Uma Dose de Clichê
9 ♡ 9 "Sobre heróis e datas especiais"
Notas iniciais
9 — Sobre heróis e datas especiais
— Perdeu a língua ou se borrou de medo?
Stive puxou a provocação, exibindo um sorriso torto e ameaçador. As mãos estavam apoiadas na porta do armário, aos lados da cabeça do asiático e o corpo estava inclinado para que as alturas ficassem próximas.
— Eu só quero ir pra casa, Stive. — Kyle bufou. Sim, ele claramente devia estar se borrando de medo de uma provável surra, mas não sentia medo e nem tinha paciência para as famosas provocações. — O seu bafo 'tá me dando náuseas… — Torceu os lábios e virou o rosto, mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, foi segurado pelo colarinho e os pés se arrastaram pelo chão.
— Você se acha, né, Ogawa? — O mais alto lançou a retórica. — Sabe que eu posso quebrar essa sua carinha bonita sem o mínimo esforço, não sabe?
— Se você 'tá dizendo, Stive, deve ser verdade. — A voz beirava o tédio. E maldita sala de reunião que ficava nos confins do colégio!
— Leva logo o viadinho lá pra fora, Stive. — Um dos garotos apressou. Se a diretora os pegasse, aí sim levariam mais do que apenas uma suspensão.
— Vamos dar uma voltinha, japonês. — Stive soltou o corpo menor com brusquidão, derrubando Kyle e chutando os pertences que caíram da mochila do garoto, espalhando canetas e livros pelo caminho.
Kyle tentou pegar o celular, mas teve a mão praticamente esmagada pelo pé de Stive, engolindo um gemido dolorido. Não daria esse gostinho a eles.
— Nada disso, anão. — Stive voltou a erguê-lo pelas golas do casaco, começando a arrastá-lo pelo corredor vazio. — Você vai aprender a ficar de boca fechada. — Ameaçou quando alcançaram a saída. O beco ao lado do colégio, era de longe o local favorito para cenas como aquela.
Kyle foi mais uma vez empurrado, mas os outros dois garotos o seguraram de maneira covarde pelos braços. Amassando seu melhor casaco!
— O que eu faço com você, Ogawa? — Stive segurou os cabelos negros do menor e fez questão de puxá-los até ouvi-lo gemer. — Olha só que gracinha quando 'tá gemendo… — Debochou cheio de escárnio. Os dedos marcaram as faces pálidas e redondas com tons vermelhos ao estapeá-las.
— Anda logo com isso, Stive! — Um dos garotos apressou, olhando ao redor em preocupação.
O que veio depois foi um soco no estômago. As pernas fraquejaram e o ar abandonou de forma dolorosa os pulmões, fazendo-o querer dobrar o corpo e se ajoelhar. Estava apanhando por cumprir com o papel de Líder de Turma e delatar aqueles três por levarem cigarros e bebidas na aula. Foi incapaz de expressar a dor, os olhos se apertaram e perderam o momento em que certo loiro se aproximou sorrateiro.
Quando o punho de Stive estava a centímetros do rosto de Kyle, a mão do agressor foi segurada por uma ainda mais forte e foi apenas o tempo de Bruce puxá-lo para trás e segurá-lo pelos cabelos curtos, bem rentes à raiz.
Bruce Riley era ainda mais delicado do que Stive Seymour.
— Merda… — Um dos que seguravam Kyle murmurou. O que diabos aquele cara estava fazendo no colégio depois da aula? Ele geralmente corria como o diabo fugia da cruz, assim que o sinal soava.
— Isso não tem nada a ver com você. — Stive soltou por entredentes. Sentia que o couro cabeludo poderia ser arrancado se o loiro fizesse um pouco mais de força.
— Claro que não tem. — Bruce comentou sem emoção. — Eu sou apenas um menino mau e vim só pra estragar a diversão de vocês. — Rolou os olhos e suspirou, lançando em seguida um olhar a Kyle, avaliando rapidamente o estado do pequeno e se enfurecendo ainda mais ao ver sangue nos lábios e o rosto marcado. — 'Tão esperando o quê? Se afastem. Devagar. — Era claramente uma ordem, embora o tom sarcástico estivesse presente em cada fala. Estava justamente esperando o japonês para irem juntos para casa – mesmo que Kyle insistisse em ir sozinho –, quando voltou para beber água, e encontrou apenas a mochila jogada no corredor, tendo a certeza de que aquilo só podia ter o dedo podre dos três maiores embustes do colégio.
Os dois garotos se entreolharam com desconfiança e soltaram o japonês que quase foi ao chão. Kyle só não caiu porque era orgulhoso demais para sofrer outra das tantas humilhações. Estava com os olhos apertados e o corpo dolorido que se apoiou na parede sem reboco.
— Agora, Seymour, você vai se desculpar com o Ogawa. Vai pedir perdão… — Falou de maneira calma. Uma calma que não sentia no momento. — E vai se ajoelhar de maneira bonitinha e comportada.
— Nem nos seus sonhos. — Stive rosnou e tentou acertar o cotovelo no estômago de Bruce, mas o loiro foi rápido e segurou o braço às costas do outro, apertando-o com força, a mesma intensidade com a qual os dedos se prendiam nos fios castanhos e arrepiados. — Filho da puta!
— Ofender a mãe é algo tão ultrapassado… — Bruce suspirou uma segunda vez, contrastando com os atos seguintes. Não esperou por uma reclamação ou resposta atravessada, chutou a parte de trás dos joelhos dele e, quando Stive caiu de quatro no chão, ele pisou com o coturno gasto e pesado sobre o rosto raivoso ao empurrá-lo contra a terra. — Eu disse, que você vai pedir perdão ao Ogawa, e é exatamente isso o que você vai fazer.
Allen e Blake, os dois garotos que completavam o trio, até se moveram para ajudar Stive, mas Dante apareceu e se escorou na parede cheia de pichações, sorrindo de maneira ameaçadora. Certo, era o melhor aviso de: não mexa comigo que já haviam ganhado. E não era como se fossem idiotas a ponto de também desejarem apanhar.
— Bruce… — Kyle chamou quando recuperou o ar. — Não precisa. — E não havia necessidade em fazer com que o outro também fosse humilhado, ao menos em sua visão não distorcida das coisas. Mas falar com Bruce quando ele estava zangado, era o mesmo que falar com uma porta. E como esperado, foi prontamente ignorado.
— Eu 'tô esperando, Seymour. — Olhou falsamente para um relógio de pulso imaginário, bocejando em seguida. — Mas sabe, eu tenho o dia todo. — Moveu o pé sobre o rosto já vermelho do outro. — Eu posso quebrar alguns dentes ou os seus dedos, eu deixo você escolher. — E para dar mais ênfase a ameaça, segurou um dos braços às costas de Stive, contando os dedos de maneira despreocupada.
Stive engoliu todo o orgulho e a vontade de matar Kyle Ogawa. Havia esquecido de que o japonês era o namoradinho de Bruce e agora só restava cumprir a ordem daquele desgraçado, já que prezava os dentes e os dedos.
— Pe-Perdão… — Fechou os olhos e controlou a língua para não soltar uma dúzia de palavrões.
— Perdão por eu ser um bastardo covarde, senhor Ogawa. — Bruce cantarolou. — Anda, em voz alta.
Dante balançou a cabeça enquanto acendia um cigarro. Bruce era bom naquilo de humilhar, ele sempre conseguia o resultado desejado e, bem, ele gostava de assistir, já que não tinha talento ou paciência para coisas do tipo.
— Eu não vou—
— Não vai o quê? — Bruce cortou a reclamação, pressionando mais o pé contra a lateral do rosto já maltratado e dobrando o dedo indicador de maneira dolorosa para trás.
— Perdão…! Perdão por eu… Eu ser um bastardo covarde, senhor… — Stive comprimiu os lábios e sentiu o gosto de sangue e terra ao morder a parte interna da bochecha. Era simplesmente a pior humilhação pela qual já havia passado. — Senhor Ogawa.
— Bom menino, Seymour. — Bruce sorriu de maneira falsa ao retirar o pé do rosto de Stive, puxando-o pelo cabelo uma segunda vez. — Pense nisso aqui como um aviso. Se eu te pegar a dez metros do Kyle, um pedido de perdão não vai livrar essa tua cara feia de mim. — E para reforçar o aviso, o punho delicadamente pousou no nariz no nariz de Stive. — Uma lembrança. — Zombou ao ouvi-lo gritar. Que escândalo, nem sequer havia usado força para quebrar algum osso. Era um cara bonzinho no fim das contas.
— Bruce... — Kyle voltou a chamar, mas dessa vez, segurou o braço do loiro. — Deixa ele.
— Some. — Bruce rosnou, soltando Stive de maneira brusca. Os três fizeram exatamente o que havia mandado; sumiram de suas vistas – não sem a ajuda de Dante, que fez questão de chutar Allen e Blake quando os garotos passaram por ele. Um bando de covardes! — Você é mole demais. — Puxou Kyle para um abraço. Não sabia se brigava ou se ficava preocupado. Qual é? Ter pena de gente que não valia o chão que pisava...
— Desse jeito é você quem vai me matar… — Kyle resmungou, mas somente porque reclamar era de praxe, não havia nada de errado com aquele abraço. Aqueles braços em volta de seu corpo e o cheiro almiscarado do perfume misturado ao de cigarro, eram reconfortantes depois de levar uma surra.
— Deixa eu ver. — Bruce se afastou e espalmou as mãos no rosto redondo do japonês, praguejando ao ver o lábio inchado e os vergões marcados em cada uma das bochechas.
— Eu 'tô bem. — Repetiria aquela frase até que o mais velho acreditasse, pois sabia que Bruce não havia feito nem metade do que desejava com aqueles três e não queria que ele fosse atrás de mais confusão. — Só um pouco dolorido. É sério.
— Eu disse, mole demais. — Bruce voltou a abraçá-lo e beijou o topo da cabeça morena. — Vem, vamos pegar as suas coisas. Eu vou te levar pra casa. — Passou o braço pelo ombros de Kyle, caminhando para a calçada e sendo seguido por Dante.
— Eu não preciso mesmo de um guarda-costas...
Bruce o olhou de esguelha e continuou caminhando. Tinha umas ideias bem legais sobre essa coisa de guarda-costas, e esperaria para contar quando chegassem em casa.
♡
— Sabe, tem uma data bem especial chegando…
O picolé azul ia derreter caso ficasse mais alguns momentos sob o sol, mas Samuel importava-se mais em observar o amigo do que com um picolé derretido a sujar os dedos. Estavam no caminho de volta para casa, lentos e apreciativos da tarde ensolarada e da companhia um do outro.
— Não sei. Não lembro. — Edward respondeu, vendo certa frustração no rosto do ruivo. Sempre que aquela data se aproximava, Sam começava com os mistérios e os rodeios acerca do dia especial. — Ah, é sobre o jogo? É, 'tá chegando. — E sim, ele estava empolgado com essa parte.
— Claro… O jogo… — Não que Sam não estivesse animado com a possibilidade de o melhor amigo e colegas de escola, ganharem aquela partida que era tão especial para eles, mas havia uma outra data no meio do caminho. E Edward andava ocupado nos últimos dias, e talvez por isso não tivesse associado suas palavras com o que realmente gostaria. — Mas isso não te lembra mais nada? — Tentou uma segunda vez, exibindo o aparelho em um sorriso brilhante de incentivo.
— Não, no momento eu não me lembro de mais nada. — Edward deu de ombros e jogou o palito do picolé na lixeira. Era a primeira vez que fingia se esquecer do aniversário do melhor amigo. Não era um bom ator, mas parecia estar se saindo bem, visto a expressão cabisbaixa de Sam. E ele aguentaria aquela decepção estampada no rosto avermelhado de sardas, pois no fim, era apenas uma distração sobre a festa surpresa que estava preparando. — Hey, você conhece?
O casarão da rua de baixo estava movimentado naquela tarde. Um caminhão de mudança de uma famosa companhia estava estacionado em frente a mansão, vários homens de uniforme levavam os pertences dos novos moradores em carrinhos de ferro pela rampa. Não era a coisa mais interessante do mundo, mas era caminho do colégio para a casa e a curiosidade sobre os recém-chegados à cidade, fez com que ambos parassem para observar.
— É o garoto de hoje de manhã. — Sam comentou ao avistar um rapaz de braços cruzados e expressão de desagrado. — Parece que vai estudar no nosso colégio. — Ele reconheceu os fios longos e castanhos. Lembrava-se de Dante conversando com ele no corredor. — Mas é sério que não se lembra mesmo de nenhuma outra data, Eddie? — Retomou o assunto, insistente. Estava curioso sobre o novo “vizinho”, mas estava prestes a fazer uma transmissão de pensamentos para que o moreno se lembrasse. Não queria presentes, somente a companhia do Logan e claro, de um abraço e palavras de carinho sobre ficar um ano mais velho.
— Não, Mackenzie, eu não me lembro. — Os olhos azuis rolaram nas órbitas. Samuel não diria com todas as letras, ficaria o rodeando e tentando fazê-lo se lembrar. Era divertido, embora uma pontinha de pena o atingisse quando os olhos negros se desviavam e ele se frustrava.
— Insensível! — Sam acusou ao esticar um bico chateado nos lábios e empurrar o amigo pelos ombros. Como ele podia esquecer? Não era todo dia que se fazia dezessete anos, poxa.
E era ali que eles se despediam.
Infelizmente.
Edward não morava longe, mas não era como se pudesse correr para a casa dele sempre que sentisse saudades, já que ele ainda nem havia ido embora e já se sentia saudoso. Também tinha o pai que não aprovava aquela amizade.
— Me liga. — Sam ditou ao apertar os dedos nas alças da mochila.
— Quer que eu mande uma carta? — Edward zombou, mas Sam estava com aquela cara. Aquela que o deixava a um passo de afagar os fios vermelhos e puxá-lo para um abraço.
— Quero ouvir a sua voz. Carta não serve. — Novamente o bico, mas acompanhado das bochechas coradas pela sinceridade.
E até mesmo o Logan sentia as orelhas esquentarem com aquela falta de tato do Mackenzie.
— Vou pensar no seu caso. — Ele acenou antes de dar as costas ao amigo e seguir reto até o fim da rua.
Sam suspirou ao ver a silhueta de Eddie virar a esquina e sumir de seu campo de visão. Ainda estava chateado pela falta de atenção ao seu aniversário, mas quem sabe o amigo não o surpreendia com um programa a dois na data especial?
Era muito mais reconfortante pensar assim.
♡
— Nós somos vizinhos…
Kyle resmungou assim que passaram pela porta da casa do loiro. O pulso estava preso pela mão de Bruce que o guiava pela sala, rumo às escadas.
— Sério? — Bruce respondeu com ironia. — Mas a minha casa 'tá vazia. Ninguém vai incomodar.
— Incomodar?
— É, japonês, incomodar. — Bruce o soltou e retirou a jaqueta quando chegaram ao quarto, jogando os cigarros e o isqueiro sobre a cômoda. — Precisa de ajuda? — Mas não esperou resposta quando se aproximou e puxou o casaco pesado de Kyle pelos ombros.
— Não, eu não preciso de ajuda. — Os olhos puxados se estreitaram quando a barra do suéter foi puxada para cima. — É só aqui, não tem nada aí embaixo. — Segurou as mãos do loiro, mas suspirou quando ele puxou a peça de roupa sem se importar.
— Caramba, Kyle! Vestiu o guarda-roupa inteiro? — Exclamou ao encontrar mais uma blusa pelo caminho que o outro se recusou a tirar. Ele só queria ajudar.
— Você sabe que eu tenho muito frio. — Kyle deu de ombros, mas acabou sorrindo ao ver a expressão frustrada de Bruce e decidiu provocá-lo. — Cuida daqui. — O indicador se posicionou nos lábios ao fazer bico. — 'Tá doendo.
Bruce ergueu as sobrancelhas ao ouvir aquilo, ficando momentaneamente sem reação. Era um avanço, era isso mesmo? Kyle Ogawa estava pedindo um beijo ou ele estava fantasiando?
— Eu não vou cuidar só daqui… — Não conseguiu evitar o tom malicioso ao tocar o lábio inferior com o polegar, sorrindo daquele jeito descarado que, ele sabia, Kyle adorava, embora ele jamais fosse admitir.
— E pra isso você precisa de antisséptico e algodão. — Kyle se afastou, dando as costas ao loiro e se encarando no espelho do guarda-roupas, ouvindo Bruce resmungar.
— Você devia ser acusado por tortura, sabia? — Bruce exclamou, contrariado ao caminhar até o banheiro, voltando de lá com o que precisava para cuidar dos lábios que queria, antes de mais nada, beijar. — Vem cá. — Sentou na beirada da cama e bateu ao lado no colchão, esperando que ele se sentasse ali, mas para sua surpresa, Kyle se sentou em seu colo de um jeitinho comportado. — Você 'tá provocando, Ogawa...
— Pensei que quisesse cuidar de mim. — Kyle soou inocente e passou um braço pelos ombros do loiro. — Mas você fica aí, pensando besteira.
— Eu 'tô tentando não pensar besteira, mas você não colabora. — Bruce começou a limpar o ferimento no canto dos lábios avermelhados e inchados, sorrindo quando ele fechou os olhos.
— Mãos de fada. — Kyle debochou, mas não era mentira. Logo aquelas mãos que estavam sempre prontas para quebrar alguns narizes por aí, conseguiam sim ser suaves quando ele o tocava.
— Abusado… — Bruce resmungou e, no minuto seguinte, Kyle estava preso entre seu corpo e o colchão. As mãos subiram as mangas da blusa e encontraram marcas vermelhas nos pulsos. — Aqueles desgraçados!
— Eles não vão mais mexer comigo. — Kyke suspirou. — Fica tranquilo. — E não, ele não se preocupava com aquele trio. Talvez não tivesse muito senso de autopreservação.
— E como sabe? — O rosto se escondeu na curva do pescoço de Kyle enquanto os dedos faziam suaves carícias nos pulsos magoados.
— Eu sei. — Uma das mãos se soltou e foi até os cabelos dourados e rebeldes de Bruce, prendendo os dedos nos fios. — Um cara que sempre entra em confusão e tem uma péssima conduta, deu um jeito pra mim.
— Eu conheço esse cara. — Bruce entrou na brincadeira, apoiando-se no cotovelo e encarando os olhos negros e puxados de cima. — Bonitão, inteligente e sexy.
— Inteligente? Sexy? Bonitão? — Kyle foi enumerando e franzindo o cenho. Estavam falando de quem mesmo? — Definitivamente, não é a mesma pessoa. Ele é bonitinho, mas é burro feito uma porta e… Sexy? Acho que não.
— Filho da puta. — Bruce apertou o nariz do japonês até ouvi-lo reclamar. — Fica aí de cu doce, mas todo mundo sabe que me ama. — Soou convencido.
— Nem nos seus sonhos. — Kyle deu um jeito de empurrar o loiro para o lado, sentindo o alívio de poder respirar sem aquele peso todo. Os olhos vagaram pelas paredes cheias de desenho e pôsteres e foi obrigado a sorrir da foto ridícula que Bruce tinha em um mural da vergonha. — Obrigado. — Foi bem baixinho, mas com o movimento ao lado, foi suficiente para saber que tinha se feito ouvir. — Se disser alguma coisa...
— Eu só queria ouvir você dizer: Obrigado, senhor Riley, por salvar o meu traseiro. — Não era pedir muito, era? E quando foi acertado por uma almofada, percebeu que talvez fosse sim, pedir muito.
— Você fica com um ar inteligente e sexy quando não abre essa boca pra ferir os meus ouvidos. — Usou os cotovelos como apoio para se debruçar e encostar os lábios doloridos aos de Bruce. — Cada um tem o herói que merece. — Um suspiro dramático e um rolar de olhos fizeram o loiro sorrir.
Um agradecimento, um elogio e um beijo... Quem era aquele garoto e o que tinha feito com Kyle Ogawa?
De qualquer forma, Bruce preferia aquela versão mais dócil.
E não esperou que ele reclamasse ou desse um jeito de escapar, o segurou pela nuca e o beijou de maneira mais apropriada para a situação. Era um herói, afinal.
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