Uma Dose de Clichê

10 ♡ 10 "Sobre convites e pedidos inesperados"


Notas iniciais
Demorei um pouquinho, mas chegay! Tudo bem com vocês? Eu espero muito que sim! Bom, vamos aos agradecimentos: Agradeço a todos que estão lendo, acompanhando e que favoritaram ♥ E aos que comentaram no capítulo passado; Monna, LadyYuro, Deby Costa, Babissf, GabiSan, sabrinavilanova, Yaoi, Nilla e a Babs que sempre me apoia e surta comigo e que betou o capítulo ♥ 'Cêis são demais! Espero que gostem do capítulo! Boa leitura.

10 — Sobre convites e pedidos inesperados

— O que você quer de aniversário?

Sentados no sofá velho disposto na garagem, os dois garotos observavam o entediante bairro sem nenhum novo acontecimento. Já estavam ali há horas, mas não pareciam muito inclinados a desgrudarem o traseiro do antigo estofado e ir viver a vida. Nem mesmo Bruce Riley havia externado essa vontade, o que era, de fato, um milagre.

— Nossa! — Os olhos castanhos rolaram nas órbitas ao exclamar de maneira debochada. — Você é péssimo nisso. — Acusou ao empurrá-lo com o pé mais para o canto. — Imagino você fazendo segredo sobre pedir alguém em namoro…

Kyle, que antes já havia espantado o pé do loiro para longe, parou a próxima “agressão” para observar melhor a expressão do idiota o qual se dizia seu amigo.

— Ia ser um desastre. — E ainda debochando, Bruce desatou a rir.

Mas era mesmo um idiota.

— Claro, porque é bem a minha cara pedir alguém em namoro. — O mau humor ácido despontando na fala. — Mas e você?

— Eu o quê? — Bruce endireitou a postura ao puxar as pernas e olhou desconfiado o rosto redondo do japonês. — Nada a ver. Isso nem combina comigo! — Deixou logo claro que não pediria ninguém em namoro. Ao menos…

— Eu te imagino jogado aos meus pés e me implorando pra namorar com você. — Kyle agora quem implicava. Era divertido, oras!

— Quê?! — O cenho de Bruce nunca esteve tão franzido como naquele momento. Ele tinha ouvido direito? Quanta pretensão!

— Por que a surpresa? Parece fiel à realidade. — As pernas foram jogadas sobre as do loiro de maneira preguiçosa, mas logo foram também dispensadas. E antes de todo esse afeto, fizeram guerra de batatas e havia migalhas do alimento espalhadas pelas roupas e cabelos de ambos.

— Eu tinha era que ter bebido muito pra te pedir algo assim. — O cenho continuava franzido, mas havia um brilho de curiosidade nos olhos. — Mas qual seria a sua resposta? — Só para saber mesmo.

— Hipoteticamente? — Era óbvio que tudo não passaria de uma hipótese hipotética.

— Isso. Essa palavra complicada aí.

— Bom, se eu também tivesse bebido, algo que jamais ia acontecer, talvez eu aceitasse. Mas não ia valer, né? Já que os dois estariam sob o efeito do álcool… — Suspirou de forma dramática.

Bruce bagunçou os cabelos antes de deitar a cabeça no encosto do sofá e encarar os pôsteres dos filmes que estavam colados na parede há mais de anos. Certo, de maneira hipotética também não daria muito certo. Não que quisessem algo assim, claro.

— Mas e o presente? — Kyle insistiu ao se erguer e se espreguiçar. Estava escurecendo e eles jogando conversa na garagem da casa do loiro.

— Sei lá. Você devia ser como o bonitão aqui. — Bruce fez questão de ressaltar o adjetivo perfeito para ele. — Eu nunca pergunto o que você quer, mas sempre acerto no presente. — Tinha muita confiança naquela fala, mas ela se perdeu quando os olhos puxados encontram os seus castanhos. — Que foi?

— No ano passado, você me deu um cachecol da Sonserina. — E precisava falar mais?

— Ah… O verde… — A fala de quem precisou puxar pela memória, fez Kyle bufar. Oras, ele não era o mais entendido no universo de Harry Potter ou qualquer outra fantasia épica, mas ele tentava. Isso já devia valer alguns pontos extras. — Mas depois eu fui trocar e deu tudo certo. E olha! — Se ergueu também e cruzou os braços, indo para o portão se escorar no batente. — Eu só te dou presente bacana, 'cê não pode reclamar das minhas ideias.

É… Kyle não reclamaria dos presentes. Em verdade, Bruce não podia ver algo que lembrasse o japonês, pois não se aguentava e acabava comprando para presenteá-lo. Tinha uma coleção interessante de bonecos, livros e até pijamas. Não havia, de fato, o que reclamar, embora ele sempre encontrasse um espaço para irritar o loiro com as escolhas dos agrados.

— Me dá o que você quiser. O que a sua consciência permitir.

Os olhos puxados se estreitaram com aquela alfinetada. Ele a havia entendido muito bem e, talvez, Bruce quisesse voltar atrás com as palavras.

— Acabou de me chamar de sovina. — Uma das sobrancelhas se ergueu, escondendo-se na franja lisa.

— Eu não pensei exatamente nessa palavra. — Bruce encolheu os ombros, olhando o baixinho com o canto dos olhos. Ele era uma graça quando se zangava.

— Só porque ela nem existe no seu vocabulário. — Kyle retrucou. — Deve ter pensado em “pão duro” ou “mesquinho” e… — Ele interrompeu a fala quando o mais velho imitou o som de uma vaca. Quase dezoito anos e era tão infantil!

— Foi mal, mas você sabe, gastar não é mesmo com você. — Talvez ele só estivesse piorando a situação. — E eu não ligo com essa coisa de presente. Se você me der um par de meias, vai ser bem útil.

— Eu juro que não sei o motivo de mantermos tanto contato. — Kyle suspirou. — Eu sinto que você faz o meu QI diminuir de uma forma assustadora.

— Tem uma lista com “10 Motivos Para Amar Bruce Riley” lá no meu quarto. — Um sorrisinho presunçoso ergueu os lábios.

— Todos os motivos não são válidos e não se aplicam a minha pessoa, mas discutir com você… Não, fora de questão. — Os sapatos foram alcançados e ele caminhou para a entrada.

— A gente se vê depois? Sabe, se eu acidentalmente pular a sua janela no meio da noite...

— Que bom que você avisou sobre esse terrível acidente. — Kyle ironizou. — Vou deixar a janela bem fechada. — Falou mais alto, preocupando-se pouco com quem estava ouvindo.

— A gente podia ser assim também…

A fala de Sam atraiu os olhos azuis de Edward. Os dois tinham resolvido dar uma volta de bicicleta no bairro e agora estavam sentados em frente a casa do ruivo. E tudo bem, afinal, o pai do Mackenzie estava no trabalho.

— Assim? Brigando o tempo todo? — Os azuis retornaram aos vizinhos do amigo. Certo, um deles era seu amigo também, já que mantinha uma aproximação bacana com o Ogawa, mas o loiro… Ele dispensava. E no momento, aqueles dois pareciam brigar, como era de costume, já que viviam de farpas um com o outro.

— Não, não é isso. — Sam sorriu ao ver os vizinhos naquela velha implicância. Bruce segurava os sapatos de Kyle no alto e o japonês se recusava a pular para conseguir alcançá-los. Eram bonitinhos até.

— Quer que eu salte a sua janela no meio da noite, é isso? — Edward tentou entender a comparação ridícula. Não eram como aqueles dois por vários motivos e nem seriam.

As orelhas de Sam coraram com a pergunta. Ela teria uma resposta positiva, afinal, não se importaria se o melhor amigo quisesse invadir seu quarto na hora de dormir, embora não ficasse pensando sobre o assunto ou acabaria se atrapalhando e os deixando em uma situação desconfortável com o tanto de bobagens românticas que rondavam a mente.

— Prefiro entrar pela porta da frente, obrigado. — Sequer se imaginava tendo que saltar janelas. O Mackenzie tinha cada ideia.

— Que bom que você não entendeu. — Sam deixou um sorrisinho disfarçar o tom cabisbaixo. Era como naqueles clichês os quais o amigo amava o outro em segredo, mas a vida real era tão completamente oposta das coisas que lia. Infelizmente.

— Talvez se você não falasse meias palavras, eu conseguiria entender. — O moreno retrucou, mas não era como se não estivesse acostumado com o jeitinho do ruivo. — De qualquer forma, eu prefiro que a gente continue sempre assim.

— Sempre? Sem mudar nada? — Sondou ao morder o lábio inferior. Pobre coração acelerado e bobo.

— Não consigo pensar em algo pra mudar. — Edward pareceu buscar por algum detalhe que o desagradava, mas não, não chegaria a uma resposta. Estava bom assim. — Você mudaria alguma coisa? — Apoiou-se no cotovelo e encarou o rosto sardento do amigo de forma incisiva.

Sim. Samuel mudaria alguns detalhes, mas não era como se pudesse externar aquelas vontades. Edward era o único com quem conversava e tinha a liberdade para dizer tudo, mas justamente aquele assunto, não poderia ser partilhado com ele. Talvez fosse isso o que o vinha incomodando tanto, não ter confiança para falar com alguém sobre os assuntos do coração. Havia Mariah, a amiga que era super a favor de ele se declarar, mas ele não havia contado nada a ela. No fim, só mesmo Edward não percebia como se sentia em relação a ele.

— Não. — Respondeu após receber um peteleco na orelha e fugir daquela mão intrusa. Tinha se perdido em pensamentos mais uma vez. — Eu também gosto de como é. Mesmo você sendo um bobo.

— Eu ainda vou descobrir o motivo de você me chamar de bobo. — Era uma acusação tão falsa aquela. De bobo, ele não tinha nada.

— Eu 'tô doido pra esse dia chegar. — Sam suspirou ao deitar-se também na grama e apreciar o restinho do fim de tarde antes de ter que entrar e se despedir de Edward.

— Coitado desse garoto.

O comentário de Bruce fez Kyle realmente sentir pena do aluno novo que o professor ainda apresentava frente a classe. Pobre menino rico…

Miles Turner havia acabado de pisar naquela sala e já queria fugir dali o mais rápido possível. Eles eram tão diferentes dos outros garotos com os quais estava acostumado. O pai, definitivamente, não sabia onde estava colocando o filho. Filho único e o bem mais precioso, diga-se de passagem.

— Pode se sentar ali, Miles. — O professor indicou uma mesa livre que, há poucos minutos, não estava livre. Não antes de certo aluno dar um jeito de espantar o colega para outra fila. — E seja bem-vindo. Esperamos que sua estadia nessa turma seja agradável e que lhe traga muito conhecimento.

Agradável e conhecimento… Oh, sim! Claro! Miles já podia prever o que aquela turma traria e em nada tinha a ver com aprendizado e momentos bons.

Com cara de poucos amigos, ele caminhou até o lugar indicado, mas sem prestar atenção no vizinho de mesa. E seria uma tarefa fácil de cumprir se tão logo não tivesse colocado a bolsa sobre a mesa, um irritante e incisivo olhar não chamasse sua atenção.

— Menino bonito! — O sussurro foi ainda mais irritante que ter um olhar de maníaco a seguir seus movimentos.

Miles ignorou a existência estúpida daquele garoto esquisito e buscou pelo livro de geografia. Já que o pai insistira naquela porcaria de castigo, ele não teria outra opção a não ser estudar e manter as boas notas. Notas que, com certeza, o idiota ao lado não possuía.

E o idiota em questão, estava com os cotovelos sobre a mesa e o olhar contemplativo em direção ao aluno novo.

Miles Turner…!

Aquele nome deveria ser um elogio! Onde é que já se viu, alguém ser tão bonito como aquele garoto? A maneira como os fios lisos e longos caiam para frente e a cor incrível daqueles olhos que eram uma mistura entre verde e azul, era como apreciar uma pintura. Não que ele fosse um amante das artes, mas aquele rosto, seria maravilhoso em uma tela.

E aquele jeitinho arredio era um charme, mesmo que Bruce dissesse que ele era meio masoquista por apreciar ser “destratado” pelo garoto o qual tinha interesse. Claro, como se Kyle o tratasse a pão de ló.

Decidiu rabiscar um bilhete e jogou na mesa do colega.

Se Miles não fosse tão curioso, ele jamais teria se dado ao interesse de fuçar qualquer coisa que viesse do Tim Burton mirim, mas quando se deu conta, já lia e torcia os lábios para a letra aceitável no pedaço de papel.

— Que ridículo… — Sussurrou ao franzir o cenho. — Nem morto, seu esquisito. — Amassou o bilhete e o devolveu ao dono. Tinha deixado bem claro que não permitiria nenhuma brincadeira ou ideia maluca daquele folgado e sem noção.

Dante sorriu ao receber o carinho do colega de turma e sequer prestou atenção nas aulas, mas mostrou-se muito animado quando o sinal do intervalo soou, sendo um dos primeiros a se erguer.

— Vem comigo pra eu te comer! — De todas as frases pensadas, aquela, definitivamente, foi de longe a pior. — Não! Vem comigo pra gente comer! — Ao menos ele tentou corrigir. — Sentar na mesma mesa, conversar, essas coisas.

Miles nunca pareceu tão chocado com um convite. Aquele doido tinha falado o quê sobre comer quem? Ah, pronto! Seria perseguido por um canibal, agora.

— De você, eu vou manter distância. — Ele se ergueu após o choque inicial.

— Que implicância, senhor Turner. — Dante ironizou o pronome de tratamento. O garoto era tão absurdamente bonito e engomado, que a maior vontade que sentiu foi bagunçar os cabelos repartidos ao meio e arrancar aquela blusa jogada sobre os ombros de um jeitinho adorável. Ele parecia ter saído do século passado e trazido o charme dos mocinhos dos romances de época. — Seria legal se você se entrosasse com o resto da turma. Eu só 'tô sendo um amigo bacana e te poupando do trabalho de fazer amizade.

— Eu te livro desse cargo pesado. — Uma das sobrancelhas se arqueou ao novamente, analisar o porte do outro garoto. Esquisito era uma palavra que combinava perfeitamente com ele. — Não preciso da sua ajuda e nós não somos amigos. — Precisava ser mais claro que aquilo? Esperava que não.

— Você não vai sair? — Dante indicou a porta, achando estranho aquele fato, mas pouco importando-se com as falas anteriores. — Vai ficar aqui? Na sala? — Decidiu perguntar ao não obter resposta.

Era uma ótima ideia aquela! Miles abriu um livro sobre a mesa e arqueou as sobrancelhas. Não devia existir, naquela escola, criatura mais inconveniente e sem noção que aquele garoto.

— Algum problema? Não vi nenhum aviso proibindo isso. — Era só o que faltava! Era livre para ficar onde quisesse. Mesmo enfiado em uma sala vazia, amaldiçoando o destino trágico naquele colégio.

— Que antissocial… — Dante lamentou, embora esse detalhe, não tirasse parte do charme do menino bonito, só o deixava ainda mais interessante.

— Estou tentando evitar pessoas como você.

— Que pena, não é? — O tom debochado surgiu de maneira teatral ao puxar uma cadeira e sentar-se frente ao colega. — Porque como não existe nenhuma proibição sobre passar o intervalo dentro da sala, pensei melhor e vou ficar aqui também. — Ao menos ele era uma bela companhia.

Uma companhia que acreditava, fielmente, que não havia ser humano mais cara de pau na face da Terra. O melhor a se fazer, era mesmo ignorar aquele show de inconveniência.

O silêncio era agradável, mas não durou nem mesmo cinco segundos.

Dante era inquieto.

— Tá lendo o quê? — Ele se debruçou sobre a mesa do colega, espichando os olhos sobre a leitura tão concentrada, mas recebeu somente uma resposta ácida.

— Não é da sua conta.

— Ah, qual é? Eu não sou muito de ler, mas parece ser interessante. — E só lia porque era obrigado e se formar no ensino médio, ainda era umas das primeiras coisas em sua lista rumo a vida madura e adulta. — Você 'tá aí todo concentrado. Deixa eu ver.

As mãos intrusas tentaram furtar o livro e acabaram derrubando a mochila de Miles. A mochila que espalhou umas coisas bem interessantes pelo chão da classe.

— Eu 'tô bem surpreso… — Dante cantarolou, exibindo um sorriso cínico ao pegar um dos volumes de uma característica revista. — Isso aqui é—

— São mangás! — Miles sentia até mesmo as orelhas corarem em vergonha e raiva. Que belo dia para viver aquele! — E você 'tá amassando, seu idiota! — Ele recuperou os pertences e os guardou prontamente de volta à mochila. O coração até mesmo estava acelerado. Porcaria.

— É, mas são aqueles mangás +18. — Dante precisou fazer aquela observação. Tinha visto claramente algumas páginas mais animadas e até mesmo as capas. Quem diria… — Olha, eu não 'tô aqui pra te condenar nem nada parecido. — O sorriso continuava ali, irritante. — Se você precisar de alguém pra reproduzir algumas cenas, pode contar comigo. — Ele era um bom colega e estava mais que disposto a ajudá-lo naquela parte. — Ah, eu acho que ainda não me apresentei.

Os olhos claros de Miles, nunca estiveram tão desacreditados como naquele momento. Ele não queria saber nomes. Não queria estudar naquele colégio de bairro e muito menos manter contato com aquele garoto maluco e pervertido, mas não externou a objeção, até porque, era óbvio que de nada adiantaria.

— Eu sou Dante Morgan e o convite pra gente ir comer, ainda 'tá de pé. — Ou para fazer o mesmo que os personagens dos mangás estavam fazendo dentro daquela mochila.

— É sério isso?

As sobrancelhas finas de Mariah Ortega estavam arqueadas naquela surpresa teatral. Ela quase se compadecia ao ver o estado de um dos melhores amigos. Dava uma peninha em ver Samuel tão cabisbaixo por acreditar que Edward havia esquecido daquela data tão importante, mas continuaria fingindo que não sabia de nada a respeito da festa surpresa. Uma festa surpresa junto a certo loiro rebelde.

— Mas olha, ao menos você pode pedir qualquer coisa de presente, né? — O tom soou malicioso junto ao sorriso que ela dispensou ao ruivo. Ele era tão fofo quando corava. — Vai poder pedir aquilo

— Aquilo!? — Sam espantou-se ao pensar justamente naquilo. Não era como se não viesse pensando já há algum tempo, mas pedir algo assim ao Logan, parecia um tanto demais. — Eu só acho que você não é muito sensata as vezes. — Ele moveu a comida com o garfo de plástico e suspirou. Mariah era uma companhia muito agradável, mas tão maluquinha e com ideias ainda mais malucas.

— Eu sou realista, Sam. Qual é? Não vai custar nada se você pedir. — Incentivou com um novo sorriso.

— Só a minha amizade. Só isso. — Ele suspirou novamente, abandonando a vontade de continuar a comer.

Edward havia sumido com o Kyle e parecia que Bruce também não estava muito feliz com isso. O loiro mal encarado se aproximou da mesa onde os colegas estavam e puxou uma cadeira com o pé, sentando de maneira desleixada.

— Você não acha, Bruce? — Mariah soltou ao encarar o mais velho, mas recebeu um beliscão de Sam por baixo da mesa.

Que linguaruda ela era!

— Eu nem sei mais o que eu acho… — Bruce apoiou os cotovelos na mesa e pegou um palito de dentes, simulando que era um cigarro. Aquela coisa de boa conduta, era mais difícil do que a palavra fazia parecer.

— Eu 'tô tentando convencer esse ruivo aqui — Novamente outro beliscão, mas tudo bem, ela não se importava. —, de pedir um presente especial pro bonitão de olhos azuis. — Os olhos piscaram de maneira inocente ao fim da fala.

Sam estava terrivelmente corado com as falas da amiga. Amigos, no fim, serviam mesmo era para deixá-lo constrangido.

— O bonitão de olhos azuis, é tipo uma porta. — Bruce furtou um bolinho doce que estava na bandeja quase intocada de Sam. Comer era sempre o melhor remédio. — Nem se você desenhar ele vai entender.

— Ele não é uma porta! — Sam resmungou, sentindo-se ofendido pelo amigo ausente.

— Ele só é lerdo mesmo. — Mariah rolou os olhos. Sam defenderia o moreno com unhas e dentes, mas isso não os impediria de implicar. — É tipo o Kyle. E você também devia pedir algo especial no seu aniversário... — Ela quase assobiou ao fim da fala, principalmente ao conseguir a atenção de certo loiro emburrado.

Bruce dedicou um olhar estreito a garota de cabelos chanel e olhos azulados. Lembrava-se da primeira vez que tinham se encontrado, ele tentou defendê-la de uma briga com umas meninas mais velhas, mas, no fim, acabou apanhando por supor que ela precisava ser defendida. Mariah era daquelas que não precisavam de um herói. Ela era o próprio herói.

Mas isso não garantia a ela nenhum direito de falar sobre o Ogawa, por mais que Bruce a admirasse.

— Não dá nem pra comparar um com o outro. — Que blasfêmia colocar o Kyle ao lado do idiota do Logan. Nada a ver.

— Tão apaixonadinhos esses meninos. — Mariah se enfiou entre os dois, puxando-os para um abraço desajeitado. — Eu só sei que vocês dois 'tão muito ferrados.

E pela expressão de ambos os garotos, talvez não restasse dúvidas quanto a isso.

Notas finais
Gostaram? Kyce sempre tão fofo e tão casal XD Fico mais derretida por eles a cada capítulo, espero que com vocês também seja assim. Edward, meu filho, tu é uma porta mesmo, só pode! O moço não percebe nada, não manja nada aheuhue Tadinho do Sam, mas sigamos firme ao lado dele O/ Dante, meu querido, num é atormentado o crush que você vai conseguir fazer ele cair no seu charme, tá fazendo errado... E quem diria, olha o Miles lendo uns mangás +18. * luazinha * E por último! Tivemos uma personagem que havia sido somente citado; Mariah! Uma amiga dessas, bixo! Ela tá super querendo ver os amigos felizes no amor, maaaas... Temos um japonês baixinho e indiferente e uma porta de olhos azuis XD Espero que tenham gostado! Bjuss e até os próximos! Ainda vou responder os comentários dos outros capítulos, então, por favor, não desistam de mim!