.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.