26|08|1758 Palácio de Kensington, Londres

Londres, a grande cidade, talvez a maior do mundo em população, um grande centro onde se encontravam nobres, aristocratas e poderosos, mas também os pobres e sem poder, uma cidade complexa, com pessoas igualmente complexas, mas também uma cidade de luto.

Talvez não de luto e também não toda a cidade. Mas as partes nobres de Londres estava comovidas com os acontecimentos do dia 09.

Não havia sido o rei que tinha morrido, nem mesmo o jovem príncipe de Gales, mas sim Frederik de Orange-Nassau, o príncipe de Niedersieg. Foi uma grande tristeza, claro que para a marquesa e seus filhos.

E depois dessa notícia, Londres ficou novamente cheia de nobres. Todos voltaram de suas propriedades, para mostrar sua tristeza, mas também para por curiosidade. Curiosidade de como estava a marquesa tinha reagido e curiosidade também em relação ao novo príncipe, Alfred.

Quanto aos Tudor-Habsburg, eles mostraram a todos o lado que deveriam mostrar. Sem choro, sem lamentações e sem sofrimento, apenas força. Embora quando não havia ninguém essa força logo desaparecia.

Primeiro a marquesa entrou em um período de extrema tristeza, não apenas pela morte de Frederik, mas também pelo aborto de seu bebê logo em seguida, Anne então ficava a maior parte do tempo trancanda em seus aposentos. E seus filhos não eram diferentes, todos encontraram um meio de sentir tristeza, e Alfred realmente escolheu chorar.

Mas quem não iria chorar? Alfred não apenas perdeu seu pai, mas também ganhou um principado, uma responsabilidade que ele não desejava tão cedo. E esse peso, essa responsabilidade, essa tristeza, fazia com que todos os dias Alfred se refugiasse nos jardins. Um lugar de paz e tranquilidade, um lugar que Alfred sabia que não seria nem descoberto nem mesmo encontrado, o que hoje se mostrou um engano.

Enquanto Alfred estava perdido em sua tristeza, uma pessoa começou a se aproximar de onde ele estava. Não uma simples pessoa, uma mulher.

— Sua Alteza, senhor está chorando?— Esse foi talvez o maior susto que Alfred já teve, assim como talvez o único que lhe causou uma resposta tão ruim.

— Quem é a senhorita e o que faz aqui!? Esse é um jardim privado, e é algo muito desrespeitoso espionar os outros!— Depois de falar, Alfred se arrependeu muito, não era assim que um príncipe deveria agir, não era assim que um cavalheiro deveria agir. Ele gritou com ela.

Mas ele realmente não conseguia a ver, as lágrimas embarcaram sua vista.

— S-sou Lady Elizabeth Howard, minha mãe é a condessa de Carlisle. E peço perdão por isso. Meu senhor, parecia triste e pensei que pudesse eu ajudar.— Alfred se sentiu mais pior ainda, Lady Elizabeth tinha apenas boas intenções, e ele não estava sendo gentil, nem bondoso e o rosto dela estava também muito triste agora.– Mas se, meu senhor, deseja que eu...

— Não, milady, eu que peço perdão pela minha falta de educação. Foi uma rudeza da minha parte levantar a voz.- Agora o rosto de Lady Elizabeth ficou mais feliz, Alfred gostava mais desse rosto assim.— Se a milady desejar ficar, não posso a impedir.

Teoricamente Alfred poderia e deveria, mas Lady Elizabeth não era alguém desconhecida, era a filha mais velha da condessa de Carlisle, uma amiga da família, e Alfred também sabia que ela foi muito apreciada durante a temporada nesse ano pela sua beleza. Não foi uma grande surpresa quando Alfred sentiu ela sentar ao seu lado.

— Eu peço novamente perdão, meu senhor, mas vi seu rosto triste, eu não suporto a tristeza, o que está lhe chateando?

— Não acho que seja muito bom falar de meus problemas com a milady.— Embora fosse algo muito difícil de resistir.

— Quando meus irmãos tem problemas, falar sobre eles ajuda, compartilhar a dor faz bem. Sempre funciona com meu irmão.— Lady Elizabeth o estava comparando com seu irmão de dez anos?

Alfred não sabia o motivo, mas ele estranhamente se sentia no entanto muito confortável e motivado a falar a Lady Elizabeth, talvez fosse pela sua presença calma, aparência inocente e voz serena. De coração, Alfred não sentia realmente vergonha.

— Milady, estou triste porque a vida não sorriu para mim. Meu pai morreu, e agora sou um príncipe, e a forma como ele morreu, quem iria imaginar que ele iria morrer em um acidente de caça? Eu me lembro de ver o horror de mamãe, de a ver manchada de sangue, de chorar, de ver meus irmãos chorando, de me ver chorar.—Lembrar daquele dia não era algo bom para Alfred, era triste, traumatizante.— Há também o peso, a pressão, todos os olhares sendo para mim o príncipe, o herdeiro de Bristol, a milady não sabe como é horrível.

Lady Elizabeth ficou por um momento calada, não se poderia dizer nada realmente. Mas o que surpreendeu Alfred foi a forma que ela agiu: Lady Elizabeth o abraçou.

— Talvez falar da dor não seja assim tão bom. Mas um abraço pode curar o doente.— Com um sussurro doce, uma voz serena Lady Elizabeth falou, Alfred realmente sentiu uma grande ternura da parte dela.— Meu Deus! Estou sendo inconveniente novamente, peço perdão.

— A milady já fez muitos pedidos de perdão. Mas a milady ajudou muito, falar com alguém realmente ajuda.

O sorriso que Lady Elizabeth deu foi o mais belo que Alfred já viu, era tão bonito, brilhante e sincero. Alfred gostava do sorriso de Lady Elizabeth.

— Se for do desejo de meu príncipe, não me chame de Lady Elizabeth, mas apenas de Elizabeth. Como bons amigos.— Então certamente ela era alguém que tinha muitos amigos, ou que gostava de ter.

— Então me chame de Alfred também. Como bons amigos.— Agora Alfred que se via também sorrindo.— Mas o que a milady está fazendo aqui em Kensington?

— Mamãe disse que seria bom eu vir para brincar com suas irmãs. Mas hoje elas estavam discutindo e fui completamente ignorada, então vim para os jardins e lhe encontrei.

Isso realmente fazia sentido, tanto a parte de Anne e Amélia brigar, e quanto a de Lady Elizabeth vir brincar.

— Está certo então mila... Elizabeth. Sendo assim eu peço que venha sempre que possível, para que possamos conversar, alguém diferente do normal é muito bom.— Ou na verdade, conversar com Elizabeth que era muito bom.

Elizabeth concordou com isso. E realmente, depois daquele dia ela sempre estava em Kensington. Eles conversavam, liam, jogavam algum jogo ou simplesmente apreciavam a vista do jardim.

E com isso nasceu uma amizade durante o começo do outono, uma amizade que cresceu no resto da estação, mas que durante o inverno, depois de um beijo inocente e simples durante um jogo de cartas, se transformou em algo diferente.

Notas finais

Eu espero que tenham gostado. Eu não tenho nada a declarar sobre Frederik. Mas sobre esse início, foi um dos que eu achei mais juvenil, talvez seja apenas um resultado de Alfred e Elizabeth terem, nesse capítulo, apenas 17 e 16 anos.